RAUL CORREIA, TRADUTOR PARA TODO O SERVIÇO (1)

R Correia - 3 cavaleiros da planície 435Para o nosso arquivo de (saudosas) memórias, aqui ficam algumas capas de cinco peculiares colecções da Agência Portuguesa de Revistas (APR), com aventuras de cowboys, que fizeram as delícias, durante largos anos, dos inúmeros apreciadores do género: Búfalo e Arizona, ambas estreadas em 1951, e Pólvora, Bravos do Oeste e Zane Grey, que nasceram quase uma década depois. Pormenor curioso: todos estes livros tiveram tradução de Raul Correia — sim, do próprio director e fundador d’O Mosquito, em cujas páginas deixou, ao longo de 17 anos, um vastíssimo repertório de contos, novelas, histórias aos quadradinhos e poemas de fino quilate (como já referimos várias vezes neste blogue).

Aliás, Raul Correia (1904-1985) foi também um prolífero tradutor e colaborou activamente, nessa função, com a Verbo, a Europa-América, a Ulisseia, a Íbis, a Portugal Press, a Pórtico e outras editoras. Por isso, não admira que o seu nome apareça também na enxurrada de colecções populares de proveniência espanhola com que a Agência Portuguesa de Revistas inundou o mercado, durante décadas a fio.

Sangue Negro (Arizona 67) e O pistoleiro e a corda

“Sangue Negro” (Sangre negro), Col. Arizona nº 67 (1962); “Numa Só Carta” (A una sola carta), Col. Pólvora nº 49 (1962); “O Pistoleiro e a Corda” (El pistolero y la soga), Col. Búfalo nº 120 (1964); “Os Dois Evadidos” (Doble fuga), Col. Pólvora nº 118 (1968): “Um Traidor no Rancho” (Dos brutos y medio), Col. Bravos do Oeste nº 41 (1968), são alguns dos exemplos que conseguimos encontrar, entre as muitas obras que Raul Correia traduziu, fosse qual fosse o seu género, com assinalável brio profissional.

É claro que os nomes ingleses que ornamentam as capas destes livros — como O. C. Tavin, Lou Carrigan e Richard Jackson — são todos fictícios. Trata-se de meros pseudónimos criados por autores espanhóis de fértil imaginação e mediana craveira literária.

Sangue Negro rostoa+uma só carta

“Três Cavaleiros da Planície” (Raiders of Spanish Peaks), obra traduzido do original inglês, figura num dos géneros considerado mais prestigioso dentro da literatura western, dado o renome e o talento do seu autor, e foi publicada em 1961 no 21º volume da Colecção Zane Grey, com capa de Carlos Alberto Santos — projecto que pertencia a uma linha editorial mais ambiciosa, destinada a marcar a diferença com as edições espanholas em formato de bolso, numa época em que a APR queria ir mais longe, demarcando-se desse tipo de formato popular para conquistar novos e mais diversificados públicos. Ao assunto voltaremos noutra oportunidade e noutro espaço, isto é, na nossa Montra dos Livros.

R Correia - Os dois evadidos + traidor no ranchojpg

Nota: Aproveitamos este apontamento sobre uma faceta menos conhecida de um grande pioneiro da BD portuguesa e mentor literário de uma geração de exímios novelistas formada na escola d’O Mosquito, para anunciar a próxima publicação neste blogue de mais uma série de artigos homenageando a memória e a obra de Raul Correia, recheados de curiosos factos da sua vida particular. Trata-se de um precioso testemunho biográfico, que foi redigido pelo seu neto Alexandre Correia Gonçalves e amavelmente posto à nossa disposição, o que muito honra e sensibiliza O Voo d’O Mosquito.

 

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