FANZINES DE JOSÉ PIRES: FANDCLASSICS – COM “TERRY E OS PIRATAS” (18º E 19º VOLUMES)

Entre as excelentes edições de BD que continuam a aparecer nas bancas, este mês de Julho e o de Junho ficaram também assinalados, na área dos fanzines (edições mais modestas e de pequena tiragem, mas igualmente dignas de apreço), pela saída de mais dois números do FandClassics dedicados à série Terry e os Piratas, a famosa criação de Milton Caniff, praticamente inédita em Portugal, que o experiente e infatigável faneditor José Pires apostou em apresentar na íntegra, escalonada por 25 volumes, com mais de 70 páginas cada. Até agora já saíram 19 volumes.

Recordamos que Terry e os Piratas se estreou em Portugal n’O Mosquito, em 1952, quando a série já passara para as mãos de George Wunder, que se mostrou um modesto, mas esforçado continuador de Caniff, procurando até aproximar-se do seu estilo. Nesse período, embora Terry já não fosse um adolescente, Wunder ressuscitou a figura da Dragon Lady, personagem feminina que se impôs nos começos da série, sendo uma das principais razões por que os leitores acreditaram que a China era um viveiro de piratas e de mulheres fatais… mais perigosas do que muitos aventureiros atraídos pelas riquezas do Oriente. Terry apareceu também no Titã e no Mundo de Aventuras

Os pedidos, incluindo os de números atrasados, devem ser feitos directamente ao faneditor, através do e-mail  gussy.pires@sapo.pt

FICHEIRO DA BD PORTUGUESA: JOSÉ GARCÊS

A rubrica em epígrafe surgiu no Mundo de Aventuras nº 481, em 1982, e foi sugerida por mim, que era o coordenador da revista, a António J. Ferreira, um dos mais insignes estudiosos e investigadores da BD portuguesa, particularmente da que antecedeu o nascimento d’O Mosquito, nas décadas de 1920 e 1930.

A. J. Ferreira foi leitor do ABCzinho, d’O Senhor Doutor, do Tic-Tac, d’O Papagaio e obviamente d’O Mosquito, e conhece a fundo todas essas revistas, dando especial relevo aos artistas portugueses que nelas colaboraram. E muitos foram!

Aceite o convite, A. J. Ferreira lançou-se imediatamente ao trabalho… que deu valiosos frutos, aparecendo no Mundo de Aventuras até ao seu último número (1987). São algumas dessas Fichas, com mini-biografias de autores portugueses, que nos propomos, agora, dar a conhecer (ou a reler) aos internautas que nos visitam.

Começamos por José Garcês, cuja carreira se iniciou, em 1946, nas páginas d’O Mosquito — então a atravessar uma das suas melhores fases, com histórias de Jesús Blasco, Eduardo Teixeira Coelho, Jayme Cortez e de outros grandes desenhadores, tanto europeus como americanos. E esta escolha tem uma razão especial, porque José Garcês celebrou ontem, dia 23 de Julho, o seu 90º aniversário, efeméride que merece ser devidamente assinalada… como já o fizeram os blogues O Gato Alfarrabista e O Gato Alfarrabista Júnior, da nossa Loja de Papel.

José Garcês colaborou n’O Mosquito até 1948, tendo realizado quatro aventuras em que são patentes, desde a primeira página, a evolução do seu estilo e a sua preferência (nessa época) por temas exóticos e enredos dramáticos… além do acerto com que desenhava sugestivas figuras femininas, cunho que manteve para sempre.

O Voo d’O Mosquito endereça também a José Garcês as melhores felicitações pelo seu aniversário e por uma memorável carreira, com mais de 70 anos, ao serviço da ilustração, da pintura, da banda desenhada e do seu ensino… em suma, da cultura, das artes portuguesas e das gerações mais jovens, que, ao longo deste incansável percurso, durante várias décadas, muito lhe ficaram a dever.

Parabéns, Mestre José Garcês, e que conte ainda muitos anos de vida!

(Nota: as fichas que aqui apresentamos foram publicadas no Mundo de Aventuras nºs 487 e 585, de 10/2/1983 e 1/11/1986, respectivamente. As duas últimas dizem respeito às primeiras histórias de José Garcês estreadas n’O Mosquito).

O REGRESSO DE TOMMY – 11

Quem seria o estranho operário que dava lições sobre a arte de ser chefe de pista? Intrigados, Tommy e Nancy resolveram deslindar esse novo mistério, quebrando assim a monotonia que voltara a instalar-se na vida do circo, depois deste se ver livre das ameaças do bando de chantagistas chefiados por Hércules.

Leiam mais algumas tiras desta série, criada em 28 de Outubro de 1946 por John Lehti, correspondentes ao período entre 13 de Fevereiro e 2 de Março de 1948, e publicadas n’O Mosquito nºs 971, 973 e 974 (Outubro de 1948).

MEMÓRIAS À VOLTA DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS (POR JOSÉ RUY) – 3

Depois da interrupção forçada da publicação desta história [«O Reino Proibido»] em O Mosquito, como contei nos artigos anteriores, entreguei em mão ao Raul Correia as duas últimas pranchas, que ele fez publicar a partir da semana seguinte. Mas algo se modificara no jornal.

Raul Correia tinha decidido alterar mais uma vez o formato, desdobrando a folha de máquina e, desta maneira, ficando com metade das páginas, pois o formato de cada uma, agora, ocupava duas das anteriores.

Como eu sempre fiz os originais ao dobro, ou seja, quatro vezes o tamanho da publicação, para o novo formato ainda reduziu um pouco.

As duas últimas páginas de «O Reino Proibido», publicadas n’O Mosquito nºs 1385 e 1386

Como este final da narrativa saiu nas páginas do interior do jornal, não levaram cor. O rapaz que me servia de modelo para essa história era um conhecido do Coelho, que pertencia a uma corporação de bombeiros. À noite, ia ao nosso ateliê, na Calçada do Sacramento, para posar.

Mostro, a seguir, alguns estudos para as figuras da última página.

Capa d’O Mosquito, no novo formato 30x22cm, onde terminou «O Reino Proibido» (nº 1386)

O Eduardo Teixeira Coelho voltara a colaborar nas páginas do jornal, com uma das suas melhores fases, ilustrando os contos de Eça de Queirós. Dois números a seguir a este, no 1388, iniciou ele o «São Cristóvão», que ficaria incompleto pela interrupção da publicação, ao fim de dezassete anos de vida, não conseguindo resistir à poderosa concorrência do Cavaleiro Andante e do Mundo de Aventuras. Faltou-lhe o «dedo mágico» do Tiotónio para reverter a situação, mas este encontrava-se no Brasil, em outras actividades.

A minha, além da paixão pela ilustração, era a arte gráfica, e foi por essa via que fui convidado a ingressar na equipa da «rotogravura» (gravura em cobre) do conceituado Diário de Notícias.

Estava em projecto um semanário de actualidades, que se chamaria Esfera, dirigido pelo Leitão de Barros. O Coelho seria o colaborador artístico principal e eu teria a função de paginar, desenhar cabeçalhos e algumas ilustrações; e como faltavam técnicos disponíveis para o processo de «rotogravura», acharam que a minha experiência no «offset» daria para me adaptar na montagem e retoque dos positivos fotográficos.

Assim foi e contrataram-me logo nessa altura, para quando a revista saísse estar logo operacional. Afinal, a revista não chegou a publicar-se, pois era necessária uma rotativa de «rotogravura» só para essa publicação e a administração da empresa tentava resolver a questão só com uma máquina de impressão «Mailander», à folha, onde imprimiam parte do Cavaleiro Andante, e que pela sua lentidão não garantia a cadência necessária. Foi o próprio Leitão de Barros quem os alertou e rescindiu o contrato.

E eu fiquei durante seis anos, acabando por me especializar no processo. Mas continuava a fazer histórias em quadrinhos.

No próximo artigo: «A minha primeira história no Cavaleiro Andante»