UMA DATA QUE MERECE SER ASSINALADA

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Ao completar 70 anos de carreira na área da Banda Desenhada, acontece que esta efeméride coincide exactamente com a minha entrada no famoso jornal infantil O Mosquito. Ainda estudante da Escola António Arroio, visitei com o saudoso Mestre Rodrigues Alves as oficinas d’O Mosquito, onde tive o privilégio de conhecer o seu director, o Amigo desde a primeira hora António Cardoso Lopes.

O carinho dispensado na visita viria a confirmar-se quando, em Outubro de 1946, passei a colaborar no jornal que lia desde os oito anos. Soube, mais tarde, que o meu querido Amigo Roussado Pinto tinha também apadrinhado a minha entrada naquele popular bissemanário. Recordo a emoção dos dias que antecede­ram a publicação da minha primeira his­tória, com um título que revelava o fascí­nio que me tinham causado as aventuras de Tarzan e os desenhos do Mestre Burne Hogarth, desenhador americano que vim a conhecer nos anos 80, em Itália, e que foi apresentado pelo Vasco Granja aos dois portugueses presentes, eu e o E. T. Coelho.

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A história «O Inferno Verde», imagina­da por mim, teve o apoio na parte do tex­to desse grande novelista e poeta que se chamou Raul Correia, de quem me lembro com muita gratidão pela amizade e o carinho que sempre me dispensava quando me recebia no seu gabinete de trabalho, no Hotel Avenida Palace.

N’O Mosquito aprendi muito com todos esses amigos e colegas. Mas a vida tem caminhos difíceis e, por isso, o Cortez partiu para o Brasil, o Coelho para França, o Péon para Inglaterra. Eu fiquei, já então na função pública e a trabalhar para vários jornais de Banda Desenhada. Não me encantava a emigração e fui ficando preso à família e ao país. Mas não estou arrependido.

Hoje, quando olho para os meus pri­meiros trabalhos e observo a ingenuidade e as imensas deficiências de alguns deles, nem sempre me lembro de que tinha 18 anos e que a Escola António Arroio não ensina­va desenho de figura. Foi a partir d’O Mosquito que, com o apoio do Mestre Rodrigues Alves e os conselhos de António Cardoso Lopes e Eduardo Teixeira Coelho, iniciei o meu caminho de investigação e estudo, que contribuiu para que hoje seja possível apresentar um balanço positivo ao atingir 70 anos de acti­vidade no mundo da BD.

JOSÉ GARCÊS

Nota: Este depoimento do veterano Mestre José Garcês, que muito nos apraz publicar, devidamente inserido nas evocações dos seus 70 anos de carreira artística, pode servir como intróito da antologia que em breve iremos dedicar-lhe, começando pelo seu primeiro trabalho publicado n’O Mosquito, a partir do nº 762, de 12 de Outubro de 1946: a curta e exótica história de aventuras «O Inferno Verde».

Aproveitamos esta data para endereçar a José Garcês, em nome do nosso blogue, como já o fizemos pessoalmente, as mais jubilosas felicitações pela sua memorável carreira em várias áreas das artes figurativas, incluindo, numa avassaladora percentagem, um dos seus primeiros e maiores amores: as histórias aos quadradinhos. 

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