SAUDADES DO VERÃO… E DAS FÉRIAS!

Santo Amaro praia

Oeiras postal 1   e 2Não só as férias, há 60 anos, eram maiores, como muitos jovens desse tempo preferiam geralmente a leitura a outras amenas distracções. Lembro-me bem de levar sempre um livro e algumas revistas — como O Mosquito, o Mundo de Aventuras e O Século Ilustrado — quando ia para a praia de Santo Amaro de Oeiras, a minha preferida.

Situada na linha de Cascais, entre Paço de Arcos e Carcavelos, hoje já não goza da reputação que tinha noutros tempos. Era apreciada, sobretudo, pelos seus bons ares, pela água límpida e calma, sem grandes ondas, e pela extensão do areal (embora menor que o da praia vizinha). Além disso, tinha (e ainda tem), do lado poente, a esplanada do Inatel, fronteira ao mar, muito frequentada, nessa época, por estrangeiros, e o Forte de São Julião da Barra; e do outro lado da Estrada Marginal um vasto e frondoso parque, atravessado pela Ribeira da Lage, onde não faltavam diversões durante os meses de Verão — mas hoje tristemente reduzido a uma pálida sombra do seu esplendor natural e da sua utilidade turística, que tantos veraneantes atraía à ridente localidade de Oeiras.  

Oeiras - ribeira da LageA minha família chegou mesmo, em anos seguidos, a passar lá um mês inteiro, numa casa alugada, perto da igreja. Então, eu ia abastecer-me regularmente a um quiosque onde não faltavam as revistas de BD que saíam todas as semanas… incluindo o Diabrete, que em Agosto de 1951 ainda se publicava, mas não tardaria a chegar ao fim da sua carreira, para dar lugar ao Cavaleiro Andante, outra revista que eu não dispensava nas férias grandes (e no resto do ano).

Se os dias de lazer eram passados na praia, a dar mergulhos, a jogar à bola, a dormitar, a ler e a cuidar do bronzeado (inocente sinal de vaidade juvenil), as noites eram dedicadas ao convívio com os amigos, pois juntara-se um grupo de jovens veraneantes, em Oeiras, que à noite se encontravam sempre no mesmo sítio, para fumar, beber umas cervejas e conversar (a praia, o desporto e o cinema eram os principais tópicos… o liceu ficava esquecido), e atirar piropos às garotas que passeavam pelo parque. Belos tempos!

o-defunto9001

Foi também na praia de Santo Amaro de Oeiras, mas noutro ardente Verão, que me deliciei a ler os primeiros episódios de uma nova aventura de Cuto, “A Ilha dos Homens Mortos”, e de “O Defunto”, um conto de Eça de Queirós, magistralmente ilustrado por E. T. Coelho, que O Mosquito começou a publicar no nº 1157, em 26 de Julho de 1950. Lembro-me desse dia tão bem como se fosse hoje! Como o tempo voa!…

E para rematar este saudosista apontamento estival — em plena Primavera, com dias ainda frios, cinzentos e chuvosos!… —, aqui ficam, dedicados especialmente aos admiradores de E. T. Coelho e de Jesús Blasco (que ainda são muitos), a primeira página de “O Defunto” (com o texto original de Eça de Queirós) e dois episódios de Cuto, extraídos dos nºs 1157 e 1158 d’O Mosquito. Qualquer dia o nosso blogue tem de recuperar estas histórias de dois grandes mestres da BD mundial, infelizmente já desaparecidos…

cuto-vermelho1cuto-azul

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s