STRONGHEART, O CÃO PRODÍGIO

Este artigo do nosso prezado colaborador Carlos Gonçalves é oriundo, tal como os que temos publicado noutros blogues, do fanzine brasileiro Q.I. (Quadrinhos Independentes), editado e coordenado por Edgard Guimarães, conceituado especialista, editor e divulgador das histórias aos quadradinhos (ou quadrinhos) no seu país. A ambos, os nossos melhores agradecimentos.

Strongheart, o cão prodígio do cinema, foi uma das grandes séries publicadas n’O Mosquito, onde alcançou sucesso ainda mais duradouro do que n’O Senhor Doutor, embora alguns episódios fossem repetidos. Mas a mudança de nomes baralhou um pouco os leitores, que nunca tiveram a certeza de que o popular herói canino fosse o mesmo em todas as aventuras que apareceram n’O Mosquito

À grande artista Hilda Boswell cabe o privilégio de ter sido a única mulher a dedicar-se às histórias aos quadradinhos de aventuras, nessa época pioneira da BD inglesa. Nenhum leitor deve ter suspeitado que aquele robusto, dinâmico e vigoroso traço que tanto apreciavam era obra de mãos femininas, dado o anonimato que envolvia os colaboradores da Amalgamated Press e de outras editoras do Reino Unido.

Hilda Boswell ombreou talentosamente com os melhores desenhadores do seu tempo, nas revistas juvenis inglesas, além de ter ilustrado vários livros da famosa escritora Enid Blyton. O seu nome não merece cair no esquecimento, assim como o de G.W. Backhouse e de outros artistas ingleses das primeiras décadas do século XX, cujos trabalhos anónimos foram prolíficamente publicados, com grande êxito, n’O Mosquito e noutras revistas portuguesas da mesma época.

E.T. Coelho dedicou três capas ao episódio intitulado “Ao Serviço da Lei”, que se estreou n’O Mosquito nº 353, pouco tempo depois deste magnífico artista se tornar seu colaborador. A capa do nº 360 foi, aliás, a primeira com o traço de E.T. Coelho a aparecer na revista, inaugurando uma das melhores fases do atraente semanário juvenil, prestes a transformar-se em bissemanário e a encetar mais altos voos.

Na citada aventura, Strongheart (Coração Forte) chamava-se Storm (Tempestade), nome decerto inventado pelo tradutor/adaptador das legendas, ou seja, Raul Correia. Aqui ficam as três capas de E. T. Coelho, referentes aos nºs 360, 367 e 394 (1942-1943).   

Advertisements

FANZINES DE JOSÉ PIRES: “TERRY E OS PIRATAS”

Com um ritmo imparável, de impressionante regularidade, para quem publica três fanzines mensais — FandClassics, Fandaventuras e Fandwestern —, José Pires continua a editar a magnífica série clássica “Terry e os Piratas”, de Milton Caniff, da qual somente os primeiros episódios eram conhecidos em versões portuguesas, graças ao Mundo de Aventuras (5ª série) e ao jornal Público.

Ou seja, a totalidade da série é agora, pela primeira vez, posta à disposição dos bedéfilos portugueses, em álbuns de formato à italiana, com cerca de 70 páginas cada, impressos em papel de boa gramagem. Uma edição que os fanáticos desta série — e sabemos que são ainda muitos em Portugal — não devem logicamente perder! 

Recordamos, mais uma vez, que esta série fez a sua estreia n’O Mosquito, em 1952, quando já era desenhada por George Wunder, substituto de Milton Caniff, que procurou imitar sem grande sucesso o estilo do seu ilustre mentor (mas diga-se de passagem que o período apresentado n’O Mosquito, até Fevereiro de 1953, é um dos mais abonatórios do trabalho de Wunder, que também tem os seus méritos).

Em 1946, Milton Caniff decidiu pôr “Terry e os Piratas” de lado para se dedicar à sua nova série de aviação, com um herói chamado Steve Canyon (baptizado em Portugal com o bizarro nome de Luís Ciclone), que se tornou ainda mais popular do que a primogénita, apesar do seu conteúdo fortemente bélico e apologista da política externa dos Estados Unidos, mormente nas guerras da Coreia e do Vietname.

Quanto a “Terry e os Piratas” prosseguiu a sua carreira, nas mãos de George Wunder, até 1973, tendo transitado, durante breves períodos, por outras revistas portuguesas, como o Titã e o Mundo de Aventuras. Nesta última até mudou de nome para “Trovão e os Piratas”, como era hábito nessa época, em que a censura pressionava sem tréguas os editores para nacionalizarem todos os personagens estrangeiros.

Outro nome bizarro (pobre Terry!), embora Trovão Ciclone tenham a mesma raiz “meteorológica”… Uma mania que parecia perseguir os editores do Mundo de Aventuras, se nos lembrarmos também de João Tempestade (Johnny Hazard)!

Nota: os fanzines aqui apresentados são respeitantes aos meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro últimos. Em Março sairá, portanto, o 15º volume desta colecção, que terá 25 fascículos, com todos os episódios da série.

Os pedidos, incluindo os de números atrasados, podem ser feitos directamente ao faneditor, através do e-mail  gussy.pires@sapo.pt

UMA REVISTA BEM PORTUGUESA COM O NOME DE “CAMARADA”

EXPOSIÇÃO SOBRE O “CAMARADA” (1ª SÉRIE) NA BIBLIOTECA NACIONAL

Nota: esta mostra está patente na Biblioteca Nacional desde o passado dia 28 de Novembro e será encerrada em 30 de Dezembro, podendo, portanto, ser ainda visitada durante a próxima semana.

Vem a propósito lembrar que o Camarada (1947-1951) foi lançado há 70 anos, em 1 de Dezembro de 1947, mas em moldes muito diferentes da restante imprensa infanto- -juvenil, encabeçada pel’O MosquitoO Papagaio e o Diabrete, pois enquanto que nestes títulos a colaboração estrangeira era maioritária, o Camarada — editado pela Mocidade Portuguesa e destinado quase em exclusivo aos centros escolares onde esta organização do Estado Novo estava presente — fazia gala de uma plêiade de autores portugueses, tanto literários como artísticos.

Embora de início tivesse dado pouco destaque à banda desenhada, o Camarada conseguiu conquistar gradualmente a afeição do público juvenil, chegando, com altos e baixos, ao nº 133, na 1ª série. Entre os seus valiosos elementos artísticos contam-se alguns dos mais genuínos representantes de uma nova geração da BD portuguesa, cujo vanguardismo começava a aflorar, assimilando o de outras criações europeias: Júlio Gil, Marcello de Morais, António Vaz Pereira, Bastos Coelho, Carlos Alberto, Nuno San-Payo, José Leal, todos ainda muito jovens e em início de carreira.

Mas no Camarada também se destacaram dois desenhadores de nomes já consagrados, Vítor Péon e José Garcês, oriundos d’O Mosquito, a principal publicação da concorrência, assim como um jovem e talentoso Artur Correia, que se estreara pouco tempo antes n’O Papagaio e se tornaria um dos maiores mestres da BD humorística portuguesa.

Portanto, esta exposição, comissariada por João Mimoso e Carlos Gonçalves, membros do Clube Português de Banda Desenhada **, merece a visita de quem se interessa pelas revistas infanto-juvenis — expoentes de uma cultura popular que ajudou a formar gerações — e pelas diferentes “escolas” que as marcaram em meados do século XX, com relevo para a que nasceu nas páginas do Camarada, dando oportunidade a um grupo de novos desenhadores (na sua maioria estudantes de Arquitectura, carreira que alguns deles optariam por seguir) de se afirmarem indelevelmente no panorama das histórias aos quadradinhos e das artes gráficas em geral. 

Aqui ficam, para memória futura, as quatro páginas que constituem a “FOLHA DE SALA” desta notável exposição (onde podem ser apreciados vários originais e outras peças raras), com texto de João Mimoso e Carlos Gonçalves.

** Na sede do CPBD (Amadora) está patente, desde o passado sábado, 16 de Dezembro, outra exposição sobre o Camarada, que engloba as suas duas séries.

“TERRY E OS PIRATAS” – 11º VOLUME (NOVEMBRO 2017)

Acalentado pelo êxito deste fanzine, com os primeiros episódios de uma emblemática série clássica, a maioria dos quais inéditos, durante décadas, em Portugal, José Pires continua a divulgar mensalmente, com infalível regularidade, as trepidantes e exóticas peripécias de Terry e os Piratas, vividas por um adolescente de espírito aventureiro e pelos seus fieis amigos nas longínquas regiões da China onde imperam ainda os “senhores da guerra” e a majestosa Dragon Lady — outra inesquecível personagem criada por Milton Caniff — dita também as suas leis.

Recorde-se que quando George Wunder tomou conta da série, substituindo Caniff (que partira para outras aventuras), os leitores d’O Mosquito puderam também travar conhecimento com a Dragon Lady, cuja presença ao lado de Terry (já mais crescido), e de outros comparsas, era incontornável.

A série está planeada para 25 volumes (todo o período escrito e desenhado por Caniff), com número uniforme de páginas, ao preço de 15 euros, que serão publicados até Janeiro de 2019, mantendo sempre a cadência mensal, como é firme propósito de José Pires. As encomendas podem ser-lhe feitas directamente, através do e-mail gussy.pires@sapo.pt

TERRY E OS PIRATAS (9º E 10º VOLUMES)

Continuando a manter uma regularidade sem pausas, José Pires lançou em Setembro/Outubro mais seis edições dos seus fanzines, com destaque para Terry e os Piratas, a obra-prima de Milton Caniff, cuja reedição integral, quase totalmente inédita entre nós, abrangerá 25 volumes do FandClassics, cada um deles com mais de 70 páginas. O preço, no entanto, não varia, fixando-se nos 15 euros. 

Uma tarefa quase homérica, com a duração prevista de dois anos (!), mas que o incansável José Pires (experiente nestas lides) encara sem preocupações, pois a colecção, de cadência mensal, já vai no 10º volume e o número de assinantes não tem parado de aumentar, proporcionando-lhe a indispensável garantia financeira para um projecto de tão grande vulto.

Recordamos que esta famosa série se estreou em Portugal n’O Mosquito, em 1952/53, mas já na fase em que era desenhada por George Wunder, cujo estilo procurava ser fiel ao de Caniff. Com o fim d’O Mosquito, a sua publicação prosseguiu no Titã e no Mundo de Aventuras, onde passou quase despercebida. As tiras originais com o 1º episódio (1934) só surgiriam na 2ª série do MA, em 1975.

Estes fanzines podem ser encomendados directamente a José Pires, bastando contactá-lo pelo e-mail gussy.pires@sapo.pt

“TERRY E OS PIRATAS” – 8º VOLUME (AGOSTO 2017)

Com exemplar pontualidade, José Pires continua a editar no seu fanzine FandClassics a famosa série Terry e os Piratas, que já vai no 8º volume, cada um deles com cerca de 70 páginas em formato à “italiana”, reproduzindo integralmente os episódios criados desde 22/10/1934 pelo génio ficcional e artístico do mestre Milton Caniff.

Trata-se, aliás, na sua grande maioria, de material ainda inédito no nosso país, apesar desta série ter sido divulgada em revistas juvenis muito populares na sua época como O Mosquito, o Titã e o Mundo de Aventuras, mas com episódios de uma fase bastante posterior, a cargo de George Wunder, que já pouco tem a ver com a de Caniff.

Por esse motivo, tem sido cada vez maior o acolhimento dispensado a esta edição de José Pires, cujo trabalho não se cinge apenas à tradução e legendação das tiras e páginas dominicais, visando também, com especial cuidado, o aspecto gráfico destas últimas, para evitar a sistemática repetição de logótipos, “substituídos por imagens do próprio Caniff, resgatadas, combinadas e arranjadas para preencher o espaço”. 

“Além disso, há as mais de 4.380 pequenas tarjas com as legendas dos direitos de publicação, que, embora diminutas e colocadas em sítios estratégicos, acabavam prejudicando o aspecto geral e que foram  também removidas, para já não falar de alguns milhares de redes ratadas ou entupidas que também foram melhoradas”.

Um trabalho ambicioso, digno de aplausos, que torna esta colecção uma das melhores e mais completas realizadas até hoje, embora sem o carácter comercial de outras edições, pois se destina a um pequeno círculo de assinantes, não ultrapassando os respectivos pedidos de reserva. Estes fanzines podem ser encomendados directamente a José Pires, bastando contactá-lo pelo e-mail gussy.pires@sapo.pt

“TERRY E OS PIRATAS” – 7º VOLUME (JULHO 2017)

Entre as muito boas edições de BD que continuam a aparecer nas bancas, este mês de Julho ficou também assinalado, na área dos fanzines (edições mais modestas e de pequena tiragem, mas igualmente dignas de louvor), pela saída de mais um número do FandClassics dedicado à série Terry e os Piratas, a famosa criação de Milton Caniff, praticamente inédita em Portugal — a não ser a sua sequela, pelo traço de George Wunder, estreada n’O Mosquito, em 1952, e publicada também posteriormente no Titã e no Mundo de Aventuras.

Como já referimos diversas vezes, o esforçado faneditor José Pires está apostado em apresentar esta série na íntegra, escalonada por 25 volumes, com mais de 70 páginas cada. Uma tarefa quase homérica, mas de que o nosso bom amigo e camarada (experimentado nestas lides) se tem saído a contento, com infalível regularidade, pois a colecção (de cadência mensal) já vai no 7º volume e o número de leitores não pára de aumentar.

Estes fanzines (de tiragem limitada) podem ser encomendados directamente a José Pires, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt