O 1º ANIVERSÁRIO D’O MOSQUITO

mosquito-52-capa-289Nascido em 14 de Janeiro de 1936, com oito páginas (e apenas duas delas a cores, a capa e a contracapa), modesto no seu aspecto e quiçá nas suas ambições, O Mosquito foi, no entanto, o jornal dessa época que mais cativou os leitores infanto-juvenis, destronando toda a concorrência ao conquistar o valioso ceptro de “semanário infantil português de maior tiragem”, pois oferecia no seu sumário emoção, aventura e fantasia a rodos, pelo traço de excelentes artistas estrangeiros (como Walter Booth, Reg Perrott, José Cabrero Arnal, Arturo Moreno e outros), e pela sugestiva prosa de um talentoso escritor, o seu director literário e editor Raul Correia, cuja veia poética rivalizava com a de novelista, sob o carinhoso, lírico e enigmático heterónimo de Avozinho.

Com estes trunfos, aliados ao saber e à experiência nas artes gráficas de António Cardoso Lopes Jr. (o outro fundador e director d’O Mosquito, mais conhecido pelo seu nome artístico, Tiotónio, autor da famosa dupla Zé Pacóvio e Grilinho), o pequeno “insecto” de papel voou cada vez mais alto, acabando por perder de vista os seus competidores, que no final dessa década já estavam reduzidos a uma pequena hoste, de que faziam parte O Senhor Doutor e O Papagaio, de aspecto mais vistoso mas menos aptos a conquistar o coração dos leitores.

Em homenagem ao glorioso voo d’O Mosquito, que por “ares e ventos” chegou ao mais alto pódio da BD portuguesa, recordamos o editorial do nº 52, de 7 de Janeiro de 1937, publicado na secção de correspondência, uma das mais apreciadas pelos leitores, onde o estro literário de Raul Correia brilhava tanto como o de humorista. Foi dessa forma que O Mosquito celebrou a passagem do seu 1º ano de vida (uma semana antes da data oficial de nasci- mento), modestamente como era lema dos dois homens simples que o tinham criado.

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OS REIS DO RISO D’O MOSQUITO – 4

 A exuberante fantasia de Arturo Moreno

morenoComo tínhamos prometido, num post recente, também dedicado a Arturo Moreno, eis uma primeira selecção dos seus trabalhos humorísticos publicados n’O Mosquito (anos de 1936 e 1937). Seguindo as pisadas de Cabrero Arnal, outro consagrado autor espanhol, Moreno especializou-se nas historietas com gags de uma página, mas ao mesmo tempo lançou-se em projectos mais ambiciosos, alardeando a sua criatividade numa inolvidável criação — as  trepidantes aventuras de três heróis fora do comum, que logo caíram no goto dos jovens portugueses e espanhóis: Mick, Mock e Muck, pitoresco trio formado por um velho marinheiro, um grumete e o seu cão, que corriam mundo vivendo as mais audaciosas e rocambolescas peripécias.

mosquito-62Na memória dos leitores d’O Mosquito ficou também um histriónico personagem chamado D. Triquetraque, cujos pacatos hábitos citadinos (nem sempre isentos de emoções, como demonstra a página anexa) sofreram uma brusca reviravolta ao tornar-se um intrépido explorador das selvas africanas e de outras exóticas paragens. A aventura, condimentada com um humor satírico e um traço caricatural cheio de expressividade e fantasia, estava sempre presente nas criações de maior fôlego de Arturo Moreno, como Mick, Mock e Muck, Ponto Negro e Garbancito de la Mancha, o primeiro filme de animação totalmente produzido e realizado em Espanha, coroa de glória de uma nova arte europeia que procurava competir, embora mais modestamente, com a “fábrica de maravilhas” de Walt Disney.

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CURIOSIDADES E ANOMALIAS – 5

mosquito-62Aqui têm outro exemplo das trocas e erros de numeração que ocorriam com alguma frequência n’O Mosquito dos tempos heróicos, quando a sua tiragem não parava de crescer, na razão directa da popularidade conquis- tada, desde o primeiro número, entre o entusiástico público infanto-juvenil.

Embora fosse o principal responsável pela direcção gráfica e artística do jornal, António Cardoso Lopes (Tiotónio) não podia atender a tudo, sobretudo na época em que O Mosquito ainda não tinha oficinas próprias. Mas mesmo depois disso, embora a quali- dade de impressão tivesse melhorado bastante, os erros numéricos não acabaram, para arrelia dos tipógrafos e confusão dos leitores, sobretudo dos que já pensavam em coleccionar a revista.

Até Novembro de 1939, como já referimos noutro post desta rubrica, O Mosquito era impresso numa primitiva máquina da Litografia Castro, sita na Travessa das Pedras Negras, em Lisboa (onde funcionava também, para efeitos legais, a sua redacção e administração provisória) —, máquina essa que, aliás, mosquito-62-bisjá não era a mesma que tinha dado à estampa os seus primeiros números, com uma tiragem que orçava entre os 5.000 e os 7.500 exemplares semanais. Mas essa tiragem não tardou muito a atingir o dobro, obrigando a gráfica a utilizar outra máquina maior e mais rápida para não agravar os repetidos atrasos na periodicidade d’O Mosquito (que era, então, distribuído pela Empresa Nacional de Publicidade).

Admira-nos, por isso, que o erro que se detecta entre os nºs 62 e 63, aqui reproduzidos — com capas ilustradas pelo grande artista espanhol Arturo Moreno —, não tivesse acontecido mais cedo. A “gralha”, desta vez, foi apenas de numeração, estando as datas correctas. O que não serve de aviso para os coleccionadores, antigos e actuais, sobretudo para os menos atentos a estes pormenores, que correm o risco de omitir nas suas listas dois nºs 62, ficando assim sempre à espera que lhes apareça um nº 63 que, em teoria, não existe. Pelo menos, até alguém demonstrar o contrário, exibindo um exemplar correctamente datado e numerado… que poderá valer, para os interessados, o seu “peso em ouro”.

GRANDES AUTORES – 2

ARTURO MORENO: O WALT DISNEY ESPANHOL

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Moreno (KKO)Arturo Moreno Salvador (1909-1993) foi uma das maiores revelações da “historieta” na época em que iniciou a sua carreira, encabeçando um ilustre grupo de humoristas que fez escola nas revistas Pulgarcito, TBO, Mickey, Pocholo, KKO, Chicos e outras, e que rapidamente ultrapassou fronteiras. Entre nós, o seu estilo caricatural, moderno (já nos anos 30) e burlesco, roçando, por vezes, o non-sense sem parecer adulto, e as suas histórias recheadas de fantasiosas peripé- cias, tornaram-no também uma referência, fazendo as delícias dos leitores d’O Mosquito, Tic-Tac, O Senhor Doutor, Diabrete e de outras publicações infanto-juvenis.

Esteve presente n’O Mosquito desde o 1º número, com as “formidáveis” e exóticas aventuras de Mick, Mock e Muck (Formidables Trapisondas del Grumete Mick, el Viejo Mock y el Perro Muck), um valoroso trio constituído por um velho taberneiro, um rapaz e um cão, cuja popularidade se manteve durante largos anos — dando origem, em 1947, a quatro pequenos e vistosos álbuns saídos das oficinas gráficas d’O Mosquito com a reedição das suas movimentadas aventuras.

moreno-punto-negro-1No Natal de 1937, Moreno brindou os seus admiradores com outro bizarro personagem chamado Ponto Negro, um borrão de tinta que ganhou vida num dos primeiros álbuns de BD editados em Portugal: Ponto Negro, Cavaleiro Andante (Punto Negro en el País del Juego).

Arturo Moreno apareceu também, de forma mais esporádica, no Diabrete com as suas inimitáveis historietas de uma página, que mesmo sem heróis fixos (salvo raras excepções) divertiam e encantavam os leitores. Muitas delas foram reeditadas, mais tarde, nas revistas O Mosquito (2ª série) e Escaravelho Azul — e também n’A Formiga, suplemento do Jornal do Cuto, criado por Roussado Pinto em homenagem  à Anita Pequenita, outra célebre personagem de Jesús Blasco.

Como exemplo do talento e do singular grafismo de um grande humorista espanhol, apresentaremos brevemente, na rubrica “Os Reis do Riso”, várias páginas publicadas n’O Mosquito durante a década que assinalou o seu período de maior êxito como ilustrador de tebeos, antes de se dedicar ao cinema de animação — género em que deixou também a sua marca como realizador de Garbancito de la Mancha (1945), o primeiro filme europeu de desenhos animados de longa metragem, totalmente produzido em Espanha e que obteve um enorme êxito, valendo-lhe o cognome de Walt Disney castelhano.

moreno-tboA partir dessa data, Moreno dedicou-se a tempo inteiro ao cinema publicitário e de animação, tanto em Espanha como na América do Sul (Venezuela), para onde emigrou em 1948, pouco tempo depois de ter realizado os seus primeiros filmes. Mas a precariedade dos projectos cinematográficos levou-o, várias vezes, a interromper esse percurso, regressando aos tebeos, em revistas como Tricolor e TBO, onde o seu traço continuou a ser sinónimo de humor burlesco e de surrealista inspiração.

Morreu em Espanha, já octogenário, depois de longa carreira, sempre coroada de sucesso, como prova a colaboração que prestou, nos últimos anos de criatividade, à revista Chito, divulgada oportuna- mente em Portugal nas páginas do Jornal do Cuto.

Apesar da indiferença ou da pesporrência crítica com que hoje se encara o passado, em muitos sectores artísticos e culturais, inclusive nos da 7ª e 9ª Artes, a memória da obra e do talento multifacetado de Arturo Moreno continua a suscitar calorosas e significativas homenagens entre os seus compatriotas, numa redescoberta e valorização permanentes dos melhores trabalhos que legou aos fãs do humor (e aos jovens de espírito).

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O MÍTICO NÚMERO 100 (O MOSQUITO) – 2

No historial de qualquer publicação periódica, o número 1 representa o primeiro contacto com os leitores, o arranque para a vida, e o número 100 a consolidação de um longo caminho percorrido (dois anos, no caso das revistas semanais), a passagem do “gatinhar” e dos primeiros passos ainda incertos e hesitantes para uma postura mais firme e confiante.

Por isso, esse número centenário, sinónimo de vitalidade e esperança — em contraste com o significado que tem na existência humana —, é geralmente comemorado de forma sugestiva, ataviando-se com novas galas: cores mais garridas, um novo cabeçalho ou uma bela ilustração que fique na memória dos leitores. Nem sempre todos esses atributos se englobam na mesma capa.

Mas casos há em que o número 100 parece ficar esquecido, sem se distinguir — na correnteza das capas com grafismo sempre igual — dos seus companheiros de jornada, sem merecer sequer dos seus editores uma breve nota de rodapé.

Nos dois exemplos que hoje apresentamos, essas diferenças, a nível gráfico, saltam particularmente à vista: a capa d’O Mosquito nº 100 e a capa homóloga do Diabrete, separadas por cinco anos de intervalo e por outras características estéticas e morfológicas que num exame, mesmo ligeiro, não passam despercebidas, dando vantagem ao Diabrete, com apresentação mais garrida, o mesmo número de páginas (8), mas em formato ligeiramente maior, e um cabeçalho mais decorativo.

Diabrete nº 100Desde logo, caiu no goto dos leitores a vistosa imagem da capa, criada pelo traço fantasista de Fernando Bento, mestre das artes figurativas nacionais, enquanto que O Mosquito se limitou, fiel à rotina que seguia desde os primeiros números, a uma página das viagens de D. Triquetraque, história humorística curta ilustrada pelo notável artista catalão Arturo Moreno.

Verdade se diga que o sumário deste número (como dos anteriores) era de respeito, pois incluía mais três histórias aos quadradinhos, todas de origem inglesa, com destaque para a longa saga de Rob, o juvenil herói de “Pelo Mundo Fora”, magistralmente ilustrada por Walter Booth, e para as animadas peripécias de um irresistível trio de aventureiros, “O Capitão Bill, o Grumete Bell e o Cozinheiro Ball”, criação de Roy Wilson, outro grande nome da BD inglesa. Assinale-se também uma história que ficaria incompleta, “Beric, o Bretão”, passada na antiga Roma, com desenhos (ainda incipientes) de Jock McCail. que foi também um prolífico autor de séries de aventuras. Para completar o sumário, não faltava uma novela policial em episódios, “Rudy Carter, G-Man”, e um conto do Oeste, ambos com assinatura de Raul Correia. E ainda, em separata, uma construção de armar realizada pelo Tiotónio: “Grande Locomotiva” (folha 8, de um total de 17).

Nenhuma revista juvenil, em 1937, oferecia tantas doses de aventura, emoção, audácia, humor e fantasia, por tão pouco dinheiro. Mesmo não tendo nada de especial em relação aos anteriores, esse número centenário valia bem o seu preço: 50 centavos (5 tostões). Registe-se, igualmente, a nota inserida na coluna do correio, rubrica muito apreciada pela maioria dos leitores, devido sobretudo ao cunho inconfundível da prosa de Raul Correia, que, em nome d’O Mosquito, respondia espirituosamente às cartas da garotada. Nessa nota, ao lado de mais um poema do Avozinho, lia-se o seguinte (ampliar a imagem):

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Mosquito 100 pag 4 e 5

Ao requinte gráfico de Fernando Bento, no Diabrete, correspondia, assim, n’O Mosquito, o estro literário de Raul Correia. Um e outro dignos do festivo e simbólico número 100, que ambos — à distância de cinco anos, convém repetir — pretenderam assinalar com maior ou menor exuberância. Verdade se diga, mais uma vez, que O Mosquito preparava um número de Natal digno dos seus pergaminhos. E esse número seria precisamente o 101… como podem ver no post publicado em 31/12/2014.

Voltaremos, numa próxima oportunidade, ao Diabrete, para descrever também, com o devido relevo, o “suculento” sumário do seu nº 100.

CANTINHO DE UM POETA – 7

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Poema de celebração da Primavera publicado no Jornal do Cuto nº 40, de 5 de Abril de 1972, com ilustração de Jobat (José Baptista). Seguidamente, podem ler a 5ª e última parte do artigo de Raul Correia “De Como Nasceu e Viveu O Mosquito”, reproduzida do Jornal do Cuto nº 24, de 15 de Dezembro de 1971.

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Nota: no capítulo anterior, Raul Correia cometeu outros erros de memória (que ele próprio humildemente admitia), como o de atribuir ao desenhador espanhol C. Arnal a autoria do álbum “Ponto Negro, Cavaleiro Andante”, editado pel’O Mosquito no Natal de 1937. A verdadeira autoria dessa obra pertence a outro artista espanhol, Arturo Moreno, que, aliás, também esteve presente em muitas páginas da revista, cabendo-lhe a honrosa distinção de ter criado uma das séries mais aplaudidas nos seus primeiros números: as mirabolantes aventuras do grumete Mick, do velho Mock e do cão Muck.

Também por lapso de memória, Raul Correia não aludiu a outro magnífico álbum publicado pelas Edições O Mosquito, que Arnal se encarregou igualmente de ilustrar: “Viagem Extraordinária do Cão Top”, que chegou às bancas em finais de 1939 e foi coroado de estrondoso êxito como os anteriores.

Também se enganou, mais uma vez, ao considerar que a Colecção de Aventuras, nascida em 1940 e que durou 130 números, teve uma vida mais curta do que o Mosquito Magazine, revista de formato mais pequeno e com um sumário tipo almanaque, que “tinha de tudo um pouco”, mas não passou da meia centena de números.

Nenhum dos lapsos de Raul Correia, que o tempo decorrido justifica plenamente, invalida o mérito e o inegável interesse deste artigo, onde muitos factos pitorescos relacionados com a vida d’O Mosquito e com a carreira do seu director literário — que ficaria para sempre ligado ao nome de um mítico Avozinho — chegaram pela primeira vez ao conhecimento do público.

E tal como ele escreveu no final do artigo, ao evocar a figura de Charlot num dos seus mais belos filmes, “O Circo”, a memória d’O Mosquito não acabou… «como não acabam, nunca mais, os vagabundos, as ilusões e os sonhos»!

ÁLBUNS DE NATAL E PRESÉPIOS D’O MOSQUITO – 2

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Com esta capa, O Mosquito celebrou o seu segundo número natalício, em 16/12/1937. A imagem do Pai Natal e dos seus minúsculos companheiros era baseada numa ilustração do humorista espanhol Arturo Moreno, publicada na revista infantil Pocholo (Natal de 1936).

2013-12-05-22-29-482O arranjo gráfico devia-se a António Cardoso Lopes Jr., o célebre Tiotónio, director artístico d’O Mosquito e criador das impagáveis figuras do Zé Pacóvio e Grilinho, dois “saloios” na tradição dos tipos populares de Raphael Bordallo Pinheiro. Na capa, vêem-se outros heróis da revista, como o Cão Top, de Cabrero Arnal, outro magnífico desenhador espanhol (ao qual também já fizemos referência), D. Triquetraque, caçador de feras, de A. Moreno, e o Capitão Bill, junto da sua equipagem, personagens de origem inglesa criados pelo mestre Roy Wilson (e aqui retocados pelo traço de Tiotónio).

Recorde-se que o segundo director e fundador d’O Mosquito era Raul Correia, prolífico autor de novelas de aventuras (e tradutor de todas as legendas das histórias aos quadradinhos), que assinava também, com o pseudónimo de Avôzinho, uma poética coluna, em prosa e em verso, que lhe granjeou o afecto e a admiração de milhares de leitores fiéis (muitos dos quais nunca descobriram a identidade desse bondoso avô imaginário).

No presente número de Natal, o seu estro poético brilhava com especial fulgor em dois trabalhos alusivos à quadra, como impunha a tradição, nesses tempos em que o texto ainda tinha primazia sobre a imagem: o belo poema “Noite de Natal” e o conto “A Oração das Lágrimas”, que deve ter deixado muitos garotos — pelo menos aqueles que já sabiam ler — com os olhos repassados (de lágrimas) de emoção.

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Na contracapa desse número, bem recheado de histórias inglesas, como Pelo Mundo Fora (de Walter Booth), O Capitão Bill, o Grumete Bell e o Cozinheiro Ball (de Roy Wilson) e Beric, o Bretão, O Mosquito anunciava o seu “presente” de Natal: um belo álbum a cores com a história completa, desenhada por Arturo Moreno, “Ponto Negro, Cavaleiro Andante” (Punto Negro en el País del Juego), oriunda também do Pocholo — obra-prima do surrealismo poético em quadradinhos, plena de inventiva, humor e fantasia, que tinha como protagonista um borrão de tinta transformado em destemido herói de papel. A sua figura surgia também na capa d’O Mosquito, em jeito de reclamo (outra boa ideia do Tiotónio).

Foi uma das muitas personagens — tanto na BD como no cinema animado — que consagraram Arturo Moreno Salvador (1909-1993) como um dos mais criativos e prolíficos autores humorísticos espanhóis da sua geração.

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Outro presente que encantou todos os leitores, sobretudo os mais entusiastas das construções de armar — que nessa época, à falta de outros entreténs, eram o regalo da miudagem, sempre ávida de novidades e passatempos, mesmo os de papel —, foi a separata inserida neste número, com as três partes (ou planos) de um pitoresco Presépio desenhado por Rocha Vieira, colaborador eventual d’O Mosquito, mas copioso ilustrador no Tic-Tac e noutras revistas infanto-juvenis, onde deixou obra de vulto.

Aqui têm também essa rara separata colorida, graças aos bons préstimos do nosso amigo Carlos Gonçalves, a quem agradecemos, uma vez mais, a sua preciosa colaboração.

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