NÚMEROS, PRESÉPIOS E CURIOSIDADES DE NATAL – 4

pluto-natal-5

Este número especial d’O Pluto, comemorativo do Natal de 1945, é bem nutrido de páginas (trinta e duas) e de ilustrações de Vítor Péon, que o recheiam de uma ponta à outra.

Diga-se de passagem, para quem não souber, que este prolífico artista, então com 22 anos — cuja carreira na imprensa infanto-juvenil começara pouco tempo antes, e logo na revista mais famosa desse tempo, O Mosquito —, era a “mais valia” d’O Pluto e do seu director artístico e editor, o também jovem e dinâmico José Augusto Roussado Pinto, que apesar dos seus “verdes” 18 anos, acalentava o homérico projecto de fazer concorrência ao Mosquito e talvez, se os deuses e a sorte o ajudassem, superar até o seu êxito.

assim-é-feito-o-pluto-2-346

Para isso, contou com a ajuda dos tipógrafos e de outros trabalhadores gráficos da Imprensa Barreiro, sita em Lisboa (a quem O Pluto prestava uma homenagem fotográfica nas páginas centrais desse número), mas sobretudo de Vítor Péon, que foi o autor de mais de 80% das histórias aos quadradinhos publicadas na revista e de quase todas as ilustrações que guarneciam as suas páginas, desde as capas aos textos e às rubricas mais variadas. Exceptuando o primeiro número, que contou com uma capa e um conto ilustrados por António Barata, todos os créditos artísticos no que respeita à produção nacional pertencem exclusivamente a Vítor Péon e ao seu prodigioso e rotineiro esforço criativo (sem quebra notória de qualidade), que já nessa altura começava a pedir meças aos talentos de E.T. Coelho e de outros grandes desenhadores da época, mesmo com estilos muito diferentes do seu, como era o caso de Fernando Bento.

pluto-roubo-e-crime-3-balas2

Só para dar uma ideia da volumosa produção de Péon, contabilizam-se neste número de Natal as seguintes histórias em episódios com a sua assinatura, abordando os mais distintos temas: de âmbito aventuroso, “Dick, Terry e Tom no Reino Selvagem”, “Roubo e Crime”, “Três Balas”; e em estilo cómico (género que ele também muito apreciava), “Furacão e o Seu Cavalo Trovão”, “Fitas Sonoras”, “Felizardo, o Rei do Azar” e “As Aventuras de Zé Nabo e Zé Bolota”. Por opção editorial, a fim de dar mais uniformidade à revista — e talvez, também, para imitar O Mosquito —, todas tinham legendas didascálicas.

pluto-trovão-e-felizardo1

Além desta proeza, num total de onze páginas, Péon conseguiu ainda tempo para ilustrar outros assuntos, incluindo três novelas assinadas por Jomar (pseudónimo de Orlando Jorge B. Marques, outro prolífico colaborador que Roussado Pinto foi “roubar” ao Mosquito),  com os títulos “Os Planos H.P. 202”, “O Crime do Lucky Night” e “Hoje não, Joe!”, esta última de tema natalício. Até a página de abertura — com a tocante epígrafe “Mãezinha que estás no Céu!…” (capaz de derreter o coração dos leitores de mais tenra idade), em que, sob o “disfarce” de Velho Augusto, o jovem Roussado Pinto pretendia imitar o Avôzinho Raul Correia — foi também ilustrada a preceito por Péon, como seguidamente mostramos.

pluto-mãezinha-hoje-nc3a3o11

A fértil criatividade destes dois activos e talentosos colaboradores, cujo entusiasmo e dedicação à “causa” transparecem em todos os números d’O Pluto, não teve paralelo em nenhuma revista infanto-juvenil dessa época, mesmo destacando o papel de Fernando Bento e E.T. Coelho nos quadros artísticos d’O Mosquito e do Diabrete, os dois grandes rivais com que O Pluto garbosamente se batia.

O valoroso despique não teve desfecho feliz para Roussado Pinto, que viu os seus sonhos esfumarem-se ao cabo de 25 números; mas esse “fracasso” inicial não o impediu de voltar à liça pouco tempo depois, primeiro aliando-se a Cardoso Lopes e a Raul Correia n’O Mosquito — onde criou concursos e conseguiu introduzir as primeiras HQ’s de origem americana —, depois passando para as fileiras do recém-chegado Mundo de Aventuras, na companhia do seu inseparável amigo e “braço direito” Vítor Péon.

pluto-presépio 5

A capa deste número d’O Pluto, com o tema do Presépio (que Péon voltaria a retratar noutras imagens natalícias) serviu de mote à magnífica separata em folha dupla que a revista ofereceu como brinde aos seus leitores — como se já não bastassem todas as outras atracções por um preço quase simbólico de 1$50 escudos —,  num ano em que O Mosquito se engalanou também com (mais) um Presépio de E.T. Coelho.

Nos nºs 7 e 8 d’O Pluto vinham inseridas as restantes folhas deste Presépio de Vítor Péon, que temos o privilégio de reproduzir integralmente no nosso blogue, 70 anos depois da sua publicação naquela raríssima e apreciável revista.

E, como já estamos a poucos dias do Natal, aproveitamos este ensejo para endereçar, em nome d’O Voo do Mosquito — um blogue dedicado à mais emblemática revista da BD portuguesa —, os melhores votos de BOAS FESTAS a todos os nossos leitores e amigos.

prc3a9sc3a9pio-2-a

prc3a9sc3a9pio-31

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s