CUTO, HERÓI DE UMA GERAÇÃO – 1

JESÚS BLASCO, O PAI DE CUTO

unnamedEm 2 de Fevereiro de 2009, o jornal “O Louletano”, editado em Loulé e ao  serviço, durante muitos anos, daquela ridente região algarvia, começou a publicar na sua rubrica 9ª Arte, excelentemente dirigida pelo saudoso José Batista (Jobat) — a cuja obra artística O Gato Alfarrabista tem prestado significativas e merecidas homenagens —, uma série de artigos em que evocava a memória de outro grande autor de BD, o mestre catalão Jesús Blasco, e a figura de um dos seus maiores personagens, que ainda hoje perdura no imaginário de muitos leitores que acompanharam as suas aventuras n’O Mosquito e no semanário espanhol Chicos, onde Jesús Blasco se confirmou como um dos grandes valores da moderna historieta, na esteira dos mestres americanos que tanto admirava.

alejandro-blasco-nos-anos-40Esse herói que nasceu modestamente nos tebeos do país vizinho, em páginas de cariz cómico, mas não tardou a tornar-se um dos mais célebres em toda a Península Ibérica, chamava-se Cuto, nome inspirado na alcunha familiar de um dos irmãos de Jesús Blasco, o azougado Alejandro, que também se dedicaria com talento às histórias aos quadradinhos, seguindo as pisadas do primogénito, por quem todos no clã Blasco nutriam uma devoção sem limites. Claro que fisicamente Alejandro não era nada parecido com Cuto, nem sequer tinha o mesmo espírito aventureiro, mas para a história e a lenda dos tebeos ficou para sempre como o seu modelo inspirador. Curiosamente, Cuto surgiu pela primeira vez numa publicação chamada Boliche, cujo título já quase caiu no esquecimento, associado a uma pandilha de garotos travessos. Cuto, Gurripato y Camarilla era o nome (intraduzível em português) dessa série, que teve relativo sucesso nas páginas do Boliche.

Cuto (Boliche)Aliás, foi só noutra revista de popularidade e prestígio muito maiores (nascida em plena Guerra Civil espanhola) que Jesús Blasco encontrou terreno propício para ressuscitar o seu herói humorístico, dando-lhe traços menos caricaturais e dotando-o de uma personalidade tão intrépida e irrequieta que caiu imedia- tamente no goto dos leitores. O êxito e a fama do novo herói do Chicos propa- garam-se como faísca num rastilho,  não tardando a atrair as atenções dos editores de uma revista que em Portugal gozava também de grande popularidade junto do público juvenil: O Mosquito.

Todo esse extraordinário trajecto de Cuto — bem como da fulgurante carreira de Jesús Blasco, que transpôs fronteiras, grangeando um renome crescente em muitos mercados europeus e americanos —, está narrado nos artigos (da autoria de José Antunes e Jorge Magalhães) que hoje começamos a apresentar, extraídos das páginas d’O Louletano onde se inseria a rubrica 9ª Arte, publicada como o resto do jornal a preto e branco.

Gafanhoto nº 10Tal facto era bastante lamentado por José Batista, que tinha plena consciência da desvalorização que sofriam com esse tratamento tipográfico imagens e histórias que tinham sido previamente publicadas a cores.

Por esse motivo, iremos também reproduzir, em simultâneo, as páginas da história “Cuto em Nápoles”, originalmente dada à estampa num almanaque do Chicos (1948) e estreada em Portugal n’O Gafanhoto (1949), revista com que António Cardoso Lopes (Tiotónio) procurou colmatar uma lacuna, depois da sua saída d’O Mosquito.

(Nota: a título de curiosidade, informamos que a versão de “Cuto em Nápoles” que surgiu na 9ª Arte é oriunda do Almanaque O Mosquito 1985, publicado em finais do ano anterior pela Editorial Futura, responsável por aquela que foi a última “reencarnação” da famosa revista criada em 14 de Janeiro de 1936 por Cardoso Lopes  e Raul Correia).

Ao apresentarmos estes artigos, extraídos de um jornal regional que provavelmente muitos dos bedéfilos que nos acompanham nunca leram, queremos recordar a figura de um mítico personagem dos quadradinhos, autêntico herói de uma ou mais gerações, e também prestar homenagem à memória do seu genial criador e de outros grandes artistas, como José Batista e José Antunes, que, ainda muito jovens, foram fortemente influenciados pelas obras que admiravam, com um olhar extasiado, nas páginas encantatórias d’O Mosquito.

Blasco, o pai de Cuto - 1

Blasco, o pai de Cuto - 2

Blasco, o pai de Cuto - 3

Blasco, o pai de Cuto - 4

Cuto em Nápoles 1 e 2 copy

Cuto em Nápoles 3 e 4

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