EXPOSIÇÃO RETROSPECTIVA DE JAYME CORTEZ NO FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA (25 DE MAIO A 10 DE JUNHO 2018)

O Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja abre ao público no próximo sábado, 26 de Maio, com vários núcleos espalhados, de novo, pelo centro histórico daquela bela cidade alentejana.

Conferências, conversas com autores, lançamentos de livros e fanzines, sessões de autógrafos, apresentação de projectos, workshops, mercado do livro, concertos desenhados e 20 exposições farão parte do apetecível menú de um evento que se consolida em cada edição.

Estarão representados autores de Angola, Brasil, Espanha (País Basco), França, Itália, Suécia e, evidente- mente, Portugal. Destaque para uma exposição retrospectiva de Jayme Cortez (1926-1987), desenhador português que marcou uma geração de autores, nomeadamente no Brasil, país para onde emigrou ainda muito jovem, depois de ter sido, durante alguns anos, colaborador d’O Mosquito, onde deixou obras de vulto como “Os Seis Terríveis”, “Os Dois Amigos na Cidade dos Monstros Marinhos” e “Os Espíritos Assassinos”.

José Ruy, Cristina Matos, Marco Gervasio, Rossano Rossi e Manuele Fior (italianos), Max Andersson (sueco) e Pierre-Henry Gomont (francês) serão alguns dos autores presentes no festival. A inauguração ocorre na sexta-feira, dia 25, na Casa da Cultura, cerca das 21:00 horas. O Festival encerra a 10 de Junho.

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O REGRESSO DE TOMMY – 10

Depois de ter livrado o circo, com o seu inteligente plano, do bando de malfeitores chefiados por Hércules que provocavam acidentes “azarentos” para extorquir dinheiro a Mr. Bingham, Tommy prepara-se para viver novas aventuras, pois a sua vida é tudo menos monótona, desde que conheceu Sue Graham e abandonou a pequena cidade onde vivia com a irmã para se juntar a um circo itinerante.

A introdução deste episódio, em que o sortilégio do circo, o seu mistério, o seu fascínio, são fielmente evocados, trouxe-nos à memória um livro de Leão Penedo, lido há muitos anos, e o inolvidável filme de Charles Chaplin, ambos com o mesmo título (O Circo) e tendo como tema “as luzes e as sombras” desse mundo estranho e maravilhoso, desse reino da fantasia, onde o imprevisto sempre acontece… mas onde impera a ordem e a organização… e que continua a seduzir e encantar, em toda a parte, gerações de artistas e de espectadores de todas as idades. Porque o circo é tão intemporal e universal como a sua própria magia!

Criada em 28/10/1946 por John Lehti, a série Tommy of the Big Top durou até 11/11/1950, e foi publicada em Portugal n’O Mosquito e no Mundo de Aventuras. As tiras seguintes, com data de 26/1/1948 a 12/2/1948, surgiram nos nºs 969 e 970 d’O Mosquito.

AVENTURAS NA SELVA – 3 (E. T. COELHO)

Página publicada n’O Mosquito nº 601, de 28/3/1945

Mais uma história de aventuras na selva, mas esta desenhada por E. T. Coelho e dada à estampa em 1945 n’O Mosquito, entre os nos 601 e 630. Tratou-se, aliás, da primeira incursão de E. T. Coelho nas histórias aos quadradinhos [de estilo realista, pois já antes publicara algumas “tiras” humorísticas no Engenhocas e na Filmagem], um novo passo, que os leitores saudaram com júbilo, de uma carreira já recheada de êxitos.

Como ilustrador, a sua obra é vasta e variada, dispersa por centenas de números d’O Mosquito, desde meados do ano de 1942, mas foi somente em 1944 que se estreou como autor de histórias aos quadradinhos, com dois trabalhos publicados, não em Portugal mas na revista espanhola Chicos, com a qual O Mosquito mantinha um frutuoso intercâmbio, permutando as ilustrações de E. T. Coelho com originais de Emilio Freixas e as aventuras de Cuto e Anita Pequenita desenhadas por Jesús Blasco.

Essas primeiras histórias aos quadradinhos de E. T. Coelho só apareceram n’O Mosquito em 1946, quase um ano depois de “Os Guerreiros do Lago Verde”, obra que seria também publicada em Espanha, na revista mensal Gran Chicos.

No plano formal e artístico, são poucas as diferenças entre essas histórias  uma delas passada também na selva, com o título “El Hechichero de los Matabeles” — “Os Guerreiros do Lago Verde”, o que nos leva a supor que foram todas realizadas no mesmo período, isto é, sem interrupção, desde 1944 até meados de 1945.

Mas já é patente na última o amadurecimento do estilo gráfico de E. T. Coelho e o seu domínio cada vez mais perfeito do desenho anatómico, que lhe permitia criar cenas de grande vigor e realismo, com ferozes combates entre animais selvagens ou entre aguerridas tribos africanas e exploradores brancos, bem ao gosto dos jovens dessa época, que vibravam com os filmes de Tarzan, o rei da selva, mas poucas vezes tinham visto combates semelhantes revividos nas telas de cinema com tamanha emoção.

Página publicada n’O Mosquito nº 602, de 31/3/1945

STRONGHEART, O CÃO PRODÍGIO

Este artigo do nosso prezado colaborador Carlos Gonçalves é oriundo, tal como os que temos publicado noutros blogues, do fanzine brasileiro Q.I. (Quadrinhos Independentes), editado e coordenado por Edgard Guimarães, conceituado especialista, editor e divulgador das histórias aos quadradinhos (ou quadrinhos) no seu país. A ambos, os nossos melhores agradecimentos.

Strongheart, o cão prodígio do cinema, foi uma das grandes séries publicadas n’O Mosquito, onde alcançou sucesso ainda mais duradouro do que n’O Senhor Doutor, embora alguns episódios fossem repetidos. Mas a mudança de nomes baralhou um pouco os leitores, que nunca tiveram a certeza de que o popular herói canino fosse o mesmo em todas as aventuras que apareceram n’O Mosquito

À grande artista Hilda Boswell cabe o privilégio de ter sido a única mulher a dedicar-se às histórias aos quadradinhos de aventuras, nessa época pioneira da BD inglesa. Nenhum leitor deve ter suspeitado que aquele robusto, dinâmico e vigoroso traço que tanto apreciavam era obra de mãos femininas, dado o anonimato que envolvia os colaboradores da Amalgamated Press e de outras editoras do Reino Unido.

Hilda Boswell ombreou talentosamente com os melhores desenhadores do seu tempo, nas revistas juvenis inglesas, além de ter ilustrado vários livros da famosa escritora Enid Blyton. O seu nome não merece cair no esquecimento, assim como o de G.W. Backhouse e de outros artistas ingleses das primeiras décadas do século XX, cujos trabalhos anónimos foram prolíficamente publicados, com grande êxito, n’O Mosquito e noutras revistas portuguesas da mesma época.

E.T. Coelho dedicou três capas ao episódio intitulado “Ao Serviço da Lei”, que se estreou n’O Mosquito nº 353, pouco tempo depois deste magnífico artista se tornar seu colaborador. A capa do nº 360 foi, aliás, a primeira com o traço de E.T. Coelho a aparecer na revista, inaugurando uma das melhores fases do atraente semanário juvenil, prestes a transformar-se em bissemanário e a encetar mais altos voos.

Na citada aventura, Strongheart (Coração Forte) chamava-se Storm (Tempestade), nome decerto inventado pelo tradutor/adaptador das legendas, ou seja, Raul Correia. Aqui ficam as três capas de E. T. Coelho, referentes aos nºs 360, 367 e 394 (1942-1943).   

MEMÓRIAS À VOLTA DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS (POR JOSÉ RUY) – 1

Iniciamos hoje, com o maior prazer, a publicação de uma série de artigos assinados por um dos nomes mais prestigiosos da BD portuguesa, cuja longa carreira recheada de êxitos já abarca mais de sete décadas.

José Ruy é, de facto, um caso espantoso de longevidade e amor à arte da ilustração, com obra dispersa por inúmeros jornais, livros, revistas e álbuns. Ainda hoje a sua actividade se espraia por vários domínios, incluindo o de autor memorialista, em homenagem, sobretudo, à época de ouro da BD portuguesa, durante a qual aprofundou os seus conhecimentos e o seu virtuosismo artístico, cimentando as relações profissionais e os laços de amizade com outros nomes ilustres da 9ª Arte portuguesa, como E. T. Coelho, António Cardoso Lopes Jr., Raul Correia, Roussado Pinto, Adolfo Simões Müller e muitos outros.

Um dos seus maiores títulos de glória é, sem dúvida, o de ser presentemente o único autor de BD (ou histórias em quadrinhos) dessa época que se mantém ainda em actividade, com uma produção vasta e assinalável, mesmo nos últimos anos.

A José Ruy, que muito nos honra com esta valiosa colaboração, os melhores agradecimentos d’O Voo do Mosquito, um blogue dedicado à emblemática revista onde colaboraram alguns dos maiores mestres da BD portuguesa e onde José Ruy foi também presença marcante, como minuciosamente nos elucida, com a sua prodigiosa memória, nestes primeiros artigos, enriquecidos também com algumas imagens inéditas.

MEMÓRIAS À VOLTA DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS (1)

Por José Ruy

No início da década de 1950, partilhava um atelier com o Eduardo Teixeira Coelho, na Calçada do Sacramento, ao Carmo, em Lisboa. Por essa altura, colaborámos na exposição de Histórias em Quadrinhos, no Palácio da Independência, a primeira feita em Portugal, e eu esboçara uma prancha, como exemplo do desenrolar do processo de trabalho, para estar exposta [que mostramos a seguir].

Repare-se que as primeiras vinhetas estão ainda em esboço, enquanto a última tem já o acabamento a tinta-da-china. A razão disso é para evitar arrastar o lápis, com a mão, sobre as vinhetas inferiores, enquanto trabalho as de cima. Costumo começar o desenho por baixo, da direita para a esquerda, e quando este está coberto a Nankim (tinta da china), sigo para os outros, da última vinheta para a primeira.

Em cada vinheta, esboço ligeiramente a lápis as figuras nas posições que pretendo, e depois utilizo o modelo vivo. Na vinheta 5, só uma das personagens já está desenhada em definitivo. Esta história ficara sem seguimento, pois tratava-se apenas de um exemplo para a exposição.

Mas o tema era o da minha preferência, os animais, e o melhor ambiente para os localizar tinha naturalmente de ser o continente africano. Comecei a desenvolvê-la, com a intenção de a publicar n’«O Mosquito».

Dei-lhe o título de «O Reino Proibido», e a trama do argumento andava à volta de uma tribo da região de África que se opunha à passagem de um caçador pelo seu território, criando uma série de problemas.

Surgira entretanto, havia pouco tempo, a revista «Cavaleiro Andante» e o Coelho, que tinha entre mãos uns trabalhos de publicidade e fizera uma interrupção na colaboração n’«O Mosquito», aconselhou-me a tentar antes publicar a história nessa nova revista, pois como pertencia ao «Diário de Notícias» pagavam melhor a colaboração. Além disso, no «Cavaleiro Andante» fora publicado um pedido da Direcção para que jovens autores levassem histórias desenhadas, de modo a poderem ser publicadas.

Hesitei, mas ele encorajou-me em face do nível já alcançado. Enrolei três pranchas e levei-as à redacção do «Cavaleiro Andante», que era no próprio edifício do «Diário de Notícias», e deixei-as à secretária do Adolfo Simões Müller, o director, para apreciação.

Passadas duas semanas, como não recebesse resposta, resolvi lá voltar, pois pensei que podiam ter perdido o meu contacto. Reparei que o rolo estava no mesmo sítio em que o deixara. Achei estranho que em duas semanas não tivessem a curiosidade de ver o que eu levara. Delicadamente, disse que pretendia acrescentar algo nos originais e se podia levá-los, o que me pareceu ser um «alívio» para a secretária. Trouxe comigo a história, sem vontade de lá voltar.

Também o E.T. Coelho achou estranho esse desinteresse e o destino da história foi mesmo «O Mosquito» [a partir do nº 1335, de 9 de Abril de 1952].

Página de «O Reino Proibido» publicada n’«O Mosquito» nº 1336, de 12/4/1952.

O Raul Correia [director d’«O Mosquito»] ficou satisfeito e, além dessa narrativa ilustrada, fiquei também a fazer capas sobre outras histórias que o jornal publicava, de origem estrangeira. O Coelho nessa altura, como referi, estava ocupado a fazer publicidade, capas de livros e desenhos para o jornal «O Século». Deixara um vazio no velho «O Mosquito» [depois da publicação de «Os Doze de Inglaterra]. O meu papel foi, modestamente, preencher essa lacuna com as minhas parcas possibilidades.

Algumas capas de José Ruy, com destaque para a história «O Reino Proibido». O cabeçalho d’«O Mosquito» também foi desenhado por ele.

DIA 21 DE ABRIL, EM MOURA: HOMENAGEM PÓSTUMA A ARTUR CORREIA

No passado domingo, 15 de Abril, a Câmara Municipal de Moura inaugurou uma exposição de trabalhos de Artur Correia, nome incontornável da Banda Desenhada e do Cinema de Animação, recentemente falecido. Integrada em mais uma edição da Feira do Livro de Moura, a exposição conta com trabalhos originais nunca antes publicados nem expostos ao público.

Por gentileza dos familiares de Artur Correia, dois desses trabalhos (as adaptações dos poemas populares “Donzela que Vai à Guerra” e “A Nau Catrineta”) serão publicados em estreia absoluta em mais um número da colecção Cadernos Moura BD. A mostra, como dissemos, foi inaugurada no passado dia 15, no Parque de Feiras e Exposições de Moura (Pavilhão 2), e encerra a 26 de Abril. Fica, no entanto, aqui uma chamada de atenção (também em jeito de convite) aos interessados, para a data da sessão de homenagem: 21 de Abril, sábado, às 16:30.

Nesse dia se evocará o Homem, o Autor e a Obra, com a presença dos familiares mais próximos e de muitos amigos e colegas de ofício que, desde logo, confirmaram a sua ida até Moura, cidade que Artur Correia tantas vezes visitou, por ocasião do Salão de Banda Desenhada (onde foi “Convidado de Honra” na edição de 1994).

Nota: noticiário extraído do blogue BDBD (http://bloguedebd.blogspot.pt), a cargo dos nossos amigos Luiz Beira e Carlos Rico. Em devido tempo, este blogue publicará a reportagem que se impõe sobre a meritória iniciativa da Câmara Municipal de Moura. Até lá, porque não uma visita à Feira do Livro e à grande exposição de Artur Correia, particularmente no próximo dia 21 de Abril?

“O Voo d’O Mosquito” associa-se também a esta homenagem, recordando que Artur Correia — cuja vasta obra cobriu quase 70 anos — foi colaborador da última série da mais emblemática revista da BD portuguesa, ressuscitada em 1983/86 pela Editorial Futura.

EXPOSIÇÃO “GENTE DA AMADORA – HISTÓRIA E MEMÓRIA ILUSTRADAS”

No próximo sábado, 14 de Abril, pelas 16:00 horas, inaugura-se na Casa Roque Gameiro a exposição intitulada “Gente da Amadora – História e Memória Ilustradas”, uma curiosa mostra sobre personagens históricas da cidade da Amadora (a capital portuguesa da BD), produzida a partir das ilustrações de Nuno Saraiva que serviram de tema à imagem gráfica da última edição do Festival Amadora BD (Outubro e Novembro de 2017).

Entre as personagens representadas, figuram cinco indelevelmente ligadas ao mundo da 9ª Arte: Stuart Carvalhais, António Cardoso Lopes Jr. (Tiotónio), José Garcês, José Ruy e Vasco Granja, todos eles moradores ou naturais da Amadora (e os quatro primeiros colaboradores de uma emblemática revista nascida também nesta cidade, O Mosquito, fundada por Cardoso Lopes e Raul Correia).

A organização é da Câmara Municipal da Amadora. A Casa Roque Gameiro — um dos seus edifícios históricos de mais artísticas tradições — está situada na Praceta 1º de Dezembro, nº 2, Venteira-Amadora, e abre todos os dias, excepto às segundas-feiras e aos feriados.

Contactos: 21 436 90 58 / http://www.cm-amadora.pt