O MOSQUITO EM 1943 – 4

jim-west-para-curandel1311“Aventuras de Jim West”, a longa e trepidante novela de Raul Correia que o popular bissemanário O Mosquito começou a publicar no nº 375, de 27/1/1943, era uma espécie de sinfonia do Novo Mundo, percorrida por um sopro de epopeia, com personagens que não se apagaram da memória dos leitores, ao ponto de ressuscitarem, anos depois, numa das primeiras histórias aos quadradinhos de E. T. Coelho: Jim West, um jovem e destemido pioneiro, Louise, a sua dedicada companheira, e o pitoresco Nath Pig, caçador e inimigo encarniçado dos índios.

E se a prosa de Raul Correia, de crescendo em crescendo, chegou a atingir momentos de grande vertigem, tanto na toada épica dos combates como no hino ao selvático esplendor da Natureza, o labor do seu parceiro artístico não lhe ficava atrás, confirmando o exímio domínio da forma, a versatilidade e o dinamismo do estilo, cada vez mais perto do perfeccionismo estético e da exuberância cinética. Algumas das capas e ilustrações de “Aventuras de Jim West”, como temos vindo a apresentar, figuram entre as melhores publicadas nesta fase d’O Mosquito.

Três novos e sugestivos cabeçalhos desenhados por E. T. Coelho surgiram nos nos 389, 390 e 392, mostrando que a sua fértil fantasia continuava ao serviço da renovação gráfica iniciada meses antes. É caso para perguntarmos: teria o pequeno e modesto jornal, naquela época, o mesmo impacto, o mesmo extraordinário efeito, quase mágico, sobre os leitores, sem a magnífica colaboração de E. T. Coelho, que se desdobrava em múltiplas tarefas? A resposta parece óbvia, por mais elogios que se possam fazer às histórias inglesas, a Cardoso Lopes, a Raul Correia e aos outros membros da equipa.

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Entre os nos 385 e 388, um dos principais atractivos foi a inclusão de mais separatas com uma construção desenhada por E. T. Coelho, cujo tema, relacionado também com o Oeste americano, era “Um Carro de Colonos” — aproveitando o êxito crescente das “Aventuras de Jim West” e a popularidade dos seus indómitos protagonistas.

(Temos, mais uma vez, de agradecer a Carlos Gonçalves a possibilidade que nos deu de apresentarmos algumas delas neste blogue).

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No nº 386, chegou ao fim a original aventura “O Mistério da Sala 13”, desenhada por Henry M. Brock. No número seguinte, O Mosquito interrompeu a série de capas dedicadas a Jim West, mostrando uma emotiva cena, espectacularmente recriada por E. T. Coelho, da história aos quadradinhos “Nas Montanhas da Índia”.curiosidade-4-pequenas1

Nessa mesma edição, regressou o correio, com as respostas às numerosas cartas dos leitores, e a apreciada mas irregular rubrica “Curiosidades”, a cargo, como habitualmente, de E. T. Coelho. Em complemento das histórias inglesas, podia ainda ler-se uma aventura de aspecto muito diferente, embora de menor qualidade artística, intitulada “O Gavião do Sul”, com um novo herói que apareceu em mais episódios, sobretudo na Colecção de Aventuras (publicação quase gémea d’O Mosquito), e ao qual Raul Correia deu a identidade de um aventureiro português com o nome de Pedro de Lemos e a curiosa alcunha de “Dinamite”.

Sabemos hoje que esses episódios eram de origem italiana e, em contraste com as séries inglesas, exibiam alguns recursos pouco usuais na revista, como a abundância de “balões”, ou seja, o uso generalizado do discurso directo, e textos mais curtos em legendas intercalares que costumam designar-se por “cartuchos”. Nesse aspecto, foram uma novidade absoluta para a maioria dos leitores, habituados aos textos “didascálicos”, operando durante alguns meses uma espécie de dicotomia n’O Mosquito, como que a anunciar tempos de mais profundas e duradouras transformações.

Os respectivos desenhadores — muitos deles identificados, pela primeira vez, num exaustivo estudo de Américo Coelho publicado no Boletim do CPBD nos 127 e 128 (2009) — davam pelos nomes de Vitaliano Bertea (que desenhou o citado episódio e quase todas as aventuras de “Dinamite”), Giorgio Scudellari, Umberto Nova, Carlo Cossio, Giuseppe Capadonia e António Salemme, entre outros. A seu tempo, logo que terminado “O Gavião do Sul”, mais episódios deste género surgiriam n’O Mosquito.

Como  curiosidade,  destaquem-se  ainda  as  duas  novidades  (de  quatro)  anunciadas  nos nos 387 e 388: emblemas para os assinantes e concursos “Relâmpago” semanais, com prémios monetários que iam de 20$00 a 5$00 (uma pequena fortuna, naquele tempo, para a maioria dos jovens leitores, cujas posses eram bastante reduzidas).

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