TOMMY, O RAPAZ DO CIRCO – 12

Tommy of the Big Top - pág. 13

Disposto a descobrir o paradeiro da sua amiga Sue, raptada, por engano, pelos capangas de Carney Calson, Tommy lança-se numa investigação por conta própria, sem pensar nos riscos a que se expõe… porque Carney é um meliante sem escrúpulos.

Aqui têm mais onze tiras desta trepidante série criada por John Lehti, tal como saíram em Abril de 1948 n’O Mosquito nºs 920, 921 e 922, e correspondentes às daily strips publicadas nos jornais norte-americanos entre 1 e 13 de Março de 1947.

Tommy 108 -118

“O MOSQUITO” RESSUSCITADO… PELA 4ª VEZ (1)

Mosquito Futura - nº 1   727

Mosquito Futura - Postal d'AnúncioHá três décadas, em Abril de 1984 — ano que os leitores do célebre romance futurista de George Orwell guardarão sempre na memória —, saiu o primeiro número de uma nova série d’O Mosquito, a mítica revista nascida em 14 de Janeiro de 1936 por obra de dois amigos com jeito para desenhar e escrever e já com larga experiência, sobretudo o primeiro, no campo do jornalismo infanto-juvenil: António Cardoso Lopes Jr. (Tiotónio) e Raul Correia.

Ostentando um cabeçalho com a imagem simbólica de um “mosquito ardina”, criada em 1943 por E. T. Coelho, o mais notável colaborador do seu primeiro ciclo vital, esta nova série d’O Mosquito, a quinta por ordem cronológica — que até teve direito a uma campanha publicitária, em vésperas do seu lançamento —, foi o corolário dos álbuns publicados pela Editorial Futura, com recuperação de histórias Mosquito Futura - almanaque 1984    726que se tornaram grandes clássicos, como “O Caminho do Oriente” (a obra-prima de E. T. Coelho), e de um Almanaque O Mosquito, editado em finais de 1983, numa tentativa nostálgica de reviver um título cheio de nobres tradições e o respectivo Almanaque O Mosquito e a Formiga, cujo único número saiu no Natal de 1944.

A penúltima “ressurreição” d’O Mosquito tinha ocorrido quase dez anos antes, mas foi de todas a mais efémera, pois saldou-se também por um número isolado — hoje uma raridade que não vale um preço alto no mercado, já que nada de importante acrescentou ao prestigioso historial do seu “irmão” mais velho, ao contrário da 2ª série, editada, em 1960/61, por José Ruy e Ezequiel Carradinha, num esforço entusiástico (sobretudo do primeiro) que se traduziu pela publicação de 30 fascículos semanais. Neles foram reeditadas algumas séries clássicas d’O Mosquito e revividas célebres personagens como o Capitão Meia-Noite e Rudy Carter, a par de outro material inédito.

A 3ª série, publicada também em 1961, sob a égide de António Costa Ramos, teve apenas quatro números, num formato idêntico à anterior e com um sumário ainda mais nostálgico, que abrangia séries cómicas e grandes êxitos do passado, como O Gavião dos Mares, O Voo da Águia e Pelo Mundo Fora. Mas os leitores dos anos 60 já estavam noutra “onda”!…
Mosquito Nº13 - 2ª serie & nº 3 3ª serie

A aventura d’O Mosquito, da Editorial Futura — de início com periodicidade bimestral, depois mensal —, não foi além de 12 números, mas tanto bastou para marcar a diferença em relação às outras revistas de BD que apareciam nas bancas, Mosquito Futura - nº 1 Sumário739nomeadamente as duas mais antigas: O Falcão, do Grupo de Publicações Periódicas, e o Mundo de Aventuras, da Agência Portuguesa de Revistas (APR), que, apesar de ainda terem um público fiel, já se aproximavam também, a passos largos, do seu fim.

Tive o raro privilégio de coordenar simultaneamente, durante cerca de 22 meses, O Mosquito da 5ª série e o Mundo de Aventuras, que já contava a bonita idade de 35 anos. Essa acumulação de funções paralelas em revistas quase concorrentes, não me acarretou quaisquer problemas porque os meus vínculos com a APR já eram, então, de natureza precária, pois tinha passado voluntariamente ao regime de colaborador em part-time. Apesar disso, ainda me aguentei no Mundo de Aventuras até ao seu “estertor” final, que coincidiu com a queda, não menos dolorosa e lenta, da APR, a maior empresa do seu ramo até à década de 80.

N’O Mosquito da Futura tentei, com o precioso e incondicional apoio do seu director, o malogrado Dr. Chaves Ferreira, fundir a tradição clássica com uma linha mais modernista, o que nos permitiu apresentar obras de autores contemporâneos, sobretudo europeus e sul-americanos, que ainda hoje são grandes figuras do mundo da BD.

Mosquito Futura - nº 1 Desafio 1e 2

Logo no primeiro número (com histórias curtas ou com séries), foi a vez de Eduardo Teixeira Coelho (O Desafio), António Hernandez Palácios (Manos Kelly), Juan Jimenez (Ás de Espadas), Júlio Ribera (Nunca Estamos Contentes), Esteban Maroto (Zodíaco) — e seguidamente de Jordi Bernet, Moebius, Mandrafina, Solano Lopez, Milo Manara, Guido Buzzelli, Jesús Blasco, Hugo Pratt, Paul Gillon, Yves Chaland, Richard Corben e outros.

Alguns destes nomes, como Moebius, Chaland e Mandrafina, foram mesmo estreias absolutas no panorama da BD portuguesa dessa época.

Mosquito Futura - nº 1 Zodiaco 1 e 2Mosquito Futura - nº 1nunca estamos contentes 1  e 2

Procurámos também que a revista incluísse colaboração de desenhadores nacionais, de preferência com histórias inéditas, apesar disso acrescentar mais despesas ao seu oneroso orçamento, visto que o material estrangeiro nos ficava geralmente mais barato. Encargos a ter em conta, pois a revista fora planeada, de início, com 60 páginas, oito das quais a cores, além das capas, seguindo o modelo das suas congéneres espanholas Blue Jeans, Comix, Cimoc e Totem (estas ainda mais volumosas).

Nesse caderno central a cores teve honras de estreia a magnífica série Manos Kelly, com a deslumbrante paleta de um mago da BD espanhola: António Hernandez Palácios.

Mosquito Futura - nº 1 Manos Kelly 1 e 2

Ao nosso convite responderam, de imediato, Estrompa e Augusto Trigo, autores de características muito diferentes, mas já de mérito consagrado — o primeiro com a rubrica satírica Clássicos e Desintegrados, sucessão de hilariantes pastiches de personagens célebres da BD, e o segundo (a quem se deve a capa do número inaugural) com a sua esplendorosa série de temática africana Kumalo, um dos muitos trabalhos em que colaborei com ele, como autor do argumento, e que ainda hoje é um dos nossos preferidos.

Sobre o mesmo tema, escrevi também, para esse primeiro número, um artigo de divulgação intitulado “A África Negra na BD Portuguesa”, em que passei em revista outras obras de conhecidos autores nacionais desenroladas em paragens africanas.

Mosquito Futura - nº 1 Kumalo 1 e 2Mosquito FUTURA - nº 1 Kumalo 3 e África Negra na BD

O MOSQUITO BOM E O MOSQUITO MAU

mosquito zangado 2

Embora o nome mosquito (derivado do termo latino musca) tenha para nós, bedéfilos, uma conotação 100% aprazível — que aos mais velhos e mais nostálgicos traz saudosas recordações de uma carismática revista, a cujo título este blogue presta singelamente homenagem —, a verdade é que nem toda a gente pensa assim, sobretudo os habitantes das regiões dos trópicos, onde aquele pequeno e prolífero insecto é responsável por doenças infecciosas que dizimam muitas pessoas e animais. Por exemplo, o paludismo, de que também fui vítima, quando vivi em Angola.

Por isso, é natural que as organizações sanitárias façam campanhas de prevenção contra os malefícios das hordas de mosquitos que connosco convivem em todas as regiões do globo, particularmente nas mais afectadas pelo calor (porque estes selvagens e irritantes bichinhos não se dão muito bem com o frio).

Mosquito spit (saliva de mosquito)

Há até quem se associe a essas profiláticas campanhas, glosando o tema “ponham-se a pau com os mosquitos!” de forma original e divertida… Como ilustra o anafado e incauto banhista da imagem em foco, cujas costas exibem uma picotada frase, em inglês (com o aspecto de picadas de mosquitos), significando, mais letra menos letra, que os seres humanos são alérgicos aos ferrões dos ditos insectos.

Mosquito canta copyClaro que, como nenhum mosquito sabe ler, campanhas deste género não protegem os banhistas dorminhocos das suas nefastas investidas. Quanto aos outros Mosquitos — aqueles que ainda hoje mobilizam as nossas campanhas bedéfilas, apelando ao nosso afecto e à nossa grata memória —, esses não só eram cultos e letrados, como ensinaram a ler e a cultivar melhor a nossa língua muitas gerações de miúdos que, sob as suas asas diáfanas e graciosas, descobriram um novo e maravilhoso mundo… um reino de fantasia e diversão onde até os insectos do género Anopheles — cujas terríveis e venenosas picadas tanto afligem os humanos — eram os melhores amigos da rapaziada!

CANTINHO DE UM POETA – 8

Cantinho de um poeta - 8

Recordamos hoje um dos mais belos sonetos de Raul Correia (aliás, do Avozinho), publicado no Jornal do Cuto nº 12, de 22/9/1971, com ilustração de Jobat (José Baptista), desenhador que deixou a sua saudosa marca na revista criada e dirigida por Roussado Pinto. Três nomes incontornáveis do jornalismo juvenil e da Banda Desenhada portuguesa, que estiveram presentes, com a sua obra artística e literária, no imaginário de várias gerações.

CAPITÃO BLASCO

ENCONTRO COM JESÚS BLASCO  (Barcelona – 1985)

Cartaz Salón del Comic 2015 - 1

Cartaz do Salón del Comic 2015 - 2Está a decorrer, durante este fim-de-semana, o 33º Saló del Còmic de Barcelona, um dos eventos de maior nomeada no panorama bedéfilo espanhol e inter- nacional, cuja perfeita organização atrai sempre milhares de visitantes, tornando ainda mais concorrida e festiva a populosa capital da Catalunha, onde além do Salón del Comic não faltam, nesta quadra primaveril, outros motivos de interesse para ver e admirar, mor- mente as suas célebres belezas naturais e urba- nísticas, banhadas pelo idílico sol do Mediterrâneo.

Nos anos 80, há mais de três décadas, muitas foram as comitivas de autores, editores, jornalistas e bedéfilos portugueses que rumaram a Barcelona, para visitar o Salón del Comic e confraternizar com os seus amigos e colegas espanhóis, retribuindo visitas como a de Jesús Blasco, o famoso autor de Cuto e Anita Diminuta, que teve lugar em 1983, durante o certame organizado pelo Clube Português de Banda Desenhada nos antigos pavilhões da FIL (Feira Internacional de Lisboa).

1º e 3º Salón del Comic

Almanaque O Mosquito 1984Desse caloroso e animado convívio entre o grande mestre espanhol — que o revivalismo fomentado pelo Jornal do Cuto tornara conhecido das novas gerações — e os seus inúmeros admiradores portugueses, nasceu uma fraterna e duradoura amizade, consubstanciada desde logo num ambicioso projecto que arrancaria poucos meses depois: o lançamento de um almanaque e da 5ª série d’O Mosquito, planeada e posta em prática por uma equipa de que fiz parte, com a Catherine Labey, o saudoso editor da Futura, dr. Chaves Ferreira, e outros valiosos colaboradores nacionais e estrangeiros.

O êxito desse projecto não pode medir-se apenas em termos quantitativos — doze números e quatro almanaques publicados entre Novembro de 1983 e Novembro de 1986 —, 2014-10-23 22.09.24porque este saldo é pouco significativo, mas pela repercussão que alcançou no meio bedéfilo nacional e até em Espanha, onde o 1º número do novel O Mosquito nos serviu de cartão de visita quando demandámos o Salón del Comic de Barcelona, em meados de Maio de 1984. A recepção que nos foi feita por Jesús Blasco (e seus irmãos) e por outros autores presentes no Festival — como Jordi Bernet, Puigmiquel, Manfred Sommer, Luis Bermejo e Juan Gimenez — não podia ter sido mais efusiva e gravou-se indelevelmente na nossa memória. Alguns deles já eram colaboradores dessa nova série d’O Mosquito, com criações como Torpedo, de Jordi Bernet e Sánchez Abuli, e Ás de Espadas, de Juan Gimenez e Ricardo Barreiro.

4º e 5º Salón del Comic

2014-10-23 22.04.12No ano seguinte, a expedição a Barcelona e ao Saló del Còmic repetiu-se, na companhia de outros membros da nossa afanosa equipa e de mais amigos. Foi nessa ocasião que António José (Tozé) Simões, um dos mais jovens e talentosos colaboradores do ressus- citado O Mosquito, criador com Luís Louro de uma série que se tornaria a mais emblemática da BD portuguesa dessa época (estamos a falar, claro, de Jim del Monaco), entrevistou Jesús Blasco, durante um encontro no recinto do Salón, sempre a abarrotar de público, num ambiente que tornava a atmosfera daquele quente dia de Junho ainda mais abafada.

Almanaque Mosquito 1987Tal como o insólito calor primaveril de Barcelona, a loquacidade (proverbial) de Jesús Blasco não deu tréguas ao entrevistador, mas Tozé Simões saiu-se airosamente da tarefa, como os nossos leitores poderão constatar nas páginas que a seguir reproduzimos com essa entrevista, publicada no Almanaque O Mosquito de 1987 (cuja capa, ilustrada por Augusto Trigo, também aqui revive).

Memórias de outro tempo, de alguns velhos amigos, de uma hospitaleira cidade e de um ícone da BD mundial que Tozé Simões apelidou, com humor, de Capitão Blasco, um nome carismático que soa a Aventura…

Capitão Blasco 1 e 2Capitão Blasco 3

ANTOLOGIA DE CONTOS DE ACÇÃO – 6

O DESTINO DE JIMMY VALENTINE (2) por O. Henry

Resumo: Depois de sair da prisão, onde passou apenas alguns meses, Jimmy Valentine, um notório ladrão de bancos, que a polícia tinha debaixo de olho por causa da sua extrema facilidade em arrombar qualquer tipo de cofres, regressa ao seu quartel-general para reaver as “ferramentas” do ofício escondidas numa maleta.

Apesar dos conselhos do director da penitenciária, Jimmy está disposto a retomar sem demora a sua lucrativa profissão. Mas o destino vai trocar-lhe as voltas… e as intenções de Mr. Valentine tomarão repentinamente um rumo mais honesto.

O Henry - O destino de J Valentine   003

II

UMA SEMANA depois da libertação de Valentine, deu-se um caso de ar­rombamento de cofre em Richmond, Estado de Indiana, sem que fos­se possível encontrar a mais pequena pista quanto ao autor da proeza. Desaparece­ram uns simples oitocentos dólares. Duas se­manas mais tarde, foi a vez da cidade de Logansport, onde um cofre à prova de fogo, de roubo, de inundações e de outras coisas ainda, foi aberto como se não passasse de uma vulgar melancia. Sumiram-se mil e qui­nhentos dólares em notas. Documentos e jóias ficaram onde estavam. Nesta altura, o caso co­meçou a interessar vivamente a polícia. En­tão, um outro cofre, num Banco em Jefferson City, entrou em actividade e expulsou das en­tranhas uma pequena avalanche de notas: cinco mil dólares foi o total apurado.

As perdas começavam a ser bastante gran­des para que o assunto entrasse na esfera de acção do detective-chefe Ben Price. Compa­rando apontamentos, notou-se uma flagrante semelhança de métodos entre os vários rou­bos. Ben Price procedeu a investigações nos próprios locais, e houve quem o ouvisse di­zer:

— Isto tem a assinatura de Jimmy Valen­tine! Portanto, ele voltou ao ofício! Só ele se­ria capaz de abrir um cofre desta maneira! Nunca faz mais do que um orifício nas cha­pas… Um artista! Bem, parece-me que tenho de me pôr outra vez em busca do elegante Valentine… e quando o apanhar há-de cum­prir a pena por inteiro, sem tolices de comu­tações e maroteiras desse género! Um artista perigoso, é o que é! Os cofres mais compli­cados não passam de caixas de charutos para ele!… Um artista!…

Ben Price conhecia os hábitos de Jimmy Valentine, porque os tinha estudado quando se ocupara do caso de Springfield. Operava em lugares distantes uns dos outros, desapa­recia como fumo, não tinha nunca cúmplices e gostava de se relacionar com gente impor­tante — uma das razões porque era difícil apanhá-lo ou segurá-lo na cadeia por muito tempo.

Quando correu a notícia de que Ben Price se ocupava do caso, os outros possuidores de cofres-fortes começaram a respirar mais à vontade.

Ora, uma tarde, Jimmy Valentine e a sua maleta desceram da malaposta do correio em El­more, uma pequena cidade a cinco milhas do mais próximo caminho-de-ferro, perdida na região central do Estado de Arkansas. Jimmy, com o aspecto desportivo de um atleta universitário, atravessou a rua e encaminhou-se para o Hotel.

Uma rapariga elegantemente vestida cruzou-se com ele no caminho e entrou num edi­fício em cuja fachada se lia o nome de «Banco de Elmore». Jimmy Valentine olhou para ela, viu num relance o brilho de uns olhos gran­des e risonhos… e a partir daquele instante esqueceu-se de quem era. Tornou-se, de repente, um outro homem. Ela reparou nele e corou ligeiramente. Os rapazes com o aspecto e a elegância de Jimmy Valentine não abun­davam em Elmore…

Jimmy parou e chamou um garoto que es­tava sentado à porta do Banco como se fosse um dos accionistas. Deu-lhe uma moeda e começou a fazer-lhe perguntas sobre a cidade, e mais isto e mais aquilo… Passou um bo­cado, e eis que a rapariga sai… e finge que não repara em Jimmy, e segue o seu cami­nho.

— Oh!… — exclamou Valentine. — Ia jurar que é miss Polly Simpson!

— Nada disso!… — logo explicou o garo­to. — É miss Annabel Adams, filha do dono deste Banco! O senhor o que é que vem fazer cá para a terra? Olhe lá, a sua corrente de relógio é mesmo de oiro? Sabe? Vou ter um bulldog pequenino, que me dá o Bill! É ca­tita! Não tem aí mais moedas?

Jimmy dirigiu-se ao Planter’s Hotel, pediu um quarto e deu o nome de Ralph D. Spen­cer. Encostado ao balcão, conversou com o empregado, contando-lhe a sua história. Declarou que era um comerciante e industrial, farto da vida das grandes cidades, e que vie­ra a Elmore em busca de uma oportunidade para instalar um negócio. Tinha pensado numa sapataria… Que tal era o movimento comercial, em Elmore? Haveria probabilida­des para o negócio de calçado?

Impressionado pela elegância e boas manei­ras de Jimmy, o empregado do Hotel pôs-se inteiramente à sua disposição. Ele próprio era uma espécie de árbitro de elegâncias den­tro do pequeno âmbito da cidadezita, mas à vista de Valentine compreendeu imediata­mente as suas insuficiências. E, enquanto analisava com imensa atenção o perfeito nó de gravata do hóspede, abriu-se em informações detalhadas.

Sem dúvida, na sua opinião, o negócio de calçado podia oferecer perspectivas muito in­teressantes. Não havia nenhum estabeleci­mento da especialidade, em Elmore. Eram os armazéns gerais e os fanqueiros que vendiam sapatos à população… De resto, todo o mo­vimento comercial da cidade prometia um futuro interessante. Esperava que Mr. Spencer gostasse da terra e ali se estabelecesse. Elmore era uma cidade agradável para se viver, e a população muito hospitaleira e so­ciável.

Mr. Spencer declarou que ficaria ali por alguns dias, pelo menos, para observar a si­tuação. Não, não era preciso chamar o ra­paz para levar a mala. Ele mesmo a levaria.

— É um bocado pesada, sabe? Não se in­comode!…

                                                                                                                          (Continua)

Nota: Apresentamos seguidamente mais duas páginas (correspondentes ao texto) da brilhante adaptação gráfica deste conto, realizada pelo artista americano Gary Gianni e publicada em 1990 num volume da colecção Classics Illustrated. Os nossos leitores poderão, assim, cotejar a forma gráfica com a literária, duas abordagens distintas, mas paralelas (e complementares), do mesmo tema.

O' Henry - A regeneração 3 e 4

TOMMY, O RAPAZ DO CIRCO – 11

Tommy of the Big Top - pág. 12

No episódio que hoje apresentamos, correspondente às tiras publicadas originalmente entre 15 e 28 de Fevereiro de 1947, consumam-se os traiçoeiros planos de Carney Calson, disposto a vingar-se do circo rival por este ter ficado com a sua principal bailarina, a jovem e encantadora miss Larue. Mas, na escuridão da noite, os raptores podem enganar-se…

As doze tiras seguintes foram reproduzidas d’O Mosquito nºs 918 e 919, com data respectivamente de 10 e 14 de Abril de 1948.

Tommy 96 a 107