CANTINHO DE UM POETA – 28

CARLOS ALBERTO E RAUL CORREIA

Hoje, em vez da habitual ilustração de Jobat, o poema de Raul Correia (o célebre Avozinho d’O Mosquito) é ilustrado por Carlos Alberto, outro excelente colaborador do Jornal do Cuto, que em 1972 trocou a Agência Portuguesa de Revistas, onde trabalhava há mais de 20 anos, pela Portugal Press, do seu amigo de longa data Roussado Pinto, encetando uma nova fase da sua carreira, em que utilizou com frequência o pseudónimo de M. Gustavo, inspirado pelo nome do seu compositor musical favorito: Gustav Mahler.

Carlos Alberto Santos, assinatura que também se encontra em muitos dos seus trabalhos, deixou o mundo dos vivos no passado dia 1 de Novembro, com grande mágoa de todos os admiradores da sua vasta e magnífica obra como pintor e ilustrador.

Entre os artistas gráficos da sua época  (a segunda “idade de ouro” da BD portuguesa), foi sem dúvida um dos mais talentosos, mas a sua personalidade modesta e reservada impediu-o sempre de ascender ao estatuto de “celebridade”, com que a fama e o reconhecimento público consagraram outros autores da mesma craveira.

Na última fase do Jornal do Cuto (1976-78), Carlos Alberto substituiu José Batista (Jobat) — que regressara à sua terra natal, Loulé, para se dedicar a outras actividades —, como ilustrador dos poemas em prosa e em verso de Raul Correia, com quem, aliás, colaborou assiduamente na editora Amigos do Livro, de onde saíram dois dos seus melhores trabalhos, Histórias do Avozinho e Vida de Jesus, ambos com texto do escritor e poeta que tanto admirava — ao ponto de ilustrar também um dos seus livros de versos: O Comboio de Corda (cuja capa, muito curiosa, exemplo da versatilidade do notável artista, a seguir reproduzimos).

cantinho-de-um-poeta-comboio-de-corda034

Nota: o poema “O Brinquedo Estragado” foi reproduzido do Jornal do Cuto nº 166, de 1/6/1977. A revista, que voltara à periodicidade mensal, suspendeu a sua publicação em Fevereiro do ano seguinte, no nº 174. Roussado Pinto, que editou também, com êxito, o Jornal do Incrível, faleceu em Março de 1985.

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