GRANDES AUTORES – 1

ALEJANDRO BLASCO E O GATO MORRONGUITO

Nota: Publicamos o nosso primeiro post em conjunto com o blogue Gatos, Gatinhos e Gatarrões, para celebrar o 86º aniversário do nascimento de um grande dibujante de histórias aos quadradinhos, bem conhecido dos leitores d’O Mosquito e do Diabrete, na segunda metade dos anos 40. Às imagens, acrescentámos duas páginas d’O Mosquito, para dar também uma amostra do estilo realista deste desenhador.

Alejandro Blasco nos anos 40Alejandro Blasco (1928–1988), foi um autor de historietas e ilustrador espanhol, célebre pelo trabalho realizado em conjunto com os seus irmãos Jesús (1919-1995) e Adriano Blasco (1931-2000). Muito novo ainda, serviu de modelo para o herói Cuto, protagonista da famosa série do seu irmão Jesús, publicada nas revistas Boliche e Chicos.

Alejandro iniciou a sua carreira em 1943 no semanário para meninas Mis Chicas (uma revista com BD e ilustrações, editada em San Sebastian por Consuelo Gil), onde já trabalhava a sua irmã Pilar. Entre 1941 e 1950, Mis Chicas publicou 407 nú- meros, sendo a primeira revista feminina do pós-guerra espanhol e, durante muitos anos, a única. lote_48458_2Foi nas suas páginas que surgiu, em estilo humorístico, a primeira criação de Alejandro Blasco: as aventuras de mais um gato antropomórfico, com o curioso nome de Morronguito.

Segundo Salvador Vázquez de Parga, eminente crítico, ensaísta e historiador de tebeos (a BD publi- cada em Espanha), tanto o seu estilo como o do seu irmão mais novo Adriano “acusavam as influências de Anita Diminuta [outra famosa personagem criada por Jesús Blasco] e das histórias de Angel Puigmiquel, assim como, remotamente, das de Walt Disney.

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A série teve grande êxito e, em 1945, saiu o álbum intitulado Una aventura de Morronguito en el Río de Perlas. Embora, no vídeo que seguidamente apresentamos, seja atribuída também a Adriano a autoria de Morronguito, essa dupla ‘paternidade’ nunca foi confirmada. Adriano colaborou, de facto, em Mis Chicas, mas com outras histórias também de estilo caricatural, antes de seguir as pisadas dos irmãos mais velhos, trocando, com êxito, a BD humorística e infantil pela BD de aventuras.

Realmente, um ano antes (1944), confirmando essa vocação, Alejandro tinha-se estreado na revista Chicos, onde realizou inúmeras historietas de aventuras de grafismo realista, com argumentos do prolífico José Maria Canellas Casals, tais como Dardo Amarillo, Polícia Montada, Por Tierras de Emoción, El Idolo del Lago, Titanes en Polo Norte, Zimbra el Gigante de Hierro ou El Corsario X, publicadas também nos dois títulos mais emblemáticos da BD portuguesa dessa época: O Mosquito e o Diabrete.

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A partir de 1947, Alejandro começou a trabalhar em conjunto com Adriano e Jesús, continuando a colaborar individualmente em títulos como El Coyote e Alcotán (dessa produção, já com um traço mais amadurecido, há alguns exemplos no Mundo de Aventuras). Dez anos mais tarde, os três irmãos, unidos por profundos laços familiares e profissionais, montaram um estúdio numa residência de três andares, próximo da ponte de Vallcarca (zona norte de Barcelona), os três Blasco copydedicando-se à produção de BD para o mercado europeu, sempre com a assinatura do irmão mais velho.

Na verdade, como referiu Vásquez de Parga, é difícil avaliar qual terá sido a exacta participação de Alejandro e Adriano na obra de Jesús Blasco para os editores de outros países, sobretudo britânicos e italianos; mas ambos foram, sem dúvida, mais do que simples ajudantes do irmão, a quem confiaram a direcção e coordenação da equipa, sempre coesa até ao seu desaparecimento, com poucos anos de intervalo. É dos raros exemplos de uma família de artistas com um trajecto comum, singular e solidário, partilhado na mesma casa, durante muito tempo.

As peripécias de Morronguito foram publicadas em Portugal, em historietas de uma página, n’A Formiga, suplemento d’O Mosquito dedicado às meninas, que “viveu” até ao nº 180. Temos duas páginas, oriundas dos números 155 e 157, para vos oferecer, assim como outra que encontrámos na Net, reproduzida do álbum “Morronguito en el Rio de Perlas”.

Morronguito em A Formiga nº155 e 157Morronguito P&B

 

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