CONVERSA(S) SOBRE BANDA DESENHADA (COM JORGE MAGALHÃES E CATHERINE LABEY) – 3

JORGE MAGALHÃES (1)

Jorge Magalhães nasceu no Porto em 22 de Março de 1938. Entre 1959 e 1961, iniciou transitoriamente a sua carreira na Banda Desenhada, escrevendo contos para o Mundo de Aventuras e para O Mosquito (2ª série), editado por José Ruy e Ezequiel Carradinha. Anos depois (1970), publicou também um conto no último número de Pisca-Pisca, revista da MP dirigida por Álvaro Parreira.

Em Maio de 1974, dez meses após regressar de Angola, onde era funcionário público — tendo continuado, em simultâneo, a dedicar-se à escrita, como colaborador, entre 1967 e 1972, de vários jornais e revistas: A Província de Angola, TrópicoABC e O Comércio —, concretizou um sonho de juventude ao ingressar na Agência Portuguesa de Revistas, onde assumiu a coordenação do Mundo de Aventuras (2ª série), MA Especial e Selecções do MA, entre outros títulos de menor importância, permanecendo naquela empresa durante 13 anos, até ao seu encerramento em finais de 1987.

Em 1976, estreou-se como argumentista no Mundo de Aventuras com uma história desenhada por Baptista Mendes, “A Lenda de Gaia”, tendo depois assinado numerosos argumentos para revistas e álbuns (individuais e colectivos), ilustrados por alguns dos principais desenhadores portugueses, como Augusto Trigo, Carlos Alberto, Carlos Roque, Catherine Labey, Eugénio Silva, Fernando Bento, João Amaral, José Abrantes, José Carlos Fernandes, José Garcês, José Pires, José Ruy, Pedro Massano, Rui Lacas, Vítor Péon e outros. Também colaborou com jovens desenhadores que trocaram a BD por outras carreiras, como Irene Trigo, João Mendonça, José Projecto, Ricardo Cabrita e Zenetto. 

Foi fundador e membro directivo do Clube Português de Banda Desenhada, criado em 1976, e coordenou outras revistas de BD como TV Júnior, Intrépido, AventureiroHeróis da Marvel, O Mosquito (5ª série), Almanaque O Mosquito, Heróis Inesquecíveis, etc. Também editou e dirigiu fanzines como os Cadernos de Banda Desenhada (com três séries) e a Colecção Audácia. Traduziu muitas histórias de BD, escreveu artigos de investigação e análise crítica para vários livros, revistas, catálogos, fanzines e suplementos de jornais, e durante os anos 1980 dirigiu colecções da Editorial Futura, como Antologia da BD Portuguesa, Antologia da BD Clássica, Colecção Aventuras, Tarzan, Torpedo, Nova BD, Gente Pequena, etc.

(continua)

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CONVERSA(S) SOBRE BANDA DESENHADA (COM JORGE MAGALHÃES E CATHERINE LABEY) – 2

CATHERINE LABEY

Nascida a 8 de Setembro de 1945, em Évreux (França), de pais franceses, naturalizou-se portuguesa em 1975. Após os estudos secundários, frequentou as Belas-Artes de Paris. Sempre em Paris, trabalhou em publicidade como grafista e depois emigrou, primeiro para Coimbra (1970), depois para Lisboa, onde foi capista na Editora Estúdios Cor.

Em 1974, foi a Moçambique, onde voltou a trabalhar em publicidade, mas só lá ficou de Janeiro a finais de Agosto daquele ano. De regresso a Portugal, já naturalizada portuguesa, trabalhou como ilustradora e grafista para várias editoras (Plátano, Publica, a revista Fungagá da Bicharada, onde teve o seu primeiro contacto directo com a BD, e mais tarde Editorial Futura e Meribérica).

Fez banda desenhada publicada no Fungagá, no Mundo de Aventuras da APR, em álbuns juvenis na ASA do Porto, com argumentos de Jorge Magalhães («Contos Tradicionais Portugueses» e «Contos Para a Infância»: de Guerra Junqueiro, Andersen, Grimm e «As 1001 Noites», entre 1989 e 1992.

Fez muitas traduções de banda desenhada para a APR, Meribérica-Liber, ASA, e de texto para vários editores, tanto do francês como do espanhol e do inglês, assim como letragem de BDs. Para a Editorial Futura, entre outros trabalhos, teve a seu cargo a legendação das histórias e toda a paginação da revista O MOSQUITO (5ª série), do princípio ao fim.

Foi galardoada em 1995 com o troféu de Autor do Ano, no Salão de BD da Sobreda da Caparica, e com o Balanito Especial do Salão de Moura, em 2007.

Voltou a publicar na ASA, do grupo Leya, em 2012 («Provérbios… com Gatos»). Tem dois livros na gaveta, escritos e ilustrados por si («Os Bichinhos da Minha Vida», «Memórias de uma Gata»), e uma nova colecção infantil de 6 livros, com tema versando as plantas medicinais e seu uso, através das peripécias do gato Serafim e da feiticeira Margolina.

É contra o novo Acordo Ortográfico.

CONVERSA(S) SOBRE BANDA DESENHADA (COM JORGE MAGALHÃES E CATHERINE LABEY) – 1

No passado dia 8 de Julho, como oportunamente informámos, teve lugar na Bedeteca José de Matos-Cruz (ala da Biblioteca Municipal de Cascais, em S. Domingos de Rana), a 3ª Conversa sobre BD moderada pelo próprio José de Matos-Cruz, especialista e crítico de cinema, com vasta obra publicada, historiador, coleccionador e divulgador pioneiro da Banda Desenhada em Portugal (Copra, Ploc!, Mundo de Aventuras, Boomovimento, etc).

Desta feita, os convidados foram o casal formado pelo escritor/argumentista Jorge Magalhães e pela desenhadora e artista plástica Catherine Labey, ambos profissionais de BD desde a década de 1970, nas mais diversas áreas, e que continuam a alimentar o seu gosto pela 9ª Arte, dedicando-se, na idade da reforma, à actividade de bloggers.

Perante um público assíduo — entre o qual tivemos a grata surpresa de ver, além de Mestre José Garcês e esposa, e do desenhador João Amaral e esposa, uma bela “embaixada” da família de Jorge Magalhães, com a filha Maria José Pereira (editora da Babel) e o genro, dois netos e duas bisnetas —, falaram ambos das suas carreiras (muitas vezes em comum), apoiados por uma apresentação em Powerpoint de obras que consideram as mais representativas dessa colaboração mútua ou com outros autores.

Na sua intervenção, Jorge Magalhães, autor multifacetado, dissertou também sobre o seu longo percurso nas revistas e editoras onde trabalhou, desde o Mundo de Aventuras (APR) às Selecções BD (Meribérica), passando por muitas outras, como Intrépido e TV Júnior (Campo Verde), Heróis da Marvel (Distri) e O Mosquito (Editorial Futura). Nesta editora, coordenou também a Antologia da BD Portuguesa e a Antologia da BD Clássica, duas colecções onde foram publicadas algumas obras-primas oriundas da 1ª série d’O Mosquito, como “O Caminho do Oriente”, de E.T. Coelho, e “Cuto – Tragédia no Oriente”, de Jesús Blasco.

Aqui fica, para memória fotográfica dessa sessão, uma breve reportagem que nos foi enviada por João Camacho, técnico superior da Câmara Municipal de Cascais, a quem publicamente agradecemos. Seguir-se-á, em próximos posts de O Voo d’O Mosquito, a apresentação das biografias destes autores e de uma galeria de imagens das suas obras, extraídas dos dois powerpoints, cujo arranjo gráfico esteve a cargo de Catherine Labey.

CONVERSA(S) SOBRE BANDA DESENHADA

Sábado, 8 de Julho, às 16h00, na Bedeteca José de Matos-Cruz (Biblioteca Municipal de S. Domingos de Rana), mais uma sessão do ciclo Conversa(s) sobre Banda Desenhada, desta vez com Jorge Magalhães & Catherina Labey, autores que estiveram estreitamente ligados à 5ª série d’O Mosquito, da Editorial Futura (1983-1986).  

CANTINHO DE UM POETA – 26

Cantinho de um poeta

O post que publicámos ultimamente nesta rubrica, dedicada a Raul Correia (e ao seu célebre heterónimo, o Avozinho), mereceu também divulgação no blogue bilingue de Catherine Labey Gatos, gatinhos e gatarrões (Le chat dans tous ses états), facto que queremos devidamente assinalar, reproduzindo o poema “Le beau prêcheur”, traduzido de forma magnífica pela Catherine, que até procurou manter a métrica e as rimas (tarefa, mesmo para ela, nada fácil).

Cremos ter sido a primeira vez que um poema de Raul Correia — grande devoto e praticante da língua de Rousseau e Voltaire — foi vertido (sem ser pelo próprio) nesse harmonioso idioma. Aqui fica, para memória futura, a justa referência.

CAPITÃO BLASCO

ENCONTRO COM JESÚS BLASCO  (Barcelona – 1985)

Cartaz Salón del Comic 2015 - 1

Cartaz do Salón del Comic 2015 - 2Está a decorrer, durante este fim-de-semana, o 33º Saló del Còmic de Barcelona, um dos eventos de maior nomeada no panorama bedéfilo espanhol e inter- nacional, cuja perfeita organização atrai sempre milhares de visitantes, tornando ainda mais concorrida e festiva a populosa capital da Catalunha, onde além do Salón del Comic não faltam, nesta quadra primaveril, outros motivos de interesse para ver e admirar, mor- mente as suas célebres belezas naturais e urba- nísticas, banhadas pelo idílico sol do Mediterrâneo.

Nos anos 80, há mais de três décadas, muitas foram as comitivas de autores, editores, jornalistas e bedéfilos portugueses que rumaram a Barcelona, para visitar o Salón del Comic e confraternizar com os seus amigos e colegas espanhóis, retribuindo visitas como a de Jesús Blasco, o famoso autor de Cuto e Anita Diminuta, que teve lugar em 1983, durante o certame organizado pelo Clube Português de Banda Desenhada nos antigos pavilhões da FIL (Feira Internacional de Lisboa).

1º e 3º Salón del Comic

Almanaque O Mosquito 1984Desse caloroso e animado convívio entre o grande mestre espanhol — que o revivalismo fomentado pelo Jornal do Cuto tornara conhecido das novas gerações — e os seus inúmeros admiradores portugueses, nasceu uma fraterna e duradoura amizade, consubstanciada desde logo num ambicioso projecto que arrancaria poucos meses depois: o lançamento de um almanaque e da 5ª série d’O Mosquito, planeada e posta em prática por uma equipa de que fiz parte, com a Catherine Labey, o saudoso editor da Futura, dr. Chaves Ferreira, e outros valiosos colaboradores nacionais e estrangeiros.

O êxito desse projecto não pode medir-se apenas em termos quantitativos — doze números e quatro almanaques publicados entre Novembro de 1983 e Novembro de 1986 —, 2014-10-23 22.09.24porque este saldo é pouco significativo, mas pela repercussão que alcançou no meio bedéfilo nacional e até em Espanha, onde o 1º número do novel O Mosquito nos serviu de cartão de visita quando demandámos o Salón del Comic de Barcelona, em meados de Maio de 1984. A recepção que nos foi feita por Jesús Blasco (e seus irmãos) e por outros autores presentes no Festival — como Jordi Bernet, Puigmiquel, Manfred Sommer, Luis Bermejo e Juan Gimenez — não podia ter sido mais efusiva e gravou-se indelevelmente na nossa memória. Alguns deles já eram colaboradores dessa nova série d’O Mosquito, com criações como Torpedo, de Jordi Bernet e Sánchez Abuli, e Ás de Espadas, de Juan Gimenez e Ricardo Barreiro.

4º e 5º Salón del Comic

2014-10-23 22.04.12No ano seguinte, a expedição a Barcelona e ao Saló del Còmic repetiu-se, na companhia de outros membros da nossa afanosa equipa e de mais amigos. Foi nessa ocasião que António José (Tozé) Simões, um dos mais jovens e talentosos colaboradores do ressus- citado O Mosquito, criador com Luís Louro de uma série que se tornaria a mais emblemática da BD portuguesa dessa época (estamos a falar, claro, de Jim del Monaco), entrevistou Jesús Blasco, durante um encontro no recinto do Salón, sempre a abarrotar de público, num ambiente que tornava a atmosfera daquele quente dia de Junho ainda mais abafada.

Almanaque Mosquito 1987Tal como o insólito calor primaveril de Barcelona, a loquacidade (proverbial) de Jesús Blasco não deu tréguas ao entrevistador, mas Tozé Simões saiu-se airosamente da tarefa, como os nossos leitores poderão constatar nas páginas que a seguir reproduzimos com essa entrevista, publicada no Almanaque O Mosquito de 1987 (cuja capa, ilustrada por Augusto Trigo, também aqui revive).

Memórias de outro tempo, de alguns velhos amigos, de uma hospitaleira cidade e de um ícone da BD mundial que Tozé Simões apelidou, com humor, de Capitão Blasco, um nome carismático que soa a Aventura…

Capitão Blasco 1 e 2Capitão Blasco 3