O MOSQUITO EM 1943 – 9

Como assinalámos no post anterior desta rubrica, um dos mais notáveis acontecimentos do ano de 1943, para os leitores d’O Mosquito, ocorreu no nº 424, de 17 de Julho, com a aparição nas suas páginas de um novo desenhador, já famoso no país onde nascera: o mestre espanhol Emilio Freixas, cuja obra seria também muito apreciada e aplaudida em Portugal, graças à larga divulgação que teve n’O Mosquito e no Diabrete.

mosquito-1943-8-chicos-73“A Heróica Aventura” (tradução livre do título bastante mais sugestivo “El País de las Arenas”) foi a história que o apresentou aos leitores d’O Mosquito e também a primeira oriunda do semanário Chicos, que se publicava em San Sebastian e com o qual Cardoso Lopes e Raul Correia iriam estabelecer, a partir dessa data, um longo e frutuoso intercâmbio. Além de ser primorosamente ilustrada, embora com textos sem balões, dentro de “cartuchos” inseridos nas vinhetas — que os eruditos designam por legendas diegéticas, em oposição às didas- cálicas (isto é, fora das vinhetas) —, tinha como protagonistas dois ladinos rapazotes, Chatillo e Frederico, ambos vestidos a “rigor”, o primeiro como groom de hotel e o segundo como filiado da Frente de Juventudes espanhola, substituída, no texto que Raul Correia traduziu e adaptou, por outra organização similar: a Mocidade Portuguesa. Os seus patronos e companheiros de aventuras eram dois aviadores fascistas, mas suficientemente simpáticos e destemidos para que essa ideologia não ofuscasse as suas virtudes: o capitão Izquierdo (apelido que até soa a ironia, visto a história ter sido publicada em 1939, no final da guerra civil espanhola) e o coronel Bustamante, baptizados n’O Mosquito com os patrióticos nomes de Vilalva e Lencastre. Quanto a Chatillo, o mais jovem elemento do grupo, passou a chamar-se José Luís, por alcunha “Foguete”.

mosquito-1943-8-a-heróica-aventura-1Publicada verticalmente nas páginas centrais da revista — sem estar sujeita, como as histórias inglesas e italianas, às desmon- tagens que um formato mais pequeno implicava, o que também foi um factor de destaque —, “A Heróica Aventura”, com o aspecto original do seu grafismo e o singular carisma dos seus heróis (cujas “cores” políticas mal eram afloradas na acção do episódio), não tardou a conquistar o aplauso dos leitores, que teriam rejubilado se soubessem que “Foguete”, Frederico e os seus heróicos companheiros, o capitão Vilalva e o coronel Lencastre, tinham ainda para lhes oferecer mais duas magníficas aventuras, de duração e interesse muito superiores à primeira: “A Cidade das Três Muralhas” e “A Seita do Dragão Verde”.

Como apresentamos também a primeira página de “El País de las Arenas”, publicada em 26/7/1939, no nº 73 de Chicos, aproveitem não só para apreciar os desenhos de Freixas a cores, como para comparar as duas versões do texto… e decidam, depois, qual é a melhor.

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