SECÇÃO DOS SÁBIOS – 2

A pretexto do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, recordamos novamente a  Secção dos Sábios, rubrica de curiosidades e cultura geral apresentada no Jornal do Cuto — quase um fac-simile da secção homónima criada por Eduardo Teixeira Coelho n’O Mosquito, com textos de Raul Correia.

As duas páginas aqui reproduzidas, ilustrando passagens d’Os Lusíadas, mostram um ETC em plena forma — apesar da sua carreira se ter iniciado poucos anos antes —, cujo traço robusto, dinâmico e harmonioso continuava a encantar os juvenis leitores d’O Mosquito, preparando-se para voos ainda mais altos, a partir de 1946.

Estas páginas foram publicadas no Jornal do Cuto nºs 5 (4/8/1971) e 10 (8/9/1971), ambos com capas de E. T. Coelho oriundas também d’O Mosquito.

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SECÇÃO DOS SÁBIOS – 1

No seu nº 5, de 4/8/1971, o Jornal do Cuto começou a apresentar uma curiosa rubrica intitulada Secção dos Sábios — que era, como muitas das histórias que ilustravam as suas páginas, oriunda também d’O Mosquito, o mítico jornal infanto-juvenil a que Roussado Pinto, director/editor do Jornal do Cuto, ficara também ligado por laços profissionais (pois trabalhou na sua redacção em 1947/48), e de profunda amizade e camaradagem com os seus dois directores e fundadores: António Cardoso Lopes Jr. (Tiotónio) e Raul Correia.

seccao-dos-sabios-mosquito-361-491O que distinguia a Secção dos Sábios de outras rubricas de curiosidades eram os magníficos desenhos de E.T. Coelho, um jovem artista fora de série que começara a colaborar n’O Mosquito (e na Colecção de Aventuras) em meados de 1942, não tardando a renovar por completo o aspecto gráfico do jornal com as suas exuberantes ilustrações para cabeçalhos, capas, contos e vinhetas decorativas de toda a espécie.

Graças ao contributo deste valioso elemento, cujo estilo dinâmico e harmonioso nunca parou de evoluir, atingindo em pouco tempo um grau de inaudita perfeição, O Mosquito transfor- mou-se na revista infanto-juvenil mais lida do seu tempo, sobretudo ao passar a publicar-se duas vezes por semana (desde o nº 361).

A par das capas e dos contos recheados de ilustrações de grande beleza e efeito estético, E.T. Coelho ocupou-se também, com evidente prazer, de pequenas rubricas de curiosidades, ora intituladas Coisas do Arco da Velha e Coisas e Loisas ou Curiosidades de Todos os Tempos e Curiosidades de Todo o Mundo, que mais tarde substituiu pela Secção dos Sábios, abordando com a mesma perícia e erudição os mais variados e bizarros assuntos. Aqui têm um dos primeiros exemplos desse artístico e primoroso labor, extraído do nº 362 (12 de Dezembro de 1942).

Os textos, com um “sabor” também especial, que valorizavam ainda mais a rubrica, eram de Raul Correia, talentoso escritor e poeta que tinha o raro condão, como E.T. Coelho, de transformar em preciosidades todas as suas criações, inclusive os poemas e os textos que assinava com o pseudónimo de Avozinho.

Por obra destes dois pilares d’O Mosquito, a Secção dos Sábios tornou-se uma das mais memoráveis rubricas da “série de ouro”, que assinalou entre 1943 e 1946 a fulgurante evolução da trajectória artística de E.T. Coelho e de outros autores de primeiro plano como Jesús Blasco, Jayme Cortez, Vítor Péon e Emilio Freixas.

Extraídas dos nºs 437 e 438 d’O Mosquito (Setembro de 1943), eis duas magníficas páginas que o Jornal do Cuto publicou nos seus nºs 21 e 26, de 24/11 e 29/12/1971, com a Secção dos Sábios que tanto divertira (e instruíra), três décadas antes, os leitores d’O Mosquito.