RAUL CORREIA: A importância de um estilo – 2

Um ritmo vertiginoso, como nos filmes policiais

Raul Correia (1094-1985)Raul Correia, cuja carreira literária iniciada no Tic-Tac, em 1934, abriu novos horizontes ao panorama da imprensa infanto-juvenil portuguesa — em perfeita sintonia com o cinema, a literatura de aventuras e as histórias aos quadradinhos, ou seja, com o gosto popular da época —, foi o escritor de estilo inimitável, o “farol” que iluminou com o radioso clarão da aventura e da poesia milhares de corações juvenis, que não lobrigavam em nenhum outro jornal da especialidade competidores, isto é, novelistas à sua altura.

mosquito-1943-8-nc2ba422-961Algumas das suas criações, com relevo para as de temática policial, perduraram no tempo e na memória dos leitores. Foi o caso de James Donald, Ronald Campbell, Eduardo Silveira e, em especial, Rudy Carter (outro personagem a quem emprestou as iniciais do seu nome), que surgiu na novela “Rudy Carter (G-Man)”, combatendo o crime ao lado dos intrépidos agentes do FBI. Além disso, a fim de aumentar o impacto e o realismo da acção, Rudy (abreviatura de Rudolph) Carter era perito em boxe, jiu-jitsu, tiro com armas de fogo, e praticante exímio de vários desportos. A sua imagem definitiva (e autêntica, pelos padrões do autor) foi magni- ficamente retratada por E.T. Coelho nas novelas “Oito Horas de Vida” e “Noite Tranquila”, de que apresentamos a seguir algumas páginas.Oito horas de vida 1  378

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O sete de espadasNovelista e detective de origem norte-americana, à semelhança de Ronald Campbell, Rudy Carter foi protagonista de uma longa série de aventuras que o tornaram imensamente popular entre os leitores d’O Mosquito, desde a primeira novela, dada à estampa em 1937, e da seguinte, com o título “O Sete de Espadas” (publicada também em livro em 1975), até ao seu último caso, “O Livro de Apontamentos”, vivido 12 anos depois do primeiro, numa fase em que a revista mudou de orientação, devido à saída de Cardoso Lopes. A tenta- tiva (provável) de ressuscitar Rudy Carter, uma espécie de alter-ego de Raul Correia, não teve, no entanto, consequências… porque este, único responsável, à data, pelo futuro do jornal, já estava no fim da sua carreira de novelista. Mas isso é outra história…

O relógio parado  - vinheta    380Entre as narrativas mais curtas em que intervém Rudy Carter, abrangendo o período de 1937 a 1942, destaca-se “O Relógio Parado”, cuja acção já é posterior à sua saída do FBI. Ao regressar à vida normal, Rudy sente necessidade de voltar a escrever e procura o necessário isolamento num hotel de Chicago, cidade conhecida como “a capital do crime”. E, de facto, o local foi bem escolhido, porque o crime não tardou muito a vir ao seu encontro, num trepidante episódio de cariz cinematográfico, em que as imagens desfilam num ritmo vertiginoso, como uma sucessão de fotogramas projectados numa tela, pontuadas por frases curtas, que martelam em cadência o desenrolar da acção.

Publicado n’O Mosquito nºs 117 e 118, de 7 e 14/4/1938, com gravuras inglesas, este conto foi reeditado por Roussado Pinto na colecção Pantera Negra, e ilustrado de forma magnífica por Carlos Alberto Santos, artista que domina tão bem a cor como o preto e branco. Aqui têm, pois, “O Relógio Parado”, como exemplo de um dos melhores contos policiais de Raul Correia, na versão integral extraída da revista Pantera Negra nº 6 (1/11/1977).

O relógio parado  - 1 e 2

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