EXPOSIÇÃO “QUADRADINHOS PORTUGUESES” NA CIDADELA DE CASCAIS

Esta exposição, comissariada por José de Matos-Cruz — e patrocinada pela Câmara Municipal de Cascais e pela Fundação D. Luís I, no âmbito da programação do Bairro dos Museus —, será inaugurada no próximo sábado, dia 24 de Junho, às 19h00, na Cidadela de Cascais, ficando aberta ao público até 3 de Setembro do corrente ano.

Como consta do cartaz acima reproduzido, nela figuram também trabalhos de dois mestres da BD portuguesa, José Garcês e José Ruy, cuja notável carreira está intrinsecamente ligada, nos anos 1940/50, ao nome d’O Mosquito. Outros dois autores consagrados, Victor Mesquita e Renato Abreu, participaram na 5ª série d’O Mosquito, lançada em 1984 pela Editorial Futura.

JAYME CORTEZ HOMENAGEADO NUM “PROZINE” PORTUGUÊS (DE HÁ 30 ANOS)

Texto de Geraldes Lino

Jayme Cortez (Jaime Cortez Martins) nasceu português, em Lisboa, a 8 de Setembro de 1926, mas quando faleceu, a 4 de Julho de 1987, em São Paulo, já era brasileiro, porque, além de ter passado a viver no Brasil, adoptara em 1957 a nacionalidade do país que o acolhera e onde era admirado.

Inicialmente influenciado pelo mestre (1) Eduardo Teixeira Coelho, Jayme Cortez muito cedo foi criando o seu próprio estilo, o que se tornou bem evidente na sua produção de banda desenhada brasileira, iniciada com a adaptação às histórias em quadrinhos, em tiras diárias, de “O Guarani”, da obra clássica do autor brasileiro José de Alencar, para o jornal Diário da Noite.

A última banda desenhada de Jayme Cortez publicada em Portugal foi a que teve por título “Os Espíritos Assassinos”, impressa na revista infanto-juvenil O Mosquito, entre Janeiro e Abril de 1947. Foi esse conto curto gráfico (27 pranchas), imaginado e desenhado por Cortez que Jorge Magalhães escolheu para o prozine (2) Cadernos de Banda Desenhada, editado há trinta anos.

A nota “A obra-prima de Jayme Cortez” incluída na capa, refere-se naturalmente à produção portuguesa do autor, visto que, na sua bibliografia brasileira há obras de BD de elevadíssimo nível ficcional e estilístico, designadamente “O Retrato do Mal”, “Sérgio do Amazonas” e “Zodíaco”.

(1) Sou contra o uso (e abuso)  indiscriminado do título de Mestre que por vezes é usado em relação a vários autores portugueses de BD. Considero que E.T. Coelho é o único a assim poder ser classificado, por ter tido vários seguidores estilísticos, ou discípulos, caso singular da BD em Portugal.

(2) Já o escrevi várias vezes: um prozine é um zine editado por um pro dessa área. Consequentemente, é o caso de um zine de banda desenhada editado por um profissional de BD, e tanto Jorge Magalhães como Catherine Labey, responsáveis pela edição do zine, sempre estiveram ligados profissionalmente à BD.

Ficha técnica:

Cadernos de Banda Desenhada
Director: A.A. de Castro (*)
Editor e proprietário: 
Catherine Labey
Redacção e Administração:
R. Joaquim Ereira, 2693
Torre, 2750 Cascais
Tiragem [inicial]: 4000 exemplares
Preço: 125$00

(*) Pseudónimo de Jorge Magalhães

(Texto e imagens reproduzidos, com a devida vénia, do blogue Sítio dos Fanzines, orientado por Geraldes Lino. Ler também a nota de Jorge Magalhães, depois das páginas que se seguem).

Nota de J. M. — A ideia de publicar esta história de Jayme Cortez nos Cadernos de Banda Desenhada (revista cujo projecto já estava em elaboração, depois de um número experimental, também impresso em tipografia, saído algum tempo antes), começou a germinar quando eu soube que Jayme Cortez passaria por Portugal, ao regressar do Festival Internacional de Lucca, onde foi homenageado em finais desse ano (1986), por ter cumprido 50 anos de prestigiosa carreira e ser autor de obras marcantes, como Zodíaco, a que a crítica internacional, sobretudo a italiana, tecera rasgados elogios.

De facto, Cortez veio a Lisboa e foi festivamente recebido por um numeroso grupo de admiradores e amigos, que se reuniram, em sua honra, num restaurante do Parque Mayer. Foi lá que o conheci e lhe falei no meu projecto, mostrando muito interesse em reeditar «Os Espíritos Assassinos», a sua última obra publicada n’O Mosquito, pouco tempo antes de partir como emigrante para o Brasil, em busca de melhores condições de trabalho.

Jayme Cortez aderiu imediatamente à minha ideia, autorizando a publicação dessa história sem quaisquer encargos autorais para os editores — como, aliás, também aconteceu com José Ruy, autor da obra que seria publicada no 1º número, as magníficas «Lendas Japonesas», reproduzidas da 2ª série  d’O Papagaio.

Como já não havia originais, «Os Espíritos Assassinos» teve também de ser recuperada por processos fotográficos, a partir das páginas d’O Mosquito — tarefa que não saiu barata e exigiu à Catherine muitas horas de trabalho a retocar os fotolitos, porque nesse tempo, em que ainda não se utilizavam computadores, era tudo feito à base da fotografia e do offset. Mas Jayme Cortez ficou imensamente satisfeito quando viu a revista, não nos regateando elogios por a sua história ter ficado tão bem impressa a preto e branco, sem as manchas de cor e as redes que tinha n’O Mosquito.

E em sinal de agradecimento até me enviou uma das suas últimas edições, recheada de amostras dos seus trabalhos, ilustrando o extraordinário percurso da sua carreira no Brasil. Intitula-se «A Arte de Jayme Cortez» e é duplamente preciosa para mim por ter uma dedicatória do grande mestre luso-brasileiro… que, infelizmente, pouco tempo depois, disse adeus a este mundo, apenas com 60 anos de idade.  

SECÇÃO DOS SÁBIOS – 2

A pretexto do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, recordamos novamente a  Secção dos Sábios, rubrica de curiosidades e cultura geral apresentada no Jornal do Cuto — quase um fac-simile da secção homónima criada por Eduardo Teixeira Coelho n’O Mosquito, com textos de Raul Correia.

As duas páginas aqui reproduzidas, ilustrando passagens d’Os Lusíadas, mostram um ETC em plena forma — apesar da sua carreira se ter iniciado poucos anos antes —, cujo traço robusto, dinâmico e harmonioso continuava a encantar os juvenis leitores d’O Mosquito, preparando-se para voos ainda mais altos, a partir de 1946.

Estas páginas foram publicadas no Jornal do Cuto nºs 5 (4/8/1971) e 10 (8/9/1971), ambos com capas de E. T. Coelho oriundas também d’O Mosquito.

O REGRESSO DE TOMMY – 6

Depois de descobrirem que os acidentes ocorridos no circo nada tiveram a ver com bruxedo, mas foram obra de um bando chefiado por um tal Hércules, Tommy e Sue apressam-se a pôr Mr. Bingham ao corrente das suas suspeitas. Mas o caso é mais grave ainda do que parece… porque Hércules não tarda a dar notícias.

Leiam mais um episódio desta excelente série criada por John Lehti, cujas tiras diárias, correspondentes às datas de 18/11 a 1/12 de 1947, foram publicadas n’O Mosquito nºs. 951 e 953 (Agosto de 1948). No nº 952, Tommy fez “gazeta”.

SANTO ANTÓNIO EM PORTALEGRE – COM ANTÓNIO MARTINÓ E JOSÉ GARCÊS

Página do jornal “Alto Alentejo”, dedicada à memorável sessão de homenagem a um grande mestre da BD portuguesa, José Garcês (e a Santo António, padroeiro de Portalegre), ocorrida no passado dia 21 de Maio, naquela cidade alentejana, e em que foi sapiente orador o Professor António Martinó.

Decano da BD portuguesa, José Garcês concretizou em 2016 um dos seus mais antigos projectos, publicando um álbum sobre a vida de Santo António, ao comemorar 70 anos de carreira (iniciada, muito jovem ainda, n’O Mosquito), como autor de uma vasta e multifacetada obra que dignifica não só a Banda Desenhada como a arte da ilustração ao serviço da cultura, do ensino e do património.

Recordamos que uma exposição com pranchas originais desse magnífico álbum está ainda patente no Museu de Santo António, em Lisboa.

FANZINES DE JOSÉ PIRES (MAIO 2017)

Continuando a manter uma regularidade e uma periodicidade sem falhas, José Pires lançou este mês mais três volumes das séries que tem actualmente em publicação, com destaque para Terry e os Piratas, a obra-prima de Milton Caniff, cuja reedição integral abrangerá 25 números do FandClassics, cada um deles com mais de 70 páginas. O preço, no entanto, não varia, fixando-se nos 10 euros.

Recordamos que esta série se estreou em Portugal n’O Mosquito (1952), quando era desenhada por George Wunder e tinha ainda grande popularidade. Mais tarde apareceu também no Mundo de Aventuras, com o título Trovão e os Piratas. Nessa fase, a citada revista “nacionalizou” o nome de  muitos dos seus heróis, para os harmonizar com as disposições da censura oficial.

Este mês, surgiu também mais um número do Fandaventuras (o primeiro fanzine criado por José Pires, ainda nos anos 1990, de parceria com Jorge Magalhães e Catherine Labey), que continua a reeditar episódios de outra excelente série inglesa, também estreada n’O Mosquito (1950) e largamente difundida em Portugal nos anos seguintes: Garth, criação de Steve Dowling e Don Freeman, com posterior assistência de John Allard nos desenhos e de James Edgar nos argumentos.

O episódio “O Navio Fantasma” foi ilustrado a solo por John Allard (cuja assinatura pode ver-se nalgumas tiras) e é oriundo do Mundo de Aventuras nº 139 (2ª série), de 27/5/1976. José Pires reeditou-o, agora, num formato maior, de mais fácil leitura do que as tiras de jornais, e com texto totalmente revisto e relegendado.

Quando Steve Dowling se aposentou, depois de ter desenhado a série durante 25 anos, Allard assegurou a sua continuidade, até ser substituído em 1971, no episódio “Sundance – A Dança do Sol”, por um desenhador infinitamente mais dotado: Frank Bellamy (que em breve surgirá também nesta colecção, com esse episódio inicial).

Estes fanzines estão à venda na Loja de José Manuel Vilela, Calçada do Duque, 19-A, 1200-155, Lisboa, mas podem também ser encomendados ao editor, por quem não morar na capital, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt

CANTINHO DE UM POETA – 35

Para variar do tom lírico, mostrando desta feita o jeito humorístico de Raul Correia (vulgo Avozinho), eis mais uma composição poética com fundo moralista, onde os seus atentos e fiéis leitores d’O Mosquito — e mais tarde do Jornal do Cuto (estes já mais crescidotes) — podiam colher sábios e proveitosos ensinamentos.

A ilustração tem o cunho habitual e a assinatura de José Batista (Jobat), e a rubrica — de presença obrigatória no Jornal do Cuto, reflectindo a enorme admiração que Roussado Pinto sentia pelo seu velho mestre e amigo, desde os tempos em que tinham trabalhado juntos n’O Mosquito — apareceu no nº 29, de 19/1/1972.