MEMÓRIAS À VOLTA DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS (POR JOSÉ RUY) – 6

Depois que publiquei na revista «Cavaleiro Andante» o romance do brasileiro José de Alencar, «Ubirajara», em Quadradinhos, fiz uma história passada na Península Ibérica no tempo do General romano Cipião, numa guerra entre os lusitanos que se defendiam do invasor, tendo por aliados os cartagineses.

Era o meu colega e amigo Mário Correia quem fazia litograficamente a separação das cores, no Diário de Notícias. Mas as meias-tintas eram conseguidas com reticular, processo diferente do aerógrafo usado n’O Mosquito.

Nesta altura fui vítima da minha própria escrita. Quando fiz os textos, que na altura era norma da revista serem compostos tipograficamente, não contei que entrelinhassem o texto, e este assim ocupou mais espaço do que eu previra, e quando na redacção colavam as legendas sobre os originais, atingiam o desenho.

É o caso na vinheta 2 da primeira página da história, o acampamento romano foi cortado deixando de se ver a sua estrutura completa. E na outra página, o soldado, na última vinheta.

E eu que critiquei n’O Mosquito os cortes feitos aos desenhos de Eduardo Teixeira Coelho, tinha agora os meus cortados pelo meu próprio texto.

Os originais eram entregues com antecedência à data da publicação, e quando vi a revista, estavam já todas as páginas com as legendas coladas.

Nesse período fui fazendo, a pedido da redacção, algumas capas alusivas a outras histórias de origem estrangeira.

Era uma situação igual à que se passara n’O Mosquito quando publiquei «O Reino Proibido».

Entretanto surgira o «Fomento de Publi- cações» onde o Roussado Pinto exercia a sua mestria na orientação dessa nova editora.

Lançaram «O Titã», «O Flecha» e outras publicações. Convidaram-me a fazer ilustrações para novelas e também uma história em quadradinhos.

Tinha no meu arquivo um jornal de 1955 com uma notícia da agência «France Press» que me deu o tema para a aventura.

Esta página é uma reprodução do «Mundo de Aventuras» onde muito mais tarde foi republicada, e com balões que nessa altura incluí.

Fui desenhando a história, paralelamente com a colaboração que mantinha no Cavaleiro Andante, por isso avançava mais devagar. Só seria publicada quando a tivesse pronta. Quando estava quase a acabar, o jornal fechou. E resolvi publica-la no Cavaleiro Andante.

Ao terminar a sua publicação, era preciso pensar que história iria fazer a seguir.

Na sequência do meu conhecimento dos clássicos, ao ler «O Bobo» de Alexandre Herculano, achei que este romance daria uma HQ empolgante, passada numa época histórica do meu agrado: o princípio da nossa nacionalidade.

Adquirira esse livro, uma 2ª edição de 1884, na Livraria Barateira, um alfarrabista de Lisboa.  

Propus esta ideia ao Simões Müller que aceitou sem rodeios.

No próximo artigo: «A adaptação para HQ do romance O Bobo»