CANTINHO DE UM POETA – 43

Mais um poema humorístico de Raul Correia (vulgo “Avozinho”, para os leitores d’O Mosquito), que começa com a frase “Num destes dias de calor ardente”… E logo nos vem à ideia que este verso rima com presente, isto é, com os dias que correm, num começo de Agosto causticado pelas temperaturas mais altas dos últimos 15 anos.

A “analogia” poético-meteorológica tem um intervalo mais longo, pois data de 17/5/1972 e surgiu no Jornal do Cuto nº 46, com uma ilustração de Jobat. Resta saber (quem se lembrará?) se nesse ano o calor foi tão ardente como o do presente

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CANTINHO DE UM POETA – 42

Mais um belo poema em prosa (ou texto rimado), da lavra de Raul Correia, o mítico Avozinho d’O Mosquito, que renasceu, nos anos 1970, graças a Roussado Pinto, nas páginas do Jornal do Cuto, depois de um período de relativo apagamento, em que trocou o culto da poesia por tarefas mais rotineiras, vivendo da tradução de livros para várias editoras, sobretudo para a Agência Portuguesa de Revistas.

Nos anos 1980, Raul Correia tornou-se colaborador dos Amigos do Livro, que lhe reeditaram algumas obras, entre elas as Histórias do Avozinho, numa série de volumes magistralmente ilustrados por Carlos Alberto Santos. O célebre pseudónimo de Raul Correia (que os leitores d’O Mosquito atribuíram sempre a uma personagem real, estabelecendo com ela uma relação de amizade quase familiar, embora ignorassem o seu verdadeiro nome) criou, assim, novos elos com outra geração, que também o consagrou entre os seus favoritos, dispensando-lhe o mesmo caloroso acolhimento que os seus antepassados dos anos trinta e quarenta.

A parábola “O Veado Vaidoso”, cujo ritmo supera certamente o da fábula de Esopo em que se inspirou, surgiu no Jornal do Cuto nº 31, de 2 de Fevereiro de 1972, com uma artística ilustração de José Baptista (Jobat).

CANTINHO DE UM POETA – 40

Este poema de Raul Correia (o mítico Avozinho d’O Mosquito), em que transparece a bucólica beleza das tardes e dos poentes outonais — que ainda nos fazem sonhar com o regresso a um tempo mais ameno, depois do rigoroso inverno, e com a magia das cores primaveris que hão-de (como a paleta do poeta) rejuvenescer a Natureza —, foi publicado no Jornal do Cuto nº 165, de 15/5/1977… mas desta vez com uma ilustração de Carlos Alberto, outro magnífico artista que, na ausência de Jobat, foi o melhor colaborador da revista onde renasceu, nos anos 1970, o culto d’O Mosquito.

SECÇÃO DOS SÁBIOS – 3

Eis mais duas páginas de curiosidades d’O Mosquito dos anos 1944-45, com primorosos desenhos de Eduardo Teixeira Coelho (ETC) e textos de Raul Correia — reproduzidas no Jornal do Cuto nºs 9 e 14 (Setembro/Outubro 1971) —, em que o tema escolhido foram os deuses e heróis da Mitologia Grega.

Uma forma amena, instrutiva e, ao mesmo tempo, divertida — bem ao jeito de E.T. Coelho e Raul Correia —, de levar a História antiga e alguns dos seus mitos ao conhecimento dos jovens leitores d’O Mosquito. Mas convém sublinhar que essas páginas não teriam o mesmo efeito se fossem da autoria de outro desenhador, pois o talento artístico de ETC não estava ao alcance de todos os seus colegas.

CANTINHO DE UM POETA – 39

Eis mais um poema de Raul Correia, com uma ilustração de Jobat e publicado no Jornal do Cuto nº 19, de 10/11/1971, em cujo teor lírico e triste se espelha a influência de Gomes Leal, Guerra Junqueiro, António Nobre e outros poetas do século XIX que marcaram profundamente a obra do inspirado Avozinho d’O Mosquito.

Mais tarde (1949-1951), numa rubrica chamada Antologia o próprio Avozinho se encarregou de fazer uma selecção dos seus escritores e poetas favoritos, dando-lhes também lugar de destaque nas páginas d’O Mosquito, cujos leitores travaram assim conhecimento com alguns dos maiores nomes da literatura portuguesa.

TOM BROWNE E PERCY COCKING, REIS DO HUMOR NA BD BRITÂNICA DOS SÉCULOS XIX E XX – 1

Como anunciado há pouco tempo, aqui têm o artigo de Roussado Pinto dedicado a Tom Browne, artista inglês hoje quase esquecido que foi o criador da série Weary Willie and Tired Tim — celebrizada em Portugal, sobretudo entre os leitores d’O Mosquito, pelo carismático nome de Serafim e Malacueco com que a baptizou Raul Correia, tradutor e adaptador, no mais livre sentido do termo, das suas mirabolantes peripécias.

É óbvio que Roussado Pinto nutria também especial afeição por estes dois burlescos personagens, vagabundos sem eira nem beira que davam tratos à imaginação para viver à custa dos outros, pois ressuscitou-os no Jornal do Cuto, em episódios extraídos d’O Mosquito, e no Valente, uma das primeiras revistas que editou, ainda nos anos 1950, com páginas originais em que luzia o traço de Percy Cocking, um dos sucessores de Tom Browne. Cocking trabalhou na série (e na sombra) durante mais de 40 anos, dando-lhe um inconfundível cunho histriónico e elevando-a aos píncaros da fama. São da sua autoria todas as histórias apresentadas n’O Mosquito e na Colecção de Aventuras, até à década de 1950.

O artigo de Roussado Pinto, em que pela primeira vez os leitores portugueses viram em letras gordas o nome de Tom Browne (embora, por lapso, mal grafado no texto), foi publicado no Jornal do Cuto #18, de 3/11/1971, e é o primeiro que respigamos de uma rubrica recheada de interesse, onde Roussado Pinto publicou vários artigos sobre personagens e autores famosos da recém consagrada 9ª Arte, tanto portu- gueses (Eduardo Teixeira Coelho, Vítor Péon, Carlos Alberto Santos, António Cardoso Lopes, José Garcês, Stuart Carvalhais), como estrangeiros, a começar por Jesús Blasco. Foi também Roussado Pinto, com a sua insaciável curiosidade, o primeiro, como já referimos, a levantar o véu (no nosso país) sobre o criador da mais popular série humorística inglesa da primeira metade do século XX — que surgiu no Mosquito #209 (Janeiro de 1940) e noutros números, transitando depois, com retumbante êxito, para a Colecção de Aventuras, lançada nesse mesmo ano pelas Edições O Mosquito, onde permaneceu até ao final da primeira fase (de figurino idêntico ao d’O Mosquito), muitas vezes com honras de capa. Mas o seu regresso à origem não se fez esperar, pois já se tornara a predilecta da juventude portuguesa e até do seu tradutor.

Brevemente apresentaremos outro artigo sobre esta emblemática série inglesa, publicado no Mundo de Aventuras, em 1979, com a assinatura de Leonardo (Leonardo De Sá), então um jovem e promissor articulista cujos conhecimentos sobre os obscuros primórdios da narração figurativa já chamavam a atenção de muitos bedéfilos.

CANTINHO DE UM POETA – 38

Mudando de registo, da poesia lírica para a crónica com laivos filosóficos, num estilo também muito apreciado pelos seus leitores, Raul Correia focou neste texto — publicado no Jornal do Cuto nº 23, de 8/12/1971 — um tema que é de todos os tempos: a desmesurada vaidade humana que nos coloca no centro do universo, quando não passamos de “pigmeus” à mercê de um destino incerto e transitório.

A ilustração, como habitualmente, deve-se a José Baptista (Jobat), colaborador do Jornal do Cuto desde os primeiros números e que chegou, graças à sua relação de amizade com Roussado Pinto, a ser chefe de redacção, depois de abandonar a Agência Portuguesa de Revista, onde trabalhara durante mais de 15 anos.