VISITA À BIBLIOTECA NACIONAL (OU O APELO D’O MOSQUITO OCTOGENÁRIO) NUM DIA CHUVOSO – 2

Biblioteca Nacional - O Mosquito - 1

Prosseguindo as palestras de homenagem ao mítico e octogenário O Mosquito, durante a sessão realizada na passada 4ª feira, dia 17, no auditório da Biblioteca Nacional, o Professor António Martinó de Azevedo Coutinho falou do seu percurso no mundo das histórias aos quadradinhos – como se chamava, então, singelamente, a banda desenhada –, desde a sua infância, em Portalegre, e depois durante os seus anos de acção pedagógica, tanto no ensino primário como nos cursos secundário e superior.

A terminar, rendendo uma justa homenagem ao seu amigo Hélder Pacheco, outro insigne professor e homem de cultura, portuense de gema, leu um texto inédito que prendeu a atenção da assistência, intitulado Há muito tempo, quando éramos pequenos, evocando memórias pessoais de Hélder Pacheco ligadas à mais popular revista infanto-juvenil de outros tempos, adorada por todos os garotos que já andavam na escola.

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É esse magnífico texto (oriundo do blogue Largo dos Correios) que temos o grato prazer de reproduzir também neste post, graças à amável deferência do seu autor e à generosa amizade do Professor António Martinó Coutinho. Para ambos, as nossas afectuosas saudações “mosquiteiras” e os nossos melhores agradecimentos.

 HÁ MUITO TEMPO, QUANDO ÉRAMOS PEQUENOS

Vinha todos os sábados. Aparecia – naquele tempo as pessoas eram pontuais e, nesse capítulo, procuravam dar bom exemplo –, pelas três horas. Mais minuto, menos minuto. Mas, como a combinação do encontro era para as três, nenhum de nós se atrasava. Sabíamos que o tempo fugia e tínhamos programas fascinantes, de antemão discutidos, para gozar as tardes. O meu avô vinha pela Ponte, caminhando ligeiro. Mal o via, deitava a correr para chegar mais depressa à sua beira. Para nos abraçarmos. Para falarmos alvoroçadamente do que tinha acontecido entretanto na cidade. Para, no meu caso, olhar – coração batendo a galope – os embrulhos com presentes que sempre arranjava maneira de trazer (talvez na tentativa de me compensar das ausências que tanto pesavam).

Os presentes! Coisas fúteis. Superficiais. Efémeras. Como a vida que – cada vez mais – é construída assim de factos pequenos. De lembranças. De imagens e sensações escapando pelos interstícios da memória. Coisas fúteis. Por exemplo: caixas de pastéis, saborosíssimos jesuítas comprados no Palace, pastelaria da esquina de Santo António com Sá-da-Bandeira, onde agora está um banco (de dinheiro, não de sentar). Outro exemplo: sacos de rebuçados Vitória com figuras de animais. Ou litografias mal impressas, com figuras de jogadores da 1ª. divisão. O Patalino, do Elvas, o Correia Dias e o Barrigana, do Porto, o Arsénio, do Benfica, e mais cem. Os presentes podiam ser livros. Ou um automóvel de folheta com chave para dar corda. Embalagens de confetis ou serpentinas. A máscara de pierrot daquele Entrudo em que fomos à festa dos Fenianos. A caixa de sapatos atafulhada de santinhos de cascata, vendidos na Rua da Assunção, embrulhados como objectos de cristal, em papel pardo, de mercearia. Uma vez o presente foi um estojo completo, com compasso de prender o lápis, compasso de pontas e transferidor. Tudo artesanal, em caixa de madeira forrada de pano azul. (Sendo o meu primeiro estojo, é mais fácil recordá-lo). Doutra vez o meu avô trouxe um dicionário de bolso, de língua pior do que chinês, e disse que lho tinham oferecido como brinde. E que talvez um dia me fizesse jeito (descobri mais tarde ser alemão e não serviu para nada).

Dos melhores presentes de sempre foi, sem dúvida, o magic roundabout, recém-importado da terra dos camones; quer dizer, um caleidoscópio para onde espreitávamos. Rodando o corpo cilíndrico com figuras estampadas, formávamos fantásticas combinações cromáticas, simetrias absolutas, em movimento, em mutação. E, com as prendas, fossem quais fossem, grandes ou pequenas, caras ou baratas, enrolado e metido no cartucho ou no fio que atava o embrulho vinha “O Mosquito”.

Se não era o mais importante, “O Mosquito” representava a expectativa da mais cobiçada surpresa e ansiedade. Não pelo seu valor – poucos tostões que agora não valiam um suspiro –, mas pela curiosidade de desvendar a continuação dos mistérios que transitavam da semana anterior. Histórias que, mais parecendo sem-fins do que narrativas, atiçavam intrigas, surpresas, descobertas, evasões. Porque não eram histórias contadas normalmente. Como as dos livros da escola primária, cuja leitura apelativa das virtudes rústicas de um país fora do tempo, era, por isso mesmo, pouco didáctica. E sobretudo desinteressante para as nossas ânsias de crescer depressa.

A tal patriotismo de Repartição Pública “O Mosquito” surgia como alternativa dos tempos importantes. Dos tempos vagos da tabuada, das cópias e decalques de desenhos que as nossas avós já tinham realizado e outros requintes frustrantes. (Não quero dizer que a escola daquele tempo, dos “anos da rádio”, de vez em quando, por descuido da ortodoxia, pelo talento de alguns mestres ou pela pressão da vida, não pregasse partidas e rebentasse com as portas do templo. A realidade submergia a sessão de ditado com notícias como o desembarque na Normandia, o grande temporal de 1942 – que arrasou metade dos telhados do burgo –, a vinda a Portugal da selecção da R.A.F., com os ases da época, verdadeiros príncipes futebolísticos. Além de outras ninharias que abalavam a ciência absoluta e imutável. Mas como poderia a cartilha suportar o embate da heterodoxia, o embate das coisas vitais e importantes como as transformações do mundo que “O Mosquito” representava?) Assim, “O Mosquito” era – para nós – a subversão do Sistema. Marcava a diferença entre aquilo que a Escola pretendia que aprendêssemos e o que os nossos sonhos e fantasias nos exigiam que descobríssemos.

Tínhamos, não obstante, por mestre o mais liberal de todos quantos conhecemos. Homem desempoeirado, nunca batia. Mostrava sorrisos simpáticos às falhas da tabuada e – suprema incontenção da burocracia! – mandava-nos às redondezas procurar lenha para, no Inverno, acendermos a lareira da sala da escola. (Porque, naquela altura, os edifícios escolares eram artesanais e com ambiente provinciano, a gente aquecia-se à lareira. Na melhor das hipóteses, queimando a lenha aventurosamente angariada. Os edifícios de agora são pragmáticos e funcionais. Por tal motivo não possuem aquecimento a lenha, ou qualquer outro, considerando que Portugal é país de clima temperado!).

Porém, perante “O Mosquito” até o mestre liberalíssimo que nem obrigava a marchar aos sábados e a fazer continência às visitas, mesmo ele reagia conforme a ortodoxia: histórias aos quadradinhos nem pensá-las, quanto mais vê-las na sala de aula. Mas, valha a verdade, a centelha de sabedoria que as pessoas armazenam sempre é melhor conselheira do que a pedagogia dos dogmas e das normas. Talvez por isso, em pleno exercício de contas no quadro, com a classe concentradíssima nas reacções da vítima cuja sapiência testava, quando algum de nós era apanhado a ver, à socapa, “O Mosquito”, mesmo então a liberalidade do mestre impunha-se. E dizia, sem excluir certa cumplicidade: “Guarda lá as histórias aos quadradinhos, que agora estamos a tratar de coisas sérias!”. A gente guardava-as e ficava o assunto encerrado. Nem sequer, por castigo ou represália – como ocorria noutras salas –, o mestre nos apreendia o jornal ou nos chamava ao quadro para nos esticar. E ainda menos fazia queixa aos nossos pais de que andávamos a ler revistas impróprias. Acabamos por desconfiar de que, pesassem embora as aparências, ele era, às ocultas, admirador d’“O Mosquito”.

Isto porque, um dia, para grande surpresa nossa, fez vista grossa a várias ilustrações de redacções sobre animais nossos amigos. Nelas, subversivamente, tínhamos desenhado cenas dentro de quadradinhos com legendas por baixo. Um de nós – já nem sei se foi o Aranhiço ou o Pigmeu –, mais culto, chegou mesmo a representar personagens de cujas bocas saíam, em balões, as falas. Foi, diga-se, revolução espontânea: alguém se apercebeu de que o vizinho de lado ilustrava o texto não com o habitual desenho, mas com a história em quadradinhos (banda desenhada era, então, nomenclatura estranha e avessa à linguagem da Vitória, da Rua das Flores, ou da Serra do Pilar). Vai daí, para não ficar atrás, o resto da classe, em peso, desatou furiosamente a desenhar quadrinhos resumindo enredos e acções.

Conivente, o mestre não tugiu nem mugiu e até elogiou alguns trabalhos pela graça, o realismo, a maneira como tinham passado das palavras às imagens. Isto segundo palavras que descodificamos mais ou menos: “Podem copiar “O Mosquito”, mas não se ponham aí a lê-lo quando falarmos do que está no livro!”. A partir de tal acontecimento, a subversão instalou-se definitivamente nas ilustrações das redacções, nos cadernos diários, nas sebentas… E sobretudo nas nossas ideias, na maneira como passámos a perspectivar a representação da realidade.

Foi sol de pouca dura. No ano seguinte, o mestre liberal foi transferido. O seu substituto, professor de convicções firmes e austeras, era defensor dos mais altos valores do compêndio e do catecismo. Por tal motivo, não sendo para graças, aboliu aquele modernismo corruptor. Depois disso, desenhos só a copiar vasos e a representar as coisas como elas são (e não como nós sonhávamos que elas eram – ou deveriam ser). E “Mosquitos” encontrados na sala de aula davam cocas atrás da nuca e reguadas nas mãos, posturas de pé ao canto da sala e chamadas ao quadro para fazer divisões (a conta desgraçada). Conforme a infracção fosse estar a lê-los quando o professor explicava, estar a folheá-los em lugar de decorar os tempos dos verbos, tentar copiá-los para ilustrar redacções. Ou, simplesmente, estar a mostrá-los, à segunda-feira, ao vizinho de carteira (que não tinha avô, ou não tinha um avô em estado de graça).

Mas, bem no fundo, o bichinho estava enraizado. E, nos tempos seguintes (apesar de tudo eram de leite e mel pelas descobertas – quase todas as importantes – que, entre os sete e os dez anos, a gente vai fazendo), os meus companheiros e eu, naquela escola de bairro, fomos crescendo na leitura d’“O Mosquito”. Sim, crescendo. Moldando sentimentos. Apurando valores que distinguiam o Bem do Mal. Enaltecendo a amizade e o companheirismo. Descobrindo a aventura. Dando conteúdo ao desejo de explorar o mundo (ainda que fosse o do outro lado da rua). Promovendo a diversidade. E, especialmente, carregando as baterias da imaginação e do sonho com formidável arsenal de motivações e fantasias que a Escola se mostrava incapaz de proporcionar – quando não de compreender.

Tão importantes como o pão na boca e talvez mais actuantes do que as aprendizagens formais que o Sistema nos impunha, as histórias aos quadradinhos e “O Mosquito” constituíram assim verdadeira Escola alternativa. Para aquela geração de citadinos do pós-guerra, evoluindo ao ritmo pré-televisivo e, por isso, pré-massificado, eles representaram possibilidades de estruturação do pensamento modernas e relevantes, em contraposição às normas da pedagogia oficial. (Provavelmente os jovens de agora dirão o mesmo da ligação entre a escola, a vida e os novos mass-media. Mas isso é assunto descabido da cercadura deste preâmbulo).

Quanto devemos àquelas histórias? Muito, certamente. Sobretudo em matéria de factores discretos e íntimos não contabilizáveis nos quadros das taxinomias. Momentos de alegria alvoroçada. Horas deliciosas relendo e treslendo aventuras. Vésperas de Natal a decifrar passatempos e a jogar os jogos do “Almanaque”. Tardes de morrinha a recortar e coleccionar as figuras dos concursos. Magias, emoções, ternuras. E, céus, não foi por isso que perdemos as qualidades de leitores, que aborrecemos os livros ou nos tornámos cábulas, conforme os críticos mais agoirentos dos quadrinhos nos vaticinaram. Já sabem, portanto, o motivo porque, de entre as mais ternas recordações da infância, relembro os sábados à tarde. E “O Mosquito”.

Conhecíamos, do sótão da casa do Aranhiço, a existência do “Gafanhoto” e do “ABC-zinho”. Tinham pertencido ao pai, que guardava alguns exemplares como relíquias. Só os víamos à distância e nem sequer lhes mexíamos. Ainda assim, tais operações exerciam-se às escondidas do proprietário. Da mesma época dessas buscas clandestinas nos sótãos da vizinhança, eram as pesquisas na casa dos Bacelares, na Rua da Paz. Lá tinham guardado “O Senhor Doutor” e “O Papagaio”, dos inícios dos anos trinta e que, mesmo cheios de pó e já amarelecidos, constituíram, aos nossos olhos ávidos de figuras que ultrapassassem as do livro da 3.ª classe, verdadeiros deslumbramentos. Constituíram, digamos, espécie de complemento das lições d’“O Mosquito”. No entanto, esse, embora nascido muito antes de nós, marcaria, de facto – com um suplemento infantil suponho que do “Século”, chamado “PimPamPum!”–, o máximo dos nossos afectos, na aprendizagem daquele meio que, com a rádio, virava do avesso os conceitos de comunicação. E, mais do que isso, vinha influir sobre a mentalidade, os saberes e os próprios comportamentos de uma geração para quem as histórias contadas ao serão e as apologias cívico-patrióticas do livro único, tinham deixado de constituir modos privilegiados de formação (e conformação).

Dos anos d’“O Mosquito” o máximo herói foi, a grande distância dos restantes, o Cuto. Rapaz endiabrado, falava português e protagonizava aventurosos perigos e acções jamais imaginadas no nosso bairro. O Cuto transformou-se, de imediato, em paradigma, em modelo acabado do rapaz destemido que logo adoptámos e passámos a copiar nas brincadeiras dos passeios e dos quintais (o pior era quando alguns tinham de fazer de vilãos, de inimigos. Como todos recusavam, isso descambava, não raras vezes, em sessões de pancadaria. Dignas, aliás, dos quadradinhos das histórias). Por 1944 – citando de memória – apareceram dois foliões que logo classificámos como superiores ao Bucha e Estica (de que eram émulos!) e a quaisquer outros artistas do cinema. Falo do Serafim e Malacueco. Estroinas com tanto de atrevidos como de divertidos, entusiasmavam-nos pela subversão que introduziam em tudo quanto ocorria.

Na mesma altura apareceu Tóino “o Bola de Neve” com a primazia de acrescentar aos nossos horizontes míticos o conceito absolutamente inovador de herói preto. O seu nome, embora estrangeiro, tinha sido convertido, num daqueles trocadilhos sem graça nenhuma que os tradutores sempre tiveram a mania de inventar, em António das Neves – vão lá saber porquê… As aventuras inglesas como as histórias do casal Tom e Nora, em As Ruínas do Mosteiro, vieram alargar as nossas vistas da Rua do Correio com a noção, também inovadora, de que os heróis poderiam aventurar-se em pares de sexos diferentes. Ousadia terrífica em país onde falar de coeducação constituía sumo atrevimento pedagógico!

Da mesma origem eram o Cavaleiro da Máscara Vermelha e a Maria Ninguém. Mas, não há dúvidas, o Cuto sobrepunha-se a todos em enredos, manhas e movimento. E, coisa espantosa, em lugar de conter legendas apenas no rodapé dos quadros, também falava através de balões que lhe saíam da boca. Verdadeira descoberta que nunca tínhamos presenciado! Outros heróis apareceram a atenuar aquelas primeiras emoções: o Capitão Meia-Noite e sobretudo os Jorge e Segismundo pedalando pelo Mundo, tradução caseira do título original.

Nesta fidelidade a “O Mosquito” fomos crescendo, na minha rua, casa sim, casa não. E nem mesmo o “Diabrete”, outro companheiro nos primeiros exercícios de ver e soletrar imagens e palavras e forte concorrente daquele, conseguiu abalar a nossa convicção de jamais deixar de ler “O Mosquito”. De jamais – e isto com juras e promessas encarniçadas – considerar outro herói superior ao Cuto.

Ai, mas a vida é corredoiro, é aragem efémera. Passa, modifica-se – e modifica-nos – continuamente. Umas vezes para melhor, outras para pior (quem poderá fazer a escolha?). A vida pregou-nos uma partida: a mim, ao Aranhiço, ao Pigmeu, ao Xá da Pérsia, ao Reisinho, à Glória, ao Tenente (companheiros de seita como podem calcular, seitas que, na altura, eram donas das ruas da cidade. Ruas para brincar, jogar, conviver e não para a dominação das solidões motorizadas). Pregou-nos a partida de, na fase das dúvidas e auto-afirmações a imitar os adultos, nos pôr diante dos olhos o último grito em histórias aos quadradinhos: “O Mundo de Aventuras”. Trouxe com ele seduções não já de ingénuos enredos infantis, na maior parte dos casos com legenda por baixo, mas de desenhos excitantes, cheios de sinais e onomatopeias. Com balões saindo da maioria das bocas. Repletos de aventuras prodigiosas e violentas com riscos permanentes para os artistas. E esquecemos as promessas de fidelidade…

Quando o Tim-Tim surgiu – em álbuns magníficos –, tínhamos perdido a inocência e os encantamentos da leitura no passeio, à roda d’“O Mosquito”. O Tim-Tim foi herói tardio, herói intelectual das nostalgias adultas em guardar os pedaços que se dispersavam dos anos mágicos de quando éramos pequenos. E, pormenor significativo, nunca mais dissemos histórias aos quadradinhos (a partir de certa altura começou a parecer mal, a não soar a fino, designar tão puerilmente a banda desenhada!).

Agora, olhando para trás e revendo estes anos de contínua devoção aos quadradinhos animados, não restam dúvidas – pessoalmente não as tenho – da sua importância para dar corpo à nossa apetência de felicidade. Não (me) restam dúvidas de quanto lhes devemos, a geração daquela Era anterior ao vídeo e à caixa com histórias dentro que mudou o mundo. Dívida de gratidão. De ternura e simpatia pelos momentos de ventura infinita preenchendo horas. Pela jovialidade dos heróis cómicos e pobres. Pelas janelas abertas sobre as coisas e sobre os outros. Pelos clubes de amigos. Pela nova forma de pensamento (visual) que adquirimos. O que seríamos nós, a geração anterior à revolução da imagem, sem a banda desenhada a oferecer-nos a ponte, a transição para o futuro (que, sem darmos por isso, se transformou em presente)?

 HÉLDER PACHECO
in PREFÁCIO para BD: o MUNDO dos QUADRADINHOS (1988 – inédito) 

 

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