SANTO ANTÓNIO EM PORTALEGRE – COM ANTÓNIO MARTINÓ E JOSÉ GARCÊS

Página do jornal “Alto Alentejo”, dedicada à memorável sessão de homenagem a um grande mestre da BD portuguesa, José Garcês (e a Santo António, padroeiro de Portalegre), ocorrida no passado dia 21 de Maio, naquela cidade alentejana, e em que foi sapiente orador o Professor António Martinó.

Decano da BD portuguesa, José Garcês concretizou em 2016 um dos seus mais antigos projectos, publicando um álbum sobre a vida de Santo António, ao comemorar 70 anos de carreira (iniciada, muito jovem ainda, n’O Mosquito), como autor de uma vasta e multifacetada obra que dignifica não só a Banda Desenhada como a arte da ilustração ao serviço da cultura, do ensino e do património.

Recordamos que uma exposição com pranchas originais desse magnífico álbum está ainda patente no Museu de Santo António, em Lisboa.

IMAGENS DO GRANDE CONVÍVIO D’O MOSQUITO – 2

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Segundo informação de última hora do seu principal organizador, Leonardo De Sá — que se desdobrou em contactos, conseguindo que este ano comparecessem ao almoço quase seis dezenas de convivas —, estiveram presentes nesta tertúlia, realizada em Lisboa, no passado dia 14 de Janeiro (este ano coincidente com a data de nascimento d’O Mosquito), os seguintes “mosquiteiros”, acompanhados, alguns deles, pelas esposas e outros familiares:

Alexandre Correia Gonçalves e Maria da Graça (mãe), Américo Coelho, António Amaral e Fernanda (esposa), António Isidro,  António Martinó Coutinho, António Milhano, Armando Lopes, Baptista Mendes, Carlos Costa, Carlos Gonçalves e Maria da Glória (esposa), Carlos Moreno, Carlos Pessoa, Catherine Labey, Clara Botelho, Diamantino Bravo e Maria Caeiro (esposa), Fernando Cardoso, Geraldes Lino, Guilherme Valente, Helder Jotta, João Reis, João Vidigal e Dolores (esposa), Joaquim Talhé, Joel Lima, Jorge Machado Dias, Jorge Magalhães, Jorge Silva, José Boldt, José Coelho, José Manuel Vilela, José Pires, José Ruy, Leonardo De Sá, Luciano Neves, Luís Monteiro, Luís Simões, Luís Valadas, Manuel Valente, Maria Augusta Gandra Medenha, Mário Correia, Monique Roque, Natania Nogueira, Paulo Cambraia, Paulo Duarte, Pedro Bouça, Rui Batarda, Rui Domingues, Vítor da Silva (e esposa), Zé Manel, Duarte (filho) e Isabel (esposa).

Aqui ficam, para memória futura, mais algumas fotos deste convívio, enviadas por António Martinó, a quem se deve também o vídeo que apresentamos no final deste post, com imagens que bem ilustram o talento de Luís Simões, jovem desenhador que abraçou uma carreira de globetrotter e urban sketcher e já percorreu quase meio mundo.

Reproduzimos também, com a devida vénia, o texto de António Martinó que acompanhou o referido vídeo, ambos patentes no seu excelente blogue Largo dos Correios.

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Dois Artistas

por António Martinó

Quando dois homens do desenho se encontram… Foi no almoço comemorativo dos 81 anos d’O Mosquito, carismático jornal de BD, que José Ruy conheceu Luís Simões. Um ilustrador dos quadradinhos encontrou um traveler illustrator e isso, para além da natural partilha recíproca da amizade, deu no episódio aqui narrado. Foi na tarde do dia 14 de Janeiro de 2017, em Lisboa.
Para conhecer José Ruy basta procurar entre o melhor da nossa banda desenhada nas últimas décadas; quanto a  Luís Simões ele está em World Sketching Tour… e também a percorrer e a desenhar o Mundo. Um e outro valem bem a pena!

 

IMAGENS DO GRANDE CONVÍVIO D’O MOSQUITO – 1

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Conforme anunciámos em devido tempo, realizou-se no passado dia 14 de Janeiro (coincidindo, desta feita, com a data de nascimento d’O Mosquito), o almoço comemorativo do seu 81º aniversário, que reuniu um número recorde de convivas, perto de seis dezenas, num ambiente de festiva camaradagem, como é da praxe, onde não faltaram muitas das presenças habituais, com destaque para os organizadores deste convívio, Leonardo De Sá e mestre José Ruy (um dos mais antigos colaboradores d’O Mosquito, memória viva de um passado glorioso), e outros membros da ilustre grei da 9ª Arte portuguesa.

Eis algumas dessas presenças com quem tivemos contacto mais directo: Baptista Mendes, Zé Manel, José Pires, António Martinó, Mário Correia, Catherine Labey, Monique Roque, Carlos Gonçalves, Geraldes Lino, Guilherme Valente, Jorge Silva, José Boldt, Machado-Dias, Carlos Pessoa, Helder Jotta, Joel Lima, Paulo Cambraia, António Amaral, Américo Coelho, Paulo Duarte, Fernando Cardoso, José Vilela, Joaquim Talhé, Carlos Moreno, Carlos Costa, Luís Valadas, Pedro Bouça, Natania Nogueira, Alexandre Gonçalves, Diamantino Bravo, alguns dos quais acompanhados pelas respectivas esposas e outros familiares.

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A lista é longa e aguardamos que o principal organizador do evento nos envie a relação completa dos convivas presentes para a publicarmos.  

Infelizmente, este ano o almoço decorreu noutro local, devido ao encerramento do Restaurante Pessoa, onde o tradicional repasto da tertúlia O Mosquito se realizou durante os últimos 10 anos (ou perto disso), com geral agrado  dos “mosquiteiros”. Embora bastante mais espaçoso, o Restaurante Sabor Mineiro, localizado na Av. José Malhoa (perto da Praça de Espanha), não possui as características adequadas a um convívio deste género, por ter um ambiente ruidoso (mais próprio de casamentos e baptizados), onde a intimidade se perdeu, com os convivas dispersos por mesas muito distantes umas das outras.

Além disso, como aconteceu connosco, o assédio dos fotógrafos profissionais que nos queriam à viva força “impingir” os seus trabalhos, fazendo uma cara de aborrecimento se os recusávamos, acabou por ser uma das recordações menos agradáveis deste almoço. Enfim, estavam a exercer o seu mester e no direito, portanto, de nos importunarem, porque trabalho é trabalho… mas foi uma “surpresa” com que não contávamos.

Por obséquio do nosso Amigo António Martinó de Azevedo Coutinho (na foto supra, com a historiadora brasileira Natania Nogueira), a quem se deve uma completa reportagem fotográfica deste convívio, apresentamos seguidamente mais algumas das imagens que nos enviou, fazendo votos para que perdurem na memória dos “mosquiteiros” que mais uma vez se reuniram para festejar o aniversário e render homenagem à mais carismática revista portuguesa de histórias aos quadradinhos (como se dizia e escrevia noutros tempos).

A António Martinó, a expressão do nosso reconhecimento e da nossa grande estima.

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Por último, queremos também salientar a presença (pela primeira vez nesta tertúlia) do jovem desenhador Luís Simões, um autêntico globetrotter que já percorreu meio mundo, usando o seu talento artístico para fixar, com inegável mestria, em belíssimos apontamentos de cores e traços impressionistas, que enchem alguns cadernos, as imagens mais exóticas e deslumbrantes dos locais por onde jornadeou.

A ele se deve um magnífico retrato de mestre José Ruy (sentado na mesma mesa), que esboçou diante de nós, com rapidez e perfeição, quase sem levantar os olhos do papel. Talentos assim são raros e merecem todo o apoio de quem de direito (isto é, dos jornalistas, dos editores e de outras entidades culturais), no país onde nasceu.

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Luís Simões faz parte da comunidade dos urban sketchers, espalhada por vários continentes, e viaja sozinho, sem apoios profissionais, a não ser os desses amigos desconhecidos (desenhadores, também) que lhe servem de temporários hospedeiros e de guias turísticos nos países que parecem atrair como um íman o seu espírito irrequieto e a sua ilimitada sede de aventuras e de descobertas, com que expande uma vocação artística que não deseja confinar-se às meras rotinas de uma obscura carreira entre quatro paredes. 

“OS DOZE DE INGLATERRA” – por E.T. Coelho (4)

A Ala dos Namorados (Campos Júnior)Quando José Ruy me informou, há três meses, de uma sensacional novidade, levantando o véu sobre a reedição, pela Gradiva, de uma das obras-primas de E.T. Coelho publicadas n’O Mosquito — nem mais nem menos do que “Os Doze de Inglaterra”, história dada à estampa durante um longo período, isto é, entre os nºs 1201 (27-12-1950) e 1306 (29-12-1951) —, reparei que ele não atribuía a origem dessa magnífica adaptação a Raul Correia (cujo nome, aliás, surge em lugar de destaque), mas a uma obra de António Campos Júnior, drama- turgo, jornalista, oficial do Exército e reputado autor de romances históricos, em especial “A Ala dos Namorados” — que foi vertida também para quadradinhos, no Cavaleiro Andante, em meados dos anos 50, por uma dupla de inegável talento: Artur Varatojo (texto) e José Manuel Soares.

12 Inglaterra Mosq 1285 705Em conversa amena, chamei a atenção de José Ruy para o facto de o enredo desse romance não ter nenhuma ligação directa com o lendário episódio de “Os Doze de Inglaterra”, embora António Campos Júnior dissertasse brevemente, num dos capítulos finais da obra, sobre a proeza de Álvaro Gonçalves Coutinho (que ficou conhecido na História pelo epíteto de “Magriço”) e dos seus onze briosos companheiros de armas. No entanto, José Ruy insistiu na sua tese, visto ter sido amigo e colega de trabalho de E.T. Coelho n’O Mosquito, acompanhando-o assiduamente na época em que ele estava embrenhado na realização desta história. José Ruy, como muita gente sabe, tem uma memória prodigiosa, que nunca comete deslizes… e os seus argumentos são também, em regra, de uma validez a toda a prova. Por isso, enviou-nos um texto a que damos seguidamente a devida publicidade, satisfazendo o seu pedido, a fim de aclarar as afirmações que fez no texto anterior, publicado neste blogue em 18 de Dezembro do ano passado e que podem rever aqui.

“Os Doze de Inglaterra”: obra de Campos Júnior ou de outro autor? – por José Ruy

«Decorria o ano de 1950 e eu mantinha ateliê em Lisboa em parceria com o Eduardo Teixeira Coelho, meu Mestre e dedicado amigo. Nessa altura, trabalhávamos em alguma publicidade e fazíamos as nossas Histórias em Quadrinhos, eu para «O Papagaio», depois inserido na revista «Flama», ele para «O Mosquito», já na sua fase final.

Estava ele a iniciar, então, os desenhos de «Os Doze de Inglaterra», uma narrativa com base num acontecimento histórico ocorrido no século XIV: o pedido de doze damas inglesas para um desagravo por ofensas sofridas de doze cavaleiros seus conterrâneos. E foi pedida a intervenção de outros tantos portugueses para defender as donas ultrajadas, já que em Inglaterra ninguém se atrevia a enfrentar tão aguerridos senhores.

Teixeira Coelho possuía como guião um opúsculo impresso, praticamente um folheto, e falava-me entusiasticamente do seu autor, António Campos Júnior. Na altura, não li a história mas ia acompanhando o trabalho do meu companheiro de estirador, que se prolongou durante um ano. Teixeira Coelho admirava Campos Júnior, não sei se por sentir haver algo em comum com ele.

A Ala dos Namorados - 2-jpgAmbos eram naturais dos Açores e haviam frequen- tado o Colégio Militar, embora o Coelho contra sua vontade. Mas com 70 anos de diferença.

Quando surgiu a oportunidade do meu velho amigo Guilherme Valente reeditar de maneira digna esta História em Quadrinhos pela Editora Gradiva, e de me ter dado a oportunidade de prestar um contributo na recuperação do material, um nome me surgiu à memória, que mantenho rigorosa de toda a forte vivência com o Coelho, para a obra: Campos Júnior.

Pesquisando na Net dados biográficos deste insigne romancista, lá encontrei «Os Doze de Inglaterra» como um dos seus romances. Coincidia.

Mas o meu outro grande amigo Jorge Magalhães, que muito admiro e respeito, ao ter conhecimento desta edição, chamou-me a atenção para o facto de não conhecer na biografia deste autor o título em questão. Fez uma aturada pesquisa e em «A Ala dos Namorados» apenas encontrou uma referência aos intervenientes do torneio, quando já avós, alguns anos mais tarde.

12 de I - Mosquito 1292 956Entrei, então, numa luta entre a minha memória e a realidade que se me apresentou. O Teixeira Coelho falou-me sempre, durante esse ano, de Campos Júnior como autor do romance, a que ele ia acrescentando outros episódios, com a sua fértil imaginação, e o Raul Correia escrevia as legendas em belíssima prosa, a partir dos desenhos completos e inspiradores.

Então, como aparece na Net (que em muitos casos sabemos não ser fiável) esse título atribuído a Campos Júnior? Costuma-se dizer que não há fumo sem fogo; neste caso vemos o fumo mas não conseguimos localizar a chama.

Essa publicação que eu vi e que serviu de base à obra realizada pelo Teixeira Coelho, possivelmente teria tido uma tiragem reduzida, e sem entrar na Biblioteca Nacional, o que não é caso raro, e os biógrafos de Campos Júnior, sem essa presença física, não a teriam incluído no conjunto das obras do escritor. Incógnita.

Assumo, assim, toda a responsabilidade no que respeita à «suposta» atribuição desta autoria, já que o Coelho o afirmava e eu tive esse opúsculo na mão há meio século, mais década e meia. Campos Júnior escreveu realmente, ou não, «Os Doze de Inglaterra», baseado no documento manuscrito em 1550 que narra este episódio histórico? Obrigado, Jorge Magalhães, por me ter alertado, mas continuo dividido».

Os 12 de Inglaterra (págs, do álbum) - 1

Nota à margem: A propósito deste tema, que suscitou a minha curiosidade e que certamente interessará também a alguns leitores que aguardam com natural expectativa a reedição de “Os Doze de Inglaterra”, numa versão totalmente nova da Gradiva, feita a partir de provas originais e não directamente das páginas d’O Mosquito — o que é, à partida, uma garantia de qualidade — quero destacar o valioso trabalho que António Martinó de Azevedo Coutinho, com a sua profunda erudição e o seu permanente desejo de desfazer dúvidas e equívocos, aliando a probidade e o conhecimento ao máximo rigor, realizou no blogue que eficientemente dirige: o Largo dos Correios.

12654220_902723516493237_4320641162970025297_nE esse aturado trabalho de análise e pesquisa sobre “Os Doze de Inglaterra”, a obra-prima de E.T. Coelho publicada na fase final d’O Mosquito, centrou-se também no mistério das suas origens literárias, enumerando alguns recônditos e remotos vestígios, que pacientemente “desen- terrou” das arcas do passado — como poderão verificar no post que aqui indico, permitindo-me recomendar também a leitura dos seis restantes artigos: https://largodoscorreios.wordpress.com/2015/11/24/os-doze-de-inglaterra-ii/

Mau grado a projecção que Luís de Camões deu no Canto VI d’Os Lusíadas ao épico episódio do torneio de Inglaterra em que se distinguiram os doze bravos cavaleiros portugueses liderados pelo “Magriço”, essas origens perdem-se em hipóteses e especulações, sem que se possa ter a certeza da autenticidade da gesta heróica, envolta pelo tempo e pela lenda numa réstia de brumosa fantasia.

Termino manifestando também o meu apreço e admiração a José Ruy pelo empenho com que se dedicou ao restauro deste magnífico trabalho de E.T. Coelho (através de provas de impressão d’O Mosquito), tornando-se um elo essencial no projecto elaborado pela Gradiva — que também está obviamente de parabéns, por ter devolvido ao património histórico da nossa BD, em condições de perfeita beleza, uma das suas maiores obras-primas.

DIA 17: PALESTRAS SOBRE “O MOSQUITO” NA BIBLIOTECA NACIONAL

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Na próxima 4ª feira, dia 17 de Fevereiro, às 17h00, realiza-se uma série de colóquios na Biblioteca Nacional (Campo Grande), que têm por tema o 80º aniversário da mais emblemática revista juvenil portuguesa, O Mosquito, com a intervenção de figuras bem conhecidas pela sua preponderante acção no meio bedéfilo, artístico e cultural, como José Ruy, António Martinó Coutinho, Carlos Gonçalves e João Manuel Mimoso, estes dois na qualidade de comissários da exposição organizada pelo Clube Português de Banda Desenhada (CPBD), em parceria com a Biblioteca Nacional, onde estão patentes vários exemplares d’O Mosquito (1ª série), publicados entre 1936 e 1953, separatas com construções de armar (algumas já montadas), álbuns, suplementos como A Formiga, dedicado às raparigas, e outros ítens raros e curiosos.

A exposição, que pode ser visitada diariamente, de 2ª feira a 6ª feira, entre as 9h30 e as 19h30, e aos sábados das 9h30 às 17h30, encerra no final deste mês.

IMAGENS DE UM ANIVERSÁRIO – 2

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Complementando a curta reportagem apresentada no post anterior, que se ficou a dever à amabilidade do nosso prezado amigo António Martinó, autor das respectivas fotos — e que figura, todo sorridente, no último plano da imagem supra; no 2º plano, vê-se mestre Artur Correia, ao lado da sua esposa —, recorremos hoje à colaboração de outro valioso fotógrafo, Dâmaso Afonso, sempre presente em todos os eventos onde se celebra o culto da BD, dos seus autores, dos seus personagens e das suas revistas mais emblemáticas.

Como O Mosquito, cujos 80 anos de nascimento foram simbólica e calorosamente festejados, no passado dia 16 de Janeiro, num almoço lisboeta animado por mais de meia centena de convivas da velha e da nova guardas, entre os quais várias senhoras, o que não é muito frequente nas reuniões em que a BD e os seus laços com o passado são a tónica dominante. Também nisso O Mosquito continua a ser uma excepção!

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Outro acontecimento marcante desse dia foi o colóquio realizado, pelas 16h30, na sede do Clube Português de Banda Desenhada (CPBD), em que mestre José Ruy abordou o tema “Como eu entrei para O Mosquito”, com a sua invulgar vivacidade de espírito, aliada a uma memória privilegiada, prendendo a atenção da assistência durante cerca de duas horas. Ao ponto de alguns dos presentes lamentarem o fim da palestra, quando chegou a hora de visitar as exposições dedicadas ao aniversário d’O Mosquito e a Eduardo Teixeira Coelho, patentes nas novas instalações do CPBD, como estava previsto no seu programa.

O registo destas fotos pertence, também, a Dâmaso Afonso, a quem enviamos, com um abraço de amizade, os nossos melhores agradecimentos.

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2675Conforme oportunamente anunciámos, realizou-se no passado sábado, dia 16 do corrente mês de Janeiro, o tradicional almoço-convívio d’O Mosquito, organizado por Leonardo De Sá e que teve como anfitrião, repetindo um ritual do agrado de todos, o Restaurante Pessoa, sito na baixa lisboeta, próximo da Praça da Figueira.

Mas como se tratava de celebrar, simbolicamente, os 80 anos da mais carismática revista da BD portuguesa, a afluência de convivas foi tão grande que o repasto já não pôde ter lugar na acolhedora sala do 1º andar, transferindo-se para o rés-do-chão, espaço onde a intimidade e o convívio foram mais afectados, por causa da distância entre as mesas e do próprio ambiente mais ruidoso da sala.

Tanto assim que muitos dos presentes nem chegaram a ouvir os “discursos” da praxe, assinalando condignamente o relevo da efeméride, proferidos por alguns ilustres membros dessa numerosa e grada assembleia (repleta também de veteranos): José Ruy, Guilherme Valente, editor da Gradiva, e António Martinó.

Foi este último quem nos enviou, poucas horas depois, algumas fotos do convívio, as primeiras que publicamos neste blogue, com agradecimentos ao seu autor e nosso estimado amigo, que quis brindar-nos, cordialmente, com uma recordação pessoal do evento, focando-nos com a sua objectiva em muitas dessas imagens.

Passe a imodéstia, escolhemos algumas para memória futura, junto de outros amigos como Zé Manel, João Mimoso, José Vilela, Carlos Gonçalves, Geraldes Lino, Baptista Mendes, Dâmaso Afonso, João Amaral, José Pires, José Ruy, Abílio Pereira e Guilherme Valente.

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As restantes fotos foram tiradas também por António Martinó, no Clube Português de Banda Desenhada (CPBD), onde continuaram, à tarde, as homenagens ao mítico aniversariante, com uma palestra proferida por José Ruy sobre o seu início nas artes gráficas, como colaborador d’O Mosquito, e a abertura de duas exposições que estarão patentes, aos sábados, durante algumas semanas, na sede do Clube: “Tributo a Eduardo Teixeira Coelho” e “Os 80 Anos d’O Mosquito”.

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A ÁGUIA VERMELHA E A TORRE ARRUINADA

Torre de D Ramires 1Já aqui fizemos referência a um notável trabalho do Professor António Martinó de Azevedo Coutinho sobre a espe- cificidade e singularidade das histórias aos quadradinhos como forma narrativa e meio de comunicação verbo-icónico que utiliza simultaneamente o texto e a imagem, adicionando-lhes um conjunto de regras teóricas — trabalho esse publicado em várias partes no seu ecléctico blogue Largo dos Correios, sob o título genérico “O ABC da BD” (podem ver o último post desta rubrica no link http://largodoscorreios.wordpress.com/2014/11/18/o-a-b-c-da-b-d-12-fim/).

Continuando a analisar de forma rigorosa, eloquente e objectiva os processos criativos que participam da génese da chamada 9ª Arte, o Professor Martinó deu-nos outra brilhante lição num anterior artigo desta série, inti- tulado “As Monstruosidades Vulgares”, em que abordou os atentados estéticos, morfológicos e sintácticos de que a BD também é vítima, usando como exemplo uma versão retalhada (e apócrifa) de “A Torre de D. Ramires”, narrativa histórica de Eça de Queirós magistralmente ilustrada por Eduardo Teixeira Coelho, em 1950, nas páginas d’O Mosquito e que, mais tarde, sofreu autênticos vandalismos nas mãos de outros editores — sobretudo nessa versão deturpada, que surgiu na 2ª série d’O Falcão, com o título “O Cavaleiro da Águia Vermelha”.

Como o assunto tem para nós significativa importância — na qualidade de coordenadores deste blogue, dedicado à mais emblemática revista infanto-juvenil portuguesa, e de incondicionais admiradores da arte de E. T. Coelho —. não resistimos ao impulso óbvio de reproduzir, com a devida vénia, mais um magnífico texto crítico e analítico do Professor Martinó, precedendo esse post de algumas notas alusivas ao exemplo citado, que modestamente complementam os seus esclarecidos e pertinentes comentários.

Told in pictures capa 174Nota prévia: O episódio a que o Largo dos Correios faz referência, publicado n’O Falcão nº 365, num formato mais reduzido que o da versão original (respeitada, até certo ponto, no Jornal do Cuto), foi extraído de uma publicação inglesa, tal como a maioria das aventuras que O Falcão apresentou na sua 2ª série. Essa revista inglesa, com 64 páginas e também de pequeno formato (quase idêntico ao d’O Falcão), chamava-se Thriller Picture Libray e já tinha apresentado alguns episódios da série Robin Hood desenhados por E. T. Coelho (assim como por Vítor Péon).

Curiosamente, tanto um como outro iniciaram os seus trabalhos para os editores ingleses com esta caris- mática série, que passou pelas mãos de muitos desenhadores das mais variadas origens, incluindo italianos, franceses e espanhóis. E. T. Coelho chegou mesmo a ter lugar de honra no almanaque Robin Hood de 1957, em que ilustrou um bom número de páginas.

Torre D Tamires 6Na versão estropiada de “A Torre de D. Ramires” (com o título inglês “Knight of the Red Eagle”), onde o texto do Eça foi suprimido e até os nomes das personagens foram alterados, para que toda a acção pudesse decorrer em Inglaterra, verifica-se, além da remontagem das vinhetas e da inserção de numerosos balões, o aditamento de algumas imagens inéditas, cujo traço tem inegáveis seme- lhanças com o de E. T. Coelho (como demonstram amplamente os exemplos anexos).

O que prova que esta história só poderia ter sido publicada em Inglaterra com o seu acordo e que foi ele próprio quem realizou uma série de novas vinhetas, destinadas a preencher alguns “vazios” criados pelos cortes que o episódio sofreu, bem como pela adaptação a um novo formato (de duas/três vinhetas, em média, por página). A drástica redução de tamanho implicou necessariamente o sacrifício de muitas páginas publicadas n’O Mosquito — como a que mais acima reproduzimos, extraída do nº 1115, em que só foi aproveitada a 1ª tira, com um extenso corte lateral.

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O autor da adaptação inglesa procurou ter êxito numa missão impossível: restaurar a unidade e o ritmo da história, depois de tantos cortes, embora tivesse alterado também algumas passagens e o próprio final, em que a agonia de Sweyn (ou o Bastardo) perdeu toda a carga dramática da versão primitiva, na prosa ímpar de Eça de Queirós.

Antologia da BD Portuguesa 21Mas, pelo menos, E. T. Coelho não deixou que os editores ingleses retalhassem os originais de “A Torre de D. Ramires”, pois foi a partir deles que se fez a excelente reedição da Editorial Futura na Antologia da BD Portuguesa nº 21 (em que foi utilizada também a capa d’O Mosquito, com cores de Catherine Labey), mais de quinze anos depois da sua publicação no Jornal do Cuto. E esses originais, completos, tinham ainda anotações em inglês, escritas obviamente pelos responsáveis da referida (des)montagem.

Portanto, O Falcão não cometeu, como era suposto, um crime de lesa-arte, pois limitou-se a reproduzir a versão que apareceu no Thriller P. L. nº 172, de 7/5/1957. Torre D Tamires Falcão capaTudo leva a crer que Mário do Rosário, editor d’O Falcão nos anos 60/70, não sabia que essa história era desenhada por E. T. Coelho e que se baseava numa obra de Eça de Queirós, publicada anos antes n’O Mosquito. Quanto aos leitores d’O Falcão, na sua maioria nascidos noutra época, esses não sabiam, de certeza.

A capa deste número foi ilustrada por José Garcês. Julgo que terá sido um dos poucos a aperceber-se de tamanha “monstruosidade”… como lhe chamou, com toda a justiça, o Professor Martinó!

Esta história foi reeditada n’O Falcão nº 976, com um título mais abreviado, “A Águia Vermelha”, e uma nova capa de Garcês (cujo nome já aparece na ficha técnica). Mas os de E. T. Coelho e Eça de Queirós continuavam ausentes… como na versão do Thriller Picture Library, que procurou apenas “vender gato por lebre”!

Layout 1Nos anos 60 e 70, tais práticas eram comuns por parte dos editores e toleradas pelos próprios autores, cujos nomes, sobretudo na BD inglesa, ficavam sempre na sombra. Só recentemente, há cerca de quatro anos, graças ao apreciável trabalho de uma editora, a Book Palace, e de dois eminentes especialistas dos comics ingleses, David Ashford e Steve Holland, surgiu uma obra (literalmente) de peso, com quase 300 páginas, dedicada ao Thriller e a outras publicações similares, em que pela pri- meira vez foram revelados os nomes de todos os seus colaboradores artísticos e literários.

No episódio em questão, “Knight of the Red Eagle”, com uma sugestiva capa de James McConnell, a sua autoria é atribuída a Eduardo Coelho e a um desconhecido R. Perrins (que reescreveu o argumento, como se a história se passasse em solo inglês, durante a Idade Média). Que comentário teria saído da pena irónica e contundente de Eça de Queirós se este plágio mal disfarçado tivesse acontecido no seu tempo?

Segue-se o post do Largo dos Correios, com algumas vinhetas extraídas do Jornal do Cuto e d’O Falcão, propiciando aos mais interessados uma concludente análise comparativa.

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o A.B.C. da B.D. – X

ABC da BD

Toda e qualquer narrativa servida pelos suportes verbo-icónicos, audiovisuais e multimédia implica a montagem. Esta traduz-se nas operações pelas quais se define e concretiza a maneira de articular espaços e tempos significativos para assim conferir à narração da história o ritmo e efeitos pretendidos.

Se no cinema (vídeo ou DVD) e na informática (powerpoint, por exemplo) estas operações se exercem a posteriori sobre o material já colhido (ou construído), se na televisão (em directo) decorrem em simultâneo com a captação das imagens e do som, pode dizer-se que na banda desenhada a montagem é globalmente concebida a priori, no próprio acto complexo da criação da história.

Portanto, os esquemas morfológico e sintáctico da linguagem BD englobam planos/ângulos/enquadramentos e equilíbrios articulados, paralelamente, entre esta participação icónica e a componente verbal/sonora/simbólica traduzida em legendas, balões ou onomatopeias. Estes elementos participam tanto da organização interna de cada vinheta (morfologia) quanto da articulação entre as vinhetas consecutivas (sintaxe), à semelhança do que acontece com as imagens do cinema e da televisão. Por outras palavras, pode dizer-se que funcionam simultaneamente como sistema (significante) e como natureza (significado).

A organização interna de cada vinheta, a sua articulação na página e, finalmente, na história completa, normalmente em função do álbum a que dará origem, todo esse processo exige uma lógica baseada na integralidade.

Por isso, as posteriores intervenções soltas não previstas originariamente podem desarticular todo o processo, ou, no mínimo, prejudicar o seu equilíbrio.

 AS MONSTRUOSIDADES VULGARES

Parafraseando José Régio, poder-se-á afirmar que o universo dos quadradinhos também apresenta as suas monstruosidades vulgares, pequenas “transgressões” à normalidade criativa e gráfica que constitui, felizmente, a regra geral.

Escolhemos hoje um exemplo, talvez extremo, de uma espécie de “atentado” não muito vulgar, o de estropiar a obra alheia, em cópias (!?) de mau gosto estético, literário e, sobretudo, ético.

Num período já tardio de O Mosquito, pelos anos 50, surgiram nas suas páginas algumas adaptações de obras literárias clássicas de autores nacionais de nomeada, como Alexandre Herculano e Eça de Queirós, devidas à criatividade de um dos maiores desenhadores portugueses de sempre, Eduardo Teixeira Coelho.

Foi o caso de A Torre de D. Ramires, conto de Eça incluído na sua obra A Ilustre Casa de Ramires. Quase um quarto de século mais tarde, o Jornal do Cuto reeditou muitas dessas histórias, entre as quais a referida. Ainda depois, uma outra revista infanto-juvenil de BD, O Falcão, recuperaria a banda desenhada em causa, ainda que disfarçada com outras “roupagens”.

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Atente-se, desde já, às capas que respectivamente assinalam as distintas publicações, com a do Jornal do Cuto respeitando a ilustração original e apenas lhe alterando o colorido, enquanto a de O Falcão consiste numa sua versão livre, “anarquia” plenamente confirmada no próprio título…

Sem comentários, por supérfluos, aqui se deixam cinco pares de vinhetas, respectivamente seleccionadas do Jornal do Cuto (C) e de O Falcão (F), a fim de que possam ser apreciadas as tropelias de toda a ordem cometidas sobre os textos e as imagens, até na “invenção” dos balões que Eduardo Teixeira Coelho nunca usou nas adaptações da obra literária de Eça de Queirós…

10 b 10 c 10 d 10 e 10 f


O ABC DA BD (A EVOLUÇÃO DE UMA ARTE)

António Martinó 2No nosso blogue “irmão”, O Gato Alfarrabista, já nos referimos várias vezes ao magnífico e ecléctico trabalho desenvolvido pelo Professor António Martinó de Azevedo Coutinho desde que aderiu abertamente à blogosfera, criando um espaço de frutuoso convívio cultural no seu notável (sob vários prismas) blogue Largo dos Correios, onde a BD tem tido também lugar de grande destaque.

Cabe agora ao Voo d’O Mosquito registar, com a devida vénia, um desses trabalhos, subordinado ao título “O ABC da BD”, que com exemplos bem elucidativos ilustra várias etapas da evolução da arte sequencial dos quadradinhos, reflectindo também sobre a sua intrínseca afinidade com as artes plásticas (a cor) e o cinema (o movimento).

mick mock e muck054Porque os temas abordados e os exemplos escolhidos, até agora, têm relação próxima com a emblemática revista que patrocinou a criação deste blogue, achámos que a sua divulgação nas nossas colunas seria uma forma de homenagear não só o Largo dos Correios como a própria Arte que o Professor António Martinó tão pedagogicamente cultivou em colóquios, exposições, fanzines, workshops e outras moda- lidades interdisciplinares ligadas aos meios audiovisuais, durante a sua longa carreira docente.

Aqui têm, pois, um desses temas, com a explanação de algumas formas de representar a dinâmica cinética, isto é, o movimento, nas imagens estáticas e a duas dimensões das histórias aos quadradinhos — que carecem das técnicas mecânicas descobertas pelos irmãos Lumière, mas souberam inventar outras, mediante artifícios gráficos que transcendem a imobilidade do traço pela sugestão (e ilusão) do movimento onde ele não existe.

São dois exemplos separados por dez anos de distância: o primeiro, Cuto - castelo do terror091com o pitoresco traço humorístico de Arturo Moreno, publicado n’O Mosquito em 1936; o segundo, com a apurada (e ini- mitável) arte realista de Jesús Blasco, outro célebre desenhador espanhol, criador de uma aventura de Cuto publicada nas mesmas páginas em 1946.

Ao Largo dos Correios deixamos aqui uma larga vénia e a profunda expressão do nosso reconhecimento por nos proporcionar a partilha destes preciosos trabalhos. Aproveitem a “deixa” para aceder nos respectivos links aos outros artigos sobre o mesmo tema.

http://largodoscorreios.wordpress.com/2014/09/28/o-a-b-c-da-b-d-um/

http://largodoscorreios.wordpress.com/2014/10/01/o-a-b-c-da-b-d-dois/

http://largodoscorreios.wordpress.com/2014/10/09/o-a-b-c-da-b-d-quatro/

O LARGO DOS CORREIOS

o A.B.C. da B.D. – três

ABC da BD

A representação gráfica do movimento é um dos grandes desafios colocados aos autores de banda desenhada. Quando estudamos o que foi a evolução dos quadradinhos encontramos exemplos de soluções ingénuas de início, depois mais elaboradas, até conseguir atingir um domínio dessa representação. Hoje, no respeito pelo estilo pessoal de cada criador, existe uma diversificada panóplia de artifícios gráficos, integrados, que resolvem com eficácia a sugestão da movimentação de personagens e acessórios.
Abordando esta interessante questão, e entre a imensidade de pretextos similares, aqui fica uma proposta experimentada com êxito nas abordagens pedagógicas que o ICAV e a iniciação à linguagem da BD me proporcionaram, nos tempos já distantes da prática docente.

OS PARALÍTICOS E OS FRENÉTICOS

O saudoso jornal O Mosquito foi e é referência incontornável no mundo da nossa Banda Desenhada.

Nas suas páginas podemos encontrar, mais do que algumas histórias antológicas, um vasto material dotado do maior interesse para quem pretenda estudar a evolução da linguagem dos quadradinhos, a diversos níveis.

Recordamos aqui duas simples páginas das aventuras de Mick, Mock e Muck e de Cuto, respectivamente assinadas por dois criadores espanhóis: Moreno e Jesús Blasco. A proposta pedagógica consiste em analisá-las sob o ponto de vista da representação gráfica do movimento, sobretudo naquilo onde se inclui o recurso ao signo cinético, ao efeito “Marey” e, ainda, à onomatopeia.

As diferenças são óbvias e ostensivas.

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No primeiro caso, o herói que foge do inimigo cai de uma falésia, precipitando-se sobre as bocarras de esfomeados crocodilos, quando, no último e dramático momento, a âncora salvadora que é lançada de um balão o prende e suspende pelos fundilhos, puxando-o depois até à barquinha…

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No segundo caso, o outro herói foge de um fantasma, correndo depois ao longo de uma perigosa e movediça escadaria, a cujas armadilhas escapa mercê de acrobática cambalhota, para logo de seguida evitar por um triz a súbita queda de um mortal pedregulho…

A sensação de uma paralisante narrativa, a primeira, contrasta com a contagiante dinâmica de um frenético relato, o segundo. Muito mais do que pelo estilo plástico ou pela tradução gráfica do argumento, é pelo uso inteligente e oportuno dos imensos recursos da linguagem dos quadradinhos que se justifica a profunda diferença verificada.

É portanto toda uma crónica demonstrativa da profunda evolução dos processos narrativos e do progressivo desenvolvimento das potencialidades da linguagem específica da BD que aqui se pode apreciar. E avaliar.

O Mosquito, na variedade de estilos, de técnicas, de temas e de autores que juntou ao longo da sua apreciável existência, suscita ainda hoje tanto o prazer inestimável da leitura como o pretexto estimulante da pesquisa e da descoberta.