ÁLBUNS DE NATAL E PRESÉPIOS D’O MOSQUITO – 1

Natal mosquito 50 - 1

O primeiro número extraordinário d’O Mosquito foi o do Natal de 1936, mas o que nele chamava a atenção, à primeira vista, não eram os motivos natalícios estampados na capa (na verdade, limitados a um patusco boneco de neve e ao decorativo friso de brinquedos que ladeavam uma página humorística com desenhos de C. Arnal). Para os olhares ávidos da rapaziada, o seu principal atractivo era o número recorde de páginas, nada mais nada menos do que 20, numa edição sem acréscimo de preço — assinalável triunfo que só foi possível graças ao célere aumento da tiragem, de 5.000 para 10.000 exemplares, durante o ano em que o atraente semanário veio, pela primeira vez, ao mundo. E esse número não pararia de crescer… apesar dos sistemáticos atrasos na distribuição provocados por uma tipografia que já não chegava para as encomendas!

Natal mosquito 50 - 2 e 3 bis

Natal Mosquito, anúncioBem recheadas de contos, novelas, curiosidades, engenhocas (ensinando a fazer um copiógrafo) e histórias aos quadradinhos (na sua maioria de origem inglesa, como as trepidantes séries Pelo Mundo Fora, de Walter Booth, e Jovens Heróis, de Reg Perrott), sem esquecer as tradicionais rubricas do correio e da coluna do Avozinho (que dedicava aos seus pupilos dois belos poemas de Natal), essas 20 páginas “enfeitavam-se” também com uma mão-cheia de anúncios comerciais (que O Mosquito fazia questão de recomendar “pessoalmente” aos seus leitores) — prova insofismável de que o retumbante sucesso alcançado junto do público infanto- -juvenil era também reconhecido por muitas firmas dos mais diversos ramos, todas curiosamente localizadas em Lisboa… onde, por razões óbvias, devia ser mais fácil angariar publicidade do que no resto do país.
Natal mosquito 50 - 5 e 6 bis

Guerra no país dos insectos - 1Numa dessas páginas, o entusiasmo da miudagem atingiu o rubro ao ler o anúncio de outra grande novidade com que O Mosquito decidira comemorar o seu primeiro ano de existência: Guerra no Pais dos Insectos, “o livro mais engraçado que jamais se viu”, com 24 páginas a duas cores e capa em cartolina, pelo módico preço de 2$50… um autêntico brinde de Natal, mais apetecível do que todas as guloseimas da festa da Consoada!

A feliz iniciativa de António Cardoso Lopes (Tiotónio) e Raul Correia (Avozinho), os dois criadores e directores d’O Mosquito, foi um dos maiores êxitos dessa temporada natalícia, pois o belo álbum em formato A4 — outra obra-prima de Cabrero Arnal, um dos maiores mestres da BD humorística espanhola desse tempo — esgotou-se num ápice… com natural regozijo dos editores, que animados por esse novo triunfo, repetiriam a experiência nos anos seguintes, lançando mais álbuns com a assinatura de C. Arnal e de outro excelente desenhador espanhol, Arturo Moreno.

Guerra no país dos insectos - 2   248

Natal mosquito 50 - 7Mas não é tudo… Além desta sensacional novidade — que até ostentava na contracapa um diploma régio, assinado por Sua Majestade D. Mosquito I, conferindo prerrogativas e favores especiais aos seus compradores —, brilhavam outras “luzes” nos frondosos ramos natalícios d’O Mosquito nº 50, com data de 24/12/1936 (mas que só saiu dias depois… mais uma vez por culpa da tipografia). O seu ecléctico sumário tinha o condão de educar, moralizar e emocionar, mas também de divertir, através das criações humorísticas que recheavam as suas páginas, em especial aquela que fazia as honras da contracapa: mais um episódio das Formidáveis Aventuras do Grumete Mick, do Velho Mock e do Cão Muck, mirabolante série aventurosa que transportava também os leitores para paragens exóticas… mas num estilo bem diferente das criações inglesas, espelhando o talento e a originalidade de Moreno, outro ídolo da rapaziada que em muito contribuiu, nesses primeiros tempos, para o avassalador êxito d’O Mosquito.

Anos depois, esta pitoresca aventura (oriunda da revista infantil espanhola Pocholo) seria também publicada em quatro álbuns de pequenas dimensões (21 X 14,5 cms), que ainda hoje constituem uma preciosa (e cobiçada) raridade… tal como a Guerra no Pais dos Insectos, de C. Arnal, também reeditada no mesmo formato.

Mick mock e muck volume 1   250Guerra no país dos insectos - 3

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