CANTINHO DE UM POETA – 36

Poeta popular, por excelência — embora vestindo n’O Mosquito as roupagens de um carismático trovador que usava o cognome de Avozinho —, Raul Correia participou (e foi premiado) em vários torneiros literários associados aos tradicionais festejos juninos em honra dos Santos Populares.

Eis um desses trabalhos poéticos, dado à estampa no Jornal do Cuto nº 53, de 5/7/1972, com a habitual ilustração de José Batista (Jobat).   

CANTINHO DE UM POETA – 35

Para variar do tom lírico, mostrando desta feita o jeito humorístico de Raul Correia (vulgo Avozinho), eis mais uma composição poética com fundo moralista, onde os seus atentos e fiéis leitores d’O Mosquito — e mais tarde do Jornal do Cuto (estes já mais crescidotes) — podiam colher sábios e proveitosos ensinamentos.

A ilustração tem o cunho habitual e a assinatura de José Batista (Jobat), e a rubrica — de presença obrigatória no Jornal do Cuto, reflectindo a enorme admiração que Roussado Pinto sentia pelo seu velho mestre e amigo, desde os tempos em que tinham trabalhado juntos n’O Mosquito — apareceu no nº 29, de 19/1/1972.

CANTINHO DE UM POETA – 34

Eis neste cantinho mais uma parábola moral de Raul Correia, com a lírica inspiração de Esopo… e do Avozinho — cujo nome era venerado pelos leitores d’O Mosquito como o de um velho mestre que os guiava, com palavras amenas e versos luminosos, pelos caminhos do bem, da verdade, do prazer, da beleza e da sabedoria.

O Jornal do Cuto publicou estes versos no nº 26, de 29/12/1971, devidamente ilustrados, como era hábito, por um dos seus melhores colaboradores: José Batista (Jobat).

CANTINHO DE UM POETA – 33

Eis mais um sugestivo poema de Raul Correia (o “misterioso” e carismático Avozinho, cuja maneira de escrever e de versejar tão indeléveis recordações deixou aos leitores d’O Mosquito), ilustrado como habitualmente por José Batista (Jobat) e publicado no Jornal do Cuto nº 14, com data de 6/10/1971.

CANTINHO DE UM POETA – 32

O lirismo do Avozinho — que atinge uma expressão de pungente mágoa em muitos dos seus poemas repassados de saudade, em que assume ipsis verbis o fado de um homem mais velho, cujos passos já se aproximam do fim do caminho —, recheia também o estro do seu “duplo” Raul Correia, que só no Jornal do Cuto se libertou, como poeta, do véu do anonimato. Verdade se diga que n’O Mosquito a aura (quase mítica) do Avozinho e da sua musa empalideceu o brilho do novelista que escrevia e traduzia histórias de acção, mau grado a popularidade destas na revista.

“O Poço Velho” — poema extraído do Jornal do Cuto nº 8, de 25/8/1971, com a habitual ilustração de Jobat — é um típico exemplo dessa faceta do Avozinho, que despertava no espírito dos seus jovens admiradores um caudal de emoções que eles próprios não entendiam muito bem, mas que os aproximava ainda mais, numa íntima e ardente comunhão, da figura tutelar desse bondoso “velhinho”. Cujo mistério explica a longevidade do lírico versejador que renasceu das cinzas no Jornal do Cuto, fundindo-se pela primeira vez com a personalidade literária de Raul Correia.

CANTINHO DE UM POETA – 29

Eis outro poema em prosa de Raul Correia, com o tom lírico e piedoso que tanto encantava e comovia os fiéis leitores do Avozinho — uma legião disciplinada e atenta que nas páginas d’O Mosquito descobria o valor das palavras e refinava sentimentos e emoções —, dado à estampa no Jornal do Cuto nº 15, de 13/10/1971, com a habitual ilustração de José Batista (Jobat), outro grande amigo e admirador de Raul Correia (e do seu mítico “duplo”, o Avozinho).

CUTO, HERÓI DE UMA GERAÇÃO – 3

mosquito-531-cuto-753Depois de “O Ardina Detective”, cujo êxito excedeu todas as expectativas, Cuto tornou-se a nova “coqueluche” dos leitores d’O Mosquito. As duas grandes aventuras publicadas seguidamente no jornal infantil português de maior tiragem dessa época, “Sem Rumo” e “O Mundo Perdido”, eram também oriundas do semanário Chicos, onde surgiram durante os anos de 1941 a 1943, com o mesmo título em versão espanhola: “Sin Rumbo” e “El Mundo Perdido”.

Jesús Blasco deu um grande salto em frente nestes episódios, demonstrando já um perfeito domínio dos códigos narrativos das histórias realistas (lembremos que ele começou a sua carreira como desenhador humorístico, bastante influenciado pelo estilo de Floyd Gottfredson, Ub Iwerks e outros colaboradores dos Estúdios Disney), ao mesmo tempo que dava também largas ao seu gosto pelo mistério, o horror e o fantástico.

Todos esses “ingredientes”, que Blasco soube manipular com mestria noutras aventuras de Cuto, como “O Castelo do Terror”, “Tragédia no Oriente” e “A Ilha dos Homens Mortos”, transformaram o cenário e o argumento de “Sem Rumo” e “O Mundo Perdido” numa espécie de “pesadelo” exótico, capaz de deixar os leitores sem fôlego em muitas cenas em que o horror e a crueldade estão bem patentes e as vidas de Cuto e dos seus parceiro(a)s de aventuras parecem presas por um fio, naqueles recônditos e sinistros domínios, governados por tiranos (uma ilha perdida do Pacífico e o misterioso reino egípcio oculto sob as areias do deserto), onde todos os perigos, incluindo os da natureza, se conjuram contra eles. E será sempre assim nas posteriores aventuras de Cuto, sobretudo as de maior importância, como uma melodia fúnebre que repete sistematicamente as mesmas notas…

Por outro lado, é de realçar (fruto de uma rápida e notável evolução) o uso frequente de onomatopeias e de balões ideográficos, assim como o tratamento mais realista que Blasco começava a dar aos ambientes e aos personagens secundários — estes, às vezes, com um papel tão destacado como o de Cuto —, em contraste com os traços caricaturais que o seu pequeno e fogoso aventureiro continuava a manter, imitando outros heróis (sobretudo na BD americana) de personalidade muito semelhante.

Apresentamos seguidamente mais duas páginas do jornal O Louletano — onde se inseria a magnífica rubrica 9ª Arte, coordenada pelo nosso saudoso amigo José Batista (Jobat) —, com a conclusão da aventura “Cuto em Nápoles”, inicialmente publicada n’O Gafanhoto, entre os nºs 10 e 17 (Janeiro-Março de 1949), cujas páginas também aqui se reproduzem.

A título de curiosidade, repare-se na última vinheta desta história, com uma imagem que podemos apelidar de natalícia, diferente da que surge na versão publicada pel’O Louletano. Tudo indica que essa imagem foi alterada mais tarde por Jesús Blasco, a pretexto de alguma reedição, nomeadamente a que foi dada à estampa na Colecção Jaguar nº 2 (Novembro de 1971), edição da Portugal Press — publicada também no Almanaque O Mosquito 1984, de onde foi extraída a d’O Louletano. A versão original de “Cuto em Nápoles” surgiu no Almanaque Chicos 1948, publicado em finais do ano anterior.

cuto-louletano-3

cuto-louletano-4

cuto-em-napoles-7-e-8