CANTINHO DE UM POETA – 42

Mais um belo poema em prosa (ou texto rimado), da lavra de Raul Correia, o mítico Avozinho d’O Mosquito, que renasceu, nos anos 1970, graças a Roussado Pinto, nas páginas do Jornal do Cuto, depois de um período de relativo apagamento, em que trocou o culto da poesia por tarefas mais rotineiras, vivendo da tradução de livros para várias editoras, sobretudo para a Agência Portuguesa de Revistas.

Nos anos 1980, Raul Correia tornou-se colaborador dos Amigos do Livro, que lhe reeditaram algumas obras, entre elas as Histórias do Avozinho, numa série de volumes magistralmente ilustrados por Carlos Alberto Santos. O célebre pseudónimo de Raul Correia (que os leitores d’O Mosquito atribuíram sempre a uma personagem real, estabelecendo com ela uma relação de amizade quase familiar, embora ignorassem o seu verdadeiro nome) criou, assim, novos elos com outra geração, que também o consagrou entre os seus favoritos, dispensando-lhe o mesmo caloroso acolhimento que os seus antepassados dos anos trinta e quarenta.

A parábola “O Veado Vaidoso”, cujo ritmo supera certamente o da fábula de Esopo em que se inspirou, surgiu no Jornal do Cuto nº 31, de 2 de Fevereiro de 1972, com uma artística ilustração de José Baptista (Jobat).

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CANTINHO DE UM POETA – 40

Este poema de Raul Correia (o mítico Avozinho d’O Mosquito), em que transparece a bucólica beleza das tardes e dos poentes outonais — que ainda nos fazem sonhar com o regresso a um tempo mais ameno, depois do rigoroso inverno, e com a magia das cores primaveris que hão-de (como a paleta do poeta) rejuvenescer a Natureza —, foi publicado no Jornal do Cuto nº 165, de 15/5/1977… mas desta vez com uma ilustração de Carlos Alberto, outro magnífico artista que, na ausência de Jobat, foi o melhor colaborador da revista onde renasceu, nos anos 1970, o culto d’O Mosquito.

O NATAL NA ARTE DE E.T. COELHO

Mais uma ilustração de Eduardo Teixeira Coelho, no seu estilo de clássica beleza, publicada num número especial d’O Mosquito, como alegoria natalícia de um versículo do Novo Testamento — e de um poema do seu director Raul Correia, cuja personalidade lírica se confundiu sempre com a do mítico Avozinho, o poeta de “alma triste e coração feliz”, idolatrado por muitos jovens que liam avidamente “o melhor jornal para rapazes de todos os tempos” (ou, pelo menos, dos anos 30 e 40 do século XX).

CANTINHO DE UM POETA – 39

Eis mais um poema de Raul Correia, com uma ilustração de Jobat e publicado no Jornal do Cuto nº 19, de 10/11/1971, em cujo teor lírico e triste se espelha a influência de Gomes Leal, Guerra Junqueiro, António Nobre e outros poetas do século XIX que marcaram profundamente a obra do inspirado Avozinho d’O Mosquito.

Mais tarde (1949-1951), numa rubrica chamada Antologia o próprio Avozinho se encarregou de fazer uma selecção dos seus escritores e poetas favoritos, dando-lhes também lugar de destaque nas páginas d’O Mosquito, cujos leitores travaram assim conhecimento com alguns dos maiores nomes da literatura portuguesa.

CANTINHO DE UM POETA – 38

Mudando de registo, da poesia lírica para a crónica com laivos filosóficos, num estilo também muito apreciado pelos seus leitores, Raul Correia focou neste texto — publicado no Jornal do Cuto nº 23, de 8/12/1971 — um tema que é de todos os tempos: a desmesurada vaidade humana que nos coloca no centro do universo, quando não passamos de “pigmeus” à mercê de um destino incerto e transitório.

A ilustração, como habitualmente, deve-se a José Baptista (Jobat), colaborador do Jornal do Cuto desde os primeiros números e que chegou, graças à sua relação de amizade com Roussado Pinto, a ser chefe de redacção, depois de abandonar a Agência Portuguesa de Revista, onde trabalhara durante mais de 15 anos.

CANTINHO DE UM POETA – 37

Este poema de Raul Correia é mais um perfeito exemplo dos apólogos morais do “Avozinho” tão apreciados pelos leitores d’O Mosquito — numa época em que as revistas infanto-juvenis procuravam não só divertir como instruir —, ensinando-lhes, entre muitas coisas, que quem trata os outros com desdém, julgando-os apenas pelas aparências, faz o papel de ignorante e essa ignorância pode, às vezes, ser-lhe fatal, como no caso das roseiras vaidosas. E é claro que todos os “netinhos” do venerável “Avozinho” aprendiam com gosto a lição!

A página supra, ilustrada como habitualmente por José Baptista (Jobat), foi dada à estampa no Jornal do Cuto nº 32, de 9/2/1972.   

CANTINHO DE UM POETA – 36

Poeta popular, por excelência — embora vestindo n’O Mosquito as roupagens de um carismático trovador que usava o cognome de Avozinho —, Raul Correia participou (e foi premiado) em vários torneiros literários associados aos tradicionais festejos juninos em honra dos Santos Populares.

Eis um desses trabalhos poéticos, dado à estampa no Jornal do Cuto nº 53, de 5/7/1972, com a habitual ilustração de José Batista (Jobat).