TERRY E OS PIRATAS (9º E 10º VOLUMES)

Continuando a manter uma regularidade sem pausas, José Pires lançou em Setembro/Outubro mais seis edições dos seus fanzines, com destaque para Terry e os Piratas, a obra-prima de Milton Caniff, cuja reedição integral, quase totalmente inédita entre nós, abrangerá 25 volumes do FandClassics, cada um deles com mais de 70 páginas. O preço, no entanto, não varia, fixando-se nos 15 euros. 

Uma tarefa quase homérica, com a duração prevista de dois anos (!), mas que o incansável José Pires (experiente nestas lides) encara sem preocupações, pois a colecção, de cadência mensal, já vai no 10º volume e o número de assinantes não tem parado de aumentar, proporcionando-lhe a indispensável garantia financeira para um projecto de tão grande vulto.

Recordamos que esta famosa série se estreou em Portugal n’O Mosquito, em 1952/53, mas já na fase em que era desenhada por George Wunder, cujo estilo procurava ser fiel ao de Caniff. Com o fim d’O Mosquito, a sua publicação prosseguiu no Titã e no Mundo de Aventuras, onde passou quase despercebida. As tiras originais com o 1º episódio (1934) só surgiriam na 2ª série do MA, em 1975.

Estes fanzines podem ser encomendados directamente a José Pires, bastando contactá-lo pelo e-mail gussy.pires@sapo.pt

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CONVERSA(S) SOBRE BANDA DESENHADA (COM JORGE MAGALHÃES E CATHERINE LABEY) – 4

JORGE MAGALHÃES (2)

No campo editorial, coordenou ainda livros como “O Mosquito – 60º Aniversário” (1996) e “Vasco Granja – Uma Vida, 1000 Imagens” (2003) e colaborou em jornais como Tintin, Jornal da BD e Jornal do Exército, além de ter sido chefe de redacção das Selecções BD (2ª série), entre 1998 e 2001. Escreveu também um livro com o título “O Príncipe Olaf”, publicado em 1975 na colecção juvenil Galo de Ouro (Portugal Press), a par de conceituados novelistas como Raul Correia, José Padinha e Orlando Marques.

Juntamente com Augusto Trigo (o desenhador com quem mais trabalhou nos anos 80: “Luz do Oriente”, “Kumalo [Ranger]”, “Excalibur”, “Wakantanka”), foi autor do álbum “A Moura Cassima” (Lendas de Portugal em BD, Edições Asa), distinguido em 1992 com o prémio de melhor álbum português, criado nesse mesmo ano pelo Festival Internacional da Amadora. Voltou a colaborar com Augusto Trigo e Catherine Labey no álbum colectivo “Lenda da Moura Salúquia”, publicado no Salão Moura BD em 2009.

Foi galardoado cinco vezes com o Troféu O Mosquito do Clube Português de Banda Desenhada para melhor argumentista, entre 1981 e 1993. Em 1999, recebeu o Troféu de Honra do Festival da  Amadora (que no ano seguinte coube a Augusto Trigo) e em 2002 o Troféu Balanito Especial, atribuído pelo Salão Moura BD. A Câmara Municipal de Moura publicou estudos seus sobre vários temas:

“Carros e Motos na BD” (2001); BD e Ficção Científica – As Madrugadas do Futuro” (2005);O Western na BD portuguesa” (2007); Vítor Péon e o Western” (2010); Franco Caprioli – No Centenário do Desenhador Poeta” (2012)**

** Esta obra teve também edição em formato digital (e-book), pelo GICAV – Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu.

Actualmente, com assistência de Catherine Labey, coordena cinco blogues, que abordam desde a banda desenhada, o “western” e a aventura histórica à literatura popular e ao cinema.  O primeiro, O Gato Alfarrabista, nasceu em 2013.

CANTINHO DE UM POETA – 38

Mudando de registo, da poesia lírica para a crónica com laivos filosóficos, num estilo também muito apreciado pelos seus leitores, Raul Correia focou neste texto — publicado no Jornal do Cuto nº 23, de 8/12/1971 — um tema que é de todos os tempos: a desmesurada vaidade humana que nos coloca no centro do universo, quando não passamos de “pigmeus” à mercê de um destino incerto e transitório.

A ilustração, como habitualmente, deve-se a José Baptista (Jobat), colaborador do Jornal do Cuto desde os primeiros números e que chegou, graças à sua relação de amizade com Roussado Pinto, a ser chefe de redacção, depois de abandonar a Agência Portuguesa de Revista, onde trabalhara durante mais de 15 anos.

CONVERSA(S) SOBRE BANDA DESENHADA (COM JORGE MAGALHÃES E CATHERINE LABEY) – 3

JORGE MAGALHÃES (1)

Jorge Magalhães nasceu no Porto em 22 de Março de 1938. Entre 1959 e 1961, iniciou transitoriamente a sua carreira na Banda Desenhada, escrevendo contos para o Mundo de Aventuras e para O Mosquito (2ª série), editado por José Ruy e Ezequiel Carradinha. Anos depois (1970), publicou também um conto no último número de Pisca-Pisca, revista da MP dirigida por Álvaro Parreira.

Em Maio de 1974, dez meses após regressar de Angola, onde era funcionário público — tendo continuado, em simultâneo, a dedicar-se à escrita, como colaborador, entre 1967 e 1972, de vários jornais e revistas: A Província de Angola, TrópicoABC e O Comércio —, concretizou um sonho de juventude ao ingressar na Agência Portuguesa de Revistas, onde assumiu a coordenação do Mundo de Aventuras (2ª série), MA Especial e Selecções do MA, entre outros títulos de menor importância, permanecendo naquela empresa durante 13 anos, até ao seu encerramento em finais de 1987.

Em 1976, estreou-se como argumentista no Mundo de Aventuras com uma história desenhada por Baptista Mendes, “A Lenda de Gaia”, tendo depois assinado numerosos argumentos para revistas e álbuns (individuais e colectivos), ilustrados por alguns dos principais desenhadores portugueses, como Augusto Trigo, Carlos Alberto, Carlos Roque, Catherine Labey, Eugénio Silva, Fernando Bento, João Amaral, José Abrantes, José Carlos Fernandes, José Garcês, José Pires, José Ruy, Pedro Massano, Rui Lacas, Vítor Péon e outros. Também colaborou com jovens desenhadores que trocaram a BD por outras carreiras, como Irene Trigo, João Mendonça, José Projecto, Ricardo Cabrita e Zenetto. 

Foi fundador e membro directivo do Clube Português de Banda Desenhada, criado em 1976, e coordenou outras revistas de BD como TV Júnior, Intrépido, AventureiroHeróis da Marvel, O Mosquito (5ª série), Almanaque O Mosquito, Heróis Inesquecíveis, etc. Também editou e dirigiu fanzines como os Cadernos de Banda Desenhada (com três séries) e a Colecção Audácia. Traduziu muitas histórias de BD, escreveu artigos de investigação e análise crítica para vários livros, revistas, catálogos, fanzines e suplementos de jornais, e durante os anos 1980 dirigiu colecções da Editorial Futura, como Antologia da BD Portuguesa, Antologia da BD Clássica, Colecção Aventuras, Tarzan, Torpedo, Nova BD, Gente Pequena, etc.

(continua)

“DOM AFONSO HENRIQUES NA BANDA DESENHADA” – GICAV REALIZA EXPOSIÇÃO EM VISEU E PUBLICA ÁLBUM COM HISTÓRIA DE E. T. COELHO

Conforme notícia que atempadamente divulgámos, abriu ao público no passado dia 27 de Agosto, em pleno Pavilhão Multiusos da Feira de São Mateus, a exposição intitulada “Dom Afonso Henriques na Banda Desenhada” — uma organização do GICAV (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu), com o apoio da Câmara Municipal daquela cidade, da Viseu Marca e do IPDJ (Instituto Português do Desporto e Juventude).

Os nossos colegas do BDBD, Luiz Beira e Carlos Rico, estiveram lá aquando da inauguração e fizeram uma reportagem fotográfica deste evento, que pode ser vista no seu blogue: http://bloguedebd.blogspot.pt/2017/09/d-afonso-henriques-na-bd-reportagem.html

Antes da abertura da exposição no Pavilhão Multiusos — segundo informa o BDBD —, teve lugar, mesmo ao lado, num pequeno mas acolhedor auditório, o lançamento oficial do álbum “D. Afonso Henriques – A Balada da Conquista de Lisboa”, narrativa extraída da obra “O Caminho do Oriente”, publicada n’O Mosquito de 1946 a 1948, com texto de Raul Correia e desenhos de Eduardo Teixeira Coelho, cuja capa gostosamente reproduzimos, com a devida vénia ao BDBD e ao GICAV.

A sessão teve início com um curto mas interessante vídeo, onde o numeroso público presente visionou imagens virtuais da nova Arena de Viseu, um magnífico espaço completamente apetrechado para receber eventos culturais e desportivos, que em breve (crê-se que dentro de um ano) tomará o lugar do Pavilhão Multiusos. A cerimónia teve a participação do Director Executivo da Viseu Marca, Dr. Jorge Sobrado, da Presidente do GICAV, Drª. Filipa Mendes, e de Carlos Almeida, coordenador do GICAV na área da BD.

Após o lançamento do álbum, seguiu-se a inauguração oficial da exposição, um conjunto de vinte painéis em grande formato, com exemplos de praticamente todas as BD’s onde a figura de D. Afonso Henriques, o Conquistador, foi retratada por desenhadores de várias gerações, entre os quais, além de E. T. Coelho, Artur Correia, Baptista Mendes, Carlos Alberto, Carlos Rico, Eugénio Silva, Filipe Abranches, Jorge Miguel, José Antunes, José Garcês, José Projecto, José Ruy, Pedro Castro, Pedro Massano, Santos Costa e Vítor Péon.

Vista parcial da exposição, com o painel dedicado a E.T. Coelho em grande plano, à direita, e ao lado o de José Antunes; também em 1º plano, de costas, o desenhador Baptista Mendes, outro autor com participação nesta grandiosa mostra (foto do BDBD).

O REGRESSO DE TOMMY – 8

Como vimos no episódio anterior, Tommy e os seus amigos Sue e “Molho de Carne” conseguiram descobrir o antro dos bandidos que têm o circo sob ameaça, extorquindo dinheiro todas as semanas a Mr. Bingham. Mas o pequeno grupo de “detectives” — a que se juntou Bal, o equilibrista — foi avistado pela quadrilha quando batia em retirada e, na corajosa tentativa de proteger a fuga dos companheiros, “Molho de Carne” acabou por cair nas mãos de Hércules. Este tem agora mais um trunfo para continuar o seu plano de extorsão, sem receio da polícia…

Leiam mais um episódio desta célebre série ilustrada por John Lehti, cujas tiras diárias, correspondentes às datas de 19/12/1947 a 3/1/1948, foram publicadas n’O Mosquito nºs 958 a 961, de 28 de Agosto a 8 de Setembro de 1948.

Nesta fase do popular bissemanário, alternando séries inglesas, americanas e espanholas com um novo trabalho de E.T. Coelho (Lobo Cinzento), a harmonia estética era prejudicada pela caligrafia irregular das legendas inseridas nos balões, defeito que se notava sempre que Tiotónio decidia encarregar um dos seus ajudantes dessa tarefa. Só quando O Mosquito mudou de oficinas (por razões que não vêm agora ao caso), as legendas de Tommy, o Rapaz do Circo e de outras histórias deixaram de ser feitas manualmente.

ENTREVISTA NO DN COM OS AUTORES DE “JIM DEL MONACO”: LUIS LOURO E TOZÉ SIMÕES

Entrevista publicada no prestigioso Diário de Notícias, edição de 21/8/2017, de onde a reproduzimos com a devida vénia ao seu autor, João Céu e Silva, congratulando-nos com esta merecida homenagem a uma dupla incontornável (e inseparável) da BD portuguesa — que se estreou auspiciosamente no Mundo de Aventuras, em Abril de 1985 — e ao seu herói “fetiche”, Jim del Monaco, com mais de 30 anos de carreira, parte dela iniciada n’O Mosquito (5ª série) e nos álbuns da Editorial Futura.