ÁLBUNS DE NATAL E PRESÉPIOS D’O MOSQUITO – 2

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Com esta capa, O Mosquito celebrou o seu segundo número natalício, em 16/12/1937. A imagem do Pai Natal e dos seus minúsculos companheiros era baseada numa ilustração do humorista espanhol Arturo Moreno, publicada na revista infantil Pocholo (Natal de 1936).

2013-12-05-22-29-482O arranjo gráfico devia-se a António Cardoso Lopes Jr., o célebre Tiotónio, director artístico d’O Mosquito e criador das impagáveis figuras do Zé Pacóvio e Grilinho, dois “saloios” na tradição dos tipos populares de Raphael Bordallo Pinheiro. Na capa, vêem-se outros heróis da revista, como o Cão Top, de Cabrero Arnal, outro magnífico desenhador espanhol (ao qual também já fizemos referência), D. Triquetraque, caçador de feras, de A. Moreno, e o Capitão Bill, junto da sua equipagem, personagens de origem inglesa criados pelo mestre Roy Wilson (e aqui retocados pelo traço de Tiotónio).

Recorde-se que o segundo director e fundador d’O Mosquito era Raul Correia, prolífico autor de novelas de aventuras (e tradutor de todas as legendas das histórias aos quadradinhos), que assinava também, com o pseudónimo de Avôzinho, uma poética coluna, em prosa e em verso, que lhe granjeou o afecto e a admiração de milhares de leitores fiéis (muitos dos quais nunca descobriram a identidade desse bondoso avô imaginário).

No presente número de Natal, o seu estro poético brilhava com especial fulgor em dois trabalhos alusivos à quadra, como impunha a tradição, nesses tempos em que o texto ainda tinha primazia sobre a imagem: o belo poema “Noite de Natal” e o conto “A Oração das Lágrimas”, que deve ter deixado muitos garotos — pelo menos aqueles que já sabiam ler — com os olhos repassados (de lágrimas) de emoção.

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Na contracapa desse número, bem recheado de histórias inglesas, como Pelo Mundo Fora (de Walter Booth), O Capitão Bill, o Grumete Bell e o Cozinheiro Ball (de Roy Wilson) e Beric, o Bretão, O Mosquito anunciava o seu “presente” de Natal: um belo álbum a cores com a história completa, desenhada por Arturo Moreno, “Ponto Negro, Cavaleiro Andante” (Punto Negro en el País del Juego), oriunda também do Pocholo — obra-prima do surrealismo poético em quadradinhos, plena de inventiva, humor e fantasia, que tinha como protagonista um borrão de tinta transformado em destemido herói de papel. A sua figura surgia também na capa d’O Mosquito, em jeito de reclamo (outra boa ideia do Tiotónio).

Foi uma das muitas personagens — tanto na BD como no cinema animado — que consagraram Arturo Moreno Salvador (1909-1993) como um dos mais criativos e prolíficos autores humorísticos espanhóis da sua geração.

Ponto Negro 1 e 2

Outro presente que encantou todos os leitores, sobretudo os mais entusiastas das construções de armar — que nessa época, à falta de outros entreténs, eram o regalo da miudagem, sempre ávida de novidades e passatempos, mesmo os de papel —, foi a separata inserida neste número, com as três partes (ou planos) de um pitoresco Presépio desenhado por Rocha Vieira, colaborador eventual d’O Mosquito, mas copioso ilustrador no Tic-Tac e noutras revistas infanto-juvenis, onde deixou obra de vulto.

Aqui têm também essa rara separata colorida, graças aos bons préstimos do nosso amigo Carlos Gonçalves, a quem agradecemos, uma vez mais, a sua preciosa colaboração.

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