CUTO, HERÓI DE UMA GERAÇÃO – 2

Cuto, um herói hoje um pouco esquecido, mas que foi um dos meus predilectos e de toda a minha geração (tanto aqui em Portugal, como no seu país de origem, a Espanha), estreou-se n’O Mosquito em 6/5/1944, concretamente no nº 508, com a sua primeira aventura “O Ardina Detective”, oriunda da revista Chicos, onde surgiu no nº 143, de 28/11/1940. Nessa história, Cuto era um simples vendedor de jornais, vivendo pelos seus próprios meios em Nova Iorque, isto é, sem ter aparentemente laços familiares na grande metrópole americana. Graças à sua audácia, à sua certeira pontaria com uma arma e à sua espantosa agilidade, o pequeno ardina conse- guia enfrentar e entregar à polícia uma famigerada quadrilha de gangsters, recebendo, por esse feito, a avultada recompensa de 10.000 dólares!

Só mais tarde, depois de regressar a Portugal (pois O Mosquito, sem se fazer rogado, rebaptizou-o prontamente, chamando-lhe “the portuguese kid), Cuto abraçaria outras profissões, como explorador, piloto de aviões (no álbum inédito em português, “El Pajaro Azul”), desportista, cowboy (por acidente), vendedor de automó- veis… e até repórter de um grande periódico, continuando a viver nos Estados Unidos, mas na costa oeste, em S. Francisco, sem perder a vocação de incansável trota-mundos.

O Mosquito publicou muitas das suas aventuras entre 1944 e 1950, com destaque para “Tragédia no Oriente” e “Nos Domínios dos Sioux”, que os críticos (e também os leitores desse tempo) consideram duas obras-primas da BD espanhola dos anos 40. O último episódio que surgiu n’O Mosquito foi “A Ilha dos Homens Mortos” e só depois disso Cuto “saltou” para o Mundo de Aventuras, onde permaneceu durante algum tempo, sem conseguir o mesmo êxito que obtivera na revista de acolhimento, durante um largo período. Verdade se diga que mesmo em Espanha já estava em queda de popularidade…

Quanto a’O Gafanhoto, pequeno bissemanário criado por António Cardoso Lopes Jr. depois de se ter desligado d’O Mosquito, em finais de 1948, publicou também, a partir do seu nº 21, uma das melhores aventuras da fase intermédia de Cuto, “O Caso dos Rapazes Desaparecidos”, cuja temática policial agradou em cheio aos leitores.

jornal-do-cuto-126Nos anos 70, para o emblemático Jornal do Cuto, Jesús Blasco chegou a desenhar novas histórias com o seu herói, portanto inéditas ainda em Espanha, como foi o caso de Hampa Mundial Inc, terminada por Adriano Blasco, já depois da morte dos dois irmãos mais velhos.

Apresentamos seguidamente mais duas páginas do jornal O Louletano — onde se inseria a magnífica rubrica 9ª Arte, coordenada pelo nosso saudoso amigo José Baptista (Jobat) —, com a continuação da aventura “Cuto em Nápoles”, inicialmente publicada n’O Gafanhoto, entre os nºs 10 e 17, cujas páginas também aqui se reproduzem.

(Nota: para ver as imagens em toda a sua extensão, clicar duas vezes sobre as mesmas).

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