PÁGINAS DE ANTOLOGIA : “A VIDA MARAVILHOSA DE CHARLES CHAPLIN” (POR JOSÉ RUY)

“A Vida Maravilhosa de Charles Chaplin” é, provavelmente, uma das obras menos conhecidas de José Ruy. Produzida em 1979, a sua estreia ocorreu no 1º número (10/04/1979) da revista “Spirou” (edição portuguesa), dirigida por Vasco Granja. Mais tarde, esta notável biografia ilustrada, com 46 páginas, do maior actor e realizador cinematográfico de todos os tempos foi publicada em álbum pela Editorial Notícias.

Como introdução à história da vida de Charles Chaplin, alegre e trágica, ao mesmo tempo, e cuja maior criação — Charlot, o eterno vagabundo dos sonhos cinéfilos — se tornou um símbolo para milhões de espectadores, em todo o mundo, José Ruy concebeu duas páginas de atraente composição, à laia de trailer de um filme, resumindo nalguns flashes os principais êxitos da carreira cinematográfica de Chaplin, inspirados quase sempre pelas peripécias acidentadas da sua existência, antes de se tornar famoso.

Em homenagem a outro grande criador, com uma longa carreira dedicada à arte das imagens mais próxima do cinema, ou seja, a banda desenhada, apresentamos essas duas páginas, com a certeza de que merecem amplamente figurar numa antologia dos melhores trabalhos de José Ruy — autor que alguns sectores da crítica têm, por vezes, depreciado injustamente. Mas a sua obra gigantesca, tanto pelo volume, pela produção regular, como pela variedade temática e pelo rigor da forma, aí está para contestar essa injustiça!

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DOIS COLÓQUIOS DE JOSÉ RUY NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DA AMADORA

Nos próximos dias 24 de Outubro e 6 de Novembro, Mestre José Ruy volta à Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos, na Amadora, para apresentar os seus dois mais recentes álbuns (ambos publicados pela Âncora Editora).

Na primeira dessas sessões, que terão lugar às 18h00, no Auditório da Biblioteca Municipal (sita no mesmo edifício onde funciona a Bedeteca), participará também Otelo Saraiva de Carvalho, para falar do 18 de Março de 1974 (em que ocorreu o falhado golpe das Caldas da Rainha) e da sua reconstituição no álbum de José Ruy.

A segunda, dedicada à obra “A Ilha do Corvo que venceu os piratas”, cujo lançamento teve lugar nos Açores e que em breve chegará ao mercado nacional, tem como orador João Saramago, membro do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa.

MEMÓRIAS À VOLTA DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS (POR JOSÉ RUY) – 5

Com a técnica de utilizar modelos vivos para as personagens das histórias em quadrinhos, que o Eduardo Teixeira Coelho me incutiu, utilizava os colegas da secção de Rotogravura e Offset do Diário de Notícias, onde trabalhava. Quase todos manifestavam o desejo de entrar nas histórias.

Na vida de «Guntenberg» que desenhei para um Número Especial do Cavaleiro Andante, além do Rodrigo, que mostrei no artigo anterior, o Fernando Amorim, transportador-gravador de Rotogravura, serviu para uma personagem.

O seu papel foi o de um rico financiador de Gutenberg. A adaptação à época, século XV, fez-me acrescentar-lhe cabelo. E os voluntários começaram a afluir. Também o transportador de Offset, Fernando Lança, personalizou uma figura.

A este amigo coube-lhe o papel de um dos colaboradores de Gutenberg, que tiveram de fugir para França, por causa da guerra, quando a oficina do mestre foi destruída pelos canhões, arma inventada também nessa época.

Claro que tive de fazer algumas alterações: eliminei os óculos e acrescentei uma barba rala, e com o cabelo num corte diferente.

Continuei a colaborar nos Números Especiais [do Cavaleiro Andante], com algumas histórias que se completavam numa página.

Passados 22 anos, em 1976, o meu amigo Jorge Magalhães (que coordenava a revista Mundo de Aventuras) republicou esta história [na edição mensal, em formato A4]. Mas como então eu passara a compreender a vantagem de incluir balões com legendas, para uma melhor dinamização da narrativa, alterei o aspecto das páginas.

Nova versão de “Gutenberg”, com balões, publicada no Mundo de Aventuras Especial nº 13 (Dezembro de 1976)

Passei a escrever as legendas manualmente, o que também prefiro, para que o texto tenha uma maior ligação com o desenho. O Mundo de Aventuras era impresso em Offset, por isso não mantive os esbatidos da Rotogravura.

Mas só em 1956, dois anos depois da publicação da história de Gutenberg, comecei a colaborar na revista semanal Cavaleiro Andante, sem interrupção, até meados de 1959.

Foi com a adaptação do romance «Ubirajara», da autoria do autor brasileiro José de Alencar. Há a assinalar aqui uma curiosidade, que vos conto de seguida.

Esta é a capa do Cavaleiro Andante nº 220, a anunciar a história que se desenrolava no seu interior, publicada em 1956, e ao lado o original, que na altura desaparecera na oficina. Era comum não ligarmos aos desenhos originais das histórias, pois não pensávamos poder utilizá- -los uma segunda vez. E o insólito vem a seguir:

Este original apareceu recentemente, num anúncio de uma galeria de Paris, à venda por 400 €. Foi o meu amigo Leonardo De Sá quem descobriu.

Servia-me de modelo para as figuras musculadas, e portanto utilizei, para esta personagem de índio sul-americano, um vendedor de leite, que nessa época ia porta a porta, com as bilhas de zinco, fornecer diariamente meio litro ou metade de meio litro desse alimento.

À noite ia ao atelié montado em minha casa, servir-me de modelo. Pagava-lhe 4$00 à hora, o que na altura era compensador. A revista pagava 250$00 por cada página ou capa.

Muitos anos mais tarde, em 1982, e também pela mão do Jorge Magalhães, a Editorial Futura republicou esta história em livro e realizei uma pintura para a nova capa, mas mantendo a composição da que saíra no Cavaleiro Andante, embora com mais dinamismo, com a experiência entretanto adquirida nos 32 anos que mediaram a publicação.

Mas, enquanto na primeira versão a pontaria de «Ubirajara» para ferir o crocodilo foi num olho e numa axila, as partes mais vulneráveis deste animal, na segunda, por uma questão de sensibilidade, para não chocar os leitores, escolhi um intervalo na carapaça, entre espáduas, embora com menor probabilidade de êxito para ferir mortalmente o sáurio. 

A editora iniciou com esta história a colecção «Antologia da BD Portuguesa» [neste álbum, com 64 páginas, foram reeditadas também «A Vida de Gutenberg» e duas outras histórias de José Ruy publicadas no Cavaleiro Andante: «A Mensagem» e «Na Pista dos Elefantes»].

No próximo artigo: «A Mensagem» e outras histórias que fiz para o Cavaleiro Andante.

CATÁLOGO DA EXPOSIÇÃO “PARABÉNS GARCÊS” – 2

Com estas páginas, completamos a reprodução do catálogo da exposição dedicada a Mestre José Garcês, que está patente na Bedeteca da Amadora até ao próximo dia 11 de Novembro. O texto do catálogo é de Pedro Mota, presidente do Clube Português de Banda Desenhada, co-organizador desta exposição, composta por originais doados por José Garcês ao valioso espólio da Bedeteca da cidade onde há uma escola e uma rua com o seu nome.

CATÁLOGO DA EXPOSIÇÃO “PARABÉNS GARCÊS” – 1

Conforme temos informado os nossos leitores, foi aberta ao público no passado dia 8 de Setembro a exposição comemorativa dos 90 anos de Mestre José Garcês, decano da BD portuguesa, que estará patente na Bedeteca da Amadora até 11 de Novembro p.f.

Em parceria com o Clube Português de Banda Desenhada, esta mostra reúne vários originais de José Garcês, desde 1946 (ano da sua estreia n’O Mosquito) até 2004, todos pertencentes, por doação do Mestre, ao acervo da Bedeteca. Foi editado também um pequeno catálogo, com texto de Pedro Mota, presidente do CPBD, que gostosamente reproduzimos neste blogue (dividindo-o em duas partes), como mais uma achega para o conhecimento da vastíssima obra, sobretudo da mais antiga, de um dos maiores autores da BD portuguesa.

Nesta página: vinheta de “Eurico, o Presbítero”, adaptação do célebre romance de Alexandre Herculano, publicada na revista Modas & Bordados (1955/56).

INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO EM HONRA DOS 90 ANOS DE JOSÉ GARCÊS

Como é do conhecimento dos nossos leitores, realizou-se no passado sábado, dia 8 de Setembro, pelas 16h00, a sessão de abertura da mostra “Parabéns GARCÊS”, que estará patente na Bedeteca da Amadora até 11 de Novembro p.f.

Constituída unicamente por originais de várias épocas, doados por Garcês ao acervo da Bedeteca — desde a sua primeira HQ publicada n’O Mosquito, em 1946, “O Inferno Verde”, às narrativas de cunho histórico e animalista em que se especializou durante a sua longa carreira, como “Vagô, o Tigre”, “Eurico, o Presbítero”, “Bartolomeu Dias” ou “A História de Portugal em BD”, um grande êxito editorial, sem esquecer trabalhos de outra espécie, como as suas monumentais construções de armar —, a exposição atraiu um público numeroso e foi apresentada pelo Vereador da Cultura da Câmara Municipal da Amadora, José Agostinho Marques, e por Pedro Mota, Presidente do Clube Português de Banda Desenhada, entidade que, em parceria com a Bedeteca, organizou esta excelente mostra.

Da esquerda para a direita: Geraldes Lino, José Ruy, José Garcês, José Agostinho Marques, Pedro Mota, Ricardo Garcês, Manuela Garcês e Maria Fernanda Pinto.

Por gentileza de Dâmaso Afonso, habitual colaborador dos nossos blogues —  e que preside à Mesa da Assembleia Geral do CPBD —, registamos, para memória futura, uma reportagem fotográfica deste evento em que José Garcês, actualmente o decano da BD portuguesa, teve mais uma calorosa e merecida homenagem, com a presença dos seus familiares e de colegas, admiradores e amigos. Ao Dâmaso os nossos agradecimentos. E para o Mestre José Garcês os nossos sinceros e afectuosos parabéns.

EXPOSIÇÃO DE HOMENAGEM A JOSÉ GARCÊS NA BEDETECA DA AMADORA

Decano da BD portuguesa, JOSÉ GARCÊS será alvo, no próximo sábado, dia 8 de Setembro, às 16h00, de merecida homenagem pelos seus 90 anos de idade e mais de 70 de carreira, numa louvável iniciativa da Bedeteca da Amadora e do Clube Português de Banda Desenhada. Parabéns, MESTRE GARCÊS!