“A ILHA DO CORVO QUE VENCEU OS PIRATAS” (POR JOSÉ RUY)

Uma nova criação em Banda Desenhada de José Ruy, em homenagem ao estóico povo corvino que, no século XVII, venceu um ataque de piratas à sua ilha.

O depoimento e as fotos que se seguem, sobre este álbum em que participaram activamente alguns ilhéus, como modelos das principais personagens, e o seu lançamento, no passado dia 15 de Julho, com a presença do autor e do editor, de numerosos populares, de altas individualidades da ilha e de outros organismos, foram-nos gentilmente enviados pelo próprio José Ruy, cuja valiosa colaboração continua assim a enriquecer os nossos blogues. Muito obrigado, Mestre!

«Tudo começou em 2016, quando o coordenador do Ecomuseu do Corvo me convidou para realizar em Quadradinhos o episódio heróico de como, em 1632, os corvinos repeliram uma frota de piratas berberes, apenas com pedras do vulcão.

José Ruy (à esquerda, na foto) com Eduardo Guimarães, coordenador do Ecomuseu do Corvo, tendo por fundo a escarpa onde os corvinos fizeram frente aos piratas.

A construção desta história em Quadradinhos foi muito trabalhosa, e primeiro comecei por desenhar a própria população, que figurou como personagens do século XVII.

A 15 de Julho de 2018, foi lançado na Ilha do Corvo o livro. Esta edição tem, pela primeira vez no Arquipélago, uma distribuição pelas nove ilhas, através da Direcção Regional da Cultura. A Âncora Editora garante a colocação nos postos de venda do continente.

Num ponto estratégico, junto ao local onde os corvinos repeliram os piratas, a Câmara Municipal da ilha mandou fazer um painel de azulejos com a imagem da capa do livro, representando esse acto heróico.

Após o descerramento, o Padre João Carlos benzeu o painel e a assistência. Por cima de onde foi colocado o painel, em duas eiras comunitárias, realizou-se o lançamento do livro. Presentes na mesa, o editor, o presidente da Câmara e o representante da Direcção Regional da Cultura. Projectei um PowerPoint com o resumo de como foi concebida a história.

Depois da apresentação, foi realizada uma encenação de partes fulcrais do livro, em que os corvinos que me serviram de modelo e que se encontravam misturados com a assistência, representaram o seu papel na história em Quadradinhos. Foi uma surpresa para todos os presentes, em que, para além da população, se encontravam vários turistas. Esses, com certeza, aproveitaram a edição inglesa, de que reproduzimos também a capa.

Uma nota curiosa foi a ideia, que partiu do Ecomuseu do Corvo, em fazer um rótulo para as garrafas de água que serviam a mesa da apresentação e todas as pessoas presentes. Para verem melhor, mostro-o planificado».

(Fotos gentilmente cedidas por Rui Moreira e Ecomuseu do Corvo. Uma completa reportagem, também com texto de José Ruy, sobre a elaboração deste álbum, dividida em várias partes e abundantemente ilustrada, pode ser vista no blogue BDBD, dos nossos colegas e amigos Carlos Rico e Luiz Beira. Um trabalho a não perder, digno do talento e da versatilidade que são apanágio de Mestre José Ruy, o mais antigo colaborador do saudoso “O Mosquito” ainda em actividade).

MEMÓRIAS À VOLTA DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS (POR JOSÉ RUY) – 4

A minha adaptação ao novo processo de Rotogravura no Diário de Notícias, foi rápida. Fiquei com a categoria de oficial montador e retocador de Offset e Rotogravura.

Aproveitava todos os intervalos, entre o terminar de um trabalho e o início do seguinte, para desenhar colegas e máquinas.

Este, que vemos a trabalhar, era o impressor tipográfico da nossa secção, a tirar provas do texto em chumbo num prelo, sobre papel celofane, que eram depois montadas nas paginações das revistas destinadas a serem impressas na Rotogravura. Chamava-se Cara de Anjo, nome que eu, ao princípio, julgava ser alcunha; só quando tive de me dirigir a ele, e para não o tratar como toda a gente pela alcunha, o que me pareceu desagradável, lhe perguntei o nome verdadeiro, me respondeu que era mesmo esse. Nunca tinha antes ouvido tal nome próprio. O Rodrigo entrou no Diário de Notícias como meu aprendiz, pois a intenção da gerência era formar pessoal para essa especialidade gráfica.

Acabámos por nos tornar bons companheiros de trabalho.

Naturalmente que o utilizei como personagem das Histórias em Quadrinhos.

Os croquis eram feitos com muita rapidez, para apanhar a frescura da posição e o movimento. Desse modo, não prejudicava o trabalho que tínhamos em curso.

Nessa altura, em 1954, iniciei a minha colaboração com histórias em quadrinhos num Número Especial d’O Cavaleiro Andante, com a vida de «Gutenberg». O Rodrigo personalizou essa personagem, quando jovem.

O plano era impresso nos cadernos a duas cores numa face, e a uma cor no verso. Esta página mostra a impressão só a verde, em que o traço ficou como se fosse a negro e as meias-tintas aparentam como se fossem de uma segunda impressão.

O Rodrigo, quando viu a última vinheta [página seguinte], com o cavaleiro do século XV, sugeriu-me que fizesse uma história com as aventuras de um «cavaleiro andante».

Realmente fazia todo o sentido, seria um herói a corresponder ao título da revista. Mas pensei que isso seria tarefa para o Fernando Bento. No entanto, na redacção nunca deram seguimento a essa ideia, e o Bento limitou-se a fazer só algumas capas com a figura alusiva ao título, para comemorar alguma data festiva.

No próximo artigo: «Os colegas que queriam ser desenhados» e «O começo da colaboração na revista semanal».

CANTINHO DE UM POETA – 43

Mais um poema humorístico de Raul Correia (vulgo “Avozinho”, para os leitores d’O Mosquito), que começa com a frase “Num destes dias de calor ardente”… E logo nos vem à ideia que este verso rima com presente, isto é, com os dias que correm, num começo de Agosto causticado pelas temperaturas mais altas dos últimos 15 anos.

A “analogia” poético-meteorológica tem um intervalo mais longo, pois data de 17/5/1972 e surgiu no Jornal do Cuto nº 46, com uma ilustração de Jobat. Resta saber (quem se lembrará?) se nesse ano o calor foi tão ardente como o do presente

MAIS UM ANIVERSÁRIO!

 Enquanto a memória d’O Mosquito perdurar no espírito de todos nós, continuarão acesas as velas de aniversário que celebram o legado que nos deixou, nas suas milhares de páginas e nas inolvidáveis aventuras (mas não só) que acalentaram a nossa fantasia! Muito obrigado a todos, amigos, por nos acompanharem nesta jornada revivalista desde 2014!

Nota: ilustração (apetitosa como sempre!) de Catherine Labey.