ANTOLOGIA DE CONTOS DE ACÇÃO: “O ICEBERG” (CONTO DE ORLANDO MARQUES)

Há muito que não publicávamos um conto nesta rubrica. Mas hoje ela regressa, em homenagem a um dos melhores colaboradores literários d’O Mosquito, que se estreou e formou na sua escola: Orlando Jorge Bertoldo Marques. Mais tarde, passou pel’O Pluto, pel’O Faísca, pelo Mundo de Aventuras e pelo Jornal do Cuto, onde deixou também indeléveis marcas do seu prolífico talento de novelista, apreciado por uma larga legião de leitores.

O conto que leram foi originalmente publicado na última fase da Colecção de Aventuras, uma revista “gémea” d’O Mosquito (no seu conteúdo e nos seus formatos), que teve vida breve (1940-1942), e foi ilustrado por Eduardo Teixeira Coelho, então no início da sua carreira, com um estilo muito diferente do que adoptou pouco tempo depois.

As páginas que reproduzimos saíram no Mundo de Aventuras nº 467 (2ª série), de 25/09/1982, onde Orlando Marques publicou também muitos contos inéditos, ilustrados por outros desenhadores. O cabeçalho da página 2 foi desenhado por Catherine Labey.

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EXPOSIÇÃO NA BIBLIOTECA NACIONAL: 100 ANOS DE FASCÍCULOS DE AVENTURAS EM PORTUGAL

NOS TEMPOS HERÓICOS DA “LITERATURA DE CORDEL”

Uma grande exposição na Biblioteca Nacional, a não perder, organizada em parceria com o Clube Português de Banda Desenhada, sobre o universo dos fascículos de aventuras que fizeram as delícias de várias gerações, na primeira metade do século XX, com fabulosos heróis que se gravaram na memória dos mais jovens e capas cheias de colorido e emoção, pelo traço dinâmico de Alfredo Morais (1872-1971), um dos mais populares artistas da sua época.

Esses fascículos de aventuras influenciaram também um escol de novelistas portugueses, que surgiram n’O Mosquito, n’O Senhor Doutor, no Tic-Tac, n’O Faísca, n’O Pluto e no Mundo de Aventuras, como Reinaldo Ferreira (o célebre Repórter X), António Feio, Raul Correia, Orlando Marques, José Padinha, Lúcio Cardador, Roberto Ferreira e Roussado Pinto.

Os leitores dessa época não dispensavam as aventuras de Texas Jack, do Capitão Morgan, de Raffles, de Nick Carter… E houve até um colaborador d’O Mosquito, Orlando Marques, que na sua juventude usou o cognome de Texas Jack, tal era o entusiasmo que este herói das pradarias lhe despertava e aos seus colegas do Liceu do Funchal.

JOSÉ PIRES: UM AUTOR E FANEDITOR APAIXONADO PELA BD DE OUTROS TEMPOS

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Por cortesia de José Pires, nosso amigo de longa data, companheiro de muitas tertúlias desde os tempos heróicos em que lançámos o Fandaventuras e o Fandwestern (dois fanzines que ainda estão em publicação, graças ao incansável labor deste apaixonado pela BD clássica, que os edita mensalmente, com infalível pontualidade), apresentamos as edições distribuídas em Fevereiro, com novos episódios de duas séries carismáticas (Matt Marriott Terry e os Piratas) e a reedição da primeira história desenhada pelo saudoso artista português Vítor Péon para O Mosquito, na sua estreia, em 1943, como autor de banda desenhada.

Neste número, cuja capa e duas páginas podem ver já a seguir, figura também uma história curta de Péon, com o título “Traidor em Fuga”, realizada em 1946 para O Pluto, revista em que Péon foi o principal colaborador artístico, ilustrando-a de uma ponta à outra, num alarde de talento, versatilidade e energia criativa.

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Recorde-se que Terry e os Piratas foi apresentada também n’O Mosquito (1952-53), quando era desenhada por George Wunder, sucessor de Milton Caniff. Quanto a Matt Marriott é uma série inglesa, também em tiras diárias, desenhada por Tony Weare e escrita por James Edgar, que aborda com extraordinário realismo a colonização do Oeste americano em finais do século XIX, distanciando-se dos westerns da série B, nomeadamente os de feição mais juvenil.

Muitos dos seus episódios foram publicados no Mundo de Aventuras (1ª série), como o que deu o título a este número do Fandwestern.

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Em Janeiro, o Fandwestern reeditou duas outras histórias de Vítor Péon: “O  Juramento de Dick Storm“, publicada também n’O Mosquito, pouco tempo depois de Falsa Acusação”, e Três Balas”, cuja acção trepidante, baseada numa novela de Orlando Marques, se desenrola igualmente no cenário mítico do Oeste americano. Oriunda d’O Pluto, revista editada por Roussado Pinto, em 1945-46, e que durou apenas 25 números, Três Balas” ficou incompleta, mas surgiu em nova versão (remontada parcialmente e com vinhetas coloridas) numa das primeiras colecções de cromos do género, editada pela fábrica de rebuçados “A Oriental”.

Estes fanzines encontram-se à venda na Loja de José Manuel Vilela, Calçada do Duque, 19-A, 1200-155, Lisboa, mas podem também ser encomendados ao editor, por quem não mora na capital, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt.

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ANTOLOGIA DE CONTOS DE ACÇÃO – 10

orlando-marques-2Temos o prazer de apresentar nesta rubrica um conto de Orlando Jorge B. Marques, um dos mais apreciados novelistas d’O Mosquito, onde se estreou em 1940 como colaborador da página dos leitores, alcandorando-se rapidamente a um lugar de destaque, entre autores consagrados como Raul Correia (que sempre considerou o seu grande mestre), Fidalgo dos Santos, Roberto Ferreira (Rofer), Lúcio Cardador (este oriundo também da página dos leitores, mas com alguns meses de antecedência) e, mais tarde, José Padinha. Embora de temática policial, “Bill Dempsey, o “Gangster” é um dos primeiros contos em que Orlando Marques recriou um cenário puramente natalício — como faria posteriormente em muitos outros trabalhos, dispersos por revistas juvenis em que colaborou assiduamente, como O MosquitoO PlutoO Faísca e o Mundo de Aventuras (1ª e 2ª séries).

Para os leitores que admiravam o seu estilo e apreciavam os seus enredos, tornou-se um hábito (ou mesmo uma tradição) desfrutar na quadra mais festiva do ano, entre outros presentes ansiosamente aguardados, um conto natalício de Orlando Marques. Convidamos-te, pois, leitor amigo, a “saborear” também esta pequena jóia do passado, que espelha inequivocamente o talento literário de um prolífico novelista popular e a profunda humanidade que sabia imprimir aos seus temas e às suas personagens, sobretudo quando o pano de fundo era aquela época especial que, desde a aurora do cristianismo, faz vibrar de emoção, de felicidade, de esperança e de amor ao próximo, os espíritos, iluminados pela Fé, de todos os homens de boa vontade.

Nota: este conto foi originalmente publicado n‘O Mosquito nºs 366 e 367 (26/12 e 30/12/1942), mas a versão aqui apresentada foi extraída do Jornal do Cuto nº 25 (22/12/1971). As ilustrações são de um ainda jovem E. T. Coelho, cuja carreira n’O Mosquito se iniciara pouco tempo antes.

RAUL CORREIA: A importância de um estilo – 3

Das novelas para as legendas, o mesmo método narrativo

Raoul Correia e Cardoso LopesComo novelista em publicações juvenis, Raul Correia foi realmente um precursor, não só ao criar um estilo apreciado por todos os leitores (em que, na harmonia da forma e na icástica simplicidade do verbo, transparecia a influência de Eça de Queirós, o seu romancista favorito), mas, sobretudo, abrindo múltiplos caminhos a uma geração de novos escritores, também exímios no género de aventuras, que apadrinhou e acarinhou como um verdadeiro mestre. Graças ao seu exemplo e ao seu espírito de abertura (secundado por Cardoso Lopes), é que a produção de novelas n’O Mosquito foi muito superior à de histórias aos quadradinhos de autores nacionais, mesmo tendo em conta que entre estes figuravam E. T. Coelho, Vítor Péon, Jayme Cortez, José Garcês e José Ruy, que se estrearam quase todos nas mesmas páginas.

pelo-mundo-fora-mosq-124-902Com a chegada de Lúcio Cardador, Orlando Marques e José Padinha, a presença de Raul Correia como novelista tornou-se mais discreta, no propósito deliberado de dar lugar aos novos. Colaborou também n’A Formiga, suplemento para as meninas dirigido por Tia Nita (Mariana Cardoso Lopes), e noutras publicações das Edições O Mosquito, como Filmagem (onde assinou algumas crónicas com o curioso pseudónimo de João da Lua) e Mosquito Magazine. O cariz diferente desses trabalhos — bem como as impagáveis legendas que escreveu para Serafim e Malacueco e muitas outras séries cómicas inglesas — dão bem a ideia do seu talento e da sua versatilidade.

Também traduziu e adaptou muitas séries de aventuras que ficaram célebres, como Pelo Mundo Fora, O Gavião dos Mares, O Capitão Meia-Noite, O Voo da Águia, Na Pista de Fu-Chong, Os Companheiros de Londres, Ao Serviço da Lei, O Capitão Ciclone, Cuto, O Planeta Misterioso, Pepe Carter e Coco, etc, e colaborou, em estreita união, com E. T. Coelho nalgumas das melhores criações do genial desenhador, nomeadamente Os Guerreiros do Lago Verde, O Grande Rifle Branco, Os Náufragos do Barco Sem Nome, Falcão Negro, o Filho de Jim West, Sigurd, o Herói, O Caminho do Oriente, A Moura e A Fonte, A Moura e o Dragão, A Lei da Selva, Lobo Cinzento, cujas legendas escreveu com inexcedível mestria, numa prosa elegante, emotiva e vigorosa que não ficava aquém da beleza formal e da energia cinética que irradiavam das imagens.

mosquito-253-gaviao-dos-mares904É verdade que não se lhe pode legitimamente atribuir a co-autoria dessas histórias, mas seria lamentável e injusto não reconhecer que sem a sua prosa elas ficariam desfalcadas de um importante elemento, na relação verbo-icónica.

Outro dos seus melhores trabalhos como autor de legendas, que escrevia baseado apenas nos desenhos, sem outro suporte narrativo — no caso das HQ’s nacionais —, está patente em A Casa da Azenha, magistral criação de Vítor Péon, inspirada nos clássicos da “novela negra” americana. Não sabemos se foi Péon (cuja carreira artística muito ficou, também, a dever ao impulso que lhe deu O Mosquito) quem teve a ideia de narrar a história na 1ª pessoa, mas o certo é que esse método típico da literatura policial, sobretudo de autores como Dashiell Hammett e Raymond Chandler, tornou ainda mais vernácula a prosa de Raul Correia, que para entrar no âmago de uma história, mesmo inventada por outrem, precisava apenas de apelar à sua imaginação.

Há quem o acuse apressadamente de ser demasiado redundante nas legendas que escrevia, mas esses detractores recentes esquecem-se de que as histórias com textos didascálicos tinham dois níveis diferentes (e autónomos) de leitura. Os desenhos, mesmo expressivos como os dos autores ingleses que rechearam os primeiros anos d’O Mosquito, não podiam contar tudo, pois faltava-lhes o discurso directo, parte integrante, hoje em dia, de qualquer história aos quadradinhos.

Como novelista e autor de legendas, Raul Correia procurava acima de tudo descrever fluentemente (e coerentemente) o desen- rolar da acção, sem se preocupar com o excesso de prosa, pondo mesmo em risco, por vezes, a integridade das vinhetas, isto é, dos desenhos. Não era um escritor de meias palavras… para mal dos tipógrafos, mas benefício dos leitores! E isso era qualidade mais do que suficiente para que estes seguissem com tanta atenção e interesse a sequência narrativa como a sequência desenhada.

Foi graças à expressividade do seu verbo e ao vigor do seu estilo que os heróis das histórias “mudas” inglesas ganharam vida, parecendo ultrapassar o limite das vinhetas, de formato geralmente uniforme, como se a acção extravasasse para um espaço mais vasto: o do imaginário narrativo.

Aliás, Raul Correia teve bons discípulos, como Roussado Pinto, Orlando Marques e outros, que também se distinguiram como prolixos narradores, dando primazia, nas HQ’s que criaram, ao texto didascálico ou no interior das vinhetas. Escola de raízes literárias que, durante muito tempo, dos anos 20 até quase aos 80, foi predominante na BD portuguesa do século passado (mas isso será tema para outro trabalho), essa forma narrativa estava intimamente associada à influência do romance (sobretudo o de características mais juvenis) e dos fascículos populares (a chamada literatura de cordel), que antecedeu a influência do cinema e do cartoon na evolução orgânica da Banda Desenhada.

Para Raul Correia, novelista, tradutor e autor de legendas, que abominava os “balões”, o texto descritivo foi sempre a sua linguagem narrativa peculiar.

CURIOSIDADES E ANOMALIAS – 4

Durante os seus primeiros cinco anos de existência, o aspecto gráfico d’O Mosquito pouco mudou. Com apenas oito páginas (mais quatro, durante um breve período), recheadas de histórias aos quadradinhos inglesas, contos e novelas ilustrados também com gravuras inglesas e os poemas do Avozinho, que eram lidos com tanto interesse como o resto do sumário, O Mosquito conseguiu impor-se a todos os seus concorrentes, conquistando um lugar cada vez mais proeminente no panorama da imprensa infanto-juvenil dessa época.

mosquito-201-784A guerra em curso na Europa dificultava também, como era inevitável, a vida dos portugueses, agravando, no caso particular dos jornais, o custo do papel e de outras matérias-primas, com cuja escassez O Mosquito e os seus congéneres se debatiam semana após semana. Parece quase um milagre que, numa altura em que muitas pessoas tinham de fazer bicha para comprar pão, leite e outros alimentos, as máquinas impressoras continuassem a trabalhar, fornecendo aos ávidos leitores juvenis uma espécie de “maná” que servia de alimento ao seu espírito e de lenitivo aos temores que as notícias dessa guerra longínqua infundiam aos mais timoratos.

Em Novembro de 1939, ignorando o que se passava bem perto das nossas fronteiras, com os fantasmas da guerra já a rondarem alguns países europeus, O Mosquito deu um passo de gigante que lhe permitiu consolidar ainda mais o seu lugar de líder no mercado, com uma tiragem que fazia inveja a todos os concorrentes — incluindo os que tinham nascido antes dele, como O Senhor Doutor e O Papagaio.

Com efeito, foi nessa data que se mudou para as suas novas oficinas gráficas, na Travessa de S. Pedro nº 9, em Lisboa (perto do jardim e miradouro de S. Pedro de Alcântara), onde ficaram, também instalados os seus escritórios e armazéns, pois o amplo rés-do-chão de um prédio que era pertença da família de António Cardoso Lopes Jr. (Tiotónio) tinha espaço para tudo.

A partir desse histórico momento, não só o seu aspecto gráfico melhorou como pôde aumentar o número de páginas, que passaram de oito para doze (mantendo a separata com uma construção de armar), e incluir outros melhoramentos, como  a nova rubrica dedicada à colaboração dos leitores (onde se estrearam, pouco depois, dois grandes novelistas, Orlando Marques e Lúcio Cardador), e mais histórias ilustradas pelos melhores artistas ingleses, que não tardaram a cotar-se entre os seus maiores êxitos: “O Voo da Águia” (por Reg Perrott), “Serafim e Malacueco” (por Percy Cocking) e “Pedro de Lemos, Tenente, e o Manel, Dez Reis de Gente” (por Roy Wilson).

mosquito-206-a-786A cor, que até então tinha sido sistematicamente monocromática, diversificou também a sua gama, tornando mais garridas algumas capas, a partir do nº 201, de 17/11/1939. Foi essa a primeira experiência policromática — ainda não totalmente conseguida, como os próprios editores reconhe- ciam no editorial desse número  — realizada por Cardoso Lopes na nova máquina onde era impresso O Mosquito, uma moderna Rollan, importada da Alemanha, que imprimia as páginas do jornal a uma velocidade nunca vista e com uma perfeição que, ultrapassadas as primeiras e notórias deficiências, deu um ar ainda mais atraente ao simpático “insecto” de papel, que se intitulava o “Mosquito” mais bonito de Portugal, do Minho ao Algarve.

A impressão em offset a três cores voltou a engalanar as capas d’O Mosquito nºs 206 (especial de Natal, com uma ilustração da ilustre artista Raquel Roque Gameiro) e 222, de 11/4/1940; neste o cabeçalho também mudou, ostentando um desenho de Cabrero Arnal, criador do famoso Cão Top, em vez da usual figura do “Mosquito” desenhada por Cardoso Lopes. Mas os tempos não estavam para folias e, por isso, a rotina voltou a instalar-se com o regresso das duas cores, na capa e na contracapa, quebrada apenas no nº 318, de 12/2/1942, primeiro de uma nova etapa, com O Mosquito a dar outro gigantesco passo em frente, apesar do formato ter diminuído, intitulando-se agora “formato de guerra”. Mas isso é outra história…

ANTOLOGIA DE CONTOS DE ACÇÃO – 9

O ENGANO DE WILL ARBLASTER (por F. R. Buckley)

Mosquito 887Frederick Robert Buckley, ou F. R. Buckley (1896-1976), é o nome de um escritor americano (mas natural de Inglaterra) que nada dirá à maioria dos visitantes deste blogue, embora não seja totalmente desco- nhecido dos leitores d’O Mosquito, pois foi autor de um conto de Natal traduzido por Raul Correia, no nº 887, de 24/12/1947 (com outra bela capa de E. T. Coelho).

É curioso, e talvez até um pouco insólito, associar o espírito natalício a uma história de cowboys, no sentido mais verídico e realista do tema, mas não foi caso único, pois outro escritor americano mais famoso, com o pseu- dónimo de O. Henry, fê-lo frequentemente, recorrendo ao mesmo assunto quando a inspiração assim o ditava.

The Saturday Evening Post (Christmas) aparadoNo caso de F. R. Buckley, o seu conto — que agora recuperámos das páginas d’O Mosquito, a pretexto desta quadra natalícia e como homenagem a dois nomes que têm estado sempre presentes no nosso blogue, os de Raul Correia e Eduardo Teixeira Coelho — tem ainda a curiosidade de ter sido apresentado na revista muito tempo antes da estreia da rubrica Antologia de Contos de Acção, onde foram publicadas muitas histórias do género, algumas de reputados novelistas, na sua maioria norte-americanos (como Jack London, Ernest Haycox, Johnston Mac Culley, James Warner Bellah, C. E. Mulford, Max Brand e o próprio O. Henry), que Raul Correia traduziu e adaptou com o seu habitual primor literário.

Noventa por cento desses contos eram oriundos (como já tivemos ocasião de referir num post anterior) de um popular magazine americano, The Saturday Evening Post, a que Raul Correia devia ter fácil acesso devido à sua ligação, como gerente comercial, ao Hotel Avenida Palace, frequentado por muitos estrangeiros. Daí também o seu conhecimento de vários idiomas, entre eles o inglês, que falava e escrevia correctamente.

Argosy (F.RDe qualquer modo, mesmo que a origem das suas “fontes” fosse outra, o que importa frisar é a grande quantidade e variedade de contos de aventuras que seleccionou e traduziu para essa rubrica — iniciada, ainda sem título, no nº 1032 —, e que já anteriormente tinham começado a aparecer n’O Mosquito, embora de forma dispersa, para preencher uma lacuna quando o principal novelista de “serviço”, Orlando Marques, estava ausente, como foi o caso de “O Engano de Will Arblaster”, da autoria de F. R. Buckley.

Refira-se, a título de curiosidade, que este novelista era um apaixonado pelos temas do velho Oeste, mas também abordou com frequência outros géneros, como o swashbuckling (aventuras históricas e de capa e espada), em revistas de larga tiragem como Argosy e Adventure, dois célebres pulp magazines que se publicaram, sobretudo o primeiro, durante muitas décadas. A preferência por esses temas devia-se, sem dúvida, ao seu currículo como argumentista e assistente de realização, nos tempos heróicos do cinema mudo.

Adventure - 4E. T. Coelho fez duas ilustrações para este conto, com um traço mais espesso e sombrio do que era habitual e que nos traz à memória os seus primeiros trabalhos, num vigoroso e aliciante preto e branco, para revistas tão emblemáticas como O Senhor DoutorEngenhocas e O Mosquito. Só um pouco mais tarde, fruto de uma rápida e magistral evolução, daria preferência ao uso do aparo e às linhas de contornos suaves e de textura luminosa, cujo contraste com a técnica do pincel era flagrante.

Aqui fica, pois, reproduzido directamente de um número especial d’O Mosquito, alusivo ao Natal de 1947, o emotivo conto de F. R. Buckley (cujo título original desconhecemos), que revive com mestria o cenário turbulento do Oeste americano, num tempo em que os jovens pistoleiros sem escrúpulos como Will Arblaster não ligavam muita importância ao espírito e aos festejos natalícios. Até conhecerem uma nova realidade, num final digno de O. Henry.

Para visionar melhor estas páginas, basta clicar sobre elas duas vezes, ampliando-as ao máximo. Boa leitura e até à próxima… (Atenção ao aviso no fim deste post).

AVISO IMPORTANTE: POR MOTIVOS IMPREVISTOS, QUE MUITO LAMENTAMOS, ESTE E OS OUTROS BLOGUES DA “LOJA DE PAPEL” VÃO FICAR TEMPORARIAMENTE SUSPENSOS. VOLTAREMOS AO VOSSO CONTACTO LOGO QUE NOS FOR POSSÍVEL.