NOVO COLÓQUIO NA BNP SOBRE A HISTÓRIA DO CROMO COLECCIONÁVEL EM PORTUGAL

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Nesta quinta-feira, dia 2 de Março, às 17h30, o Clube Português de Banda Desenhada, representado por Carlos Gonçalves e João Manuel Mimoso, realiza nova palestra no âmbito da exposição que se encontra patente na Biblioteca Nacional até ao dia 29 de Abril de 2017 — para recordar uma grande editora (não só na publicação de Revistas de Banda Desenhada como de Cadernetas de Cromos) e prestar também merecida homenagem a Carlos Alberto Santos, um notável desenhador, pintor, ilustrador e criador de magníficas colecções de cromos, que nos deixou recentemente.

Carlos Alberto, cujos trabalhos de ilustração estão dispersos por inúmeras revistas, sobretudo de Banda Desenhada, foi também colaborador d’O Mosquito (5ª série), editado em 1984/86 pela Futura.

Seguidamente podem ler, na Folha de Sala da BNP, um excelente artigo de João Manuel Mimoso sobre o tema desta exposição.

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EXPOSIÇÃO “100 ANOS DO CROMO EM PORTUGAL”

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Colóquio inaugural da exposição “100 Anos do Cromo em Portugal”, no dia 1 de Fevereiro de 2017, às 17h45. Apresentação de Carlos Gonçalves, do Clube Português de Banda Desenhada, e intervenção de João Manuel Mimoso, historiando a origem e a evolução das colecções de cromos dos rebuçados e caramelos em Portugal e de alguns dos seus fabricantes, desde a década de 1920 até à de 1960.

Um colóquio posterior, a realizar em 2 de Março, abordará os “cromos-surpresa” lançados pela Agência Portuguesa de Revistas, em 1952, e prestará homenagem ao grande artista e ilustrador, recentemente falecido, Carlos Alberto Santos.

A exposição será inaugurada às 19h00, após o encerramento do colóquio, ficando patente ao público até ao próximo dia 29 de Abril.

Nota: Carlos Alberto Santos, pintor e ilustrador de raro talento e autor de algumas das mais belas coleções de cromos que já se fizeram em Portugal, colaborou em inúmeras publicações de BD, incluindo O Mosquito” (5ª série), da Editorial Futura, motivo por que o nosso blogue se associa à justíssima homenagem que em Março lhe irá ser prestada pelo Clube Português de Banda Desenhada, no âmbito desta exposição.

CANTINHO DE UM POETA – 31

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Nesta quadra, vem a propósito recordar uma exortação ao Ano Novo que se mantém actual, do princípio ao fim, mostrando a veia humorística de Raul Correia — ou, por afinidade, do Avozinho (e os exemplos abundam, ao folhearmos O Mosquito) —, publicada no Jornal do Cuto nº 126, de 31 de Dezembro de 1975, com uma curiosa ilustração de Carlos Alberto Santos.

CANTINHO DE UM POETA – 30

Mais um poema em prosa com o cunho inconfundível de Raul Correia (o saudoso Avozinho d’O Mosquito), que o Jornal do Cuto reeditou no seu último número natalício (#172, de 1/12/1977), ilustrado a preceito por Carlos Alberto Santos, principal colaborador artístico de outro grande pioneiro da BD portuguesa, Roussado Pinto, naquele que foi um dos seus últimos e mais ambiciosos projectos editoriais — onde a lira poética do Avozinho e o estro literário de Raul Correia renasceram das cinzas do passado.

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CARLOS ALBERTO E RAUL CORREIA

Hoje, em vez da habitual ilustração de Jobat, o poema de Raul Correia (o célebre Avozinho d’O Mosquito) é ilustrado por Carlos Alberto, outro excelente colaborador do Jornal do Cuto, que em 1972 trocou a Agência Portuguesa de Revistas, onde trabalhava há mais de 20 anos, pela Portugal Press, do seu amigo de longa data Roussado Pinto, encetando uma nova fase da sua carreira, em que utilizou com frequência o pseudónimo de M. Gustavo, inspirado pelo nome do seu compositor musical favorito: Gustav Mahler.

Carlos Alberto Santos, assinatura que também se encontra em muitos dos seus trabalhos, deixou o mundo dos vivos no passado dia 1 de Novembro, com grande mágoa de todos os admiradores da sua vasta e magnífica obra como pintor e ilustrador.

Entre os artistas gráficos da sua época  (a segunda “idade de ouro” da BD portuguesa), foi sem dúvida um dos mais talentosos, mas a sua personalidade modesta e reservada impediu-o sempre de ascender ao estatuto de “celebridade”, com que a fama e o reconhecimento público consagraram outros autores da mesma craveira.

Na última fase do Jornal do Cuto (1976-78), Carlos Alberto substituiu José Batista (Jobat) — que regressara à sua terra natal, Loulé, para se dedicar a outras actividades —, como ilustrador dos poemas em prosa e em verso de Raul Correia, com quem, aliás, colaborou assiduamente na editora Amigos do Livro, de onde saíram dois dos seus melhores trabalhos, Histórias do Avozinho e Vida de Jesus, ambos com texto do escritor e poeta que tanto admirava — ao ponto de ilustrar também um dos seus livros de versos: O Comboio de Corda (cuja capa, muito curiosa, exemplo da versatilidade do notável artista, a seguir reproduzimos).

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Nota: o poema “O Brinquedo Estragado” foi reproduzido do Jornal do Cuto nº 166, de 1/6/1977. A revista, que voltara à periodicidade mensal, suspendeu a sua publicação em Fevereiro do ano seguinte, no nº 174. Roussado Pinto, que editou também, com êxito, o Jornal do Incrível, faleceu em Março de 1985.

IN MEMORIAM: CARLOS ALBERTO FERREIRA DOS SANTOS (1933-2016)

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A Banda Desenhada, a Cultura e as Artes Plásticas portuguesas acabam de ficar mais pobres, pois perderam um dos seus maiores valores das últimas décadas…

Com 83 anos, faleceu na madrugada de 1 de Novembro, no Hospital Egas Moniz, onde estava internado há vários dias, devido ao súbito agravamento do seu estado de saúde, o pintor e ilustrador Carlos Alberto Santos, nascido em 18 de Julho de 1933, em Lisboa, e cuja carreira artística começou bem cedo, depois de ter entrado como aprendiz para a Bertrand & Irmãos, apenas com 10 anos de idade. Consolidando essa iniciação nas artes gráficas, trabalhou também na Fotogravura Nacional e no atelier de publicidade de José David. 

O seu enorme talento começou a notabilizar-se noutra empresa de grandes dimensões, a Aguiar & Dias (vulgo APR ou Agência Portuguesa de Revistas), onde colaborou assiduamente desde o 1º número do Mundo de Aventuras, integrando pouco tempo depois o seu quadro de desenhadores privativos.  Embora relativamente escassa no campo da Banda Desenhada, a sua produção como ilustrador é vasta e diversificada, com destaque para a “História de Portugal” em cromos, um grande sucesso editorial, e outras valiosas colecções do mesmo género, assim como para o álbum “Camões – Sua Vida Aventurosa”, editado pela APR em 1972 e anos depois reeditado, a cores, pela ASA.

Foi também autor das mais eróticas ilustrações da BD portuguesa, para a revista Zakarella da Portugal Press, dirigida por Roussado Pinto.
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Mais vasta e rica ainda é a sua obra como pintor, consagrada à divulgação dos grandes heróis e dos feitos mais relevantes da nossa História Pátria. Com efeito, foi a pintura (e só ela) que lhe permitiu exteriorizar a sua verdadeira personalidade artística. As suas telas estão espalhadas por diversas instituições públicas e particulares, como o Museu Militar do Porto, suscitando também o interesse de coleccionadores de todo o mundo.

O funeral de Carlos Alberto Santos realizou-se na passada quinta-feira, às 11h00, no cemitério do Alto de S. João, depois da missa de corpo presente na Igreja do Santo Condestável, bairro de Campo de Ourique (onde o artista casou, em Janeiro de 1959, com a pintora Maria de Lurdes Paes, ainda viva).

Em memória de um extraordinário vulto das artes gráficas e plásticas portuguesas dos últimos 60 anos e de um homem de gentileza ímpar, reproduzimos seguidamente um artigo publicado na revista Temas nº 3 (Abril 2000), em que se evoca o seu percurso, breve mas igualmente extraordinário, como banda desenhista.

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Nota – Tive a grande honra de colaborar com Carlos Alberto, como argumentista, num projecto que me encheu de satisfação (mas que seria a sua última obra em banda desenhada): a história “O Rei de Nápoles”, com 14 páginas a cores, publicada no 4º volume da colecção Contos Tradicionais Portugueses em BD, das Edições ASA (1993).

Na cena de abertura dessa história, de ambiente medieval, propus-lhe retratar uma caçada a um dos muitos animais selvagens que povoavam as florestas europeias desse tempo. Mas Carlos Alberto opôs-se, alegando respeitar, por princípio humanitário, a vida dos animais, de qualquer espécie. E a referida cena ficou assim…
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Infelizmente, os seus problemas de visão afastaram-no definitivamente da BD e até da ilustração, para se dedicar apenas à pintura, onde deixou obras que perpetuam a tradição dos grandes mestres figurativos, honrando o nosso património artístico e cultural. Mas as suas criações para o Mundo de Aventuras, o Jornal do Cuto e outras revistas de banda desenhada também não serão esquecidas!

Nos anos 80, Carlos Alberto foi colaborador d’O Mosquito (5ª série), publicado pela Editorial Futura, onde ilustrou no nº 8 (Setembro 1985) um conto de Lúcio Cardador, intitulado “O Primeiro Caso”; e uma BD publicitária publicada num folheto inserido, como suplemento, no nº 11 (Dezembro 1985). Aqui a reproduzimos, à laia de curiosidade, recordando a breve passagem de Carlos Alberto pela derradeira série d’O Mosquito.

(Para ler melhor esta página em toda a sua extensão, clicar duas vezes sobre a imagem).

RAUL CORREIA, TRADUTOR PARA TODO O SERVIÇO (2)

Selecção FBI 39 617Aqui têm mais alguns livros das inúmeras colecções saídas das operosas oficinas da Agência Portuguesa de Revistas (APR), que foi, sem dúvida, a editora para a qual Raul Correia fez mais traduções, não só neste género de romances de cariz popular que abrangiam diversas temáticas, mas também para revistas de histórias aos quadradinhos, como Mundo de Aventuras, Ciclone, Condor Popular, Selecções e outras.

Numa consulta ao site da Biblioteca Nacional (BN), encontrámos muitos títulos de livros com tradução ou da autoria de Raul Correia… mais de três centenas e meia, o que demonstra bem a sua prolífica actividade de escritor, mas sobretudo de tradutor. E deve haver ainda mais!… A maior parte não consta, infelizmente, da nossa colecção, motivo porque não poderão ser incluídos nesta resenha, onde pretendemos reproduzir também as capas, indicando sempre que possível o seu autor — no caso das que foram realizadas nos “ateliers” gráficos da APR.

Na BN, alguns dos títulos catalogados têm datas de depósito legal que não correspondem, por vezes, às datas de edição, embora as diferenças possam ser de poucas semanas.

R Correia - Dossier Crime 19 618No lote que hoje vos apresentamos, com algumas colecções de temática policial, o destaque vai para a que tem por título Dossier Crime, e que neste grupo é a excepção à regra por causa do seu maior formato (11 x 18 cms) e da apresentação mais cuidada. A APR procurava, assim, ombrear com outras colecções policiais de maior prestígio, como a Rififi, da Íbis (num formato semelhante e recheada de autores americanos), diversificando a sua linha editorial para captar um público mais vasto, mais exigente e potencialmente com maior poder de compra.

Embora exibindo nomes ingleses, os autores incluídos nesta colecção eram, na sua maioria, de origem espanhola, mas escolhidos entre os melhores do género, em obediência a um critério mais rigoroso.

Outras colecções mais antigas e de maior longevidade (todas com copyright da Editorial Rollan), figuram também neste lote traduzido por Raul Correia, como FBI, Selecções FBI e Serviço Secreto. Note-se que as dimensões de Selecções FBI, colecção criada na senda do êxito da sua homóloga em formato de bolso, eram ligeiramente superiores, equiparando-se às da colecção Dossier Crime. Mas esta publicava também autores americanos, alguns de nomeada, como Frank Gruber.… merecendo, portanto, uma nota à parte.

Eis os respectivos títulos e demais elementos bibliográficos, incluindo as datas, colhidas no site da Biblioteca Nacional: “Quatro para o Inferno”  (Cuatro hacia el Infierno), de Anthony G. Murphy – Selecções FBI nº 39 (1963); “O Morto Subiu a Escada”, de Frank Gruber – Dossier Crime nº 19 (1965); “O Destino Manda” (El Destino Manda), de A. Gallard – Serviço Secreto nº 128 (1963); “Orquídeas de Morte” (La Muerte Amarilla) , de M. Saavdrovitch – FBI nº 186 (1963); “Tempestade de Violência” (Tempestad de Violencia), de Herman Tellgon – FBI nº 200 (1963); “Operação Patos Brancos” (Operacion “Patos Blancos”), de Frank Mc Fair – FBI nº 206 (1964); “À espera da Morte” (Esperando la muerte), de Henry Keystone – FBI nº 210 (1964); “A  Revolução dos Diabos” (La Revolucion de los Diablos) – FBI nº 303 (1968).

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R Correia - FBI 206 - 210 e 303

Algumas das capas destes livros foram realizadas por Carlos Alberto Santos, um dos mais talentosos e eclécticos desenhadores ao serviço da APR: Dossier Crime nº 19, FBI nºs 200, 210 e 303. A do FBI nº 186 tem a assinatura de Prieto Muriana, que fazia parte de um escol de ilustradores naturais do país vizinho, também com vasta obra.