SANTO ANTÓNIO EM BANDA DESENHADA – NOVO ÁLBUM DE JOSÉ GARCÊS

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Com este novo lançamento, o Público e a Europress puseram à disposição de todos os devotos de Santo António (e dos leigos que são apreciadores de Banda Desenhada), um belo álbum realizado por Mestre José Garcês, decano da BD portuguesa, que em 2016 celebra 70 anos de meritória carreira (iniciada n’O Mosquito), como autor de vasta obra de índole recreativa, didáctica e cultural. Citando o Público:

“Na sua narrativa fluida e envolvente, José Garcês recria a vida, os milagres e a herança de Santo António, um homem comum com qualidades invulgares que o transformaram em ícone da Igreja Católica e da cultura popular”.

Uma obra a vários títulos assinalável, que demonstra o vigor e a paixão com que, nesta fase do seu exemplar percurso artístico, José Garcês continua a abordar temas e personagens da nossa História que lhe são caros.

Em breve, este blogue terá também a honra de homenagear essa extraordinária carreira, apresentando algumas das primeiras histórias que José Garcês realizou para as mais emblemáticas revistas da BD portuguesa.

E.T. COELHO NA REVISTA ESPANHOLA “CHICOS” – 1

“EL HECHICERO DE LOS MATABELES”

c-andante-137-822Após o desaparecimento d’O Mosquito, em Fevereiro de 1953, a revista onde Eduardo Teixeira Coelho espraiou o seu talento durante onze anos, tornando-se o principal colaborador artístico do mais popular bissemanário infanto-juvenil português, as suas perspectivas de trabalho ficaram drasticamente reduzidas.

É certo que encontrou logo lugar no Cavaleiro Andante, para o qual realizou algumas capas e uma nova aventura do Falcão Negro, mas esta revista, cujo êxito apressara a queda d’O Mosquito, já contava com uma numerosa equipa de autores nacionais, de que faziam parte Fernando Bento, José Garcês, Stuart, Fernandes Silva, José Félix, José Manuel Soares e Artur Correia. Tanta concorrência não deve ter agradado a E.T. Coelho. Além disso, Adolfo Simões Müller, o director do Cavaleiro Andante, não costumava abrir os cordões à bolsa… dizendo-se que pagava pior do que os seus colegas.

chicos-327-1823Pouco depois de ter averbado os primeiros êxitos n’O Mosquito como ilustrador, E.T. Coelho publicou duas histórias aos quadradinhos no semanário espanhol Chicos, editado em San Sebastian mas com larga difusão em toda a Espanha, e cujo material de primeira qualidade chegava também a Portugal, onde era avidamente disputado pelos dois grandes rivais dessa época na área da imprensa infanto-juvenil: O Mosquito e o Diabrete. Foi a estreia de E.T. Coelho como autor de BD, um ano antes de aparecer n’O Mosquito outra história sua de temática africana, cujo estilo não era muito diferente: “Os Guerreiros do Lago Verde”.

Não deixa de parecer um pormenor assaz curioso que E.T. Coelho, numa espécie de intercâmbio entre o Chicos e O Mosquito, realizasse também ilustrações inéditas para a revista espanhola, destinadas a contos e capas… rivalizando com artistas do calibre de Jesús Blasco e Emilio Freixas (que, aliás, não lhe regatearam elogios). Segundo a directora do Chicos, Consuelo Gil, que fazia muitas visitas a Portugal para vender o material da revista, os trabalhos de E.T. Coelho eram bastante apreciados, também, pelos leitores espanhóis, que desconheciam ainda a nacionalidade do seu autor.

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A estreia de E.T. Coelho no campo das histórias aos quadradinhos ocorreu, pois, em Espanha e esse providencial contacto, fruto da projecção cada vez maior do seu excepcional talento artístico, permitiu-lhe enfrentar as novas contingências, sobretudo económicas, durante algum tempo, quando o doloroso fim d’O Mosquito, incapaz de continuar a resistir à concorrência, quase lhe fechou as portas do futuro em Portugal. 

mosquito-707-826Um futuro que acabaria por ser mais bem auspicioso noutras paragens europeias, começando por Espanha, França e Inglaterra, onde o seu trajecto profissional e artístico descreveu, nos anos cinquenta, uma gloriosa curva ascendente.

Aqui têm, caros leitores e admiradores da obra de E.T. Coelho, algumas das ilustrações que ele fez para o Chicos, até hoje inéditas, salvo raras excepções, em Portugal, e a reprodução da curta história “El Hechicero de los Matabeles”, publicada em 1944, nos nºs 287 a 293 daquele semanário espanhol. Tempos depois, em 1946, O Mosquito, já com um novo e maior formato, publicou-a também, sem qualquer comentário, nos nºs 704 a 713, dando-lhe um título mais novelesco, “O Feitiço do Homem Branco” (com textos de Raul Correia). Não se trata, portanto, de uma história inédita, mas a sua versão original (a preto e branco e com legendas mais reduzidas) merece também ser conhecida entre nós.

Repare-se noutra pitoresca diferença entre as duas histórias: o protagonista — um caçador branco a quem o régulo dos Matabeles pede que mate um corpulento leão que devora o seu gado —, chama-se Diego Artola, na primeira versão; n’O Mosquito, mudou naturalmente de nome e de nacionalidade, passando a chamar-se João Amaral. O exímio caçador cumpriu tão bem a sua tarefa que a família de leões foi completamente dizimada…

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NOTAS DE 30 ANOS DE BANDA DESENHADA – 8

roussado-pinto-foto-aJá aqui evocámos várias vezes a memória de Roussado Pinto, sobretudo a propósito da sua última e épica “aventura” editorial, depois de sucessivos desaires que nunca fizeram esmorecer o seu entusiasmo nem a sua paixão pelo ofício de editor e autor de Banda Desenhada.

Dando um novo passo, ainda mais ousado do que os anteriores (mesmo estando já com 44 anos), sem temer a concorrência, ainda mais forte do que no passado, o dinâmico editor, escritor e jornalista conseguiu finalmente concretizar, no verão de 1971, um dos seus maiores sonhos, criando um jornal com o nome de um herói que ficara indelevelmente ligado à sua carreira, o Jornal do Cuto, e uma empresa com bases comerciais suficiente- mente estáveis, a Portugal Press, responsável pelo lançamento de uma avalanche de revistas periódicas, algumas dignas também de ser lembradas, como as colecções Jaguar, Canguru, Herói, O Grilo, Êxitos da TV, Riquiqui, Enciclopédia “O Mosquito”, Modernos da Banda Desenhada, Pantera Negra, Lince, Galo, Flash Gordon, Spirit, Zakarella, Barbarella, etc, etc.

galo-no4-813Isto só no campo da BD, porque o “desafio” à concorrência foi ainda mais longe, inundando o mercado com inúmeras colecções de livros de todos os géneros, entre as quais se destaca a Galo de Ouro (com larga percentagem de autores portugueses) e a que tinha como mote as aventuras de Tarzan, o Rei da Selva, com a publicação integral (pela primeira vez no nosso país) dos 24 volumes escritos por Edgar Rice Burroughs.

No Jornal do Cuto, cujas páginas dão bem a ideia do eclectismo que reinava no espírito do seu director, juntando histórias clássicas oriundas d’O Mosquito e do Mundo de Aventuras (um pretexto para prestar home- nagem aos seus autores preferidos, como Jesús Blasco, E.T. Coelho, Hal Foster, Alex Raymond e José Luís Salinas) com modernas criações inglesas e americanas, surgiram também duas apreciadas rubricas, 9ª Arte e Notas de 30 Anos de Banda Desenhada, onde Roussado Pinto deu livro curso aos seus conhecimentos teóricos sobre as histórias aos quadradinhos e às suas memórias jornalísticas, desfiando curiosos episódios de uma intensa vida de “faz-tudo” nos bastidores da imprensa.

pantera-negra-no4-814E é evidente o prazer (que sabia sempre transmitir aos leitores) com que se referia pitorescamente a figuras notáveis que conhecera e de quem se tornara amigo, em tertúlias e redacções (como a d’O Mosquito, onde “estagiou” depois do fracasso do seu primeiro projecto editorial) repletas de excelentes colaboradores, cujos nomes e cujas obras foram, graças a si, resgatados do esquecimento (porque a memória dos jovens é curta): Eduardo Teixeira Coelho, Jesús Blasco, Jayme Cortez, Vítor Péon, António Barata, Cardoso Lopes, Raul Correia, Orlando Marques, José Padinha.

No artigo que hoje publicamos, reproduzido do Jornal do Cuto nº 112, de 24/9/1975, Roussado Pinto evoca a redacção de outro periódico onde trabalhou, a revista de actualidades O Século Ilustrado (virada para um público mais adulto), recordando alegres companheiros de trabalho, como Rodrigues Alves, Méco, Baltazar, e as partidas que pregavam uns aos outros, sempre suportadas com fair-play pelas suas “vítimas”… até chegar o momento da desforra!

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CURIOSIDADES E ANOMALIAS – 4

Durante os seus primeiros cinco anos de existência, o aspecto gráfico d’O Mosquito pouco mudou. Com apenas oito páginas (mais quatro, durante um breve período), recheadas de histórias aos quadradinhos inglesas, contos e novelas ilustrados também com gravuras inglesas e os poemas do Avozinho, que eram lidos com tanto interesse como o resto do sumário, O Mosquito conseguiu impor-se a todos os seus concorrentes, conquistando um lugar cada vez mais proeminente no panorama da imprensa infanto-juvenil dessa época.

mosquito-201-784A guerra em curso na Europa dificultava também, como era inevitável, a vida dos portugueses, agravando, no caso particular dos jornais, o custo do papel e de outras matérias-primas, com cuja escassez O Mosquito e os seus congéneres se debatiam semana após semana. Parece quase um milagre que, numa altura em que muitas pessoas tinham de fazer bicha para comprar pão, leite e outros alimentos, as máquinas impressoras continuassem a trabalhar, fornecendo aos ávidos leitores juvenis uma espécie de “maná” que servia de alimento ao seu espírito e de lenitivo aos temores que as notícias dessa guerra longínqua infundiam aos mais timoratos.

Em Novembro de 1939, ignorando o que se passava bem perto das nossas fronteiras, com os fantasmas da guerra já a rondarem alguns países europeus, O Mosquito deu um passo de gigante que lhe permitiu consolidar ainda mais o seu lugar de líder no mercado, com uma tiragem que fazia inveja a todos os concorrentes — incluindo os que tinham nascido antes dele, como O Senhor Doutor e O Papagaio.

Com efeito, foi nessa data que se mudou para as suas novas oficinas gráficas, na Travessa de S. Pedro nº 9, em Lisboa (perto do jardim e miradouro de S. Pedro de Alcântara), onde ficaram, também instalados os seus escritórios e armazéns, pois o amplo rés-do-chão de um prédio que era pertença da família de António Cardoso Lopes Jr. (Tiotónio) tinha espaço para tudo.

A partir desse histórico momento, não só o seu aspecto gráfico melhorou como pôde aumentar o número de páginas, que passaram de oito para doze (mantendo a separata com uma construção de armar), e incluir outros melhoramentos, como  a nova rubrica dedicada à colaboração dos leitores (onde se estrearam, pouco depois, dois grandes novelistas, Orlando Marques e Lúcio Cardador), e mais histórias ilustradas pelos melhores artistas ingleses, que não tardaram a cotar-se entre os seus maiores êxitos: “O Voo da Águia” (por Reg Perrott), “Serafim e Malacueco” (por Percy Cocking) e “Pedro de Lemos, Tenente, e o Manel, Dez Reis de Gente” (por Roy Wilson).

mosquito-206-a-786A cor, que até então tinha sido sistematicamente monocromática, diversificou também a sua gama, tornando mais garridas algumas capas, a partir do nº 201, de 17/11/1939. Foi essa a primeira experiência policromática — ainda não totalmente conseguida, como os próprios editores reconhe- ciam no editorial desse número  — realizada por Cardoso Lopes na nova máquina onde era impresso O Mosquito, uma moderna Rollan, importada da Alemanha, que imprimia as páginas do jornal a uma velocidade nunca vista e com uma perfeição que, ultrapassadas as primeiras e notórias deficiências, deu um ar ainda mais atraente ao simpático “insecto” de papel, que se intitulava o “Mosquito” mais bonito de Portugal, do Minho ao Algarve.

A impressão em offset a três cores voltou a engalanar as capas d’O Mosquito nºs 206 (especial de Natal, com uma ilustração da ilustre artista Raquel Roque Gameiro) e 222, de 11/4/1940; neste o cabeçalho também mudou, ostentando um desenho de Cabrero Arnal, criador do famoso Cão Top, em vez da usual figura do “Mosquito” desenhada por Cardoso Lopes. Mas os tempos não estavam para folias e, por isso, a rotina voltou a instalar-se com o regresso das duas cores, na capa e na contracapa, quebrada apenas no nº 318, de 12/2/1942, primeiro de uma nova etapa, com O Mosquito a dar outro gigantesco passo em frente, apesar do formato ter diminuído, intitulando-se agora “formato de guerra”. Mas isso é outra história…

CANTINHO DE UM POETA – 26

Cantinho de um poeta

O post que publicámos ultimamente nesta rubrica, dedicada a Raul Correia (e ao seu célebre heterónimo, o Avozinho), mereceu também divulgação no blogue bilingue de Catherine Labey Gatos, gatinhos e gatarrões (Le chat dans tous ses états), facto que queremos devidamente assinalar, reproduzindo o poema “Le beau prêcheur”, traduzido de forma magnífica pela Catherine, que até procurou manter a métrica e as rimas (tarefa, mesmo para ela, nada fácil).

Cremos ter sido a primeira vez que um poema de Raul Correia — grande devoto e praticante da língua de Rousseau e Voltaire — foi vertido (sem ser pelo próprio) nesse harmonioso idioma. Aqui fica, para memória futura, a justa referência.

CANTINHO DE UM POETA – 25

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Trocando, para variar, a lírica inspiração de Raul Correia (vulgo o Avozinho) por um estilo humorístico, outra faceta que o ecléctico director literário d’O Mosquito gostava de cultivar, apresentamos nesta rubrica mais um dos seus textos em prosa — não menos fluente e rítmica e ainda de agrado geral para os leitores dos anos 70, mesmo quando nela transparecia a intenção de imitar o Avozinho e a sua métrica, rimando frases como se fossem versos e pondo sempre a tónica na amena filosofia moral que o tempo em nada tinha alterado.

As ilustrações deste cantinho reservado a Raul Correia no Jornal do Cuto (desde o seu 1º número) eram invariavelmente de José Batista, um desenhador que interpretou de forma realista, por vezes com refinada sensibilidade estética, o lirismo do poeta que, como devoto leitor d’O Mosquito e do Avozinho, também soubera apreciar na infância. Resta acrescentar, a título de curiosidade, que José Baptista (mais conhecido, nessa época, pelo acrónimo de Jobat) chegou a ser chefe de redacção do Jornal do Cuto. O presente texto foi publicado no nº 35, de 1/3/1972.

GRANDES AUTORES – 2

ARTURO MORENO: O WALT DISNEY ESPANHOL

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Moreno (KKO)Arturo Moreno Salvador (1909-1993) foi uma das maiores revelações da “historieta” na época em que iniciou a sua carreira, encabeçando um ilustre grupo de humoristas que fez escola nas revistas Pulgarcito, TBO, Mickey, Pocholo, KKO, Chicos e outras, e que rapidamente ultrapassou fronteiras. Entre nós, o seu estilo caricatural, moderno (já nos anos 30) e burlesco, roçando, por vezes, o non-sense sem parecer adulto, e as suas histórias recheadas de fantasiosas peripé- cias, tornaram-no também uma referência, fazendo as delícias dos leitores d’O Mosquito, Tic-Tac, O Senhor Doutor, Diabrete e de outras publicações infanto-juvenis.

Esteve presente n’O Mosquito desde o 1º número, com as “formidáveis” e exóticas aventuras de Mick, Mock e Muck (Formidables Trapisondas del Grumete Mick, el Viejo Mock y el Perro Muck), um valoroso trio constituído por um velho taberneiro, um rapaz e um cão, cuja popularidade se manteve durante largos anos — dando origem, em 1947, a quatro pequenos e vistosos álbuns saídos das oficinas gráficas d’O Mosquito com a reedição das suas movimentadas aventuras.

moreno-punto-negro-1No Natal de 1937, Moreno brindou os seus admiradores com outro bizarro personagem chamado Ponto Negro, um borrão de tinta que ganhou vida num dos primeiros álbuns de BD editados em Portugal: Ponto Negro, Cavaleiro Andante (Punto Negro en el País del Juego).

Arturo Moreno apareceu também, de forma mais esporádica, no Diabrete com as suas inimitáveis historietas de uma página, que mesmo sem heróis fixos (salvo raras excepções) divertiam e encantavam os leitores. Muitas delas foram reeditadas, mais tarde, nas revistas O Mosquito (2ª série) e Escaravelho Azul — e também n’A Formiga, suplemento do Jornal do Cuto, criado por Roussado Pinto em homenagem  à Anita Pequenita, outra célebre personagem de Jesús Blasco.

Como exemplo do talento e do singular grafismo de um grande humorista espanhol, apresentaremos brevemente, na rubrica “Os Reis do Riso”, várias páginas publicadas n’O Mosquito durante a década que assinalou o seu período de maior êxito como ilustrador de tebeos, antes de se dedicar ao cinema de animação — género em que deixou também a sua marca como realizador de Garbancito de la Mancha (1945), o primeiro filme europeu de desenhos animados de longa metragem, totalmente produzido em Espanha e que obteve um enorme êxito, valendo-lhe o cognome de Walt Disney castelhano.

moreno-tboA partir dessa data, Moreno dedicou-se a tempo inteiro ao cinema publicitário e de animação, tanto em Espanha como na América do Sul (Venezuela), para onde emigrou em 1948, pouco tempo depois de ter realizado os seus primeiros filmes. Mas a precariedade dos projectos cinematográficos levou-o, várias vezes, a interromper esse percurso, regressando aos tebeos, em revistas como Tricolor e TBO, onde o seu traço continuou a ser sinónimo de humor burlesco e de surrealista inspiração.

Morreu em Espanha, já octogenário, depois de longa carreira, sempre coroada de sucesso, como prova a colaboração que prestou, nos últimos anos de criatividade, à revista Chito, divulgada oportuna- mente em Portugal nas páginas do Jornal do Cuto.

Apesar da indiferença ou da pesporrência crítica com que hoje se encara o passado, em muitos sectores artísticos e culturais, inclusive nos da 7ª e 9ª Artes, a memória da obra e do talento multifacetado de Arturo Moreno continua a suscitar calorosas e significativas homenagens entre os seus compatriotas, numa redescoberta e valorização permanentes dos melhores trabalhos que legou aos fãs do humor (e aos jovens de espírito).

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