NOVA PALESTRA NO CPBD SOBRE “A LEI DA SELVA” DE EDUARDO TEIXEIRA COELHO

No próximo sábado, dia 6 de Maio, na sede do Clube Português de Banda Desenhada, realiza-se mais uma palestra do ciclo “A Lei da Selva de Eduardo Teixeira Coelho”, que será igualmente apresentada por Mestre José Ruy, autor do powerpoint que ilustrará essa sessão, com numerosos exemplos da arte magistral de E.T. Coelho.

Aproveitamos a oportunidade para mostrar seguidamente algumas imagens da sessão anterior, realizada em 22 de Abril p.p., que embora pouco concorrida mereceu o interesse e o aplauso de todos os presentes, premiando o mérito da obra e a feliz ideia de José Ruy de homenagear um dos mais célebres trabalhos de E.T. Coelho para O Mosquito, recentemente reeditado, pela primeira vez, em álbum.

As fotos são de Dâmaso Afonso, activo membro do CPBD, a quem saudamos com amizade, agradecendo novamente a prestimosa colaboração que tem oferecido a todos os blogues da nossa Loja de Papel.


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DUAS NOVAS E INTERESSANTES EXPOSIÇÕES NO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA – 1

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Como anunciámos em devido tempo, foram inauguradas, no passado dia 30 de Abril, duas novas exposições na sede do Clube Português de Banda Desenhada (CPBD), alusivas ao tema Eça de Queirós e Alexandre Herculano na Banda Desenhada, com a presença dos seus dois comissários, Carlos Rico e Luiz Beira, de directores e de vários sócios, simpatizantes e colaboradores do Clube. Como oradores intervieram Carlos Rico, Luiz Beira e Pedro Mota, presidente da direcção recentemente eleita.

Estas exposições são fruto de uma parceria entre o CPBD, o Município de Moura (que foi o seu primeiro organizador) e o GICAV (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu), que tomou também a iniciativa de levá-las ao público da sua cidade. Montadas em grandes painéis e divididas por autores que adaptaram de forma criativa algumas obras dos dois grandes vultos da literatura portuguesa do século XIX, as mostras abrangem várias épocas e várias publicações carismáticas, desde O MosquitoModas & Bordados, O FalcãoMundo de Aventuras e Cavaleiro Andante ao Tintin (português e belga) e até revistas brasileiras, sem olvidar as versões que foram publicadas em álbuns ou que permanecem ainda inéditas.

Apresentamos seguidamente uma breve reportagem dessa informal cerimónia, graças aos préstimos do nosso amigo Dâmaso Afonso, diligente repórter fotográfico a quem, uma vez mais, agradecemos a amável e valiosa colaboração.

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REPORTAGEM DA ASSEMBLEIA GERAL E DAS NOVAS EXPOSIÇÕES DO CPBD – 1

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No passado sábado, dia 16 de Abril, pelas 16h00, na sede do Clube Português de Banda Desenhada (CPBD), sita na Avenida do Brasil 52A, Reboleira (Amadora), reuniu-se a sua Assembleia Geral, depois de convocatória enviada a todos os associados, a fim de tomar várias deliberações urgentes no âmbito dos processos de obtenção de apoio em curso, junto da Câmara Municipal da Amadora (ratificação das contas de 2013 e 2014, orçamento e plano de actividades de 2016).

Foram também votadas as contas de 2015 e prestada informação sobre a recente actividade do Clube, projectos futuros e outras questões de interesse geral. Todas as deliberações seriam aprovadas por unanimidade, com acta assinada pelos presentes.

Durante a sessão, foi distribuído aos sócios o nº 142 (Abril 2016) do Boletim do CPBD, dedicado à primeira de duas exposições marcantes, inauguradas na sua sede em Janeiro último: Os 80 anos d’O MosquitoTributo a Eduardo Teixeira Coelho. Do sumário deste número consta também um artigo de Carlos Bandeira Pinheiro e Jorge Magalhães, com uma completa quadriculografia (em publicações portuguesas) de E.T. Coelho, o “poeta da linha”, cujas ilustrações se destacam na capa e na contracapa do Boletim.

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Divulgamos seguidamente algumas imagens desta Assembleia Geral, captadas por Dâmaso Afonso, presidente da respectiva Mesa (que só por causa disso não aparece nas fotos). Aqui ficam, mais uma vez, os agradecimentos que lhe são devidos pela valiosa colaboração que tem prestado, desde o início, aos nossos blogues.

Entre os sócios presentes, reconhecem-se, nas primeiras filas, António Martinó (outro eficiente repórter, sempre de câmara em punho), José Ruy e Geraldes Lino; e nas últimas, Pedro Bouça, António Amaral, Paulo Duarte (coordenador do Boletim do CPBD), Luís Valadas, Catherine Labey, José Vilela, Carlos Gonçalves e um sujeito de barbas grisalhas que eu vejo todos os dias no espelho…

A Mesa da Assembleia, composta por três elementos, foi ocupada (nas fotos) por Pedro Mota (presidente da Direcção) e Carlos Moreno (secretário da Assembleia Geral). Pedimos desculpa aos sócios não identificados. Fica para a próxima… 

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Quem reparar, ou fizer comentários acerca de tantas cabeças grisalhas, deve lembrar-se de que o Clube Português de Banda Desenhada (CPBD) festeja em 2016 quarenta anos de existência… e alguns dos sócios presentes já o acompanham desde a primeira hora! Honra lhes seja feita, pois, sobretudo aos que, como Carlos Gonçalves e Geraldes Lino, continuam abnegadamente a exercer funções directivas.

Posto isto, queremos também referir as duas exposições, recentemente montadas, que se encontram numa das salas do piso inferior da nova sede e que versam o tema Eça de Queirós e Alexandre Herculano na Banda Desenhada, numa parceria do CPBD com o GICAV (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu). Aqui fica esta breve menção e o anúncio, dado o interesse que elas nos suscitam, de uma reportagem alusiva (neste e noutros blogues da nossa Loja de Papel), em próxima oportunidade.

Nota: Há algumas horas, recebemos também uma remessa de fotos enviadas pelo segundo “repórter de serviço” na Assembleia Geral do CPBD, o nosso bom amigo e colega da blogosfera, Professor António Martinó (autor do blogue Largo dos Correios), a quem agradecemos a generosa partilha e a colaboração sempre expedita, reservando para um próximo post a publicação das suas imagens.

AS EXPOSIÇÕES DO CPBD (2) – “OS 80 ANOS D’O MOSQUITO”

CPBD (C. Gonçalves e G. Lino)

A segunda exposição patente, até ao próximo dia 12 de Março, no Clube Português de Banda Desenhada (CPBD) — cuja nova sede, convém recordar, fica na Reboleira (Amadora), onde dantes existia o CNBDI —, engloba vários painéis dispostos ao longo das paredes de uma das suas maiores salas, contígua a outro espaço, no rés-do-chão, onde figura a expo- sição permanente dedicada ao historial do CPBD (já com quatro décadas de vida).

Nesses painéis, de apresentação idêntica aos da exposição “Tributo a Eduardo Teixeira Coelho”, já aqui referida, podem observar-se várias histórias publicadas pel’O Mosquito, ao longo dos seus 17 anos de existência (na 1ª série, que durou de Janeiro de 1936 a Fevereiro de 1953), expostas directamente nas páginas impressas, pois nem mesmo os originais de E.T. Coelho e de outros autores portugueses existem já, na maioria dos casos.

Nas legendas desses painéis, houve o cuidado (que elogiamos) de referir também o nome dos respectivos desenhadores, mesmo os das histórias estrangeiras (sobretudo inglesas), que naquela época ninguém conhecia.

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Como fizemos com o artigo alusivo à exposição de homenagem a E.T. Coelho, divulgamos seguidamente outro texto do Clube Português de Banda Desenhada, patente na mostra dedicada aos 80 anos de nascimento d’O Mosquito. Agradecemos ao CPBD (e particu- larmente a Carlos Gonçalves) a partilha destes trabalhos, que seria pena ficarem limitados a duas exposições que em breve serão encerradas para darem lugar a outros eventos, como oportunamente anunciaremos.

Lembramos, mais uma vez, a todos os interessados que até 12 de Março p.f. poderão ainda visitar estas mostras, na sede do CPBD, aberta todos os sábados, das 14h00 às 18h00 (com direito, portanto, a visitas guiadas).

Nota: o registo fotográfico da exposição “Os 80 Anos d’O Mosquito” é de Dâmaso Afonso, a quem endereçamos novamente os nossos agradecimentos.

OS 80 ANOS DA REVISTA “O MOSQUITO”

Nós, que estamos ligados à Banda Desenhada há décadas, custa-nos admitir que são já passados 80 anos sobre o primeiro dia em que a revista “ O Mosquito” seria publicada. Estávamos a 14 de Janeiro de 1936. Hoje torna-se fácil considerar que, na verdade, era uma publicação que faria História, não só como publicação infantil, mas também como um veículo privilegiado na divulgação de cultura. Tal deve-se à simbiose perfeita encontrada entre dois homens, um desenhador cheio de talento e de ideias, António Cardoso Lopes (Tiotónio), e outro repleto de amor pelo próximo, poeta, escritor e um grande homem da prosa, Raul Correia. Considerando as décadas que já passaram e o sucesso que esta revista teria ao longo dos anos em que seria publicada, teremos que admitir que estava encontrada a fórmula secreta para tal realidade. Quanto a nós e na época em que a revista é publicada, os contos tinham maior divulgação e eram tão ou mais bem aceites que a Banda Desenhada, embora esta não deixasse os seus créditos esquecidos, pois para ela também existia um público fiel. No entanto, o conto estava mais enraizado nos leitores, até por ensinamentos nas escolas, e já assim tinha sido nas revistas “ABC-zinho” e “O Senhor Doutor”, onde se revelaram grandes novelistas portugueses. No campo dos contos encontrava-se a mão de Raul Correia, que, logo a partir do número 1 da revista, inicia a publicação de um conto em episódios da sua autoria.

Evidentemente que a banda desenhada publicada possuía o seu interesse e encantava também os leitores, já que a publicação das aventuras de “Rob”, de Walter Booth e as de “Mick. Mock e Muck”, de Arturo Moreno, acabariam por alcançar uma certa aceitação ao longo dos meses. Esta última série acabaria mesmo por ser republicada em quatro pequenos volumes, mais tarde. Outras histórias seguir-se-iam, todas elas com um grafismo cuidado e onde se destacava um humor salutar, a maior parte delas de origem inglesa. Também no campo da aventura não faltavam novas séries igualmente de origem inglesa, tais como “A Flecha de Ouro”, de Reg Perrott, dois anos depois, e “O Gavião dos Mares”, de Walter Booth. É extraordinário como uma revista com 8 páginas apenas, embora num formato A4, conseguisse tal êxito… Raul Correia manteria a autoria dos textos, não só dos contos como das legendas didascálicas, como era usual na época, muitas delas criadas ao sabor da pena e poucas traduzidas dos seus textos originais ingleses. Uma nova equipa de contistas tinha-se associado à publicação com a contratação de Lúcio Cardador e Orlando Marques. O formato da publicação mantém-se no A4, até que a falta de papel no tempo da guerra obriga a uma redução de pelo menos uma folha (2 páginas) e o seu formato passa a ser o A5, com 12 páginas, a partir do seu número 318.

UM NOVO DESENHADOR SURPREENDE OS LEITORES

No entanto, estava a dar-se um facto muito importante, pois este é o período áureo desta publicação, com o aparecimento de um desenhador português, chamado Eduardo Teixeira Coelho (mais conhecido por E.T. Coelho ou ETC), que alcançaria uma carreira internacional, mais tarde, e que a partir de finais de 1942 passa a desenhar as capas da revista. E facto curioso é que as capas desenhadas por este grande artista eram essencialmente dedicadas aos contos. “O Mosquito” passará então a ser apresentado duas vezes por semana, com uma tiragem de 25.000 exemplares por número, um acontecimento deveras importante e que até aí nenhuma publicação do género alguma vez alcançara. Esta situação seria mantida por três anos, com as aventuras de “Cuto”, de Jesús Blasco, e outras histórias dos seus irmãos Adriano e Alejandro Blasco, além de dois novos desenhadores portugueses, que se tornariam igualmente famosos, Vítor Péon e Jayme Cortez, que passam a distribuir o seu talento pelos vários números da revista, até partirem para o estrangeiro, o primeiro para Inglaterra e o segundo para o Brasil, onde se tornará num caso único de popularidade junto de todos os desenhadores daquele país, tendo sido considerado um verdadeiro “Mestre”, como era muitas vezes designado pelas suas qualidades artísticas, existindo hoje um prémio naquele país com o seu nome.

“Os Guerreiros do Lago Verde” marca a estreia de Eduardo Teixeira Coelho na elaboração e execução de uma história aos quadradinhos, facto até aí inédito e onde pela primeira vez este desenhador oferece-nos extraordinárias pranchas em que retrata vários animais de uma forma arrojada, não descurando a sua aptidão para tal facto o ter passado várias horas no Jardim Zoológico a esboçar cada um dos animais que irão aparecer mais tarde, nas suas histórias (o tigre, os macacos, o rinoceronte e a sua luta contra o leão). ”O Capitão Meia-Noite” é outra das personagens de sucesso, da autoria de Walter Booth. Ainda nesta fase as histórias de “Cuto”, de Jesús Blasco, dão um salto qualitativo, que irá surpreender os leitores, tal é o realismo que este artista imprime às suas pranchas.

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OS ESCRITORES DA REVISTA

“O Mosquito” não circulava com sucesso pelos vários escaparates onde era colocado semanalmente à venda, só pela publicação das suas histórias aos quadradinhos. O seu peso literário também contava e muito na época. Era também devido ao esforço e dedicação de alguns novelistas da altura, que ofereceram os seus préstimos e os seus talentos, que esta publicação era bem aceite pela maior parte dos seus leitores. Independentemente de Raul Correia, que tinha a seu cargo alguns contos no início, a sua rubrica de “O Avozinho” e também a troca de correspondência com os leitores (respondendo na revista, mas também particularmente pelo correio), estava por detrás dos textos das novelas publicadas nas páginas da revista a mão de José Padinha (Peter Tenerife e outros pseudónimos), que nos deixou alguns contos cheios de ação, aventura e galhardia, seguidos igualmente de outros contos da autoria de Orlando Marques, qualquer um deles os mais prolíferos e destacados autores de novelas da revista. Não esquecer também os trabalhos de Fidalgo dos Santos, Roberto Ferreira (Rofer), Lúcio Cardador e António Feio. Todos eles contribuíram para que “O Mosquito” se destacasse neste campo.

MAIS UM NOVO FORMATO

A partir do seu número 681 passa para o formato anterior, o A4 de novo e com 8 páginas, embora este número se apresentasse com um suplemento de mais 16 páginas com uma história de Emilio Freixas, intitulada “Uma Estranha Aventura”. A partir deste número, o trabalho de ETC é ainda mais importante do que até aqui, pois além de executar muitas capas, desenha também mais uma história aos quadradinhos intitulada “Os Náufragos do Barco Sem Nome”, onde este artista, já na plenitude das suas qualidades artísticas, nos deslumbra com pranchas de excelente valor artístico. “A Epopeia do Forte Arizona”, de Cozzi, surge nesta fase, bem como outras histórias da sua autoria. Temos igualmente “O Caminho do Oriente”, de ETC, que se irá transformar num caso raro de popularidade e de longevidade. José Garcês inicia-se nesta fase também, com 18 anos de idade. A sua história “Intitula-se “O Inferno Verde”. Ainda que jovem, este desenhador acabará por se firmar com o seu talento e criará mais três histórias ao longo dos números da revista.

Será também nas páginas desta publicação que as aventuras do “Príncipe Valente”, de Hal Foster, aparecerão pela primeira vez em Portugal. “Tommy, o Rapaz do Circo” merece uma referência especial pela qualidade do seu traço, da autoria de John Lehti. Os enredos também não falhavam quanto à sua potencialidade literária. O desenhador de craveira que era Eduardo Teixeira Coelho, continua a oferecer-nos elevados resultados na contínua procura e concretização das suas potencialidades de desenhador e oferece-nos novas aventuras: “Sigurd, o Herói”, “A Lei da Selva”, um dos seus melhores trabalhos, “A Morte do Lidador”, “O Defunto”, “Lobo Cinzento”… Aparecem mais alguns artistas portugueses a colaborar na revista, infelizmente menos conhecidos, como são o caso de Monteiro Neves e, mais tarde, Ilberino dos Santos. Ruy Manso e Servais Tiago também já tinham colaborado na revista.

 AS HISTÓRIAS DE HUMOR

Não queremos deixar de fazer um pequeno parêntesis para lembrar as histórias de humor de uma única página que “O Mosquito” publicou ao longo da sua existência, da autoria de grandes desenhadores, a começar pelo próprio António Cardoso Lopes (Tiotónio) e acabando em Cabrero Arnal, passando por Arturo Moreno e os irmãos Adriano e Jesús Blasco. Todos eles desenhadores de sucesso, souberam imprimir aos seus trabalhos de uma página um verdadeiro manancial de alegria e divertimento para todos os leitores daquela publicação. Evidentemente que a revista dava lugar também ao humor em algumas histórias de continuidade, embora não descurasse as de aventuras, qualquer que fosse o seu género.

A partir do seu número 1201, a revista reduz de novo o seu formato para metade, apresentando mais um excelente trabalho de ETC, “Os Doze de Inglaterra”, agora recuperado e editado em álbum. Nesta fase há uma procura de novas personagens para serem publicadas, de modo a despertar e a renovar um maior interesse pela revista. Surgem assim “Lesley Shane”, de Oliver Passingham, “Jed Cooper”, de Dick Fletcher, “Rex Morgan”, de Bradley e Edington, “Garth”, de Steve Dowling, e “Terry e os Piratas”, de George Wunder. As histórias de origem inglesa com novas personagens iniciam-se neste período, talvez já com um pouco de menor qualidade. É nesta fase, e no início de 1952, que surgirá um novo desenhador português a colaborar na revista. Trata-se de José Ruy, autor de capas e também de uma nova história de Banda Desenhada, intitulada “O Reino Proibido”. Será este artista que irá lançar mais tarde uma segunda edição desta revista, da qual serão publicados 30 números, na expetativa de conquistar novos leitores. Infelizmente tal não se veio a verificar.

Um novo grafismo e um novo formato A4, virá ajudar a revista a apresentar-se com maior aspeto e melhor apresentação. Ainda que esbracejando nesta fase da sua agonia, pouco ou quase nada era possível fazer para salvar a publicação. O fim aproximava-se. As novas personagens irão manter-se e Eduardo Teixeira Coelho continuará a surpreender-nos com as suas histórias, desta vez com adaptações das obras de Eça de Queirós, “A Aia”, “O Tesouro” e “S. Cristóvão”, mas com arranjos de Raul Correia. Via-se que estes dois artistas tentavam impulsionar a revista com todas as suas potencialidades criativas. Todavia a publicação tinha chegado ao fim… mas as histórias não, pois ficariam incompletas. No entanto, e ainda que o seu papel estivesse terminado, não deixaria de ser uma caso único na História da Banda Desenhada Portuguesa, ao tornar-se um marco nesse campo e rivalizando com muitas outras publicações do género, não só pelo seu grande valor artístico como pelo didático.

O GRAFISMO DO “INSECTO” MOSQUITO

Um dos factos curiosos desta revista é a sua evolução e a sua continuidade, na procura da perfeição e no desejo de cativar os leitores durante os anos da sua publicação. Será assim com um pequeno grafismo, mas que será aquele que irá dar nome à revista e sustentá-la de uma forma digna e artística.

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Estamos a falar da figura do mosquito, que se inicia também no nº.1 da revista, encontrando-se no canto inferior esquerdo. É da autoria de António Cardoso Lopes. No nº. 2 vamos encontrá-lo de maneira diferente, desta vez no canto superior esquerdo, depois irá alterando o local de exposição, até desaparecer a partir do nº. 30, voltando de novo, desta vez a partir do nº. 201, e assim se manterá até ao 317. No nº. 318 o seu formato é menor. A partir do nº. 360, altera de desenhador e de aspeto, a montar um cavalo de pau, pois passa a ser criado por ETC. Esta imagem irá ser a escolhida para um dos emblemas de lapela, que a revista criará para os seus leitores. O outro emblema (haverá dois) terá o mosquito a empunhar um chapéu.

Ao longo dos números a figura do simpático inseto vai mudando de grafismo. No nº. 390 surge de laço e cartola. Depois, vai de novo alterando a sua imagem, transformando-se num ardina a vender a revista, até que desaparece de novo a partir do nº. 537. Depois volta, a partir do nº. 642. No 681, devido à mudança de formato da revista para maior, o boneco sofre alterações… é um condutor de automóveis. Depois toca viola. E com várias alterações vai-se mantendo pelas capas até ao nº. 1201, com novo formato, mais uma vez reduzido para metade. No nº. 1373 temos um formato maior, que se irá manter até ao fim da publicação da revista, com mais novos grafismos no que respeita ao boneco, inclusive montado num burro, até acabar por desaparecer.

AS CONSTRUÇÕES DE ARMAR

Desde o início do século XX que algumas revistas infantis portuguesas resolveriam incluir nas suas páginas suplementos que apresentavam uma grande variedade de temas, desde jogos, passando por bonecos articulados, uniformes, figuras de animais, folhetos de propaganda, cupões de concursos, figuras para recortar, calendários, presépios, bonecos/bonecas, com os seus fatos ou vestidos, e mais tarde as Construções de Armar. Todas elas acabariam por ser um fator importante no sucesso da publicação, pois havia sempre alguns leitores que estavam à espera delas para as construírem e divertirem-se.

A primeira revista a incluir esse material nas suas páginas em Portugal seria “O Gafanhoto”, de 1903. Seguem-se o “ABC-zinho”, em 1921, o “Cócórócó”, em 1928, o “Tic-Tac”, em 1932, o “Senhor Doutor”, no ano seguinte, “O Papagaio”, em 1935, e finalmente “O Mosquito”, em 1936, e desde os seus primeiros números. Algumas construções que “O Mosquito” oferece aos seus leitores são de uma qualidade inquestionável, não só pela qualidade da sua conceção e desenho, como pela beleza e interesse. “Um Cruzador”, “Mobília de Bonecas”, “Aviões”, “Carros”, “Um Castelo”, “A Torre de Belém”, “Praça de Touros de Lisboa”, ”Presépios”, cupões de concursos, retratos de artistas de cinema, concurso de selos com artistas de cinema, “Índios e cow-boys”, etc… Seria um manancial de “brinquedos” para gáudio dos leitores da revista. As primeiras construções são impressas a uma cor, outras a preto e branco, mas mais tarde já serão coloridas, o que irá salientar o seu interesse e também a sua apresentação. Todas estas construções eram concebidas e desenhadas por pessoas igualmente ligadas às artes gráficas e arquitetura, como será o caso de Tiotónio, ETC, Vicente Ribeiro, Monteiro Neves, Rocha Vieira, Américo Taborda, A. Velez, etc.

IMAGENS DE UM ANIVERSÁRIO – 2

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Complementando a curta reportagem apresentada no post anterior, que se ficou a dever à amabilidade do nosso prezado amigo António Martinó, autor das respectivas fotos — e que figura, todo sorridente, no último plano da imagem supra; no 2º plano, vê-se mestre Artur Correia, ao lado da sua esposa —, recorremos hoje à colaboração de outro valioso fotógrafo, Dâmaso Afonso, sempre presente em todos os eventos onde se celebra o culto da BD, dos seus autores, dos seus personagens e das suas revistas mais emblemáticas.

Como O Mosquito, cujos 80 anos de nascimento foram simbólica e calorosamente festejados, no passado dia 16 de Janeiro, num almoço lisboeta animado por mais de meia centena de convivas da velha e da nova guardas, entre os quais várias senhoras, o que não é muito frequente nas reuniões em que a BD e os seus laços com o passado são a tónica dominante. Também nisso O Mosquito continua a ser uma excepção!

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Outro acontecimento marcante desse dia foi o colóquio realizado, pelas 16h30, na sede do Clube Português de Banda Desenhada (CPBD), em que mestre José Ruy abordou o tema “Como eu entrei para O Mosquito”, com a sua invulgar vivacidade de espírito, aliada a uma memória privilegiada, prendendo a atenção da assistência durante cerca de duas horas. Ao ponto de alguns dos presentes lamentarem o fim da palestra, quando chegou a hora de visitar as exposições dedicadas ao aniversário d’O Mosquito e a Eduardo Teixeira Coelho, patentes nas novas instalações do CPBD, como estava previsto no seu programa.

O registo destas fotos pertence, também, a Dâmaso Afonso, a quem enviamos, com um abraço de amizade, os nossos melhores agradecimentos.

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78º ANIVERSÁRIO DE «O MOSQUITO»

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Embora, por motivos de força maior, não nos tenha sido possível comparecer, este ano, a mais uma reunião festiva de antigos leitores e simpatizantes d’O Mosquito, próximo da data em que se celebrou o seu aniversário (14 de Janeiro), quisemos associar-nos também a esse evento — organizado actualmente por Leonardo De Sá e Américo Coelho e que se repete já há várias décadas —, publicando n’O Gato Alfarrabista, como em 2013, uma reportagem fotográfica realizada pelo nosso amigo Dâmaso Afonso, a quem agradecemos a amável e preciosa colaboração que nos tem prestado.IMG_1930

O almoço-convívio realizou-se, como habitualmente, numa espaçosa sala do restaurante lisboeta Pessoa, desta vez em 18 de Janeiro, por ser sábado, e contou com numerosos participantes (alguns vindos de longe), entre os quais familiares de António Cardoso Lopes (Tiotónio) e Eduardo Teixeira Coelho, que com a sua ligação pessoal a estas figuras míticas d’O Mosquito muito têm contribuído para manter viva a tradição, honrando com a sua presença na tertúlia a memória dos seus ilustres parentes.

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Outra presença sempre animada, e imprescindível, é a de Mestre José Ruy, um dos mais prestigiosos colaboradores d’O Mosquito, onde viveu uma das etapas mais importantes da sua aprendizagem como artista gráfico e autor de BD, e que hoje, mais de 60 anos depois, ainda mantém uma assombrosa actividade criativa.

IMG_1934 copyProva disso, a juntar a tantas outras, foi a palestra sobre O Mosquito que por sua iniciativa se realizou, nesse mesmo sábado, às 17 horas, noutro local de Lisboa, a popular Livraria Barata, ponto de encontro de muita gente afecta aos livros e à cultura, onde, com o seu habitual poder de comunicação e os seus vastos conhecimentos sobre técnicas gráficas e outros temas relacionados com a imprensa infanto-juvenil, prendeu a atenção da assistência durante quase duas horas.

Nota: as imagens que a seguir apresentamos foram também captadas pela objectiva de Dâmaso Afonso, sempre presente na cobertura dos principais eventos bedéfilos; excepto as duas primeiras, obtidas por José Rodrigues, da Livraria Barata.

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77º ANIVERSÁRIO DO MOSQUITO – 1

Há já muitos anos que uma tertúlia que não tem nome, mas que poderia chamar-se informalmente Tertúlia d’O Mosquito, costuma reunir-se em Janeiro para celebrar o aniversário da mais emblemática revista infanto-juvenil portuguesa. A ideia nasceu no começo dos anos 80, levada a cabo por um pequeno grupo de leitores saudosistas, que mais tarde se ampliou sob o patrocínio do malogrado Dr. Chaves Ferreira, director e editor da 5ª série d’O Mosquito, mantendo-se nas décadas seguintes, com o mesmo fervoroso entusiasmo, e não parando de conquistar novos aderentes até aos dias de hoje.

Em 2013, o encontro realizou-se no dia 19 de Janeiro (e mais uma vez no espaçoso restaurante Pessoa, a dois passos do Rossio lisboeta), com a participação de muitos sim- patizantes d’O Mosquito, de várias faixas etárias, unidos pelo mesmo espírito de amizade e camaradagem que Raul Correia e Cardoso Lopes souberam, Mosquito pequeno 2   725com a sua acção à frente dos destinos do “melhor jornal infantil”, transmitir à posteridade.

Entre eles, a destacada presença de alguns familiares de E.T. Coelho, António Cardoso Lopes Jr. (Tiotónio) e Raul Correia: Maria Augusta Gandra, Maria da Conceição, Maria José e Alexandre Correia — e de Mestre José Ruy, um dos mais prestigiosos colaboradores da revista, durante a sua época de maior expansão e tiragem, cuja carreira se transformou num caso de sucesso e longevidade que serve de referência nos anais da BD portuguesa.

Graças aos nossos amigos Leonardo De Sá e Dâmaso Afonso — este sempre presente com a sua máquina fotográfica nos principais eventos bedéfilos —, O Voo d’O Mosquito congratula-se por poder apresentar algumas imagens desse caloroso convívio, que reuniu, como habitualmente, um largo número de participantes, prometendo repetir-se, com a mesma animação, nos próximos anos.

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