NOTAS DE 30 ANOS DE BANDA DESENHADA – 8

roussado-pinto-foto-aJá aqui evocámos várias vezes a memória de Roussado Pinto, sobretudo a propósito da sua última e épica “aventura” editorial, depois de sucessivos desaires que nunca fizeram esmorecer o seu entusiasmo nem a sua paixão pelo ofício de editor e autor de Banda Desenhada.

Dando um novo passo, ainda mais ousado do que os anteriores (mesmo estando já com 44 anos), sem temer a concorrência, ainda mais forte do que no passado, o dinâmico editor, escritor e jornalista conseguiu finalmente concretizar, no verão de 1971, um dos seus maiores sonhos, criando um jornal com o nome de um herói que ficara indelevelmente ligado à sua carreira, o Jornal do Cuto, e uma empresa com bases comerciais suficiente- mente estáveis, a Portugal Press, responsável pelo lançamento de uma avalanche de revistas periódicas, algumas dignas também de ser lembradas, como as colecções Jaguar, Canguru, Herói, O Grilo, Êxitos da TV, Riquiqui, Enciclopédia “O Mosquito”, Modernos da Banda Desenhada, Pantera Negra, Lince, Galo, Flash Gordon, Spirit, Zakarella, Barbarella, etc, etc.

galo-no4-813Isto só no campo da BD, porque o “desafio” à concorrência foi ainda mais longe, inundando o mercado com inúmeras colecções de livros de todos os géneros, entre as quais se destaca a Galo de Ouro (com larga percentagem de autores portugueses) e a que tinha como mote as aventuras de Tarzan, o Rei da Selva, com a publicação integral (pela primeira vez no nosso país) dos 24 volumes escritos por Edgar Rice Burroughs.

No Jornal do Cuto, cujas páginas dão bem a ideia do eclectismo que reinava no espírito do seu director, juntando histórias clássicas oriundas d’O Mosquito e do Mundo de Aventuras (um pretexto para prestar home- nagem aos seus autores preferidos, como Jesús Blasco, E.T. Coelho, Hal Foster, Alex Raymond e José Luís Salinas) com modernas criações inglesas e americanas, surgiram também duas apreciadas rubricas, 9ª Arte e Notas de 30 Anos de Banda Desenhada, onde Roussado Pinto deu livro curso aos seus conhecimentos teóricos sobre as histórias aos quadradinhos e às suas memórias jornalísticas, desfiando curiosos episódios de uma intensa vida de “faz-tudo” nos bastidores da imprensa.

pantera-negra-no4-814E é evidente o prazer (que sabia sempre transmitir aos leitores) com que se referia pitorescamente a figuras notáveis que conhecera e de quem se tornara amigo, em tertúlias e redacções (como a d’O Mosquito, onde “estagiou” depois do fracasso do seu primeiro projecto editorial) repletas de excelentes colaboradores, cujos nomes e cujas obras foram, graças a si, resgatados do esquecimento (porque a memória dos jovens é curta): Eduardo Teixeira Coelho, Jesús Blasco, Jayme Cortez, Vítor Péon, António Barata, Cardoso Lopes, Raul Correia, Orlando Marques, José Padinha.

No artigo que hoje publicamos, reproduzido do Jornal do Cuto nº 112, de 24/9/1975, Roussado Pinto evoca a redacção de outro periódico onde trabalhou, a revista de actualidades O Século Ilustrado (virada para um público mais adulto), recordando alegres companheiros de trabalho, como Rodrigues Alves, Méco, Baltazar, e as partidas que pregavam uns aos outros, sempre suportadas com fair-play pelas suas “vítimas”… até chegar o momento da desforra!

nota-30-anos-de-bd-8-815

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s