PÁGINAS DE ANTOLOGIA: “LEVEM-ME NESSE SONHO” (TEXTO E DESENHOS DE JOSÉ RUY)

Nas páginas verdadeiramente antológicas que hoje vos apresentamos — extraídas de um dos melhores álbuns de Mestre José Ruy, “Levem-me Nesse Sonho” (“História da Cidade da Amadora em Banda Desenhada”, 1992, Edições ASA) —, são evocadas algumas das maiores figuras da BD portuguesa, como Zé Pacóvio e Grilinho, criadas por António Cardoso Lopes Júnior, o Tiotónio de mítica memória, colaborador de revistas como o ABCzinho, o Senhor Doutor, o Tic-Tac e O Mosquito, tendo nesta última (que fundou em 1936, juntamente com Raul Correia) assumido também o cargo de director artístico.

A par d’O Mosquito e do Tiotónio, desfilam neste álbum outras famosas revistas de BD e outros autores ligados ao património histórico da BD portuguesa, como Rafael Bordalo Pinheiro, E.T. Coelho e Mariana Cardoso Lopes, a carismática Tia Nita, directora d’A Formiga, suplemento feminino d’O Mosquito, que fez as delícias das raparigas e dos rapazes dessa época.

Por outras palavras, neste álbum, além da história da cidade da Amadora (antiga Porcalhota), perpassam também alguns dos vultos heróicos de uma época pioneira que deu às histórias aos quadradinhos os seus primeiros títulos de nobreza. Um álbum que nasceu dos sonhos de Mestre José Ruy — que também é um dos grandes pioneiros da BD portuguesa —, os sonhos com que ele homenageou, de forma inspirada, a cidade onde nasceu, reside e trabalha, e a Arte a que dedicou grande parte da sua vida, os sonhos que ainda hoje continuam a alimentar a sua fecunda carreira artística, o seu espírito criativo, a sua inesgotável imaginação.

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ANTOLOGIA DE CONTOS DE ACÇÃO: “O ICEBERG” (CONTO DE ORLANDO MARQUES)

Há muito que não publicávamos um conto nesta rubrica. Mas hoje ela regressa, em homenagem a um dos melhores colaboradores literários d’O Mosquito, que se estreou e formou na sua escola: Orlando Jorge Bertoldo Marques. Mais tarde, passou pel’O Pluto, pel’O Faísca, pelo Mundo de Aventuras e pelo Jornal do Cuto, onde deixou também indeléveis marcas do seu prolífico talento de novelista, apreciado por uma larga legião de leitores.

O conto que leram foi originalmente publicado na última fase da Colecção de Aventuras, uma revista “gémea” d’O Mosquito (no seu conteúdo e nos seus formatos), que teve vida breve (1940-1942), e foi ilustrado por Eduardo Teixeira Coelho, então no início da sua carreira, com um estilo muito diferente do que adoptou pouco tempo depois.

As páginas que reproduzimos saíram no Mundo de Aventuras nº 467 (2ª série), de 25/09/1982, onde Orlando Marques publicou também muitos contos inéditos, ilustrados por outros desenhadores. O cabeçalho da página 2 foi desenhado por Catherine Labey.

CANTINHO DE UM POETA – 42

Mais um belo poema em prosa (ou texto rimado), da lavra de Raul Correia, o mítico Avozinho d’O Mosquito, que renasceu, nos anos 1970, graças a Roussado Pinto, nas páginas do Jornal do Cuto, depois de um período de relativo apagamento, em que trocou o culto da poesia por tarefas mais rotineiras, vivendo da tradução de livros para várias editoras, sobretudo para a Agência Portuguesa de Revistas.

Nos anos 1980, Raul Correia tornou-se colaborador dos Amigos do Livro, que lhe reeditaram algumas obras, entre elas as Histórias do Avozinho, numa série de volumes magistralmente ilustrados por Carlos Alberto Santos. O célebre pseudónimo de Raul Correia (que os leitores d’O Mosquito atribuíram sempre a uma personagem real, estabelecendo com ela uma relação de amizade quase familiar, embora ignorassem o seu verdadeiro nome) criou, assim, novos elos com outra geração, que também o consagrou entre os seus favoritos, dispensando-lhe o mesmo caloroso acolhimento que os seus antepassados dos anos trinta e quarenta.

A parábola “O Veado Vaidoso”, cujo ritmo supera certamente o da fábula de Esopo em que se inspirou, surgiu no Jornal do Cuto nº 31, de 2 de Fevereiro de 1972, com uma artística ilustração de José Baptista (Jobat).

EXPOSIÇÃO NA BIBLIOTECA NACIONAL: 100 ANOS DE FASCÍCULOS DE AVENTURAS EM PORTUGAL

NOS TEMPOS HERÓICOS DA “LITERATURA DE CORDEL”

Uma grande exposição na Biblioteca Nacional, a não perder, organizada em parceria com o Clube Português de Banda Desenhada, sobre o universo dos fascículos de aventuras que fizeram as delícias de várias gerações, na primeira metade do século XX, com fabulosos heróis que se gravaram na memória dos mais jovens e capas cheias de colorido e emoção, pelo traço dinâmico de Alfredo Morais (1872-1971), um dos mais populares artistas da sua época.

Esses fascículos de aventuras influenciaram também um escol de novelistas portugueses, que surgiram n’O Mosquito, n’O Senhor Doutor, no Tic-Tac, n’O Faísca, n’O Pluto e no Mundo de Aventuras, como Reinaldo Ferreira (o célebre Repórter X), António Feio, Raul Correia, Orlando Marques, José Padinha, Lúcio Cardador, Roberto Ferreira e Roussado Pinto.

Os leitores dessa época não dispensavam as aventuras de Texas Jack, do Capitão Morgan, de Raffles, de Nick Carter… E houve até um colaborador d’O Mosquito, Orlando Marques, que na sua juventude usou o cognome de Texas Jack, tal era o entusiasmo que este herói das pradarias lhe despertava e aos seus colegas do Liceu do Funchal.