EXPOSIÇÃO NA BIBLIOTECA NACIONAL: 100 ANOS DE FASCÍCULOS DE AVENTURAS EM PORTUGAL

NOS TEMPOS HERÓICOS DA “LITERATURA DE CORDEL”

Uma grande exposição na Biblioteca Nacional, a não perder, organizada em parceria com o Clube Português de Banda Desenhada, sobre o universo dos fascículos de aventuras que fizeram as delícias de várias gerações, na primeira metade do século XX, com fabulosos heróis que se gravaram na memória dos mais jovens e capas cheias de colorido e emoção, pelo traço dinâmico de Alfredo Morais (1872-1971), um dos mais populares artistas da sua época.

Esses fascículos de aventuras influenciaram também um escol de novelistas portugueses, que surgiram n’O Mosquito, n’O Senhor Doutor, no Tic-Tac, n’O Faísca, n’O Pluto e no Mundo de Aventuras, como Reinaldo Ferreira (o célebre Repórter X), António Feio, Raul Correia, Orlando Marques, José Padinha, Lúcio Cardador, Roberto Ferreira e Roussado Pinto.

Os leitores dessa época não dispensavam as aventuras de Texas Jack, do Capitão Morgan, de Raffles, de Nick Carter… E houve até um colaborador d’O Mosquito, Orlando Marques, que na sua juventude usou o cognome de Texas Jack, tal era o entusiasmo que este herói das pradarias lhe despertava e aos seus colegas do Liceu do Funchal.

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DUAS NOVAS EXPOSIÇÕES NO CPBD

Estas duas exposições, oriundas do Salão Moura BD, serão inauguradas no próximo sábado, dia 2 de Junho, a partir das 15h30. Se a primeira tem como tema central uma das maiores figuras dos primórdios da nossa História, ou seja, Viriato, o heróico pastor dos Montes Hermínios, a segunda, referente aos “Viajantes de Papel na Lusofonia Gráfica”, aborda a obra de grandes autores que, por razões diversas, tiveram de emigrar, procurando trabalho noutros países, como Eduardo Teixeira Coelho, Vítor Péon, Jayme Cortez e Carlos Roque… alguns deles nascidos nas ilhas adjacentes ou nas antigas colónias ultramarinas portuguesas.

Saliente-se que O Mosquito ficou também ligado, simbolicamente, a essa emigração, pois foi das suas fileiras que saíram alguns dos grandes nomes da BD portuguesa que optaram pela diáspora, em busca de novos rumos para as suas carreiras.

NOVA PALESTRA NO CPBD SOBRE “A LEI DA SELVA” DE EDUARDO TEIXEIRA COELHO

No próximo sábado, dia 6 de Maio, na sede do Clube Português de Banda Desenhada, realiza-se mais uma palestra do ciclo “A Lei da Selva de Eduardo Teixeira Coelho”, que será igualmente apresentada por Mestre José Ruy, autor do powerpoint que ilustrará essa sessão, com numerosos exemplos da arte magistral de E.T. Coelho.

Aproveitamos a oportunidade para mostrar seguidamente algumas imagens da sessão anterior, realizada em 22 de Abril p.p., que embora pouco concorrida mereceu o interesse e o aplauso de todos os presentes, premiando o mérito da obra e a feliz ideia de José Ruy de homenagear um dos mais célebres trabalhos de E.T. Coelho para O Mosquito, recentemente reeditado, pela primeira vez, em álbum.

As fotos são de Dâmaso Afonso, activo membro do CPBD, a quem saudamos com amizade, agradecendo novamente a prestimosa colaboração que tem oferecido a todos os blogues da nossa Loja de Papel.


22 E 29 DE ABRIL: DUAS PALESTRAS NO CPBD SOBRE “A LEI DA SELVA” DE E.T. COELHO

Na continuidade das iniciativas que tem organizado com frequência na sua nova sede, o Clube Português de Banda Desenhada anuncia mais duas palestras, a realizar nos próximos dias 22 e 29 de Abril, pelas 17h00, e dedicadas, com o precioso apoio de um dos seus mais ilustres consócios, mestre José Ruy, à obra-prima de Eduardo Teixeira Coelho “A Lei da Selva”, publicada em 1948 n‘O Mosquito e reeditada finalmente em livro, há alguns meses, por Manuel Caldas.

À parte o interesse específico do tema — apresentado de forma inédita, a partir da leitura de um excelente estudo de Domingos Isabelinho —, este evento representa um grande progresso para o CPBD, que está agora equipado com meios técnicos (PowerPoint) que lhe permitem valorizar as suas sessões. 

O BOLETIM DO CPBD CONTINUA EM PUBLICAÇÃO

O Clube Português de Banda Desenhada (CPBD) acaba de editar o nº 143 do seu Boletim, com data de Fevereiro de 2017, um dos fanzines mais antigos em publicação, não só em Portugal como em toda a Europa, e que pela sua qualidade e longevidade merece ombrear com os melhores (como, aliás, tem sido realçado por vários especialistas).

Neste número, dedicado ao Titã — uma revista de BD dos anos 1950, editada pela Fomento de Publicações em moldes inovadores, mas que não teve o sucesso esperado, devido à forte concorrência do Cavaleiro Andante e do Mundo de Aventuras —, destaca-se um excelente artigo sobre este tema, da autoria de Ricardo Leite Pinto, sobrinho do saudoso Roussado Pinto, incontornável pioneiro da “época de ouro” da BD portuguesa, que no Titã exerceu as funções de novelista/argumentista, redactor principal e, a breve trecho, director, depois de ter saído do Mundo de Aventuras e da Agência Portuguesa de Revistas.

No Titã colaboraram também alguns desenhadores portugueses, já nessa época com largo e invejável currículo, como Vítor Péon, José Garcês e José Ruy, devendo-se a Péon e ao seu traço dinâmico a capa do 1º número e a história “Circos em Luta”, cujo herói, criado por Edgar (Roussado Pinto) Caygill, se chamava nem mais nem menos… Titã!

Completa este número um artigo de Carlos Gonçalves sobre a magnífica arte de E.T. Coelho, com uma galeria de trabalhos deste grande desenhador para O Mosquito, que estiveram patentes, até há pouco tempo, numa exposição realizada pelo CPBD na sua nova sede.

As imagens reproduzidas neste post foram extraídas, com a devida vénia, do blogue Sítio dos Fanzines de Banda Desenhada, orientado por Geraldes Lino, cuja consulta recomendamos a todos os interessados por este aliciante tema que o mestre Lino conhece e aborda como poucos. Ou melhor dizendo, como ninguém!…

EXPOSIÇÃO SOBRE O “CAVALEIRO ANDANTE” NO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA

Prosseguindo uma intensa actividade, com ciclos temáticos que englobam exposições, colóquios e outros eventos realizados na sua nova sede, o Clube Português de Banda Desenhada (CPBD) inaugura no próximo sábado, dia 18 de Março, uma mostra dedicada à emblemática revista Cavaleiro Andante, que na década de 1950 rivalizou com o Mundo de Aventuras e outras publicações juvenis, distinguindo-se por oferecer aos seus leitores as melhores obras da moderna BD europeia, nomeadamente de origem italiana e franco-belga.

A exposição comemora os 65 anos de nascimento do Cavaleiro Andante, cuja existência decorreu de 5 de Janeiro de 1952 até 25 de Agosto de 1962 (556 números), sempre sob a direcção de Adolfo Simões Müller e contando com Maria Amélia Bárcia como redactora e Fernando Bento como principal colaborador artístico.

No Cavaleiro Andante colaboraram também José Garcês, José Ruy, E.T. Coelho e Vítor Péon, desenhadores indelevelmente ligados à carreira d’O Mosquito.

PRIMEIRA EXPOSIÇÃO DO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA NA BEDETECA DA AMADORA

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Em Outubro de 1982, terminava a revista Tintin portuguesa, que desde 1968 marcou gerações de leitores. No momento em que a banda desenhada em Portugal fez a transição dos jornais e revistas para os álbuns, destacaram-se as obras da autoria de Augusto Trigo e Jorge Magalhães [cujo imaginário foi acalentado, na infância, pelas histórias d’O Mosquito].

“A Moura Cassima”, terceiro título da colecção Lendas de Portugal em Banda Desenhada, foi o primeiro álbum distinguido na Amadora com o prémio para o melhor álbum português de banda desenhada, em 1992. Dez anos antes, o Clube Português de Banda Desenhada distinguia os dois autores com o Troféu O Mosquito, reconhecendo Jorge Magalhães como Melhor Argumentista do Ano de 1981 e Augusto Trigo como Revelação do Ano de 1981.

35 anos depois desse 1981 que revelava Trigo, num ano em que Magalhães completa 40 anos de actividade como argumentista, justifica-se uma exposição da histórica dupla, na cidade que ainda distinguiria os dois autores com o mais prestigiado prémio da BD portuguesa, o Troféu Honra (Jorge Magalhães em 1999, e Augusto Trigo em 2000).

A exposição, presente na Bedeteca da Amadora a partir de 23 de Junho, parte dos muitos originais que Augusto Trigo doou ao Município da Amadora e que estão no edifício da Biblioteca Municipal, onde funciona a Bedeteca.

Para além da apreciação da notável técnica individual que distingue cada um dos dois autores, a mostra permitirá abordar a temática do trabalho em colaboração entre argumentista e desenhador, e observar a forma de abordagem a diferentes géneros que se afirmaram na banda desenhada.

Trata-se da primeira colaboração do Clube Português de Banda Desenhada com a Bedeteca da Amadora, permitindo ao município associar-se à celebração do 40.º aniversário do Clube, e permitindo ao Clube concretizar uma apresentação com outras possibilidades ao nível do requinte de forma, susceptíveis até de atrair a malta jovem, como diria o Machado-Dias.

Sobretudo, permite-se à banda desenhada portuguesa reconhecer e homenagear o trabalho em colaboração de dois autores fundamentais na sua história recente.

CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA

Os principais álbuns de Trigo & Magalhães:

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Excalibur, a Espada Mágica
– O Anel Mágico (Meribérica)
Lendas de Portugal em Banda Desenhada
– A Lenda do rei Rodrigo / A Moura Encantada (Asa)
– A Lenda de Gaia / A Dama Pé-de-Cabra (Asa)
– A Moura Cassima (Asa)
Luz do Oriente (Futura)
Ranger
– A Vingança do Elefante (Meribérica)
Wakantanka
– O Bisonte Negro (Edinter)
– O Povo Serpente (Meribérica)