COLÓQUIO “UM PANORAMA DAS PRINCIPAIS REVISTAS PORTUGUESAS DE BD” – COM CARLOS GONÇALVES E GERALDES LINO (DO CPBD)

Desde a revista ABC-zinho, cujo início tem data de 15 de Outubro de 1921, até à revista Visão, com a vida breve de doze números editados entre Abril de 1975 e Maio de 1976, decorre um arco editorial de numerosos periódicos de banda desenhada publicados em Portugal. 

Essa produção de quantidade assinalável foi pontuada por títulos diversificados que marcaram gerações, designadamente ABC-zinho, Tic-Tac, Senhor Doutor, Papagaio, Mosquito, Pirilau, Diabrete, Faísca, Pluto, Camarada, Gafanhoto, Mundo de Aventuras, Cavaleiro Andante, Flecha, Titã, Fagulha, Falcão, Foguetão, Zorro, Pisca-Pisca, Tintin, Spirou, Jacto, Jornal do Cuto, Jacaré, Visão, e ainda vários outros posteriores.

É sobre este tema, que atrai o interesse de incontáveis entusiastas deste tipo de arte sequencial — em tempos idos conhecida pela expressão popular de histórias aos quadradinhos —, que vai incidir o colóquio intitulado “Um Panorama das Principais Revistas Portuguesas de Banda Desenhada”.

Em simultâneo, estará patente uma exposição composta por reproduções de capas de muitas das revistas acima mencionadas. 

A apresentação do colóquio estará a cargo dos sócios do Clube Português de Banda Desenhada – CPBD, Carlos Gonçalves e Geraldes Lino, que se apoiarão em fichas técnicas elaboradas pelo também sócio do CPBD Luís Filipe Veiga.

(Nota: texto de Geraldes Lino, extraído do seu blogue “Divulgando Banda Desenhada”).

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A HISTÓRIA DO PRESÉPIO EM BD

Numa quadra tão especial e tão festiva como a do Natal, cujo símbolo mais consagrado é o Presépio, não deve haver melhor exemplo do significado profundo do tema da Natividade e da mensagem redentora que esta fez chegar a todo o mundo e ao coração de muitos homens, através de imagens tão enternecedoras como a da Sagrada Família, com o Menino Jesus nos braços de Sua Mãe ou deitado num berço de palhas, numa humilde manjedoura.

A história que seguidamente apresentamos, O Poverello e o Presépio de Greccio“, com a assinatura de dois mestres da BD franco- -belga, Yves Duval (texto) e William Vance (desenhos), foi publicada no número de Natal do Camarada, 2ª série, 6º ano, dado à estampa em 28 de Dezembro de 1963, com uma bela capa de Júlio Gil, e narra a cruzada de dois frades mendicantes (um deles chamado Francisco de Assis) e de outros homens de boa vontade, que há mais de oito séculos levaram a cabo uma missão cheia de fé, acendendo pela primeira vez, na noite escura da Idade Média, as luzes do Presépio de Natal.

No Tintin belga, onde Vance iniciou em 1962 a sua brilhante carreira, este episódio surgiu no nº 52, de 25 de Dezembro desse ano, com o título Le Poverello et la Crèche de Greccio”.

Il poverello 3 e 4

Noutro número de Natal do Camarada, este de 1958 — ano do lançamento da 2ª série da revista da Mocidade Portuguesa, dirigida por Marcelo de Morais —, a história da criação do Presépio foi ilustrada por um grande desenhador português, cujos magníficos trabalhos recheiam muitas revistas da chamada “época de ouro”, como O Mosquito e o Camarada, e que ainda hoje, apesar dos seus 89 anos, continua cheio de projectos.

Pelo traço harmonioso de José Garcês, “Aquele Rapaz de Assis”, título do episódio que podem visionar a seguir, conta outra versão de um acontecimento que as lendas e as narrativas históricas atribuem a S. Francisco, o humilde monge que trocou a riqueza, a boémia e a companhia dos mais afortunados pela autêntica doutrina de Jesus Cristo, tornando-se um dos mais fervorosos apóstolos da caridade e do amor ao próximo.

AMADORA BD 2017 – UM FESTIVAL QUE TEM POR TEMA A REPORTAGEM

Cumprindo uma tradição já com 28 anos, o Amadora BD está de novo em destaque, no final deste mês de Outubro (é oficialmente inaugurado hoje, sexta-feira, dia 27, no Fórum Luís de Camões, e encerra em 12 de Novembro), com um programa subordinado ao tema “A Reportagem na Banda Desenhada”.

Pontos fortes: as exposições evocativas O Espírito de Will Eisner Jack Kirby – 100 anos de um Visionário, em homenagem a dois “monstros sagrados”, ambos já centenários, pelo extraordinário contributo que deram a um dos meios de expressão mais dinâmicos do nosso tempo, revolucionando graficamente a forma de contar histórias; e a exposição dedicada a Nuno Saraiva, autor da obra Tudo Isto é Fado, prémio de Melhor Álbum Português em 2016.

Da sua autoria é também o “populoso” cartaz do Festival, acima reproduzido, em cuja parte inferior é bem visível a imagem de um “mosquito”, idêntica à ladina figura do “insecto” mais bonito, que recheou os cabeçalhos da emblemática revista nascida em 1936, na mesma localidade da Amadora, por obra de António Cardoso Lopes Jr. (Tiotónio) e Raul Correia. O primeiro até se juntou ao seu “pupilo”.

Outro pormenor digno de nota é a presença de dois “monstros sagrados” da BD portuguesa, ligados desde sempre ao Festival: José Garcês, no 1º plano, junto de um magnífico tigre, o seu animal favorito, e José Ruy, ao alto, de pincel em punho, o precioso instrumento de trabalho que não larga há mais de 70 anos.  

CONVERSA(S) SOBRE BANDA DESENHADA (COM JORGE MAGALHÃES E CATHERINE LABEY) – 4

JORGE MAGALHÃES (2)

No campo editorial, coordenou ainda livros como “O Mosquito – 60º Aniversário” (1996) e “Vasco Granja – Uma Vida, 1000 Imagens” (2003) e colaborou em jornais como Tintin, Jornal da BD e Jornal do Exército, além de ter sido chefe de redacção das Selecções BD (2ª série), entre 1998 e 2001. Escreveu também um livro com o título “O Príncipe Olaf”, publicado em 1975 na colecção juvenil Galo de Ouro (Portugal Press), a par de conceituados novelistas como Raul Correia, José Padinha e Orlando Marques.

Juntamente com Augusto Trigo (o desenhador com quem mais trabalhou nos anos 80: “Luz do Oriente”, “Kumalo [Ranger]”, “Excalibur”, “Wakantanka”), foi autor do álbum “A Moura Cassima” (Lendas de Portugal em BD, Edições Asa), distinguido em 1992 com o prémio de melhor álbum português, criado nesse mesmo ano pelo Festival Internacional da Amadora. Voltou a colaborar com Augusto Trigo e Catherine Labey no álbum colectivo “Lenda da Moura Salúquia”, publicado no Salão Moura BD em 2009.

Foi galardoado cinco vezes com o Troféu O Mosquito do Clube Português de Banda Desenhada para melhor argumentista, entre 1981 e 1993. Em 1999, recebeu o Troféu de Honra do Festival da  Amadora (que no ano seguinte coube a Augusto Trigo) e em 2002 o Troféu Balanito Especial, atribuído pelo Salão Moura BD. A Câmara Municipal de Moura publicou estudos seus sobre vários temas:

“Carros e Motos na BD” (2001); BD e Ficção Científica – As Madrugadas do Futuro” (2005);O Western na BD portuguesa” (2007); Vítor Péon e o Western” (2010); Franco Caprioli – No Centenário do Desenhador Poeta” (2012)**

** Esta obra teve também edição em formato digital (e-book), pelo GICAV – Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu.

Actualmente, com assistência de Catherine Labey, coordena cinco blogues, que abordam desde a banda desenhada, o “western” e a aventura histórica à literatura popular e ao cinema.  O primeiro, O Gato Alfarrabista, nasceu em 2013.

CONVERSA(S) SOBRE BANDA DESENHADA (COM JORGE MAGALHÃES E CATHERINE LABEY) – 3

JORGE MAGALHÃES (1)

Jorge Magalhães nasceu no Porto em 22 de Março de 1938. Entre 1959 e 1961, iniciou transitoriamente a sua carreira na Banda Desenhada, escrevendo contos para o Mundo de Aventuras e para O Mosquito (2ª série), editado por José Ruy e Ezequiel Carradinha. Anos depois (1970), publicou também um conto no último número de Pisca-Pisca, revista da MP dirigida por Álvaro Parreira.

Em Maio de 1974, dez meses após regressar de Angola, onde era funcionário público — tendo continuado, em simultâneo, a dedicar-se à escrita, como colaborador, entre 1967 e 1972, de vários jornais e revistas: A Província de Angola, TrópicoABC e O Comércio —, concretizou um sonho de juventude ao ingressar na Agência Portuguesa de Revistas, onde assumiu a coordenação do Mundo de Aventuras (2ª série), MA Especial e Selecções do MA, entre outros títulos de menor importância, permanecendo naquela empresa durante 13 anos, até ao seu encerramento em finais de 1987.

Em 1976, estreou-se como argumentista no Mundo de Aventuras com uma história desenhada por Baptista Mendes, “A Lenda de Gaia”, tendo depois assinado numerosos argumentos para revistas e álbuns (individuais e colectivos), ilustrados por alguns dos principais desenhadores portugueses, como Augusto Trigo, Carlos Alberto, Carlos Roque, Catherine Labey, Eugénio Silva, Fernando Bento, João Amaral, José Abrantes, José Carlos Fernandes, José Garcês, José Pires, José Ruy, Pedro Massano, Rui Lacas, Vítor Péon e outros. Também colaborou com jovens desenhadores que trocaram a BD por outras carreiras, como Irene Trigo, João Mendonça, José Projecto, Ricardo Cabrita e Zenetto. 

Foi fundador e membro directivo do Clube Português de Banda Desenhada, criado em 1976, e coordenou outras revistas de BD como TV Júnior, Intrépido, AventureiroHeróis da Marvel, O Mosquito (5ª série), Almanaque O Mosquito, Heróis Inesquecíveis, etc. Também editou e dirigiu fanzines como os Cadernos de Banda Desenhada (com três séries) e a Colecção Audácia. Traduziu muitas histórias de BD, escreveu artigos de investigação e análise crítica para vários livros, revistas, catálogos, fanzines e suplementos de jornais, e durante os anos 1980 dirigiu colecções da Editorial Futura, como Antologia da BD Portuguesa, Antologia da BD Clássica, Colecção Aventuras, Tarzan, Torpedo, Nova BD, Gente Pequena, etc.

(continua)

“DOM AFONSO HENRIQUES NA BANDA DESENHADA” – GICAV REALIZA EXPOSIÇÃO EM VISEU E PUBLICA ÁLBUM COM HISTÓRIA DE E. T. COELHO

Conforme notícia que atempadamente divulgámos, abriu ao público no passado dia 27 de Agosto, em pleno Pavilhão Multiusos da Feira de São Mateus, a exposição intitulada “Dom Afonso Henriques na Banda Desenhada” — uma organização do GICAV (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu), com o apoio da Câmara Municipal daquela cidade, da Viseu Marca e do IPDJ (Instituto Português do Desporto e Juventude).

Os nossos colegas do BDBD, Luiz Beira e Carlos Rico, estiveram lá aquando da inauguração e fizeram uma reportagem fotográfica deste evento, que pode ser vista no seu blogue: http://bloguedebd.blogspot.pt/2017/09/d-afonso-henriques-na-bd-reportagem.html

Antes da abertura da exposição no Pavilhão Multiusos — segundo informa o BDBD —, teve lugar, mesmo ao lado, num pequeno mas acolhedor auditório, o lançamento oficial do álbum “D. Afonso Henriques – A Balada da Conquista de Lisboa”, narrativa extraída da obra “O Caminho do Oriente”, publicada n’O Mosquito de 1946 a 1948, com texto de Raul Correia e desenhos de Eduardo Teixeira Coelho, cuja capa gostosamente reproduzimos, com a devida vénia ao BDBD e ao GICAV.

A sessão teve início com um curto mas interessante vídeo, onde o numeroso público presente visionou imagens virtuais da nova Arena de Viseu, um magnífico espaço completamente apetrechado para receber eventos culturais e desportivos, que em breve (crê-se que dentro de um ano) tomará o lugar do Pavilhão Multiusos. A cerimónia teve a participação do Director Executivo da Viseu Marca, Dr. Jorge Sobrado, da Presidente do GICAV, Drª. Filipa Mendes, e de Carlos Almeida, coordenador do GICAV na área da BD.

Após o lançamento do álbum, seguiu-se a inauguração oficial da exposição, um conjunto de vinte painéis em grande formato, com exemplos de praticamente todas as BD’s onde a figura de D. Afonso Henriques, o Conquistador, foi retratada por desenhadores de várias gerações, entre os quais, além de E. T. Coelho, Artur Correia, Baptista Mendes, Carlos Alberto, Carlos Rico, Eugénio Silva, Filipe Abranches, Jorge Miguel, José Antunes, José Garcês, José Projecto, José Ruy, Pedro Castro, Pedro Massano, Santos Costa e Vítor Péon.

Vista parcial da exposição, com o painel dedicado a E.T. Coelho em grande plano, à direita, e ao lado o de José Antunes; também em 1º plano, de costas, o desenhador Baptista Mendes, outro autor com participação nesta grandiosa mostra (foto do BDBD).