PÁGINAS DE ANTOLOGIA – 2 (AUGUSTO TRIGO)

Mais duas páginas da história Kumalo – A Vingança do Elefante, publicadas no nº 6 da revista O Mosquito (5ª série), da Editorial Futura (Março de 1985), com ilustrações de Augusto Trigo e argumento de Jorge Magalhães.

Dois caçadores, um ranger (guarda florestal) e o seu guia negro, perseguem Kumalo, o elefante louco, ferido por um caçador furtivo, para o impedir de causar mais danos aos indígenas da região. Mas, durante o percurso, são assombrados por estranhas visões e por fantásticos pesadelos, como se os deuses da selva — em que Ilanga, o guia, supersticiosamente acredita — quisessem proteger Kumalo, que para os negros é a reincarnação de um grande induna (régulo) dos Matabeles.

Num desses pesadelos, Ilanga fica cativo e à mercê das selvagens amazonas de Nabunimbwa, uma cidadela antiquíssima, meio em ruínas, habitada só por mulheres. Onde acaba o sonho e começa a realidade?

Prescindindo quase do texto, estas duas magníficas páginas demonstram cabalmente a força expressiva dos desenhos de Augusto Trigo, através de uma paginação dinâmica e de uma refinada técnica do preto-e-branco — matriz em que a sua obra atinge, por vezes, o máximo da pujança e do esplendor.

Esta história foi publicada também a cores num álbum editado pela Meribérica, em 1988, de onde extraímos as mesmas páginas, para que os nossos leitores possam fazer a comparação entre a estética do preto-e-branco (com o cariz dramático, quase opressivo, que confere às imagens) e a paleta cromática do álbum.

Noutra altura, voltaremos ainda a Kumalo – A Vingança do Elefante, uma das maiores criações de Augusto Trigo, no começo da sua carreira como autor de BD.

Advertisements

TORPEDO, O POLICIAL “NEGRO” DE SÁNCHEZ ABULÍ E JORDI BERNET QUE DEIXOU SAUDADES

Uma das melhores séries espanholas dos anos 80, criada pela imaginação de dois talentosos autores, Enrique Sánchez Abulí e Jordi Bernet, Torpedo 1936 regressou agora, sob o selo da Levoir, na primeira edição integral em língua portuguesa. Seis volumes com muitos episódios inéditos, incluindo a última versão, realizada por Eduardo Risso, cuja história se passa em 1972. Para os leitores de há 20, 30 anos, e para os de hoje, menos familiarizados com um dos anti-heróis mais populares da BD mundial, este regresso “em beleza” é, sem dúvida, além de merecida homenagem, o primeiro grande acontecimento editorial do ano de 2018. Absolutamente a não perder!

Torpedo 1936 estreou-se em Portugal no nº 2 d’O Mosquito (5ª série), que publicou nove episódios até ao nº 12 (e último), todos no preto-e-branco original. Após o fim da revista, em Janeiro de 1986, a Editorial Futura continuou a divulgar a criação de Abuli e Bernet numa colecção de álbuns de que saíram seis volumes, rapidamente esgotados. Torpedo só voltou ao contacto com os leitores portugueses dez anos depois, nas páginas da Selecções BD (2ª série), onde surgiram, pela primeira vez, alguns episódios a cores.

Curiosamente, a data que figura no título de Torpedo — assinalando a época em que decorrem as suas “façanhas” de pistoleiro a soldo — remonta ao mesmo ano em que nasceu a mais emblemática revista da BD portuguesa: O Mosquito (1ª série).

RICHARD CORBEN – VENCEDOR DO GRANDE PRÉMIO NO FESTIVAL DE ANGOULÊME 2018

O mestre do horror Richard Corben é o novo Grand Prix de Angoulême

Na véspera da abertura da 45ª edição do festival, o cartoonista americano de 77 anos foi recompensado por todo o seu trabalho.

Richard Corben é o quinto americano a vencer o Grande Prémio de Angoulême. Tem sido comum que a ficção científica e a fantasia apareçam pouco no panteão do Festival de Angoulême. A nomeação, na quarta-feira 24 de Janeiro, de Richard Corben para o Grande Prémio, é um evento a saudar pelos leitores de um dos principais géneros dos quadradinhos contemporâneos: o  horror.

Escolhido pelos profissionais do sector, em detrimento do seu compatriota Chris Ware e do francês Emmanuel Guibert, que tinham assumido com ele a liderança na primeira volta da votação, Corben recebeu essa distinção depois dos seus compatriotas Will Eisner (1975), Robert Crumb (1999), Art Spiegelman (2011) e Bill Watterson (2014).

Uma estética única

A sua vitória no Grand Prix de Angoulême celebra um excelente estilista e um mestre do horror, mas também um escrupuloso adaptador de Howard Phillips Lovecraft e Edgar Alan Poe, duas das suas principais influências.

O trabalho de Richard Corben pode ser resumido no elenco e no bestiário que povoam as dezenas de álbuns que publicou em mais de 45 anos de carreira: uma multidão de mutantes, zombies, criaturas dos pântanos, bruxas, ladrões de túmulos, gladiadores, monstros, guerreiros tribais, espectros com jaquetas esfarrapadas, mulheres delirantes, animais diabólicos e bárbaros de todos os tipos.

Pilar das edições Warren Publishing, como colaborador assíduo das revistas de terror Creepy, Eerie e Vampirella, Corben desenvolveu uma estética única que provém tanto da cultura “pulp” quanto da literatura fantástica. O seu trabalho também deve muito a Robert E. Howard, o fundador da fantasia heróica com as aventuras de Conan, o Bárbaro, de que ele desenhou várias histórias.

Nascido em Anderson (Missouri), em 1940, Richard Corben é conhecido desde há muito na França. A revista Actuel foi a primeira a publicá-lo, em 1972. Três anos depois, Métal Hurlant hospedou nas suas páginas a série Den, contando as aventuras erótico- -fantásticas de um jovem geek que se transformou num guerreiro culturista.

A sua técnica de aerógrafo — uma arma de pintura em miniatura — grangeou-lhe uma enorme admiração de leitores “adultos” a quem, finalmente, os quadradinhos foram revelados. Corben tornou-se um autor de “culto”, embora sem nunca alcançar uma grande audiência no seu próprio país ou na Europa, apesar de algumas colaborações famosas, como no Hellboy de Mike Mignola.

Permanecendo fiel ao seu universo particular, o residente de Kansas City, a cidade onde recebeu o seu treino artístico, é “o arquétipo do autor independente“, de acordo com Laurent Lerner, fundador da pequena editora francesa Delirium, que tem publicado as suas criações na França nos últimos anos: “Ele é independente de tudo: do mercado, do marketing, dos média, dos leitores, das editoras… A sua abordagem artística nunca se desviou da direcção que assumiu na início da sua carreira. Tinha altos e baixos, e mesmo grandes momentos de solidão“.

Numa entrevista que concedeu no final de Ragemoor (Delirium, 2014), uma fantástica narrativa feita com o argumentista Jan Strnad, Richard Corben explica por que é que ele, o mestre das cores, optou por um tratamento a preto e branco: “Quando da concepção deste projecto, não sabia se encontraria um lugar na Dark Horse ou noutro editor de grande dimensão. Pensei que teria de apresentá-lo a editores menores, que não podiam dar-se ao luxo de publicá-lo a cores“.

O desenhador também fez um balanço da “longa carreira” e das pesquisas apesar da sua considerável idade: “Eu sempre adorei as possibilidades oferecidas pelos quadradinhos, como um meio de expressão, para contar as histórias que quero fazer e não apenas aquelas que vendem bem. Ainda tenho objectivos para serem alcançados e, por isso, provavelmente nunca me aposentarei. Continuarei a desenhar quadradinhos até morrer!“.

(Texto extraído, com a devida vénia, do blogue Largo dos Correios)

Nota pessoal (J.M.): A minha grande admiração por este autor americano, muito pouco publicado em Portugal, levou-me a incluí-lo na revista O Mosquito (5ª série), da Editorial Futura, de que fui coordenador, dedicando-lhe a capa do nº 5 (Janeiro 1985) e escolhendo uma das suas melhores histórias a preto e branco, realizada em 1970: “O Crepúsculo dos Cães”, com 10 páginas, também publicada nesse número. Anteriormente, só outro trabalho de Richard Corben fora apresentado aos leitores portugueses, na revista Zakarella nº 8, da Portugal Press, dirigida por Roussado Pinto.

Por ter sido O Mosquito (5ª série) a divulgar de novo Corben, mostrando as suas potencialidades gráficas e narrativas, num registo mais realista, achei que essa edição devia ser recordada por este blogue numa altura em que o Festival de Angoulême lhe prestou também, finalmente, homenagem, como um dos maiores autores ainda vivos da BD norte-americana e com uma obra que o tempo decerto não apagará da memória dos seus inúmeros admiradores. Aqui ficam, pois, a capa d’O Mosquito nº 5 (5ª série) e a primeira página da referida história de Richard Corben.

PÁGINAS DE ANTOLOGIA – 1 (AUGUSTO TRIGO)

A carga brutal de Kumalo, o elefante louco — que os indígenas do povo Matabele crêem ser a reencarnação de um induna, um grande chefe chamado Milikatzé —, numa das cenas finais de “Kumalo – A Vingança do Elefante”, história originalmente publicada na revista O Mosquito (5ª série), em 1984/85, com a arte magistral de Augusto Trigo e argumento de Jorge Magalhães.

Mais tarde, foi reeditada em álbum pela Meribérica, numa versão colorida mas amputada de algumas páginas. Esta prancha esteve exposta, em 2016, na Bedeteca da Amadora, durante uma mostra consagrada aos trabalhos de Augusto Trigo e do seu principal argumentista. Aqui ficam as duas versões, a preto e branco e a cores.

REQUIEM POR FERNANDO RELVAS (1954-2017)

Como já foi largamente noticiado, Fernando Relvas, um dos mais talentosos autores portugueses de BD, morreu com 63 anos, em 21 de Novembro p.p., vítima de pneumonia, depois de ter sido sujeito a uma operação no Hospital Egas Moniz, de onde foi transferido para o Amadora-Sintra. O funeral realizou-se hoje, no cemitério de Barcarena.

Justamente considerado por Nelson Dona, diretor do Festival Amadora BD, como um dos “autores-chave da BD portuguesa contemporânea, que trabalhou em todo o tipo de BD com registos gráficos brilhantes muito diferentes, e também em narrativas diversas, desde a infantil até à que era só para adultos”, Fernando Relvas, nascido em Lisboa em 20 de Setembro de 1954, publicou os seus primeiros trabalhos em meados da década de 1970, somando, desde então, colaborações em várias revistas de BD, nomeadamente Fungagá da Bicharada, Tintin, Mundo de Aventuras e Selecções BD, nos semanários Se7e e Sábado e no jornal Diário de Notícias. Ultimamente, utilizava também os meios digitais e criara blogues, como o Urso Relvas, onde escrevia textos inspirados.

Algumas das histórias publicadas na imprensa foram, mais tarde, compiladas em álbum, como “Karlos Starkiller”, “Çufo”, “Em Desgraça”, “As Aventuras do Pirilau: O Nosso Primo em Bruxelas” e “L123/Cevadilha Speed”. Em 2012, saiu o álbum “Sangue Violeta e Outros Contos” — englobando as histórias “Sangue Violeta”, “Taxi Driver” e “Sabina”, publicadas no Se7e —, premiado como clássico da Nona Arte no Festival de BD da Amadora.

A extensa obra de Fernando Relvas, interrompida nos últimos dois anos, devido à doença de Parkinson de que sofria, foi apresentada várias vezes na cidade da Amadora, capital portuguesa da Banda Desenhada, onde morava com a artista plástica Anica Govedarica, que conheceu na Croácia e com quem estava casado desde 2010.

Entre Janeiro e Abril do ano em curso, a Bedeteca da Amadora foi cenário da exposição retrospectiva “Horizonte, Azul Tranquilo”, que o seu organizador, Pedro Moura, descreveu como “uma obra maior no panorama nacional, ainda que sob muitos aspectos fragmentária (…), um verdadeiro sismógrafo da sociedade portuguesa e global das últimas décadas”. A exposição exibia trabalhos de Fernando Relvas publicados em fanzines, em revistas como o Tintin e noutra imprensa, como o semanário Se7e, onde deu largas, durante vários anos, a um imaginário ousado e irreverente e a uma veia gráfica experimentalista.

Em declarações à Agência Lusa, Pedro Moura sintonizou a carreira de Relvas com “um percurso nervoso por entre géneros e humores, métodos e técnicas, veículos de publicação e modos de produção e circulação, que servirá de retrato de uma incessante e intranquila busca pela expressividade própria da banda desenhada”.

Recorde-se também a exposição “Fernando Relvas e a Revista Tintin”, inaugurada em 16/5/2014 no extinto CNBDI (Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem), onde hoje se localiza a sede do CPBD (Clube Português de Banda Desenhada). Essa mostra assinalou a entrada da obra de Fernando Relvas, Prémio Nacional Amadora BD 2012, na importante e vasta colecção de originais da CMA/CNBDI, actualmente depositada na Bedeteca da Amadora.

Em finais de Outubro p.p., Relvas teve ainda a satisfação de assistir à abertura da sua nova mostra, na Galeria Artur Bual, integrada no 28º Festival Amadora BD, com uma abordagem retrospectiva (e não só) da sua obra, organizada por João Miguel Lameiras. Menos de um mês depois, partiu para o paraíso dos grandes artistas, onde descansará em paz, eternamente…

Este blogue, em homenagem à sua memória, está a preparar a apresentação de uma história publicada n’O Mosquito nº 2 (5ª série), Junho de 1984, cujos originais já estiveram também patentes na Bedeteca da Amadora. Infelizmente, foi a única colaboração que Relvas, sempre disperso por múltiplos projectos, prestou àquela revista — última “reencarnação” do mais emblemático título da BD portuguesa —, onde surgiu ao lado de autores como Jordi Bernet, Juan Gimenez, Esteban Maroto, Mandrafina, Antonio Hernandez Palácios, Eduardo Teixeira Coelho, Estrompa e Augusto Trigo.

Nota: este artigo utilizou algumas informações extraídas do DN Artes online.

IMAGENS DO PASSADO – EXCURSÃO A BARCELONA (1)

Foto do “Grupo de Lisboa”, com alguns dos visitantes portugueses que se deslocaram ao 4º Salón del Comic de Barcelona (Maio 1984). A comitiva foi recebida pelo autor de tebeos Juan Espallardo (ainda hoje muito activo, na terra onde vive, como professor de Desenho Artístico), que também figura na imagem, segurando um exemplar do novo Almanaque O Mosquito (Editorial Futura).

Da esquerda para a direita: 1º plano, Eugénio Silva (de cócoras); 2º plano, Chaves Ferreira (director da Editorial Futura), Juan Espallardo, Catherine Labey, José Ruy, Jorge Magalhães e António Alfaiate.

Na mala do Dr. Chaves Ferreira ia também o 1º número da 5ª série d’O Mosquito, lançada em Abril desse mesmo ano, que seria oferecido a Jesús Blasco e a outros artistas espanhóis que já eram colaboradores da Editorial Futura ou que viriam, em breve, a sê-lo. O nosso grupo — de que também faziam parte o Luís Diferr e o Geraldes Lino — viajou de autocarro até Barcelona (com excepção do Lino, que preferiu a via aérea), onde permaneceu três dias, regressando no domingo, dia 20 de Maio, pelo mesmo transporte.

Nesse domingo, de manhã, fizemos uma visita obrigatória às ramblas e ao mercado onde se realiza a maior feira de alfarrabistas de Barcelona, dedicada somente a livros, revistas, discos, cartazes e algum outro material de colecção, com grande incidência nas publicações de tebeos, isto é, de banda desenhada. Na foto que se segue, é manifesto o interesse e a curiosidade com que eu e o Geraldes Lino vivemos esses momentos, deixando-nos atrair por alguns dos artigos expostos nas bancas… mas sem perder a cabeça, abrindo os cordões à bolsa! (Por que estariam aqueles dois “maraus” com um ar de tanto gozo? Confesso que não me lembro…)

Falta ainda recordar um pitoresco episódio que quase ia comprome- tendo o desfecho da viagem, pelo menos para um de nós. Na festa de encerramento do Salón, que acabou animadamente numa espécie de restaurante/discoteca — com a presença de ilustres autores do país vizinho (naturais e residentes), como Jesús Blasco, Puigmiquel, Garcia Iranzo, Juan Gimenez, José Ortiz, Manfred Sommer e Alberto Breccia —, o Eugénio Silva quis mostrar a sua “costela” espanhola, armando-se em dançarino, mas teve azar, deu um passo em falso e partiu um pé. Felizmente, depois de assistido no hospital, pôde regressar a casa com os companheiros de viagem e não perdeu o bom humor, continuando a ser o “rei da paródia”, apesar do pé engessado, das muletas e do frio que rapámos todos ao atravessar, de noite, a Serra de Guadarrama.

É que no autocarro não havia mantas para os passageiros se agasalharem e o aquecimento não funcionava! Resultado: ninguém conseguiu pregar olho e a noite foi passada na chalaça uns com os outros, com grande arrelia de um casalinho sentado ao pé de nós… que se esforçava em vão por dormir no meio dessa algazarra! Mas, assim, a viagem de regresso até nos pareceu mais curta.

Jorge Magalhães

Jorge Magalhães, Catherine Labey e Dr. Chaves Ferreira, a equipa da Editorial Futura responsável pela 5ª série d’O Mosquito, defronte do recinto onde teve lugar o 4º Salón del Comic de Barcelona, horas antes do seu regresso a Portugal

CONVERSA(S) SOBRE BANDA DESENHADA (COM JORGE MAGALHÃES E CATHERINE LABEY) – 3

JORGE MAGALHÃES (1)

Jorge Magalhães nasceu no Porto em 22 de Março de 1938. Entre 1959 e 1961, iniciou transitoriamente a sua carreira na Banda Desenhada, escrevendo contos para o Mundo de Aventuras e para O Mosquito (2ª série), editado por José Ruy e Ezequiel Carradinha. Anos depois (1970), publicou também um conto no último número de Pisca-Pisca, revista da MP dirigida por Álvaro Parreira.

Em Maio de 1974, dez meses após regressar de Angola, onde era funcionário público — tendo continuado, em simultâneo, a dedicar-se à escrita, como colaborador, entre 1967 e 1972, de vários jornais e revistas: A Província de Angola, TrópicoABC e O Comércio —, concretizou um sonho de juventude ao ingressar na Agência Portuguesa de Revistas, onde assumiu a coordenação do Mundo de Aventuras (2ª série), MA Especial e Selecções do MA, entre outros títulos de menor importância, permanecendo naquela empresa durante 13 anos, até ao seu encerramento em finais de 1987.

Em 1976, estreou-se como argumentista no Mundo de Aventuras com uma história desenhada por Baptista Mendes, “A Lenda de Gaia”, tendo depois assinado numerosos argumentos para revistas e álbuns (individuais e colectivos), ilustrados por alguns dos principais desenhadores portugueses, como Augusto Trigo, Carlos Alberto, Carlos Roque, Catherine Labey, Eugénio Silva, Fernando Bento, João Amaral, José Abrantes, José Carlos Fernandes, José Garcês, José Pires, José Ruy, Pedro Massano, Rui Lacas, Vítor Péon e outros. Também colaborou com jovens desenhadores que trocaram a BD por outras carreiras, como Irene Trigo, João Mendonça, José Projecto, Ricardo Cabrita e Zenetto. 

Foi fundador e membro directivo do Clube Português de Banda Desenhada, criado em 1976, e coordenou outras revistas de BD como TV Júnior, Intrépido, AventureiroHeróis da Marvel, O Mosquito (5ª série), Almanaque O Mosquito, Heróis Inesquecíveis, etc. Também editou e dirigiu fanzines como os Cadernos de Banda Desenhada (com três séries) e a Colecção Audácia. Traduziu muitas histórias de BD, escreveu artigos de investigação e análise crítica para vários livros, revistas, catálogos, fanzines e suplementos de jornais, e durante os anos 1980 dirigiu colecções da Editorial Futura, como Antologia da BD Portuguesa, Antologia da BD Clássica, Colecção Aventuras, Tarzan, Torpedo, Nova BD, Gente Pequena, etc.

(continua)