GALERIA D’O MOSQUITO – 1

Mosquito nº 1 capa e contracapa

Na rubrica Números “Primus” (oriunda do Gato Alfarrabista) já tivemos ensejo de mostrar o aspecto com que O Mosquito se apresentou ao público infanto-juvenil no dia 14 de Janeiro de 1936… há quase 79 anos!

Anúncio do MosquitoCom oito páginas apenas, metade das quais a duas cores (preto e magenta), mas recheadas de textos e de histórias aos quadradinhos, numa proporção equilibrada e inédita em qualquer publicação congénere, ataviava-se ainda com o primeiro poema em prosa de um desconhecido “Avozinho” — que se tornaria futuramente a figura mais tutelar e estimada pelos leitores, apesar do seu anonimato — e uma secção destinada às meninas, o “Correio da Ti’rene”, cuja orientação estava a cargo da irmã mais velha de António Cardoso Lopes Jr. (Tiotónio), um dos directores e criadores do jornal, juntamente com Raul Correia, a quem cabia toda a parte literária, incluindo os poemas em prosa e em verso do misterioso “Avozinho”.

Tiotónio, autor da capa inaugural, com a cara alegre de um petiz em grande plano, junto da figura janota do “Mosquito” (que serviu também de reclamo no Diário de Notícias), teria papel mais activo como ilustrador, a partir do segundo número.

Mosquito nº 1 página 2  e 3

Ao abrirmos esta galeria, onde iremos apresentar os primeiros números d’O Mosquito — uma das maiores raridades do coleccionismo de banda desenhada, tão procurados que já eram vendidos a “peso de ouro” quando comecei a refazer a minha colecção, há mais de 40 anos, enquanto procurava também encetar um novo caminho profissional —, decidimos repetir o número primus, mas desta vez com todas as páginas, emparceirando a capa com a contracapa e dispondo as outras pela ordem numérica respectiva.

As histórias aos quadradinhos, com o traço de excelentes desenhadores europeus, como Walter Booth, Roy Wilson e Arturo Moreno (cobertos ainda pelo véu do anonimato), eram o “chamariz” da revista, mas não tardou que as novelas policiais escritas por Raul Correia, num estilo vibrante e emotivo, despertassem também o entusiasmo dos leitores.

Mosquito nº 1 Pág central

Na sua primeira etapa, que durou quase quatro anos e 200 números, O Mosquito, de periodicidade ainda semanal, era impresso numa máquina que teve de ser substituída duas vezes, na razão directa do imparável êxito da revista, cuja tiragem subiu dos 5.000 exemplares iniciais para o dobro no espaço de poucos meses… atingindo em finais de 1939 a espantosa cifra, para um jornal infantil, de 15.000 exemplares!

MOSQUITO GRÁFICA 1 e 2

Esse estrondoso sucesso, que acabou por ter grande impacto no destino de alguns dos seus principais concorrentes — a começar pelo Tic-Tac, revista criada também por Cardoso Lopes e onde Raul Correia iniciou a sua actividade literária —, permitiu manter durante bastante tempo o preço de capa de cinco tostões, “bandeira” que O Mosquito orgulhosamente desfraldava junto do seu numeroso público, uma legião de miúdos com idade média inferior a 10 anos, espalhados por todo o país e oriundos em grande parte das classes menos privilegiadas… mas que sabiam ler, escrever e contar, sem papas na língua, e tinham uma predilecção especial pelas histórias com “bonecos”.

Aproveitem para ler também, de ponta a ponta, este raríssimo número primus d’O Mosquito (até o suplemento do Jornal do Cuto onde foi reimpresso já é difícil de encontrar), clicando segunda vez sobre as imagens para as ampliar ao máximo.

Mosquito nº 1 pedro e paulo marinheiros   475

Sobre o que foi a “odisseia” d’O Mosquito nos primeiros anos de vida, debatendo-se com grandes problemas — resultantes sobretudo da escassez de papel, devido à guerra, e do equipamento das suas oficinas gráficas, que já não era compatível com o ritmo de impressão exigido pelo crescente aumento da tiragem —, queremos chamar a atenção para um excelente artigo de José Ruy editado no BDBD – Blogue de Banda Desenhada, um dos nossos confrades que acompanhamos regularmente, com muito interesse, e que, por mérito próprio, incluímos na nossa lista de favoritos.

Cabeçalho BDBD

Esse artigo, além da mais-valia das informações e dos inesgotáveis conhecimentos de Mestre José Ruy (cuja memória privilegiada não cessa de nos encantar), tem ainda um valioso acervo de imagens sobre as primeiras máquinas que imprimiram O Mosquito — e é o preâmbulo de uma série que o BDBD apresentará ao longo de vários meses, com o título “Como eram por dentro as redacções dos jornais infantis”. Para o lerem e desfrutarem, como merece, basta clicar em http://bloguedebd.blogspot.pt/2014/10/a-vida-interior-das-redacoes-dos.html#comment-form

 

 

 

 

 

 

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