“TERRY E OS PIRATAS” – 6º VOLUME (JUNHO 2017)

Com periodicidade mensal, de uma regularidade sem falhas, para não defraudar os seus fiéis leitores, cujo número tem aumentado paulatinamente, o FandClassics, editado por José Pires, continua a recuperar a famosa série “Terry e os Piratas”, de Milton Caniff, praticamente desconhecida em Portugal, a não ser alguns dos primeiros episódios publicados, há muitos anos, no Mundo de Aventuras (2ª série) e no jornal Público — além dos que se estrearam n’O Mosquito, em 1952-53, e no Titã, em 1955, mas esses já desenhados por George Wunder, o continuador da série.

A propósito desta magnífica criação de Milton Caniff, cuja origem remonta a 1934, José Pires enviou-nos um comentário sobre as dificuldades que tem encontrado na sua reedição, feita a partir de material (tiras diárias e páginas dominicais) nem sempre impresso nas melhores condições e com sistemática repetição de logótipos.

A todos os fãs do FandClassics e de “Terry e os Piratas”, recomendamos a leitura desse comentário de José Pires, inserido depois das imagens que se seguem.

Texto de José Pires:

«A série Terry e os Piratas é considerada um dos clássicos dos clássicos, ombreando com o Principe Valente, o Flash Gordon, o Rip Kirby, e por aí fora. Mas a história das páginas dominicais complicou tudo, estou convencido, e deve estar na base do Milton Caniff ter abandonado a série em 1946, depois de 12 anos consecutivos de publicação. E, de facto, a série continuou, depois, pela mão de George Wunder, mas este já não entrou no esquema das páginas dominicais, que acabaram por tornar a série apenas parcialmente conhecida, como em Portugal, por exemplo, onde muito poucos a leram.

Este berbicacho (páginas dominicais) impedia outros jornais de outras latitudes (como o Público, por exemplo) de a publicarem, pois deparavam com uma coisa que era de maior formato, com quatro tiras, duas a duas, a quatro cores, o que causava transtornos de paginação e ocupava muito do espaço destinado à publicidade (aquilo que torna os jornais a preço mais acessível). E as editoras que se aventuravam a publicar a série transformavam essas páginas dominicais em tiras a preto e branco (mais curtas e mais altas), mas a gigantesca dimensão da série, 25 volumes, não permitia às editoras tempo necessário a uma mais competente retirada dessas cores, e como os gráficos não dispunham de meios informáticos, na altura, o trabalho era muito demorado, deficiente e até muito tosco mesmo.

Acresce que essas mesmas páginas dominicais, logo na primeira vinheta, apresentavam um enorme logótipo da série, que na publicação semanal até se compreendia, mas numa edição em álbum se transformava num verdadeiro pesadelo, aparecendo sistematicamente, de oito em oito tiras, quebrando a uniformidade que se exige a uma publicação em álbum.

Ora, esta minha ambiciosa edição consegue tornear o problema à custa de uma tarefa de meter medo ao susto. Reparem: a série durou 12 anos. Ora, como cada ano tem 52 semanas, teremos 52 x 12 = 624 retiradas de logótipos substituídos por imagens do próprio Caniff, resgatadas, combinadas e arranjadas para preencher o espaço. Além disso, há as mais de 4.380 pequenas tarjas com as legendas dos direitos de publicação que, embora diminutas e colocadas em sítios estratégicos, acabavam prejudicando o aspecto geral, e que foram  também removidas, para já não falar de alguns milhares de redes ratadas ou entupidas que foram substituídas.

E eram estes importantes detalhes que eu gostaria de ver realçados nos diferentes blogues que falam dos meus fanzines e que, até agora (por incúria minha, decerto), o não fizeram. Aí têm as minhas razões».

FANZINES DE JOSÉ PIRES (MAIO 2017)

Continuando a manter uma regularidade e uma periodicidade sem falhas, José Pires lançou este mês mais três volumes das séries que tem actualmente em publicação, com destaque para Terry e os Piratas, a obra-prima de Milton Caniff, cuja reedição integral abrangerá 25 números do FandClassics, cada um deles com mais de 70 páginas. O preço, no entanto, não varia, fixando-se nos 10 euros.

Recordamos que esta série se estreou em Portugal n’O Mosquito (1952), quando era desenhada por George Wunder e tinha ainda grande popularidade. Mais tarde apareceu também no Mundo de Aventuras, com o título Trovão e os Piratas. Nessa fase, a citada revista “nacionalizou” o nome de  muitos dos seus heróis, para os harmonizar com as disposições da censura oficial.

Este mês, surgiu também mais um número do Fandaventuras (o primeiro fanzine criado por José Pires, ainda nos anos 1990, de parceria com Jorge Magalhães e Catherine Labey), que continua a reeditar episódios de outra excelente série inglesa, também estreada n’O Mosquito (1950) e largamente difundida em Portugal nos anos seguintes: Garth, criação de Steve Dowling e Don Freeman, com posterior assistência de John Allard nos desenhos e de James Edgar nos argumentos.

O episódio “O Navio Fantasma” foi ilustrado a solo por John Allard (cuja assinatura pode ver-se nalgumas tiras) e é oriundo do Mundo de Aventuras nº 139 (2ª série), de 27/5/1976. José Pires reeditou-o, agora, num formato maior, de mais fácil leitura do que as tiras de jornais, e com texto totalmente revisto e relegendado.

Quando Steve Dowling se aposentou, depois de ter desenhado a série durante 25 anos, Allard assegurou a sua continuidade, até ser substituído em 1971, no episódio “Sundance – A Dança do Sol”, por um desenhador infinitamente mais dotado: Frank Bellamy (que em breve surgirá também nesta colecção, com esse episódio inicial).

Estes fanzines estão à venda na Loja de José Manuel Vilela, Calçada do Duque, 19-A, 1200-155, Lisboa, mas podem também ser encomendados ao editor, por quem não morar na capital, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt

“TERRY E OS PIRATAS” – UMA SÉRIE INESQUECÍVEL REEDITADA POR JOSÉ PIRES

Imparável, cheio de energia e de uma regularidade impressionante, na sua actividade de faneditor, José Pires lançou este mês mais dois números dos seus excelentes fanzines Fandclassics e Fandwestern, o primeiro dedicado, na fase actual, à famosa série Terry e os Piratas, criada pelo mestre Milton Caniff em 1934, e que neste fanzine irá ter reprodução integral, dividida por 24 volumes, com 70 páginas cada.

Um esforço digno de apreço, tanto mais que se trata do melhor período desta série, quase inédito no nosso país, e que José Pires conta divulgar no espaço de dois anos!

Quanto ao Fandwestern, fanzine mais antigo e de prestigiosas tradições, publica neste número outro episódio da série fetiche de José Pires: Matt Marriott, a inolvidável criação de Tony Weare (desenhos) e James Edgar (argumento), estreada entre nós no Mundo de Aventuras, em finais dos anos 1950, com o nome de Calidano, o Justiceiro.

Recorde-se que Terry e os Piratas teve estreia em Portugal n’O Mosquito nº 1313 (1952) — mas já na fase desenhada por George Wunder —, continuando em publicação até ao seu último número (1412). Outros episódios com a assinatura do mesmo desenhador surgiram também no Leão (suplemento do semanário Titã) e no Mundo de Aventuras; mas onde a série teve mais impacto foi efectivamente n’O Mosquito.

A capa que a seguir apresentamos é da autoria de José Ruy.

NOVIDADES DO “FANDAVENTURAS”

“Mantendo a cabeça e os ombros bem acima dos históricos e ficcionais salteadores de estrada que o cinema, os livros, a literatura de cordel, os folhetins de terror e as histórias aos quadradinhos popularizaram, surge a figura de Dick Turpin. Ele foi o único salteador de estrada que se tornou um verdadeiro herói popular inglês. Um novelista pegou um dia na tradição oral deste destemido salteador-cavaleiro e introduziu-o numa novela que tornou famoso o nome de Dick Turpin por todo o mundo ocidental. O nome desse novelista era William Harrison Ainsworth e a novela chamava-se “Rookwood”.

O próximo número do Fandaventuras — um fanzine criado em Julho de 1990, portanto já quase com 27 anos de existência, e que José Pires relançou recentemente, com novas reedições de grandes autores clássicos ingleses — oferece-nos uma magnífica adaptação da obra de William Harrison Ainsworth, com desenhos do incomparável Tony Weare (já depois de ter abandonado a série Matt Marriott), publicada na revista Look and Learn, em 1980. Um clássico da literatura popular inglesa do século XVIII,  em que certamente Walter Booth se terá inspirado para criar o seu Captain Moonlight. Uma peça de colecionador!

E a propósito de Walter Booth convém lembrar que sai também este mês outro número do Fandaventuras (mas em formato especial, à italiana), com a reedição integral da série “Os Companheiros de Londres”, aventura que obteve grande êxito n’O Mosquito, em 1943, e que confirma em absoluto os excepcionais dotes de ilustrador deste célebre pioneiro da época áurea da BD inglesa.

Outra reedição de um clássico dos anos ’30, reproduzido directamente das páginas do semanário inglês Puck (onde Walter Booth publicou a maioria das suas obras), portanto com uma qualidade fora de série… como, aliás, tem sido timbre do Fandaventuras.

A título de curiosidade, recordamos que José Pires já reeditou, em vários volumes de formato à italiana, todas as grandes criações de Walter Booth, desde Rob the Rover (Pelo Mundo Fora) e Orphans of the Sea (O Gavião dos Mares) até Captain Moonlight (O Capitão Meia-Noite), que fizeram também as delícias dos leitores d’O Mosquito. Faltava apenas apresentar, nesse formato horizontal, “Os Companheiros de Londres (Chums of London Town), que fica agora, num só volume, ao dispor de todos os coleccionadores do Fandaventuras.

Estes fanzines estarão brevemente à venda na Loja de José Manuel Vilela, Calçada do Duque, 19-A, 1200-155, Lisboa, mas podem também ser encomendados ao editor, por quem não morar na capital, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt.

JOSÉ PIRES: UM AUTOR E FANEDITOR APAIXONADO PELA BD DE OUTROS TEMPOS

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Por cortesia de José Pires, nosso amigo de longa data, companheiro de muitas tertúlias desde os tempos heróicos em que lançámos o Fandaventuras e o Fandwestern (dois fanzines que ainda estão em publicação, graças ao incansável labor deste apaixonado pela BD clássica, que os edita mensalmente, com infalível pontualidade), apresentamos as edições distribuídas em Fevereiro, com novos episódios de duas séries carismáticas (Matt Marriott Terry e os Piratas) e a reedição da primeira história desenhada pelo saudoso artista português Vítor Péon para O Mosquito, na sua estreia, em 1943, como autor de banda desenhada.

Neste número, cuja capa e duas páginas podem ver já a seguir, figura também uma história curta de Péon, com o título “Traidor em Fuga”, realizada em 1946 para O Pluto, revista em que Péon foi o principal colaborador artístico, ilustrando-a de uma ponta à outra, num alarde de talento, versatilidade e energia criativa.

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Recorde-se que Terry e os Piratas foi apresentada também n’O Mosquito (1952-53), quando era desenhada por George Wunder, sucessor de Milton Caniff. Quanto a Matt Marriott é uma série inglesa, também em tiras diárias, desenhada por Tony Weare e escrita por James Edgar, que aborda com extraordinário realismo a colonização do Oeste americano em finais do século XIX, distanciando-se dos westerns da série B, nomeadamente os de feição mais juvenil.

Muitos dos seus episódios foram publicados no Mundo de Aventuras (1ª série), como o que deu o título a este número do Fandwestern.

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Em Janeiro, o Fandwestern reeditou duas outras histórias de Vítor Péon: “O  Juramento de Dick Storm“, publicada também n’O Mosquito, pouco tempo depois de Falsa Acusação”, e Três Balas”, cuja acção trepidante, baseada numa novela de Orlando Marques, se desenrola igualmente no cenário mítico do Oeste americano. Oriunda d’O Pluto, revista editada por Roussado Pinto, em 1945-46, e que durou apenas 25 números, Três Balas” ficou incompleta, mas surgiu em nova versão (remontada parcialmente e com vinhetas coloridas) numa das primeiras colecções de cromos do género, editada pela fábrica de rebuçados “A Oriental”.

Estes fanzines encontram-se à venda na Loja de José Manuel Vilela, Calçada do Duque, 19-A, 1200-155, Lisboa, mas podem também ser encomendados ao editor, por quem não mora na capital, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt.

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NA CORTE D’EL-REI “O MOSQUITO”

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Esta nova reportagem do régio convívio comemorativo dos 80 anos d’O Mosquito — organizado pelo Camareiro-mor Leonardo De Sá —, deve-se à gentileza do venerável Mestre de Armas José Ruy, que nos enviou recentemente um conjunto de fotos tiradas por José Boldt, cujas qualidades de profissional, patentes neste trabalho, convém registar com o devido apreço, para conhecimento dos vindouros. Os nossos agradecimentos a ambos e também ao escudeiro Armando Lopes, seu amigo comum.

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O festivo e concorrido banquete em que o reinado de Sua Majestade D. Mosquito I foi mais uma vez saudado e enaltecido — como se a sua existência se tivesse prolongado além da morte, transformando o seu fátuo destino numa metáfora da Fénix renascida —, teve como cenário a hospitaleira Estalagem Pessoa, na vetusta Rua dos Douradores, em Lisboa, mas a sala do 1º andar foi pequena para conter tão numerosa comitiva, obrigando os convivas a espalhar-se pelas mesas do rés-do-chão, espaço mais amplo e com mais rápido atendimento, mas ao mesmo tempo menos íntimo e acolhedor.

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Entre mais de meia centena de “Mosquiteiros”, irmanados por um sentimento colectivo tão forte como o que consagrou a real efígie celebrada nesta efeméride — e primorosamente reproduzida, como um brasão, num pergaminho que todos receberam, com o seu nome individual —, é mister destacar a presença de alguns membros da nobre grei dos decanos da 9ª Arte portuguesa: José Ruy, Artur Correia, Vítor Silva, Zé Manel, José Pires e Baptista Mendes, todos dignos das maiores honrarias pelo seu talento artístico, pela sua obra, pela sua longevidade e pelo exemplo de fiel devoção à realeza.

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Muito bem acompanhados, aliás, por algumas damas de mui gentil parecer e um luzido séquito de cortesãos: desenhadores, argumentistas, designers, críticos, ensaístas, editores, bloggers (nova ordem na qual muitos cronistas honrosamente se filiam), coleccionadores e bedéfilos em geral, num verdadeiro encontro de gerações onde se prestou homenagem, pelo 30º ano consecutivo, ao espírito de paladino com que O Mosquito nasceu, pronto para os mais altos feitos, e sobreviveu na afeição dos seus dedicados súbditos, rompendo o limbo em que mergulharam outras dinastias mais efémeras e de menos ínclita linhagem. Ou mesmo aqueles que foram seus destros adversários, arvorando altivamente os seus pendões e somando triunfos em renhidos duelos e torneios, mas não lograram obter a mesma gloriosa recompensa, ofuscados pela reluzente armadura de um campeão mais famoso que lhes roubou o supremo dom da imortalidade.

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GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR

ROB THE ROVER (de Walter Booth)

editado em inglês por José Pires.

O Fandaventuras começa a voar mais alto!

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Há poucos meses tínhamos prometido, no Gato Alfarrabista, dar-vos mais novidades sobre os próximos lançamentos desta fantástica série que José Pires está a reeditar, com impressionante regularidade e grande sucesso, no Fandaventuras Especial. Ora acontece que, no final do mês de Setembro, apareceu o primeiro tomo de um novo ciclo intitulado “The Origins” (“As Origens”), numa versão em inglês destinada aos países nórdicos, onde a criação de Walter Booth se tornou imensamente popular — tal como sucedeu entre nós, nas décadas de 30 e 40 do século passado, graças sobretudo ao Tic-Tac e ao Mosquito, que a baptizaram com o apelativo título de “Pelo Mundo Fora”.

1941-28Tendo entrado em contacto, por via de um blogue português, com dois bedéfilos escandinavos, grandes admiradores de Rob the Rover (que nos seus países se chamou Willy paa Eventyr), José Pires, perante o entusiasmo desses corres- pondentes — que logo espalharam a nova da edição portuguesa pela blogosfera, conquistando um largo número de aderentes na Suécia e na Dinamarca —, resolveu, como íamos dizendo, aproveitar esta oportunidade para concretizar um projecto ainda mais ambicioso: o de fazer também uma edição em inglês, de modo a tornar a leitura do seu fanzine mais acessível aos assinantes de outros países, desconhecedores do nosso idioma.

Com a sua habitual e inesgotável capacidade de trabalho (rapidez e perfeição é o seu lema), o nosso velho amigo não perdeu tempo a passar das intenções aos actos, começando, como oportunamente anunciámos, pela magnífica saga do Flying Fish (um extraordinário avião anfíbio cujo nome Raul Correia, n’O Mosquito, traduziu para Submarplano), constituída no total por seis volumes.    

Este longo ciclo surgiu num dos períodos de maior maturidade e criatividade da série, quando Walter Booth já estava no apogeu da sua forma artística e até das suas capacidades narrativas (partindo do princípio de que deve ter sido ele o único argumentista da série).

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Muito diferente foi o início de Rob the Rover… Nessa fase, como nos descreve José Pires, “as histórias eram muito moralistas, cândidas, previsíveis e incipientes, com episódios que começavam e acabavam na mesma página semanal”. O próprio estilo gráfico de Walter Booth estava ainda longe da perfeição e da estética realista inerente ao espírito de aventura com que a série tinha sido criada.

Mas a evolução orgânica da sua estrutura simples e linear — como a de muitas outras séries inglesas, num contexto ainda marcadamente infantil —, e o grande salto qualitativo que a técnica de Booth deu no espaço de poucos meses, não tardaram a abrir-lhe novos horizontes, confirmando o seu êxito em muitos países onde não se falava a língua inglesa, sobretudo os do hemisfério norte, como a Noruega, a Suécia e a Dinamarca.

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São esses primeiros episódios — em páginas semanais a princípio autónomas — que José Pires decidiu também reeditar, numa tiragem especial como a do Submarplano, com todos os textos em inglês (mais fiel, portanto, à versão original), destinada a um público heterogéneo, que a acolherá decerto com o mesmo entusiástico interesse dispensado aos volumes anteriores, que neste momento estão já completamente esgotados.

O 2º volume deste ciclo acaba também de ser impresso, com as peripécias de Rob e dos seus companheiros de aventura estendendo-se por episódios mais longos, ambientados em todas as regiões exóticas e inexploradas do globo terrestre. Por amabilidade de José Pires, a quem agradecemos as informações e os documentos que nos tem fornecido, aqui ficam algumas páginas de mais uma edição verdadeiramente “Special” do seu cada vez mais apreciado Fandaventuras — que já transpôs num largo voo, como o do Submarplano, a fronteira do país onde chegou pela primeira vez às mãos do público.

Os interessados poderão obter estes volumes contactando José Pires pelo e-mail gussy.pires@sapo.pt

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Sunbeam747[2]Estreada em 15 de Maio de 1920 nas páginas do Puck, esta longa e fascinante série de aventuras foi a primeira em estilo eminentemente realista dada à estampa em todo o mundo, mas o seu lugar pioneiro na história da BD está longe de ser reconhecido por todos os especialistas, quer por ignorância quer por subserviência aos modelos e aos autores norte-americanos.

A falta de papel que, durante a guerra, afectou drasticamente a actividade da imprensa britânica, foi a principal res- ponsável pelo cancelamento (em Maio de 1940) do Puck e do seu congénere Sunbeam, onde as aventuras de Rob the Rover viram abruptamente interrompido um novo capítulo, deixando inconso- láveis milhares de admiradores do juvenil herói, que assim terminou, sem glória, uma longa e movimentada carreira. Excepto nos países escandinavos, onde com o nome de Willy, como já referimos, prosseguiu triunfalmente, pela mão de outros desenhadores — que lhe deram um cunho gráfico diferente do de Walter Booth —, as suas peripécias de globetrotter, num mundo em que muitas transformações vinham já a caminho.

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Esse surto de popularidade — transformado num fenómeno de culto que ainda hoje perdura, tendo mesmo dado origem à criação de um clube de fãs com mais de 600 membros, cognominado Willy-Centret — foi a mola impulsionadora para várias reedições das aventuras de Rob the Rover publicadas no norte da Europa, sobretudo as de origem apócrifa, ilustradas por artistas como o dinamarquês Tage Andersen — cujo trabalho, recentemente descoberto num álbum oferecido pelo WillyCentret a José Pires, nos surpreendeu pela positiva.

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Acabamos também de saber que o nosso incansável faneditor foi justamente distinguido pelo clube nórdico com um prestigioso galardão, o Willy-Prize 2014, pela primeira vez atribuído a uma personalidade estrangeira, em reconhecimento do notável trabalho levado a cabo por José Pires na recuperação integral da mais famosa série de aventuras criada nos primórdios da BD europeia.

Associamo-nos ao regozijo que esta notícia irá certamente causar entre todos os fãs e admiradores portugueses de Rob the Rover e do seu mais dinâmico divulgador a nível mundial: o nosso querido amigo José Pires!

A título de curiosidade, aqui vos deixamos também o link para uma página do site do clube dinamarquês: http://www.willy-centret.dk/

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