COLÓQUIO “UM PANORAMA DAS PRINCIPAIS REVISTAS PORTUGUESAS DE BD” – COM CARLOS GONÇALVES E GERALDES LINO (DO CPBD)

Desde a revista ABC-zinho, cujo início tem data de 15 de Outubro de 1921, até à revista Visão, com a vida breve de doze números editados entre Abril de 1975 e Maio de 1976, decorre um arco editorial de numerosos periódicos de banda desenhada publicados em Portugal. 

Essa produção de quantidade assinalável foi pontuada por títulos diversificados que marcaram gerações, designadamente ABC-zinho, Tic-Tac, Senhor Doutor, Papagaio, Mosquito, Pirilau, Diabrete, Faísca, Pluto, Camarada, Gafanhoto, Mundo de Aventuras, Cavaleiro Andante, Flecha, Titã, Fagulha, Falcão, Foguetão, Zorro, Pisca-Pisca, Tintin, Spirou, Jacto, Jornal do Cuto, Jacaré, Visão, e ainda vários outros posteriores.

É sobre este tema, que atrai o interesse de incontáveis entusiastas deste tipo de arte sequencial — em tempos idos conhecida pela expressão popular de histórias aos quadradinhos —, que vai incidir o colóquio intitulado “Um Panorama das Principais Revistas Portuguesas de Banda Desenhada”.

Em simultâneo, estará patente uma exposição composta por reproduções de capas de muitas das revistas acima mencionadas. 

A apresentação do colóquio estará a cargo dos sócios do Clube Português de Banda Desenhada – CPBD, Carlos Gonçalves e Geraldes Lino, que se apoiarão em fichas técnicas elaboradas pelo também sócio do CPBD Luís Filipe Veiga.

(Nota: texto de Geraldes Lino, extraído do seu blogue “Divulgando Banda Desenhada”).

Advertisements

UMA REVISTA BEM PORTUGUESA COM O NOME DE “CAMARADA”

EXPOSIÇÃO SOBRE O “CAMARADA” (1ª SÉRIE) NA BIBLIOTECA NACIONAL

Nota: esta mostra está patente na Biblioteca Nacional desde o passado dia 28 de Novembro e será encerrada em 30 de Dezembro, podendo, portanto, ser ainda visitada durante a próxima semana.

Vem a propósito lembrar que o Camarada (1947-1951) foi lançado há 70 anos, em 1 de Dezembro de 1947, mas em moldes muito diferentes da restante imprensa infanto- -juvenil, encabeçada pel’O MosquitoO Papagaio e o Diabrete, pois enquanto que nestes títulos a colaboração estrangeira era maioritária, o Camarada — editado pela Mocidade Portuguesa e destinado quase em exclusivo aos centros escolares onde esta organização do Estado Novo estava presente — fazia gala de uma plêiade de autores portugueses, tanto literários como artísticos.

Embora de início tivesse dado pouco destaque à banda desenhada, o Camarada conseguiu conquistar gradualmente a afeição do público juvenil, chegando, com altos e baixos, ao nº 133, na 1ª série. Entre os seus valiosos elementos artísticos contam-se alguns dos mais genuínos representantes de uma nova geração da BD portuguesa, cujo vanguardismo começava a aflorar, assimilando o de outras criações europeias: Júlio Gil, Marcello de Morais, António Vaz Pereira, Bastos Coelho, Carlos Alberto, Nuno San-Payo, José Leal, todos ainda muito jovens e em início de carreira.

Mas no Camarada também se destacaram dois desenhadores de nomes já consagrados, Vítor Péon e José Garcês, oriundos d’O Mosquito, a principal publicação da concorrência, assim como um jovem e talentoso Artur Correia, que se estreara pouco tempo antes n’O Papagaio e se tornaria um dos maiores mestres da BD humorística portuguesa.

Portanto, esta exposição, comissariada por João Mimoso e Carlos Gonçalves, membros do Clube Português de Banda Desenhada **, merece a visita de quem se interessa pelas revistas infanto-juvenis — expoentes de uma cultura popular que ajudou a formar gerações — e pelas diferentes “escolas” que as marcaram em meados do século XX, com relevo para a que nasceu nas páginas do Camarada, dando oportunidade a um grupo de novos desenhadores (na sua maioria estudantes de Arquitectura, carreira que alguns deles optariam por seguir) de se afirmarem indelevelmente no panorama das histórias aos quadradinhos e das artes gráficas em geral. 

Aqui ficam, para memória futura, as quatro páginas que constituem a “FOLHA DE SALA” desta notável exposição (onde podem ser apreciados vários originais e outras peças raras), com texto de João Mimoso e Carlos Gonçalves.

** Na sede do CPBD (Amadora) está patente, desde o passado sábado, 16 de Dezembro, outra exposição sobre o Camarada, que engloba as suas duas séries.

NOVO COLÓQUIO NA BNP SOBRE A HISTÓRIA DO CROMO COLECCIONÁVEL EM PORTUGAL

unnamed

Nesta quinta-feira, dia 2 de Março, às 17h30, o Clube Português de Banda Desenhada, representado por Carlos Gonçalves e João Manuel Mimoso, realiza nova palestra no âmbito da exposição que se encontra patente na Biblioteca Nacional até ao dia 29 de Abril de 2017 — para recordar uma grande editora (não só na publicação de Revistas de Banda Desenhada como de Cadernetas de Cromos) e prestar também merecida homenagem a Carlos Alberto Santos, um notável desenhador, pintor, ilustrador e criador de magníficas colecções de cromos, que nos deixou recentemente.

Carlos Alberto, cujos trabalhos de ilustração estão dispersos por inúmeras revistas, sobretudo de Banda Desenhada, foi também colaborador d’O Mosquito (5ª série), editado em 1984/86 pela Futura.

Seguidamente podem ler, na Folha de Sala da BNP, um excelente artigo de João Manuel Mimoso sobre o tema desta exposição.

cromos_fs_bnp1-1

cromos_fs_bnp1-2

EXPOSIÇÃO “100 ANOS DO CROMO EM PORTUGAL”

convite-15-copy-1

Colóquio inaugural da exposição “100 Anos do Cromo em Portugal”, no dia 1 de Fevereiro de 2017, às 17h45. Apresentação de Carlos Gonçalves, do Clube Português de Banda Desenhada, e intervenção de João Manuel Mimoso, historiando a origem e a evolução das colecções de cromos dos rebuçados e caramelos em Portugal e de alguns dos seus fabricantes, desde a década de 1920 até à de 1960.

Um colóquio posterior, a realizar em 2 de Março, abordará os “cromos-surpresa” lançados pela Agência Portuguesa de Revistas, em 1952, e prestará homenagem ao grande artista e ilustrador, recentemente falecido, Carlos Alberto Santos.

A exposição será inaugurada às 19h00, após o encerramento do colóquio, ficando patente ao público até ao próximo dia 29 de Abril.

Nota: Carlos Alberto Santos, pintor e ilustrador de raro talento e autor de algumas das mais belas coleções de cromos que já se fizeram em Portugal, colaborou em inúmeras publicações de BD, incluindo O Mosquito” (5ª série), da Editorial Futura, motivo por que o nosso blogue se associa à justíssima homenagem que em Março lhe irá ser prestada pelo Clube Português de Banda Desenhada, no âmbito desta exposição.