JOSÉ GARCÊS N’O PAPAGAIO (1948)

Garcês - Papagaio 704 715Esta capa do Papagaio nº 704, que chegou às mãos dos seus leitores em 7 de Outubro de 1948, marca um momento alto da breve colaboração de José Garcês (então ainda nos primórdios da sua carreira) com a revista que apresentou em Portugal um dos maiores heróis da BD europeia.

As saudades de Tintin (que “desertara”, poucos meses antes, com armas e bagagens, para o Diabrete) ainda se faziam sentir, mas O Papagaio procurava minorar essa ausência recorrendo a novos e talentosos colaboradores, como José Garcês, José Ruy, Artur Correia e Vítor Silva, cujos trabalhos deram um aspecto renovado e mais airoso à revista, naquela que seria a sua última fase como publicação independente.

Garcês com cerca de 24 anosAliciado por projectos mais ambiciosos, em jornais como o Camarada e o Lusitas, que reclamavam também os seus préstimos, Garcês passou fugazmente pelo semanário infantil mais antigo e garrido dessa época (em comparação com O Mosquito e o Diabrete), onde publicou apenas duas capas, um conto ilustrado e uma história aos quadradinhos de ambiente western — tema que já explorara com êxito n’O Mosquito, em cujas páginas deu vida a um intrépido cowboy vestido de negro e a outras memoráveis personagens, na dramática aventura intitu- lada “O Segredo das Águas do Rio” (1947).

Garcês - Tonito cowboy pag 5716Mas n’O Papagaio Garcês mudou de agulha, apresentando como protagonista da sua nova história, publicada entre os nºs 704 e 716, um rapazito com cerca de 10 anos (que era a idade média dos leitores da revista) e intitulando-a, a preceito, “Tonito Cowboy”.

Com vários ingredientes do western, aliados a um estilo gráfico que já sabia manipular com perícia a anatomia das personagens e os cenários exóticos onde se desenrolava a acção, Garcês criou uma história de enredo onírico e aventuroso, cujo tema original agradou certamente a muitos leitores.

Embora curto, este episódio merece ser citado como um bom exemplo dos recursos gráficos e narrativos que Garcês já evidenciava no início da sua carreira — apenas alguns meses depois de ter deixado O Mosquito, onde publicou quatro aventuras que se distinguem, a par das de E.T. Coelho, Vítor Péon e Jayme Cortez, entre as melhores criações dessa época com que O Mosquito brindou os seus leitores.

Recordando mais uma efeméride da vida de José Garcês, que festejou no passado mês de Julho o seu aniversário natalício, este blogue felicita calorosamente, em nome d’O Mosquito, o ilustre decano dos autores portugueses de BD, desejando-lhe as maiores felicidades e novos êxitos numa carreira que parece ainda estar longe do fim.

Garcês - Papagaio 714

Conto de José Garcês publicado n’O Papagaio nº 714, de 16/12/1948.

 

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