OBRIGADO, LARGO DOS CORREIOS!

António Martinó 2Pequenino ainda, só com um ano e poucos dias de vida, O Voo d’O Mosquito sabe que já tem muitos amigos e ficou profundamente honrado e sensi- bilizado com o comentário de um dos mais próximos, o Professor António Martinó de Azevedo Coutinho, vindo a público no magnífico blogue Largo dos Correios, que ele dirige com invulgar zelo e sapiência, debatendo primorosamente, em textos que dá gosto ler (e reler), assuntos dos mais variados matizes, didácticos, culturais, artísticos, sociais, regionais, desportivos, onde não falta um tópico que cultiva com particular afecto desde a sua infância: as histórias aos quadradinhos.

Sem qualquer espécie de fútil vaidade, apenas num gesto de apreço e gratidão, não resistimos a transcrever, para conhecimento de quem por aqui passa, esse post que nos foi dedicado no próprio dia do nosso aniversário, sublinhando a peculiar ironia do Professor Martinó, em cujos artigos temos desfrutado muitos momentos de bom humor, a par de um deleite estético e literário (hoje cada vez mais raro) que nasce da arte de bem escrever — como também é apanágio do nosso ilustre Amigo, mosquiteiro de alma e coração.

Largo dos Correios, Portalegre

 

O (novo) voo d’O Mosquito

omosquito 1

Não há vacina para esta doença. O bicho pica-nos e a gente adoece. Não se nota a febre mas a infecção ataca-nos a cabeça. Ficamos a viver num outro mundo e as coisas agravam-se se os pacientes não fizerem um esforço para dele se desligarem. É que este mundo real, onde somos forçados a viver, é bem pior do que o outro, virtual, resultante dos efeitos da picada. Não é droga mas parece…

E, como o tratamento nunca resulta eficaz, há perigosas recaídas. Sobretudo quando o bicho encontra quem ajude a disseminar a sua acção. Quase na clandestinidade, usando velhos arquivos e a memória, há quem ressuscite o período mais grave do contágio, acontecido há décadas. E a verdade é que também há quem goste de sofrer desta doença, em masoquismos difíceis de entender a quem está de fora.

Chama-se Jorge Magalhães o responsável e dispõe de uma fiel cúmplice nestas andanças, de nome Catherine Labey. Bem mereceriam um daqueles cartazes do “procuram-se vivos ou mortos”, com adequada recompensa. Já agora, de preferência vivos e por muitos anos, com saúde e vontade para prosseguirem a sua missão “anti-sanitária”, a de manterem actualizada a “epidemia”. Que o senhor ministro da Saúde não venha a ter conhecimento desta perigosa e anti-social proclamação, porque estou a adivinhar-lhe uma portaria nos lugares do estilo, aconselhando o uso de ecológicos insecticidas e de redes mosquiteiras. É que nos anos cinquenta do passado século, uns seus similares também tentaram fazer o mesmo através de uns esquisitos regulamentos e suas instruções.Não funcionou…

omosquito

Fez hoje um ano que O Mosquito voltou a voar, quase oito décadas depois das suas primeiras picadelas. Concordo que é mais uma ressurreição, que isto da imortalidade não pode ser um exclusivo privilégio dos humanos. Mas quanto aos tradicionais parabéns, para além dos merecidos pelo insecto propriamente dito, assim como pelos seus actuais protectores, também me sinto com direito a eles e, comigo, todos os que sentem conforto naqueles zumbidos e naquelas picadelas que outros detestam ou receiam.

Que O Mosquito continue a voar por longos anos, são os votos deste “infectado” paciente, com um abraço de saudação amiga ao Jorge e à Catherine.

António Martinó de Azevedo Coutinho

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