“O MOSQUITO” EM 1943 – 3

Os progressos d’O Mosquito eram maiores de número para número, graças não só ao seu recheio, com destaque para as histórias aos quadradinhos — algumas das quais estavam em publicação há vários meses, como “Ao Serviço da Lei” e “O Capitão Ciclone” —, mas também ao vistoso aspecto gráfico, do qual E. T. Coelho era o principal responsável.

O mês de Fevereiro de 1943 trouxe algumas novidades, embora o maior relevo fosse para a trepidante novela “Aventuras de Jim West”, uma das mais longas saídas da fértil imaginação de Raul Correia, e para as capas que em todos os números lhe eram dedicadas — algumas curiosamente com legendas, realçando vários tópicos da acção. E. T. Coelho estava, de facto, no melhor da sua forma, a desenhar cavalos e combates com os índios, como se o Far-West fosse um dos seus temas favoritos!jim-west-ilustrac3a7c3a3o0011

Mas a extensão da novela, muito acima da média, afastou momentaneamente das páginas da revista dois dos seus principais colaboradores literários: Lúcio Cardador e Orlando Marques, cujo regresso teria de aguardar mais algumas semanas. Talvez alguns leitores lamentassem a sua ausência, mas a larga maioria não devia queixar-se, pois poucas vezes O Mosquito publicara uma novela tão em- polgante como “Aventuras de Jim West” e, ainda por cima, magistralmente ilustrada. De futuro, essa fórmula iria tornar-se mais duradoura com o advento de um novo escritor, José Padinha, dotado de original veia criativa, e o regresso de um outro que já dera provas de sobejo talento na fase anterior, de formato maior: Roberto Ferreira.

No nº 379, de 10/2/1943, era dado especial destaque a outra eloquente resposta do Avozinho ao “Poeta Vagabundo”, por causa do seu pedido de “madrinhas de guerra”, numa página ilustrada a preceito por E. T. Coelho, com um friso de gentis raparigas.

mosquito-a-propc3b3sito-de-uma-cartaNo nº 381, uma breve nota anunciava o falecimento de Sérgio Luiz, jovem desenhador cheio de talento que começara tempos antes a fazer carreira n’O Papagaio, tal como seu irmão Güy Manuel, que a morte havia de arrebatar também, seis meses depois. Pelo punho de Raul Correia (embora a nota não estivesse assinada), O Mosquito lamentava esse desaparecimento, em tom de comovida homenagem, referindo-se àquele que fora seu colaborador ocasional como “um irmão de armas, um espírito gentilíssimo (…) que continuará a viver sempre entre nós, na nossa memória e na nossa saudade, pela sua obra tão breve quanto luminosa”.

No nº 382, de 20/2/1943, chegou ao fim a curta aventura “Um Detective de 15 Anos”, ilustrada por Arthur Mansbridge, para dar lugar no número seguinte a outra história de origem inglesa, “Nas Montanhas da Índia”, de um autor desconhecido, cujo traço elegante e minucioso fazia boa figura ao lado das magníficas criações de Henry M. Brock, Hilda Boswell e Thomas Heath Robinson, que O Mosquito continuava, com grande êxito, a publicar

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