E.T. COELHO: DESENHAR ATÉ AO FIM – 1

Título da história

ET Coelho no seu atelier 616Falecido em Florença (Itália), com 86 anos, o grande desenhador Eduardo Teixeira Coelho (ETC), a cuja memória o nosso blogue tem prestado a devida e merecida homenagem, deixou algumas histórias inéditas, que provavelmente nunca serão do conhecimento dos seus inúmeros admiradores espalhados por todo o mundo. Felizmente, um desses trabalhos — embora realizado, como tudo indica, já na fase derradeira da sua vida —, acabaria por ser publicado no nº 10 da nova série da revista francesa Pif Gadget, que por singular coincidência saiu em 27 de Abril de 2005, cerca de um mês antes da sua morte.

É a 1ª parte dessa história intitulada “La Loi des Terres Sauvages”, com um tema que recorda “Ayak, le Loup Blanc”, uma das melhores criações de E.T. Coelho, Ayak 2publicada também no Pif Gadget (e em Portugal na 2ª série do Mundo de Aventuras), que apresentamos hoje aos visitantes deste blogue.

Ao longo de 56 episódios, Ayak contava a história da extraordinária relação entre um lobo solitário e uma rapariguinha recém-chegada com o seu pai ao território do Yukon, durante a grande corrida ao ouro, no final do século XIX — uma relação baseada na amizade e na confiança, que o selvagem instinto de Ayak sobrepunha ao temor e à hostilidade que sentia pelos homens brancos armados com o “pau que troveja”, causador de sofrimento e de morte.

À maneira de Jack London, o célebre escritor norte-americano que dedicou muitas das suas obras ao Alaska e ao chamado Wild North, os episódios de Ayak exploravam grandes temas como a vida e os hábitos dos animais selvagens, o equilíbrio eterno e sagrado que rege a natureza, as secretas regras da luta pela sobrevivência — que se encontram igualmente retratados em “La Loi des Terres Sauvages”, numa espécie de testemunho nostálgico do autor de “A Lei da Selva” (célebre história naturalista de E.T. Coelho publicada n’O Mosquito, em 1948, e que este blogue em breve divulgará também, como já foi anunciado).

Uma chamada de atenção para o texto de Jean Ollivier, seu velho compagnon de route, falecido poucos meses depois (30 de Dezembro de 2005), como que a comprovar o aforismo “unidos na vida, unidos na morte”.

M A 400 602O traço menos firme que alguns pormenores da história revelam — efeito, porventura, da idade e das doenças que atingiram o veterano artista nos últimos anos de vida —, não diminui nenhuma das qualidades que sempre caracterizaram o seu trabalho: beleza das linhas e da composição, movimento, harmonia, expressividade da estética narrativa e sobretudo, como neste caso, a perfeição e a elegância das formas anatómicas de todos os animais, que parecem retratados ao vivo, como se o desenhador, em vez da pena e do pincel, usasse com suprema eficácia a câmara de um realizador de documentários sobre a vida selvagem! Tal como em “Ayak, le Loup Blanc”, os lobos são os protagonistas desta história desenrolada nas florestas do Grande Norte, noutra evocação dos cânticos da Natureza que perpassam pelas novelas e pelos contos de Jack London.

Aqui têm, pois, a 1ª parte de “La Loi des Terres Sauvages”, história que será concluída, em breve, com as restantes seis páginas ilustradas por E.T. Coelho, já no termo da sua carreira. Desenhar até ao fim foi sempre o seu lema favorito e o seu principal testamento!

La loi des terres sauvages - 1 e 2

La loi des terres sauvages - 3 e 4

La loi des terres sauvages - 5 e 6

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