ANTOLOGIA DE CONTOS DE ACÇÃO

A NOITE DO ANO NOVO – 3 (por Johnston McCulley)

cowboy-lasso-saturday-evening-postEmbora já tivessem aparecido n’O Mosquito com regularidade, a partir do nº 1032, outros contos de acção traduzidos por Raul Correia, esta epígrafe surgiu pela primeira vez no nº 1100, com um conto de Max Brand intitulado “Deserto”, publicando-se sem interrupções até ao nº 1320. Quase seis meses depois, reapareceu no nº 1373, primeiro de uma nova fase (que seria também a última), mas a sua publicação foi descontínua até ao nº 1408.

Muitos desses contos, com predominância dos géneros western e policial, eram oriundos do célebre magazine americano The Saturday Evening Post (cujas capas, assinadas por artistas como Norman Rockwell, N. C. Wyeth e outros, marcaram uma época), e com eles Raul Correia pretendeu certamente chamar a atenção dos leitores para temáticas mais amadurecidas e para um estilo narrativo completamente novo, preenchendo assim a vaga deixada por alguns antigos colaboradores literários d’O Mosquito.

Nos anos 50 e 60, com o ressurgimento da literatura policial e do western, vários contos publicados nessa rubrica, incluindo “A Noite do Ano Novo”, de Johnston McCulley (cuja terceira parte seguidamente apresentamos), foram reeditados em Antologias organizadas por Roussado Pinto, nomeadamente no Edgar Caygill Magazine e em dois volumes com o título 18 Grandes Histórias de “Western” e Best-Sellers” do Conto “Western”, cujas capas oferecemos também à curiosidade dos nossos leitores.

Bestsellers do conto western1 e 2E. Caygill+18-w

A noite do Ano novo - 3

III

Resumo: O Ranger Pat Malloy chega a Copper City nas vésperas do Ano Novo, para visitar a sua noiva, e é informado pelo pai desta que a cidade poderá tornar-se um inferno quando começarem os festejos, à meia-noite, devido à presença de dois bandos rivais, um deles chefiado pelo desordeiro Bart French, que planeia vingar-se de Malloy e de Ed Catlin, o gerente da Companhia Mineira. Nos “saloons” a balbúrdia ainda não começou, mas já se sente a tensão na atmosfera…

ERA quase meia-noite e as possíveis complicações não tardariam a começar… se não houvesse meio de evitá-las. Malloy deixou-se ficar numa esquina sombria, até que viu Ed Catlin aparecer ao fim da rua e dirigir-se para o primeiro saloon. O Ranger seguiu-o, conservando-se a distância.

Catlin entrou, aproximou-se do balcão corrido e fez um sinal ao dono da casa.

— Sirva de beber a toda a gente, amigo! A Companhia Mineira paga a despesa!

Os mineiros empurraram-se uns aos outros na direcção do balcão, rindo e soltando exclamações de alegria. Os brush-poppers ficaram afastados.

— Nós pagamos as nossas bebidas! — disse um deles.

Catlin não respondeu. Bebeu um gole de whisky e encaminhou-se tranquilamente para a porta, passando a poucos metros de Malloy.

No segundo saloon, a cena repetiu-se, quase igual. Quando Catlin saía, o Ranger foi ao seu encontro.

— Por que não fica por aqui, Ed?

— Estou a cumprir as ordens da Companhia, Pat! Agora vou ao saloon de Pedro Lopez… e logo se vê o que acontece!

— Bem, visto que assim o quer… Mas depois vá para o armazém e fique ao lado de Tom Dell! É mais seguro!…

Catlin acenou afirmativamente e atravessou a rua. Pat Malloy deu a volta pela ruela estreita e foi postar-se junto da porta da retaguarda do saloon. Viu Ed Catlin aproximar-se do balcão e fazer um sinal a Lopez. Este respondeu com um gesto que queria dizer que tinha entendido, e dirigiu-se para o meio da casa.

— Como de costume, meus senhores, a Compa­nhia Mineira convida toda a gente para beber e deseja-lhes um feliz Ano Novo!…

Um coro de aclamações acolheu o convite e os mineiros adiantaram-se para o balcão. A um gesto de Bart French, os brush-poppers ficaram onde estavam.

— Não precisamos do whisky da Compa­nhia! — rouquejou French.

Sem responder, Catlin levantou o copo e saudou os mineiros. Depois, muito calmo, enrolou um ci­garro e acendeu-o. Teve um meio sorriso na direc­ção de French, um meio sorriso em que havia uma espécie de desdenhosa piedade. E encaminhou-se para a porta.

Correndo ao longo da ruela, Malloy deu a volta ao barracão e atravessou de novo a rua em direcção ao armazém. Além de Catlin e de Tom Dell, só lá se encontravam dois empregados e velhos habitantes de Copper-City. O Ranger parou no limiar e disse em voz baixa:

— Peço-lhe que não saia por enquanto, Catlin! Eu volto já!

Evitando os pontos frouxamente iluminados através das portas e janelas dos saloons, voltou a atravessar a rua e parou à esquina do barracão de Pedro Lopez. Do lado de dentro, junto à porta, French falava com um dos seus homens.

— Ele está no armazém, com o Dell! — disse uma voz.

De súbito, a rua encheu-se de gente e o vulto maciço de Pedro Lopez apareceu à porta do sa­loon, de relógio em punho. Malloy viu-o levantar um braço e olhar atentamente para o relógio. Fez-se um silêncio quase completo. E bruscamente Lopez gritou:

— Meia-noite!

Um barulho ensurdecedor, feito de brados e de bater de pés, precedeu de pouco o detonar de cen­tenas de armas. Na sombra, Pat Malloy tentava observar tudo ao mesmo tempo. Podia ver, à porta do armazém, os vultos que se recortavam na luz que vinha de dentro. Dell baixou-se de repente e o Ranger teve a impressão de que ele devia ter sentido uma bala assobiar-lhe aos ouvidos.

Foi nesse momento que Bart French apareceu à porta do saloon, de revólver em punho, dispa­rando para o ar. Pat Malloy avançou um passo, mas não podia intervir sem que Bart lhe desse motivo. E o motivo surgiu. Voltando-se rapidamente, Bart baixou o cano da arma e disparou mais uma vez. O Ranger viu o vulto de Catlin oscilar e cair…

Empunhando o revólver, Pat lançou-se para a frente. French fez fogo sobre ele, mas a bala perdeu-se. Um grupo de brush-poppers quis interpôr-se, mas o Ranger disparou e os homens recua­ram, enquanto um deles lançava um brado agudo. Rápido, arrancou a arma da mão de French e abateu-o com uma coronhada. Uma dezena de balas veio cravar-se na parede do barracão. Pat disparou até despejar as suas armas e a de French. Então, curvando-se, pulou para a sombra e voltou a carregar os colts. Os brush-poppers atropelavam-se uns aos outros, procurando-o. O Ranger olhou em volta: French já não estava caído à porta do saloon… o que significava que a sua gente o tinha transportado para dentro.

Dell e um dos empregados levavam também Catlin para o interior do armazém, do outro lado da rua. Alguém correu, gritando que ia buscar o médico. Os mineiros agrupavam-se e uma voz bradou:

— Foram os brush-poppers! Mataram Ed Catlin!

                                                        (Continua )

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