IN MEMORIAM: CARLOS ALBERTO FERREIRA DOS SANTOS (1933-2016)

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A Banda Desenhada, a Cultura e as Artes Plásticas portuguesas acabam de ficar mais pobres, pois perderam um dos seus maiores valores das últimas décadas…

Com 83 anos, faleceu na madrugada de 1 de Novembro, no Hospital Egas Moniz, onde estava internado há vários dias, devido ao súbito agravamento do seu estado de saúde, o pintor e ilustrador Carlos Alberto Santos, nascido em 18 de Julho de 1933, em Lisboa, e cuja carreira artística começou bem cedo, depois de ter entrado como aprendiz para a Bertrand & Irmãos, apenas com 10 anos de idade. Consolidando essa iniciação nas artes gráficas, trabalhou também na Fotogravura Nacional e no atelier de publicidade de José David. 

O seu enorme talento começou a notabilizar-se noutra empresa de grandes dimensões, a Aguiar & Dias (vulgo APR ou Agência Portuguesa de Revistas), onde colaborou assiduamente desde o 1º número do Mundo de Aventuras, integrando pouco tempo depois o seu quadro de desenhadores privativos.  Embora relativamente escassa no campo da Banda Desenhada, a sua produção como ilustrador é vasta e diversificada, com destaque para a “História de Portugal” em cromos, um grande sucesso editorial, e outras valiosas colecções do mesmo género, assim como para o álbum “Camões – Sua Vida Aventurosa”, editado pela APR em 1972 e anos depois reeditado, a cores, pela ASA.

Foi também autor das mais eróticas ilustrações da BD portuguesa, para a revista Zakarella da Portugal Press, dirigida por Roussado Pinto.
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Mais vasta e rica ainda é a sua obra como pintor, consagrada à divulgação dos grandes heróis e dos feitos mais relevantes da nossa História Pátria. Com efeito, foi a pintura (e só ela) que lhe permitiu exteriorizar a sua verdadeira personalidade artística. As suas telas estão espalhadas por diversas instituições públicas e particulares, como o Museu Militar do Porto, suscitando também o interesse de coleccionadores de todo o mundo.

O funeral de Carlos Alberto Santos realizou-se na passada quinta-feira, às 11h00, no cemitério do Alto de S. João, depois da missa de corpo presente na Igreja do Santo Condestável, bairro de Campo de Ourique (onde o artista casou, em Janeiro de 1959, com a pintora Maria de Lurdes Paes, ainda viva).

Em memória de um extraordinário vulto das artes gráficas e plásticas portuguesas dos últimos 60 anos e de um homem de gentileza ímpar, reproduzimos seguidamente um artigo publicado na revista Temas nº 3 (Abril 2000), em que se evoca o seu percurso, breve mas igualmente extraordinário, como banda desenhista.

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Nota – Tive a grande honra de colaborar com Carlos Alberto, como argumentista, num projecto que me encheu de satisfação (mas que seria a sua última obra em banda desenhada): a história “O Rei de Nápoles”, com 14 páginas a cores, publicada no 4º volume da colecção Contos Tradicionais Portugueses em BD, das Edições ASA (1993).

Na cena de abertura dessa história, de ambiente medieval, propus-lhe retratar uma caçada a um dos muitos animais selvagens que povoavam as florestas europeias desse tempo. Mas Carlos Alberto opôs-se, alegando respeitar, por princípio humanitário, a vida dos animais, de qualquer espécie. E a referida cena ficou assim…
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Infelizmente, os seus problemas de visão afastaram-no definitivamente da BD e até da ilustração, para se dedicar apenas à pintura, onde deixou obras que perpetuam a tradição dos grandes mestres figurativos, honrando o nosso património artístico e cultural. Mas as suas criações para o Mundo de Aventuras, o Jornal do Cuto e outras revistas de banda desenhada também não serão esquecidas!

Nos anos 80, Carlos Alberto foi colaborador d’O Mosquito (5ª série), publicado pela Editorial Futura, onde ilustrou no nº 8 (Setembro 1985) um conto de Lúcio Cardador, intitulado “O Primeiro Caso”; e uma BD publicitária publicada num folheto inserido, como suplemento, no nº 11 (Dezembro 1985). Aqui a reproduzimos, à laia de curiosidade, recordando a breve passagem de Carlos Alberto pela derradeira série d’O Mosquito.

(Para ler melhor esta página em toda a sua extensão, clicar duas vezes sobre a imagem).

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